quinta-feira, 2 de abril de 2015

Quase 1.000 homicídios

 


Foto: Marcos Pestana/Fotos Públicas
Foto: Marcos Pestana/Fotos Públicas
Por Fernando Castilho
Na coluna JC Negócios, do Jornal do Commercio
Foi por pouco: 982 homicídios, em três meses, numa tendência de crescimento que se mantém há mais de um ano. Não é admissível, sob nenhuma justificativa, que em 90 dias o governo de Pernambuco tenha contado quase 1.000 homicídios. Não foi para isso que, há quase sete anos, a Secretaria de Defesa Social concebeu, desenvolveu e geriu o programa Pacto Pela Vida. Custou caro demais ao contribuinte para que o pacote de tecnologia gerado não esteja sendo mais suficiente para barrar a tendência de alta dos chamados CVLI (Crimes Violentos Letais Intencionais), esse neologismo que as autoridades policiais inventaram para designar o homicídio.
Há indicações do que pode estar acontecendo: o fracasso do movimento de greve no governo João Lyra – quando policias voltaram às delegacias sem obter nenhum ganho –, devido à impossibilidade legal de o governo reajustar salários; a perspectiva de que, este ano, não seja possível nenhum reajuste, devido à crise nas contas do Estado; e, é claro, as dificuldades de pagamentos dos bônus de performance, cujas metas não foram atingidas, exatamente pela falta de caixa.
Mas a questão da redução das gratificações e falta de melhoria de salários não explica tudo. Há, paralelamente a isso, o crescimento dos índices dos crimes de menor potencial e a desmobilização das ações. Nos últimos anos, o Pacto pela Vida recebeu investimentos grandes demais para que agora seja desacreditado só por falta de recursos ou de compromisso da tropa. E esse talvez seja um desafio que exigirá do governador Paulo Câmara o gesto de assumi-lo, inclusive, pessoalmente.

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