quarta-feira, 24 de junho de 2015

Ao PSDB e PT: responsabilidade no debate público


Blog do Kennedy
O ex-primeiro-ministro da Espanha Felipe González disse anteontem em palestra no Instituto Lula que via com preocupação “sinais de intolerância” no Brasil. Ele está coberto de razão.
O alerta de González deveria sensibilizar petistas e tucanos, que aumentaram o tom do debate político. São ambas forças mais moderadas, de centro-esquerda em suas origens, e que foram responsáveis por vencer as eleições presidenciais no Brasil nos últimos 20 anos. Os dois partidos devem ter mais responsabilidade no debate público.
Felipe González é um dos principais líderes da social-democracia europeia. Esteve no poder durante quase 14 anos, entre 1982 e 1996. Tem boas relações tanto com o ex-presidente Lula como com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Conhece o PT e o PSDB.
O alerta de uma figura ponderada como González deveria ser ouvido por petistas e tucanos. Quem estimula a intolerância hoje pode ser vítima dela amanhã. O ex-premiê espanhol disse: “Fico preocupado porque o Brasil é um país de tolerância, de convivência”.
O PT precisa parar de ver inimigos na imprensa e na oposição. Os problemas econômicos do país foram criados no governo Dilma, pelo erro de dosagem nas chamadas políticas anticíclicas e pela tentativa de aplicar uma nova matriz macroeconômica que se revelou um desenvolvimentismo infantil que não desenvolveu.
E o ex-presidente Lula foi o maior cabo eleitoral de Dilma nas duas últimas eleições. Por isso, também tem sua parcela de responsabilidade e, ao criticar o governo Dilma, tem de levar isso em conta.
Já a oposição precisa se comportar como quem tem expectativa real de voltar ao poder. A última pesquisa do Datafolha mostrou que a crise do governo Dilma e do PT é grave. Há forte chance de fadiga de material em 2018. A oposição muitas vezes se confunde com grupelhos radicais e joga no quanto pior melhor.
Essa guerra entre PT e PSDB favorece radicais que não prezam a democracia e estimulam intolerância no país. Temos visto episódios preocupantes, como o apedrajamento de um menina que frequentava o candomblé no Rio de Janeiro.
A oposição deveria levar em conta que o país não acabará e precisará ser governado a partir de 2018. Por isso, moderação é algo que faria bem à oposição nesse momento.
Moderação também faria bem ao PT, que precisa discutir os seus erros, como cobrou ontem Lula num tom de autocrítica. Lula disse: “Temos que definir se queremos salvar a nossa pele e os nossos cargos ou se queremos salvar o nosso projeto”.

Governar o Brasil é uma tarefa complicada. “O Brasil não é para principiantes”, já ensinava uma frase atribuída ao Tom Jobim. PT e PSDB precisam ver se querem salvar a própria pele ou melhorar o Brasil

Cantor que se apresentaria nesta quarta-feira em Caruaru morre após acidente de carro em Goiás

Da Rádio Jornal

O carro em que Cristiano estava, um Ranger Rover 2015, saiu da pista e capotou. A namorada dele morreu no local e ele faleceu poucas horas depois no hospital em que estava internado. Foto: Divulgação/PRF-GO

Morreu na manhã desta quarta-feira (24), o cantor Cristiano Araújo, de 29 anos, após não resistir a um acidente de carro na BR-153, no km 614, entre Morrinhos e o trevo de Pontalina, em Goiás. A informação foi confirmada por volta das 8h10 pelo Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), onde estava internado, e pela assessoria de imprensa do cantor.
O cantor sertanejo natural de Goiás voltava de um show em Itumbiara, no sul do estado, por volta das 3h30, quando veículo em que ele estava saiu da pista e capotou. Cristiano Araújo foi levado ao Hospital Municipal de Morrinhos, de onde foi transferido para o Hospital de Urgências de Goiânia. No acidente, a namorada de Cristiano, Allana Moraes, de 19 anos, estava com ele no veículo e morreu no local. 
Cristiano Araújo era uma das principais atrações do São João de Caruaru este ano. Foto: Diculgação

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) o carro do cantor estava em perfeitas condições e a suspeita inicial é que o motorista tenha dormido ao volante. Além do cantor e da namorada, outras duas pessoas estavam no veículo e não tiveram identidade e estado de saúde divulgados.

