terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Fiat tira seis modelos de linha de uma só vez


Prestes a renovar sua linha com a chegada de um hatch completamente novo, a Fiat resolveu enxugar a oferta de modelos disponíveis no Brasil. Os carros que estão saindo de linha estavam vendendo pouco ou então faziam concorrência com lançamentos recentes da própria marca. O Palio Fire, por exemplo, perdeu espaço com a chegada do Fiat Mobi que passa a ser o carro mais barato da Fiat, com preço a partir de R$ 33.030. O Palio Fire, no entanto, continua sendo vendido apenas sob encomenda para frotistas.

FIAT



Já a minivan Idea e o hatch Bravo foram descontinuados porque apresentavam vendas baixas. O fim de produção desses dois modelos já havia sido cogitado desde o ano passado. O Doblò cargo estava concorrendo, e perdendo em vendas, para o furgão Fiorino, mais barato. As outras versões da Doblò, Essence e Adventure, continuam em produção.



Por fim, com a chegada do Jeep Compass, produzido em Pernambuco, a Fiat não viu sentido em continuar com as vendas do SUV Freemont, importado do México, já que ambos os modelos concorriam na mesma faixa de preços, em torno de R$ 100 mil.
Do JC Online

Falta privatizar as Forças Armadas



Carlos Chagas
Fica difícil informar quando começou a privatização das penitenciárias. Possivelmente no governo Fernando Henrique Cardoso, ainda que tudo viesse cercado de sigilo. A iniciativa não contava com a simpatia da opinião pública, sempre cheirou a perigo, para não falar de corrupção. Assim o sociólogo recomendou silêncio, seguido pelo Lula e Dilma. Agora, a bomba estourou nas mãos de Temer, ainda que contra a sua vontade.
Isso porque a operação cheira mal desde o início. Grupos econômicos empenhados em faturar o máximo e oferecer o mínimo tem lucrado centenas de milhões. Por certo que separando vultosos percentuais nos períodos eleitorais, financiando mais de um candidato a governador nos Estados de onde tiram quantias milionárias. Até os meios de comunicação omitiram a lambança, só agora forçados pela natureza das coisas a expor as operações celeradas.
Trata-se de uma das maiores distorções do capitalismo. Ganhar dinheiro com a desgraça alheia, no caso das prisões, só perde para a prática de certos laboratórios farmacêuticos que carregam no preço dos remédios. Mesmo assim, os resultados se equivalem. A privatização das cadeias determinou o crescimento das quadrilhas envolvidas com o tráfico de drogas, além da transformação dos presos em animais. Também os remédios em alta permanente de preços terão levado muitos cidadãos à morte prematura por impossibilidade de adquiri-los.
Nos Estados Unidos, essa moda está em extinção, ainda mais porque o criminoso rico transforma sua cela em hotel de luxo, mediante pagamento extra às empresas encarregadas de administrar o conjunto. Aliás, aqui também, porque os chefes dos diversos grupos que vivem do tráfico oferecem churrascos, feijoadas e bailes de arromba a seus protegidos, em alas privilegiadas das prisões.
Seria o caso de o poder público cancelar todas as privatizações e terceirizações, ainda que depois dos recentes massacres seus dirigentes tenham começado a reagir, alegando que os governos não tem recursos para sustentar as prisões estatais. Só que é mentira, pois os Estados destinam horrores para a privataria tornar-se a verdadeira controladora das penitenciárias.
Em suma, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Caberia ao Congresso antecipar-se ao jamais concretizado Plano Nacional de Segurança. Proibir o ingresso da iniciativa privada na gestão dos estabelecimentos penais e ainda investigar o roubo nos contratos celebrados no país inteiro, para as devidas punições e o ressarcimento.
Como estamos no Brasil, ninguém se espante caso o governo Michel Temer dê início à privatização das Forças Armadas. Que tal o PCC financiar o Exército, o CV, a Marinha, e a Família, a Aeronáutica?

