segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Os três amigos


Vi ontem no “Fantástico” uma cena que poderia ser apenas “um encontro de amigos de 30 anos”, num final de tarde de domingo, como o próprio texto narrou, se os três amigos não fossem quem são -  Michel Temer, presidente da República; Moreira Franco, um de seus ministros mais íntimos e o ministro do STF, Gilmar Mendes - e o momento não fosse um dos mais delicados da vida nacional, três dias depois da morte do ministro relator da Lava Jato Teori Zavascki, que estava para homologar delações de diretores da Odebrecht que envolvem Temer e Moreira Franco, este sob o apelido “Angorá” em denúncias de corrupção.
   Foram filmados na varanda do Palácio do Jaburu, em trajes esportivos, aparentemente alheios à crise que tomou conta do país depois que o avião em que Teori viajava caiu no mar, suscitando suspeitas em grande parcela da população, desconfiada de que houve um atentado, apesar das evidências apontarem em outra direção.
   Temer e Gilmar são reincidentes. Em viagem recente ao velório do ex-primeiro ministro de Portugal, Mário Soares, o presidente da República deu “carona” no avião presidencial ao ministro do STF que é também presidente do TSE, onde corre o processo de cassação da chapa Dilma-Temer.
   Agora o caso é ainda mais grave. Discute-se quem irá herdar a relatoria da Lava Jato. Já se chegou ao consenso de que a presidente do STF Carmen Lúcia deverá redistribui-la entre os colegas atuais por sorteio. Mendes, portanto, pode ser o escolhido.
   Os três amigos não deram a menor importância ao dispositivo da constituição que determina a separação dos Três Poderes e afrontaram a opinião pública com a sua falta de pudor.
   Não dá para Temer nem Gilmar afirmarem, dessa vez, que estavam apenas jogando conversa fora.

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