Nesta quarta-feira (24), dia de São João, o cantor se apresentaria no palco principal de Caruaru. A Prefeitura da Cidade enviou nota à imprensa lamentando a morte do cantor e vai estudar uma maneira de substiruir o nome do cantor na programação oficial.

Pedreiro é detido e deve ser levado ao local onde afirmou ter deixado a vítima

Do NE10


Gildo Xavier trocou mensagens com a delegada responsável do caso e apontou lugar onde teria deixado a jovem / Foto: reprodução/Facebook Gildo Xavier trocou mensagens com a delegada responsável do caso e apontou lugar onde teria deixado a jovem Foto: reprodução/Facebook
Uma equipe da Polícia Civil prendeu, na noite desta terça-feira (23), o servente de pedreiro Gildo da Silva Xavier, 34 anos, apontado como suspeito de ter sequestrado a enteada, a jovem Maria Alice de Arruda Seabra, 19 anos, no Recife, na última sexta-feira. O suspeito foi levado para a sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no bairro do Cordeiro, mas ainda não há informações de onde Gildo da Silva foi encontrado e nem sobre o paradeiro da jovem


Ao Jornal do Commercio, mais cedo, a delegada Gleide Ângelo, que está à frente do caso, afirmou que, caso capturasse o suspeito, a primeira coisa que faria seria levá-lo até o local onde ele garantiu ter deixado a garota. “Nossa prioridade é encontrar Maria Alice”, destacou. 

Ao longo desta terça-feira, a delegada trocou mensagens com Gildo Xavier através do Whatsapp. Segundo ela, o acusado respondeu confirmando a localização exata em que teria abandonado Maria Alice. No entanto, ele não especificou se ela estaria viva. Poucas horas após se comunicar com a polícia, Gildo Xavier postou no Facebook uma mensagem onde pedia perdão à jovem e dizia que a esposa não iria perdoá-lo pelo que teria feito.





Com a Força-Tarefa do Departamento De Homicídios e Proteção a Pessoa, a delegada iniciou as buscas na Zona Rural de Goiana na noite dessa segunda, por volta das 22h30. A equipe veio para Recife de madrugada, sem encontrar nada. Na manhã desta terça, os policiais voltaram para Goiana, mas não encontraram nenhum sinal de Alice. 


Maria Alice está desaparecida desde a última sexta-feira Maria Alice está desaparecida desde a última sexta-feira Foto: reprodução/Facebook

Por volta das 15h da terça, depois de procurar por vários trechos do local indicado por Gildo Xavier, a delegada Gleide Ângelo decidiu suspender as buscas por Maria Alice Seabra. A área de canavial é extensa e o ideal, de acordo com a própria investigadora, seria que o próprio suspeito mostrasse onde deixou a enteada.

A mãe da garota passou boa parte da terça-feira na sede do DHPP, no bairro do Cordeiro, Zona Oeste da cidade. Estava inconsolável e não falou com a imprensa. Apenas um tio de Maria Alice, Valdeir Arruda, desabafou sobre o caso. “Vamos fazer de tudo para ele apodrecer na cadeia. Desde que ele sequestrou minha sobrinha eu tinha certeza que tinha acontecido algo de muito ruim com ela”.

Bancada do PT no Senado divulga nota de desagravo a Lula

A bancada do PT no Senado divulgou há pouco uma nota em que faz um desagravo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A manifestação afirma que há atualmente uma “sórdida campanha” de deslegitimação de Lula baseada apenas no “ódio espessos dos ressentidos”.
“Entendemos perfeitamente que alguns tenham medo de serem derrotados de novo por Lula em 2018. Mas esse medo não pode dar vazão a atitudes pouco republicanas e francamente antidemocráticas”, critica a bancada. “Tentam transformar suas virtudes em vícios e suas ações pelo Brasil em crimes. Insinuam de forma leviana, acusam sem provas, distorcem, mentem e insultam. No vale-tudo contra Lula, vale até mesmo usar o recurso torpe de expor seu defeito físico, o que revela incurável defeito de caráter”, completa.
O texto – que consta do site do PT no Senado – diz que tentam fazer com Lula o que fizeram com os ex-presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart. A bancada manifesta sua “total e irrestrita solidariedade ao grande presidente Lula”. A nota foi divulgada no início da tarde e o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), que está em Recife, deu aval para sua divulgação.
“A bancada também entende que Lula está muito acima dessa mesquinhez eleitoreira. Lula não será apequenado pelos que se movem por interesses menores e pelo ódio. Lula é tão grande quanto o Brasil que ele ajudou tanto a construir. Lula carrega em si a solidariedade, a generosidade e a beleza do povo brasileiro”, disse.

