sábado, 22 de setembro de 2018

PIB e mercado começam a repensar apoios a Bolsonaro


Helena Chagas - Blog Os Divergentes
Não se sabe quem poderia ser o beneficiário de tal movimento, mas interlocutores do PIB e do mercado começam a prever uma redução do entusiasmo de seus pares por Jair Bolsonaro. Atribuem ao conjunto da obra da semana: as declarações desastrosas da equipe, como a defesa de Paulo Guedes de uma nova CPMF e a série protagonizada pelo vice Hamilton Mourão; a capa da The Economist, que tem muita influência sobre esse pessoal, considerando-o “desastroso”; e a pancadaria do centro sobre o candidato do PSL nessa reta final, incluindo aí a propaganda de Geraldo Alckmin e a carta de Fernando Henrique.

Percebeu-se, afinal, que o candidato do PSL não tinha um programa econômico tão estruturado assim, e que esses improvisos podem gerar muita insegurança. Ficou claro também que Guedes, o “Posto Ipiranga” que, segundo Marina Silva, pegou fogo, também não está com essa bola toda na equipe e poderá passar boa parte do hipotético governo Bolsonaro sendo desautorizado. Os investidores estão descobrindo que, como se diz na linguagem chula, o buraco é mais embaixo.
Ainda assim, especialistas em pesquisas acreditam ser muito remota a possibilidade de Bolsonaro ser excluído do segundo turno até dia 7. Sua velocidade de perda teria que ser enorme, acompanhada de um ganho também meteórico de Ciro Gomes ou, mais dificilmente, Geraldo Alckmin. A outra vaga continuaria com Fernando Haddad, que ainda tem o que crescer à base da transfusão de Lula.
Esse efeito desencanto da parte do mercado e do PIB que até agora torce por Bolsonaro vinha sendo previsto para o segundo turno, quando os candidatos são submetidos a uma mega-exposição e fica muito mais difícil ocultar despreparo e inconsistências. Mas boa parte do establishment que brincava de Bolsonaro deu-se conta de que é agora ou nunca a chance de tentar evitar o que eles consideram um enfrentamento de radicalismos no segundo turno.
Possivelmente, prevalecerá o nunca. Mas Fernando Haddad agradece, porque seu rival chegaria mais fraco ao segundo turno.

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