Quem não matou, morreu



Carlos Chagas
Até ontem, 108 presidiários foram assassinados em Manaus e Boa Vista por quantos assassinos? Ninguém sabe. Dos que se encontram presos, tendo respondido às chamadas, sabemos os nomes e os números. Dos mortos, também, mas quem matou quem permanece uma incógnita. Dificilmente algum dos animais hoje enjaulados confessará haver degolado e estripado seus companheiros. Alguns poderão ser identificados porque se deixaram fotografar sorrindo, orgulhosos por haver se livrado de integrantes da quadrilha adversária.
Ignora-se, porém, o nome e o registro dos assassinos. Todos negarão haver matado. O certo seria dizer que todos os que não morreram, mataram. Logo se mobilizará a tropa dos Direitos Humanos para livrar a maioria dos responsáveis pelos massacres, “já que inexistem provas irrefutáveis de sua participação”. Advogados não vão faltar para defender montes de “inocentes”.
O país inteiro aguarda a identificação e a condenação dos assassinos, mas é bom tomar cuidado antes que sejam isentos de culpa, com seus crimes atribuídos ao “coletivo”. Não estando em vigor a pena de morte, nem todos os que cortaram o pescoço dos colegas serão punidos. A menos, é claro, que se determine que quem não morreu, matou, e por isso deve morre

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Corpos dos 33 detentos mortos são liberados

Do G1
Os corpos dos 33 detentos mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima, foram identificados e liberados para os familiares, informou o governo na manhã de hoje.
Ao todo, 31 presos morreram na madrugada de sexta-feira (6) na penitenciária que fica localizada na zona rural da capital. Após uma varredura, outros dois corpos foram encontrados enterrados na mesma unidade na tarde de sábado (7). Eles foram identificados como Erismar Duran da Silva e Jaime da Conceição Pereira.
Presos são liberados após massacre
Neste domingo (8), 161 detentos do semiaberto foram liberados para pernoitar em suas próprias casas por ordem dos juízes Marcelo Oliveira e Suelen Alves. Na decisão, eles alegaram que os presos, que cumpriam pena no Centro de Progressão de Pena (CPP), estavam sendo ameaçados de morte.
O pedido foi feito pela Comissão de Direitos Humanos Ordem do Advogados do Brasil em Roraima e teve como base um documento do diretor do CPP, Wlisses Freitas, o qual descreve a "impossibilidade de garantir a segurança dos presos e dos servidores que trabalham no CPP". O documento também foi assinado por 23 detentos, que denunciaram serem ameaçados de morte constantemente.
"Tendo em vista o massacre do último dia 6 na Pamc e das constantes fugas de internos, os denunciantes relatam que estão sofrendo ameaças de morte diariamente. As ameaças são externas e de facções do crime organizado(...). A estrutura física do CPP não oferece a mínima segurança para os reeducandos e agentes carcerários. O plantão do CPP é composto 4 quatro agentes, na maioria das vezes dois homens e duas mulheres, impossibilitando assim qualquer reação de investidas externas", descreve um trecho da decisão.

Aos 81 anos, morre o radialista Walter Lins

Portal FolhaPE
O radialista Walter Lins morreu na manhã desta segunda-feira (9), aos 81 anos. Ele estava internado no Hospital Unimed Recife, na Ilha do Leite, área central da capital pernambucana. Ele morreu em virtude de complicações provocadas por um câncer de fígado.
Em Pernambuco, Walter comandou o Programa Carrossel e a Caixinha de Pedidos, aos sábados, na Rádio Olinda, Pernambuco. O Velório está marcado para as 16h, no Cemitério Morada da Paz.

Não exageremos



Blog do Moreno
Um ministro e presidente de uma estatal foram vistos comendo no mesmo prato e com o mesmo garfo, no cantinho de um restaurante em Brasília.
Gente, vamos economizar.
Mas assim já é um exagero de contenção de custos.
Ah, e, mais importante, dividiram também a conta.
Tendo assumido a prefeitura num evento essencialmente alckmista, ao qual faltaram lideranças tucanas como Serra, Aloysio Nunes e José Aníbal, João Doria cuidou de justificar a ausência de FH.
Disse ter recebido um WhatsApp congratulatório do ex-presidente, “que está no exterior”. Ocorre que FH estava em seu sítio em Ibiúna, na vizinhança da capital. E Doria sabia disso.