(Fonte: Estadão Conteúdo)

Ciro, Cid e Tasso, união e um alvo: hub da TAM



O governador Camilo Santana reuniu Tasso Jereissati, Ciro Gomes e Cid Gomes e os demais ex-governadores do Ceará no Palácio do Governo numa mobilização para que o aeroporto de Fortaleza receba o futuro hub da TAM no Nordeste.

Fortaleza disputa com Recife e Natal o investimento de 4 bilhões de reais. O aeroporto de Fortaleza tem hoje sete fingers.
Com a reforma atual, passará a ter 16. Se o hub da TAM for para lá, só a companhia terá 17 fingers exclusivos.

Serão inicialmente vinte voos internacionais diretos diários. Hoje, Fortaleza tem apenas um.  (Lauro Jardim - Veja)

terça-feira, 23 de junho de 2015

Paulo Câmara institui Política Estadual de Gestão Documental

O Governador Paulo Câmara sancionou, nesta terça-feira (23), a Lei 15.529, que institui a Política Estadual de Gestão Documental, com o objetivo de aprimorar o arquivamento, digitalização, catalogação e conservação da documentação produzida pelos órgãos públicos estaduais. A legislação reforça o papel do Arquivo Público Estadual João Emerenciano (APEJE) como órgão coordenador dessa política e responsável pela gestão e guarda dos acervos de caráter permanente (de valor histórico); e dá à Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), com exclusividade, a função da guarda e gestão dos documentos de caráter intermediário (administrativos).

“A lei trará grandes benefícios à preservação da nossa história, porque a história é construída pelos documentos devidamente conservados e acessados pelas gerações”, define Paulo Câmara.

Já o secretário da Casa Civil, Antonio Carlos Figueira, ressalta que documentos anteriormente tutelados por empresas privadas ficarão mais seguros sob a guarda do Estado, além da economia gerada pela execução dessas atividades dentro da estrutura do governo. “Por ano, havia um custo de R$ 15 milhões com empresas de digitalização e arquivamento. Essa é uma redução importante de custos, considerando quadro econômico nacional. Porém, o que é mais importante, com um salto de qualidade”, argumenta.
 
Para regulamentar a lei e definir os critérios e normas de preservação de ofícios, notas fiscais, decretos, processos e projetos, foi criada uma comissão, formada por especialistas integrantes de órgãos como Casa Civil, Secretaria de Educação, Procuradoria Geral do Estado, Cepe, Arquivo Público, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Memorial da Justiça e Instituto Ricardo Brennand. A comissão tem um prazo de 60 dias para apresentar um texto de regulamentação da política.  
 
Com o objetivo de integrar e otimizar a gestão documental do Estado, o Arquivo Público - fundado em 1945 (em 4 de dezembro, completará 70 anos)  e com cerca de 15 mil títulos, entre jornais, livros e obras raras dos séculos XVI a XX - foi transferido para a Casa Civil, a qual também está vinculada a Cepe.

 

Armando e Dilma lançam Plano Nacional de Exportação nesta quarta

Ministro quer estreitar relações entre Brasil e China. Foto: Divulgação.
Ministro quer estreitar relações entre Brasil e China. Foto: Divulgação.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro Neto (PTB), lança, nesta quarta-feira (24), o Plano Nacional de Exportações, que vem sendo elaborado desde o início do ano. A cerimônia oficial será realizada no Palácio do Planalto, às 11h, e terá a participação da presidenta da República Dilma Rousseff.

O conjunto de medidas visa estimular e desburocratizar as exportações do Brasil. O projeto está alicerçado sob cinco pilares: acesso a mercados mediante acordos comerciais; facilitação do comércio; financiamento, seguro e garantias; melhora dos regimes tributários especiais e promoção comercial. Segundo o ministro, a base do programa é um comércio mais livre.

Noronha pode voltar à rota dos cruzeiros ainda em 2015

Do blog de jamildo

Praia do Sancho, em Noronha, é uma das mais belas da Ilha. Foto: Luiz Pessoa/NE10.
Praia do Sancho, em Noronha, é uma das mais belas da Ilha. Foto: Luiz Pessoa/NE10.
Há cerca de 3 anos fora da rota dos cruzeiros nacionais, Fernando de Noronha poderá, ainda este ano, voltar a receber navios. Os esforços para retomar as operações envolvem não só a iniciativa privada mas também a Administração da Ilha, que observa a importância da atividade para o incremento econômico local, alavancado pela temporada de alta estação.
Semana passada, o administrador da Ilha, Reginaldo Valença Júnior, se reuniu com investidores e disse ter recebido sinais positivos dos empresários. Segundo ele, a empresa investidora fez uma projeção e adiantou que pode retomar o serviço em novembro deste ano.
Valença adiantou que o grupo se comprometeu a buscar as licenças obrigatórias junto aos órgãos competentes para que a meta seja cumprida.
A temporada de navios beneficia cerca de 90% da população, que depende exclusivamente do turismo. A atividade movimenta diversos segmentos, como barcos, passeios, locação de veículos, além de aquecer as vendas no comércio.

Protestos contra Eduardo Cunha


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), enfrentou, há pouco, o terceiro dia seguido de protestos de servidores contra sua ideia de criar um seguro de vida usando o fundo do plano de saúde dos funcionários da Câmara.

Hoje foi o primeiro dia de manifestação com Cunha na Casa. Os seguranças, servidores como os demais, aderiram ao protesto. O Sindicato dos Servidores do Legislativo fez até adesivos contra a medida.

Acareação fracassa, mas isso não é problema

Por Miguel do Rosário, do Cafezinho
Vejam só que ridículo.
Depois de 14 fases, mais de sete meses de operação, dezenas de empresas fechadas, crise política, milhares de demitidos, as principais fontes de sustentação de toda Lava Jato discordam em quase tudo.
O que Paulo Roberto Costa fala, Youssef nega.
O que Youssef nega, Paulo Roberta fala.
As contradições entre os dois já estavam evidentes nos depoimentos.
Mas não creio que isso será problema para os procuradores e delegados.
Pelo jeito, as autoridades irão torturar os dois por tempo indeterminado, através de acareações repetidas até a exaustão, até que ambos concordem em tudo, claro.
Segundo o G1, depois de oito horas de acareação, chegou-se a "uma convergência".
Parece que essa é só a primeira etapa. Mais algumas centenas de horas de "acareação", e os procuradores serão capazes de arrancar muitas outras "convergências".
Afinal, hoje em dia, não há mais nada que uma tortura psicológica bem feita não resolva. E se isso não resolver, conversa-se com o advogado de um, com o advogado de outro, reduz-se um pouco a pena aqui, dá-se um prêmio ali, faz-se o cara ver que a imprensa está precisando de uma novidade...
Enfim, os procuradores praticamente ditam o que o réu deve dizer, e está tudo certo.

Desde que tudo seja devida e seletivamente vazado, para os órgãos certos, e que o juiz continue fazendo o papel de promotor de acusação, sem respeitar nenhum direito da defesa, tudo vai às mil maravilhas.
Com o Blog: E assim segue a republica do Sr Moro.

Prefeito de Caruaru recebe Renata Campos



O prefeito  de Caruaru, José Queiroz, e a primeira-dama Carminha Queiroz organizaram um jantar junino para receber Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos, um dos homenageados do São João deste ano. 