Quer salvar a Oi: "Brasil é o país das maravilhas"



                                                           O bilionário egípcio e presidente da Orascom, Naguib Sawiris
Folha de S.Paulo - Julio Wiziack
Segundo homem mais rico do Egito, o empresário Naguib Sawiris já foi ameaçado de morte depois de tuitar imagens do Mickey vestindo trajes islâmicos há quatro anos, durante a revolução após a queda do ditador Hosni Mubarak.
Em 2015, quis comprar uma ilha na Grécia ou na Itália para abrigar refugiados da Síria.
Com a revolução, ele fundou o Free Egyptians Party, partido que defende a democratização do seu país. Foi um dos poucos empresários que, investigados por ligação com o governo deposto, não tiveram bens apreendidos.
Católico praticante, pai de quatro filhos, Sawiris mora no Egito, país de maioria muçulmana, de onde comanda os diversificados negócios da família.
Ele cuida da divisão de telecomunicações, a Global Telecom, formada pela fusão da Orascom, de sua família, com a companhia russa Vimpelcom, no ano de 2011.
Ele também é o presidente do conselho de administração da controladora do grupo, que atua na construção civil, mineração, exploração de óleo e gás, hotelaria e mídia.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Roraima: justiça manda soltar 161 presos

Detentos do regime semiaberto vão dormir em casa para evitar ameaça de nova chacina
Decisão beneficia presos que cumprem regime semiaberto no CPP (Foto: Emily Costa/G1 RR)

O Globo – Thiago Herdy
A Justiça Estadual em Roraima concedeu o benefício de prisão domiciliar par a161 detentos do Centro de Progressão Penitenciária, onde cumpriam pena em regime semiaberto. Eles estarão desobrigados de dormir na cadeia e deverão ficar em casa até o dia 13 de janeiro.
A decisão liminar foi assinada em caráter emergencial pelo juiz substituto da Vara de Execução Penal, Marcelo Oliveira, e a juíza plantonista Suelen Alves, neste sábado, depois que a própria direção da unidade informou não ser possível "garantir a segurança dos presos e dos servidores" que trabalham na unidade.
"O Estado tem o dever de zelar pela integridade física e moral de qualquer pessoa sob sua custódia, notadamente aqueles recolhidos em unidades prisionais estatais", escreveram os magistrados na decisão.
"Ora, se a própria unidade prisional destaca de forma veemente que não tem como resguardar a segurança dos reeducandos dos agentes penitenciários, não é possível fechar os olhos a tal realidade", completaram.
O pedido foi feito um dia depois do massacre de 33 presos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc) e assinado pela Comissão de Direitos Humanos Ordem do Advogados do Brasil em Roraima (OAB-RR).
Os advogados apresentaram um documento assinado pelo diretor da unidade prisional, Wlisses Freitas, relatando haver constante ameaça de morte contra os detentos depois da chacina.
"Tendo em vista o massacre do último dia 6 na Pamc e das constantes fugas de internos, os denunciantes relatam que estão sofrendo ameaças de morte diariamente. As ameaças são externas e de facções do crime organizado", escreveu o diretor no documento levado à Justiça.
O dirigente estadual também mencionou a presença de apenas quatro agentes de plantão todas as noites na unidade, o que impossibilita, em sua visão "qualquer reação de investidas externas",
A unidade que será esvaziada tem cercas e muros, além de um portão de ferro com controle de saída. De acordo com a lei, detentos podiam deixar a unidade todos os dias às 7h para estudar ou trabalhar e eram obrigados a voltar às 19h.
Na decisão deste sábado, os juízes determinaram que os presos não frequentem bares, não portem armas e estejam em casa às 20h, a partir da noite deste domingo até o dia 13. O descumprimento da medida poderá levar à perda do benefício. Depois deste período, eles deverão voltar a cumprir pena em regime semiaberto.