O encontro aconteceu no Alto do Moura e contou com a presença do deputado federal Wolney Queiroz e sua esposa Thania, além de Laura, Jorge e Marcelo Gomes. Renata veio acompanhada dos filhos Pedro, Maria Eduarda e Miguel. "Não pude vir no lançamento do São João, em maio, e estava devendo essa visita a Caruaru para encontrar amigos e agradecer a homenagem prestada a Eduardo", disse. Para o prefeito José Queiroz, Eduardo foi um grande incentivador do São João de Caruaru. "Celebrar a nossa maior festa com a família Campos é motivo de alegria e satisfação", afirmou.

Governador prestigia São João de Arcoverde

ARCOVERDE – Depois de participar da solenidade que firmou a cooperação técnica entre o Instituto Federal do Sertão e a prefeitura de Arcoverde, nessa segunda-feira (22), o governador Paulo Câmara prestigiou a programação de São João do município. A festa, uma das mais tradicionais do Estado, atrai cerca de 700 mil pessoas durante o período junino. Também garante, além de muita animação, emprego e renda para a população - as atrações seguem até o próximo dia 28. 

“O São João é uma das melhores festas da cultura nordestina e nós queremos comemorar em cada canto desse Estado. Já comprovamos que Pernambuco faz o melhor São João do mundo e eu fico feliz em curtir essa festa aqui em Arcoverde, agora como governador", afirmou Paulo Câmara, que acompanhou a programação ao lado da prefeita Madalena Brito e do senador Fernando Bezerra Coelho, entre outras autoridades.

Antes de chegar ao pátio de eventos, o chefe do Executivo estadual conheceu os polos de animação e conversou com a população, que aprovou a festa junina. O técnico em enfermagem, Edío Souza, natural de Arcoverde, destacou a valorização dos artistas da terra na edição 2015. “Hoje, nós temos aqui a oportunidade de acompanhar apresentações de artistas da terra no palco principal e isso significa a valorização da cultura sertaneja”, disse.

PT ou PSDB, tanto faz


Cláudio Humberto - Coluna Diario do Poder
Empreiteiras fizeram ricas doações a PT e PSDB, Odebrecht e Andrade Gutierrez doaram muitos milhões ao dois.
A mais espetacular de todas as fases da Operação Lava Jato, sexta (19), quando os poderosos chefões das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez foram presos, não mereceu da oposição qualquer declaração mais enfática, até pela ligação dos investigados ao ex-presidente Lula. É que, como os petistas, os oposicionistas também receberam generosas doações de ambas as empreiteiras suspeitas.
Na eleição presidencial de 2014, a Andrade Gutierrez, cujo presidente está preso, deu R$ 19 milhões para Aécio e R$ 21 milhões para Dilma.
Oficialmente, a Odebrecht, cujo presidente também está preso, doou “só” R$ 3,5 milhões para Dilma e R$ 9 milhões para o tucano Aécio.
Carlos Sampaio (SP), Antônio Imbassahy (BA) e Aécio Neves, tucanos, não comentaram a prisão de Marcelo Odebrecht e Otavio Azevedo. 

Pergunta-se: Até aqui, as doações feitas por empreiteiras investigadas na Lava Jato ao PT foram criminalizadas, como sendo dinheiro de propina, desviadas da Petrobras para favorecer o partido e registrado oficialmente na Justiça como regular. No entanto, as empresas financiaram campanhas de todos os partidos e, como se vê na nova fase, algumas chegaram a doar mais para os tucanos do que para o Partido dos Trabalhadores.
Terão sido propina as doações da Andrade Gutierrez e da Odebrecht a Aécio Neves e seu partido?

Até Cunha bate no juiz Moro: "Filme de terror"

Em debate nesta segunda-feira em São Paulo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), classificou as investigações da Lava Jato como um “filme de terror” cujo final ainda é desconhecido.
Cunha criticou “exageros” do juiz Sergio Moro e chamou de “absurda” a prisão de Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira que leva o nome da família, e dos demais executivos na semana passada.