Pastor Valdemiro Santiago é atacado a facadas dentro de igreja

Do UOL-O pastor Valdemiro Santiago sofreu um atentado durante um culto na manhã deste domingo (8) na Igreja Mundial do Poder de Deus, no Brás, em São Paulo. De acordo com o pastor, ele realizava o culto quando uma pessoa, ainda não identificada, o esfaqueou duas vezes no pescoço. O suspeito foi preso, segundo a Polícia Civil.
Em vídeo gravado no hospital ao lado de sua esposa, a bispa Franciléia, publicado na página do Facebook da igreja, o pastor tranquilizou os fiéis dizendo que perdoa o criminoso.
"Estava limpando as mãos, acabando de ouvir um milagre de um testemunho. Entrou alguém que eu não sei, por trás, e me deu uma facada no pescoço. Mas fiquem tranquilos, a gente só vai quando Deus quer. Que Deus abençoe vocês e eu perdoo a pessoa que fez isso, não sei quem é, mas ela carece de perdão".
O ataque ocorreu por volta das 8h. A igreja informou que o pastor foi hospitalizado, levou cerca de 20 pontos e não corre risco de vida.
Ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, o pastor rompeu com Edir Macedo para abrir sua própria igreja e hoje é o líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, que conta com cerca de 315 mil fiéis e mais de 3.000 templos pelo Brasil --a Universal tem 5.000-- e possui a mais extensa cobertura televisiva entre evangélicos, segundo o Censo de 2010.

O show dos novos prefeitos

Crivella doa sangue no Rio e João Doria se veste de gari em São Paulo



Bernardo Mello Franco - Folha de S.Paulo
O bispo Marcelo Crivella se projetou como cantor gospel. O empresário João Doria ficou famoso como apresentador de TV. Na primeira semana de 2017, os dois confirmaram o talento para distrair a plateia. Se não virarem o disco, Rio e São Paulo terão quatro anos de muito marketing e pouco governo.
O show dos novos prefeitos começou cedo. Na madrugada de segunda, Doria se fantasiou de gari e empunhou uma vassoura, com a qual demonstrou pouca intimidade. A performance durou apenas dez segundos, mas rendeu longas reportagens nos telejornais.
Na quarta, o tucano anunciou uma multa para secretários que chegarem atrasados a reuniões. Depois fez corpo a corpo no centro e tomou cafezinho numa padaria, como se ainda estivesse em campanha.
Na sexta, o prefeito convocou a imprensa para faturar a contratação de um desempregado como motorista. Parecia o programa do Luciano Huck, mas era mais um factoide com a grife do "João Trabalhador".
Do outro lado da ponte aérea, Crivella produziu uma foto publicitária por dia. Na segunda, posou numa cadeira de doador de sangue. Na terça, plantou uma árvore. Na quarta, jogou capoeira numa favela. Na quinta, recrutou a bateria da Mangueira para a posse de uma secretária.
Os tambores deram azar ao bispo. Diante de vítimas de calote da gestão anterior, Crivella foi vaiado ao dizer que os artistas "trocam sua arte por um aplauso". No Rio, eles estão mais interessados no dinheiro que a prefeitura prometeu e não pagou.
*
É raro um político ser pego na mentira de forma tão aterradora como aconteceu com Alexandre de Moraes. Depois da chacina em Roraima, o ministro negou que o Estado tivesse pedido ajuda para enfrentar o descalabro nos presídios. Pouco depois, apareceram o ofício e a resposta do tucano: "Infelizmente, por ora, não podemos atender ao seu pleito"

Brasileiros não têm reservas para emergências

44% dos brasileiros acham impossível levantar fundos em caso de necessidade
Folha de S. Paulo – Ana Estela de Sousa Pinto
Os brasileiros são os mais vulneráveis do continente em caso de emergência: 44% deles –mais de 70 milhões acima dos 15 anos– consideram impossível levantar cerca de R$ 2.500 numa necessidade extrema, segundo o Banco Mundial (para permitir comparações, o órgão usou uma quantia relativa, equivalente a 1/20 do PIB per capita).
No mundo, só sete países estão mais despreparados.
Dos brasileiros que acham possível obter a quantia, apenas 16% dizem poder recorrer às próprias economias; mais da metade pediria ajuda a amigos ou parentes.
Leia mais aqui: Maioria dos brasileiros não tem reserva para emergência

Carro da PM capota no morro e mata 2 mulheres


Viatura da Polícia Militar capotou e atingiu quatro pessoas na noite de sábado (8), no Morro da Conceição, Zona Norte do Recife (Foto: Reprodução/WhatsApp)
Do G1 PE
Um carro da Polícia Militar capotou durante uma perseguição, no fim da noite de sábado (7), no Morro da Conceição, Zona Norte do Recife. O acidente aconteceu próximo a um bar e duas mulheres, que estavam sentadas conversando em uma mesa, foram atingidas pelo veículo e acabaram morrendo.
A perseguição começou por volta das 22h30. De acordo com a PM, uma equipe fazia rondas no Alto José Bonifácio, quando um motociclista fugiu. Os policiais o perseguiram pelas ruas do bairro, seguindo até o Morro da Conceição, onde o motorista da carro perdeu o controle e acabou capotando, atingindo quatro pessoas.
Ângela Maria Laurentino de França, de 54 anos, e Maria das Dores da Silva, 65 anos, não resistiram aos ferimentos e morreram no local. Ferida no acidente, Mônica Nascimento foi encaminhada para o Hospital da Restauração, no Derby, região central da capital. Segundo o marido dela, o taxista Wellington Vieira da Silva, ela passa por exames na manhã deste domingo (8).
O filho de Maria das Dores, o cozinheiro Luiz Alberto Cândido da Silva, estava próximo ao local da acidente quando tudo ocorreu. "Eu corri para ver o que era e, quando descobri, era com a minha mãe", lamentou. Stênio André da Silva, zelador e irmão de Ângela, contou que na família, todos estão em choque com o ocorrido.
Os dois policiais tiveram ferimentos leves e foram encaminhados ao Hospital da Restauração e ao Agamenon Magalhães. Um dos policiais já teve alta. O Instituto de Criminalística foi acionado e fez a perícia do local.
Por meio de nota, a PM informou que o "Comando do 11º Batalhão determinou a abertura de Sindicância para apurar as circunstâncias do caso". O caso também vai ser investigado pela Polícia Civil. O motociclista, alvo da perseguição, conseguiu fugir.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Mapa das facções em presídios brasileiros


Operador de Serra confessa R$ 23 mi na Suíça da Odebrecht para o PSDB

247 – O banqueiro Ronaldo Cezar Coelho, operador do PSDB, confessou ter usado sua conta na Suíça para receber R$ 23 milhões da Odebrecht para a campanha presidencial de José Serra, em 2010, segundo reportagem do jornalista Flavio Ferreira.
"O empresário e ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho (PSDB) admite que recebeu recursos da empreiteira Odebrecht no exterior relacionados à campanha de 2010 do então candidato a presidente José Serra (PSDB). Os repasses seriam ressarcimento a Coelho por ele ter adiantado o pagamento de despesas da campanha tucana. Segundo o criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado de Coelho, tais valores foram incluídos na adesão do empresário ao recente programa de regularização de ativos no exterior", informa o jornalista.
"Mariz afirma que essa adesão envolveu os valores recebidos da Odebrecht e dinheiro resultante de investimentos do empresário. Segundo o criminalista, Coelho pagou um montante correspondente a 30% do valor que estava no exterior, a título de impostos e multa. O ex-deputado federal, porém, preferiu não repatriar o dinheiro, o que é uma possibilidade prevista na lei, afirma Mariz", diz ainda a reportagem.
A repatriação de recursos provenientes de doações eleitorais é considerada ilegal por advogados. "Falando em tese, em princípio, a questão da doação eleitoral não é expressamente prevista", disse o advogado especialista em direito tributário Ronaldo Redenschi, sócio do escritório Vinhas e Redenschi Advogados. "Ela anistia a lavagem de dinheiro quando ela é decorrente dos outros crimes anistiados", afirmou Redenschi.
Atual chanceler do governo Michel Temer, Serra, disse que sua campanha foi financiada dentro da lei e ainda não pediu demissão.
De acordo com a lei, partidos que recebem recursos eleitorais no exterior, podem ter seu registro cassado pela Justiça Eleitoral