Enquanto os advogados da empresa já impetraram habeas corpus para três dos diretores presos, o de Marcelo ainda não tinha ficado pronto. A fundamentação da defesa do presidente é diferente da dos outros.(Vera Magalhães - Folha de S.Paulo)

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Grupo de senadores visitarão a Venezuela para desfazer a lambança de Aécio e seus patetas



Uma comissão integrada pelos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Roberto Requião (PMDB-PR), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM), Lídice da Mata (PSB-BA) e Telmário Mota (PDT-RR).Tentarão em visita a Venezuela da uma resposta a senadores brasileiros da oposição que foram na semana passada, a Caracas e criaram um grande mau estar para o Brasil.
Nesta quinta-feira (25) eles viajarão para uma série de encontros com representantes do governo e de partidos que fazem oposição à gestão de Nicolás Maduro.

O grupo afirma que representará oficialmente o Senado para dialogar com "todos os setores políticos" da Venezuela, inclusive com a oposição.
Senadores do PSDB, porém, acusam os governistas de integrar uma "comissão chapa-branca" em defesa dos aliados de Maduro.

A comissão será integrada pelos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Roberto Requião (PMDB-PR), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM), Lídice da Mata (PSB-BA) e Telmário Mota (PDT-RR).  (Da Folha de S.Paulo)

Andrade é a empreiteira mais próxima a Aécio Neves

247 – A empreiteira Andrade Gutierrez, que passou a ser investigada na 14ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na última sexta-feira, é a mais próxima do senador Aécio Neves (PSDB-MG). O presidente da empresa, Otávio Azevedo, foi preso na sexta junto com o empresário da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e outros executivos.
Com isso, a investigação, usada na imprensa para atingir principalmente o PT, fica mais próxima da oposição. Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo são executivos com excelentes relações não apenas com o ex-presidente Lula, mas também com partidos de oposição, especialmente o PSDB. No ano passado, os empresários manifestaram ao Palácio do Planalto o desejo de votar no candidato tucano.
A Andrade Gutierrez foi a maior doadora de recursos da campanha de Aécio à presidência da República em 2014. De acordo com dados obtidos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram 322 doações para o então candidato tucano no ano passado, somando mais de R$ 20 milhões.
Controle da Cemig
Outra relação da companhia com o PSDB de Aécio Neves ocorreu em Minas Gerais, onde a Andrade Gutierrez recebeu, de bandeja, a gestão da Cemig, que lhe foi entregue pelos tucanos em um acordo de acionistas. A estatal mineira é uma das usadas em atos de corrupção que alimentou o esquema do doleiro Alberto Youssef.
Em coletiva de imprensa na sexta-feira 19, o procurador da República Carlos Fernando Lima, da Lava Jato, citou que a Odebrecht e a Andrade Gutierrez estão envolvidas em irregularidades que vão além da Petrobras, podendo chegar ao setor energético – ele citou a usina Angra 3, no Rio de Janeiro. O teste de imparcialidade da investigação será a Cemig.
Odebrecht doou mais de R$ 9 mi ao PSDB
Já a Odebrecht doou mais de R$ 9 milhões para o PSDB, quase três vezes os R$ 3,5 milhões doados pela empreiteira ao PT no ano passado. A construtora, que também vinha sendo poupada, passou a ser investigada na nova fase da Lava Jato assim como a Andrade Gutierrez.
Criminalização das doações eleitorais
Até aqui, as doações feitas por empreiteiras investigadas na Lava Jato ao PT foram criminalizadas, como sendo dinheiro de propina, desviado da Petrobras para favorecer o partido e registrado oficialmente na Justiça como regular. No entanto, as empresas financiaram campanhas de todos os partidos e, como se vê na nova fase, algumas chegaram a doar mais para os tucanos do que para o Partido dos Trabalhadores.

Terão sido propina as doações da Andrade Gutierrez e da Odebrecht a Aécio Neves e seu partido? Confira abaixo a planilha do TSE com as doações da Andrade Gutierrez ao PSDB em 2014 e as telas do site AsClaras.org, da ONG Transparência Brasil, que mostram as doações oficiais da Odebrecht aos partidos.

OAB GARANHUNS: Convênio de Saúde atende advogados do Agreste

A OAB Subseccional Garanhuns vem se destacando pelo pioneirismo em
conquistas para os advogados que representa, e a mais recente delas
deve repercutir positivamente em toda a região. Trata-se do Projeto
Advogado Saudável.
 