Especialistas: verba caixa 2 não pode ser repatriada

Folha de S.Paulo – Paula Reverbel
O dinheiro que o ex-deputado Ronaldo Cezar Coelho regularizou por meio do programa de repatriação de recursos mantidos ilegalmente no exterior não era passível de ser legalizado, de acordo com especialistas ouvidos pela Folha.
A defesa do ex-deputado afirmou que ele usou a lei da repatriação para regularizar valor depositado pela Odebrecht no exterior.
Especialistas, no entanto, afirmam que o programa serve apenas para fazer a regularização de dinheiro lícito que não foi tributado e que apenas crimes específicos, como os tributários, são anistiados.
"Falando em tese, em princípio, a questão da doação eleitoral [por meio de caixa dois] não é expressamente prevista", disse à Folha o advogado especialista em direito tributário Ronaldo Redenschi, sócio do escritório Vinhas e Redenschi Advogados.
A lei da repatriação anistia sonegação fiscal, apropriação indébita, evasão de divisas e crimes tributários. Também está prevista a anistia de lavagem de dinheiro, mas apenas quando ela for decorrente dos crimes já citados.
"Ela anistia a lavagem de dinheiro quando ela é decorrente dos outros crimes anistiados", afirmou Redenschi.
Ele dá exemplos: "Se for um dinheiro que gerou um crime de sonegação tributária, porque não foi declarado à receita, a lavagem de dinheiro está sendo anistiada. Se for lavagem decorrente de tráfico de drogas, não estaria sendo anistiada."

Morre Mário Soares, ex-presidente de Portugal

Político estava internado desde 13 de dezembro. Socialista tinha 92 anos e foi um importante líder na luta contra a ditadura salazarista no século passado. Foi eleito três vezes primeiro-ministro e duas como presidente.
O Globo – Bernardo Tabak com agência internacionais
Talvez a principal maneira de se conhecer não só o legado de uma pessoa, mas também sua personalidade e caráter, seja apreender o que se disse dela, no que foi mais marcante e quais as palavras mais usadas para defini-la. No caso do português Mário Soares, impressiona a quantidade de vezes em que o citam como um dos principais defensores da democracia em Portugal. Um líder humanista que não hesitou na hora de se tornar um dos maiores combatentes, sem armas, contra a ditadura salazarista. Vigor que permaneceu durante toda a trajetória política, que o levou a ser eleito três vezes como primeiro-ministro e duas como presidente. Vitalidade com a qual, mesmo em idade avançada, quase meio século após triunfar sobre o regime militar, combateu as políticas de austeridade que ameaçavam ruir com o projeto europeu pelo qual lutou. Soares morreu neste sábado, aos 92 anos, no hospital da Cruz Vermelha de Lisboa, onde estava internado desde o dia 13 de dezembro

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Brasileiro nunca temeu tanto o desemprego como no pós-golpe

Da Agência Brasil
Os brasileiros continuam preocupados com a possibilidade de perder o emprego. O Índice de Medo do Desemprego voltou a subir e alcançou 64,8 pontos em dezembro, valor 3,6 pontos maior que o de setembro. Com isso, o indicador fechou o ano muito acima da média histórica de 48,4 pontos, informa a pesquisa divulgada hoje (6) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na comparação com dezembro de 2015, o índice também aumentou 3,6 pontos. O indicador varia de zero a cem pontos e, quanto mais alto, maior é o medo do desemprego.
Conforme a pesquisa, o medo do desemprego é maior na região Nordeste, onde o indicador subiu para 70 pontos em dezembro, valor 11,3 pontos acima do verificado no mesmo mês de 2015. No Sul, o medo do desemprego diminuiu de 63,2 pontos em dezembro de 2015 para 57,8 pontos em dezembro de 2016, e é o menor entre as regiões do país.
Satisfação com a vida
O Índice de Satisfação com a Vida ficou fechou 2016 em 66,8 pontos, 0,9 pontos acima do verificado em dezembro de 2015, mas continua abaixo da média histórica de 70 pontos. O índice varia de zero a cem pontos. Quanto maior o índice maior é a satisfação com a vida.
A satisfação com a vida é maior no Sul, onde o indicador subiu para 69,1 pontos no mês passado, 4,5 pontos a mais que o de dezembro de 2015. No mesmo período, o índice caiu 1,4 pontos na região Nordeste e fechou o ano em 66,9 pontos. A região Nordeste foi a única a apresentar retração da satisfação com a vida no período.
O levantamento foi feito com 2.002 pessoas em 141 municípios entre 1º e 4 de dezembro de 2016

Em novo massacre, 33 presos são mortos em Roraima

247 - Quatro dias após o massacre que vitimou 56 detentos no Complexo Penitenciária Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, o Brasil vê outra tragédia em presídio, envolvendo brigas de facções criminosas. A Sejuc (Secretaria de Justiça e Cidadania) de Roraima confirmou nesta sexta-feira a morte de 33 presos na Pamc (Penitenciária Agrícola de Monte Cristo), na zona rural de Boa Vista. O fato ocorreu por volta de 2h30.
A assessoria de imprensa do governo de Roraima afirmou que não houve uma rebelião. Os próprios detentos teriam provocado as mortes durante uma briga de facções. Ainda segundo o órgão, o tumulto envolveu presos do Comando Vermelho e do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção mais numerosa na penitenciária.
Os massacres em Manaus e Boa Vista se tornaram mais um componente de crise para o governo de Michel Temer. O peemedebista passou dias calado sobre as mortes em Manaus e quando se manifestou acabou criando mais polêmica ao afirmar que se tratou de um acidente. Entidades, ONGs, organismos internacionais e até o papa Francisco criticam o Brasil devido à situação caótica nos presídios e cobram soluções das autoridades.

Não foi acidente, presidente



Bernardo Mello Franco - Folha de S.Paulo
Depois de três dias em silêncio sepulcral, o presidente Michel Temer decidiu falar sobre o massacre no Amazonas. Ele classificou a matança de 56 detentos como um "acidente pavoroso". A declaração apavorou especialistas que se dedicam a estudar as prisões brasileiras.
Após se omitir sobre uma chacina de repercussão mundial, Temer tropeçou na própria língua. Segundo o "Houaiss", a definição mais comum de acidente é algo "casual, inesperado, fortuito". O banho de sangue em Manaus passou longe das três coisas.
"A fala do presidente foi infeliz, absurda e irresponsável", me disse a diretora da Human Rights Watch no Brasil, Maria Laura Canineu. "A palavra acidente dá a ideia de algo imprevisto. Este massacre era uma tragédia anunciada", acrescentou.
O Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, subordinado ao Ministério da Justiça, já havia alertado o governo sobre a situação. Um relatório de janeiro de 2016 descreve as cadeias amazonenses como barris de pólvora prestes a explodir.
"A ação da administração penitenciária é bastante limitada e omissa diante da atuação de facções criminosas", diz o texto. "Os presos basicamente se autogovernam nas unidades prisionais, afetando a segurança jurídica e, mais grave, o direito à vida das pessoas", prossegue.
O relatório oficial denuncia um "quadro sistemático de tortura", aponta o risco de rebeliões e enumera problemas causados pela privatização das penitenciárias.
Ao comentar a matança, Temer argumentou que "o presídio era terceirizado e privatizado e, portanto, não houve uma responsabilidade objetiva, clara e definida dos agentes estatais". Para a diretora da Human Rights Watch, o presidente perdeu outra chance de ficar calado.
"O Estado não pode abrir mão da responsabilidade sobre os presos sob sua custódia", disse Canineu. "Na verdade, quem mandava nas cadeias não era a iniciativa privada, e sim as facções criminosas", concluiu.

Elogio de Serra, desconfie



O chanceler José Serra deu os parabéns ao ministro Alexandre de Moraes (Justiça) por sua exposição sobre a situação no Amazonas em reunião nesta quinta. Até aí, tudo bem, não fosse um detalhe: Serra não é dado a elogios e Moraes é alckmista convicto.
Policiais militares do Amazonas investigam se líderes da facção responsável pelo massacre no presídio Aníbal Jobim promoveram julgamento prévio para decidir quem iria morrer. Autoridades afirmam que não foram aleatórias as execuções de presos sem ligação com a organização criminosa rival que foi alvo da chacina, como acusados de estupro, de furto a idosos e delatores. Não se sabe ainda se os tais julgamentos teriam se dado nos moldes dos chamados “tribunais do crime”.
Nesse tipo de “julgamento” — em geral realizado fora das penitenciárias — o acusado tem direito até a “advogados”. Para dar a sentença, o comando das facções se baseia em testemunhas de defesa e de acusação.  (Painel - Folha de S.Paulo - Natuza Nery)