Foi assinado no último dia 13 de junho, durante o Colégio de
Presidentes das Subseccionais, que aconteceu em Petrolina, um convênio
entre a CAAPE (Caixa de Assistência do Advogado de Pernambuco), a
OAB/PE Subseccional Garanhuns e a Clínica Armando Q. Monteiro, para a
implantação do Projeto Advogado Saudável. Garanhuns é o primeiro a
implantar o projeto, que deve ser estendido a várias regiões do
estado, com ofertas de serviços de saúde de forma gratuita.
 
"Tem sido uma constante na atual gestão da OAB Garanhuns, esta busca
por melhorias para nossos advogados, desde uma sede mais confortável,
infraestrutura de apoio, incentivo aos jovens advogados e oferta de
serviços que possibilitem melhorar a atividade profissional, como este
novo projeto implantado, que pretende oferecer uma melhor condição de
saúde aos advogados e seus familiares" - Ressalta Dr. Paulo André
Couto Soares (foto), presidente da Ordem na Cidade das Flores.
 
O convênio foi assinado pelo presidente da OAB/PE, Dr. Pedro Henrique
Reynaldo Alves, o presidente da CAAPE, Dr. Ronnie Duarte, o
diretor-tesoureiro da OAB/PE, Dr. Bruno Baptista, e por Dr. Paulo Couto.
 
PROJETO ADVOGADO SAUDÁVEL: Pelo convênio, os advogados têm direito a
consultas gratuitas nas especialidades; Clínica Médica, Cardiologia
(inclusive com exame de eletrocardiograma), Urologia e Oftalmologia.
Podendo, em breve, serem oferecidas consultas com outros
especialistas.
 
A marcação das consultas será realizada exclusivamente pela internet,
através do email: marcacaoconsulta@caape.org.br

È melhor defender ou entregar o Brasil?

247 – Uma frase publicada nesta segunda-feira 22 pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), em seu perfil no Twitter, resume bem a inversão de valores da imprensa no tratamento de episódios que envolvam o governo e o PT, de um lado, ou lideranças da oposição, de outro.
A comparação de Requião aponta que Lula virou 'lobista', de acordo com os grandes jornais, por defender empresas brasileiras no exterior, a exemplo da Odebrecht, enquanto o projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP), que retira a obrigatoriedade de participação da Petrobras em ao menos 30% nos consórcios de exploração do pré-sal, avança.
"Criticam o Lula por trabalhar a favor de empresas brasileiras e elogiam o Serra por querer entregar nosso petróleo a empresas estrangeiras", escreveu o parlamentar. O projeto de Serra, que desde a semana passada tramita em regime de urgência no Senado, ameaça a soberania da estatal do petróleo, criticam governistas.
Em artigo publicado sobre o tema, Requião afirma que o argumento de Serra para o projeto - de que há dúvida de que a Petrobras seja capaz de abastecer o mercado interno de petróleo em 2020 se for operadora exclusiva do pré-sal - "não se sustenta. Está francamente desatualizado".

"O mercado interno já ficou pequeno para a Petrobras, que já tem excedente exportador. Com os investimentos já realizados e os que estão em implantação, a Petrobras estará produzindo 5,2 milhões de barris em 2020[2], o que tornará o Brasil um dos maiores exportadores mundiais de petróleo", ressalta o peemedebista.

É hora de reagir em defesa de Lula

A ideia de que a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva será a próxima etapa da Operação Lava Jato encontra-se em todas as mentes. O que falta para a prisão de Lula, pergunta-se, depois da absurda prisão do presidente da maior empreiteira brasileira?
Simples: falta reagir.
Falta deixar claro que toda iniciativa para colocar Lula atrás das grades vai além de toda decência e representa um ataque inaceitável à liberdade e à democracia. É o ponto culminante de uma investigação que teve início com um prova ilícita, avançou por medidas que não respeitam o direito de defesa nem a presunção da inocência, através de delações premiadas e prisões provisórias destinadas a quebrar a resistência dos detidos, técnica condenada pelos mais respeitados juristas do Brasil e do mundo, inclusive da Suprema Corte dos EUA.
Vamos abandonar determinadas ilusões, também. Fazendo uma simples análise para ajudar a pensar: se Lula for feito prisioneiro, correrá alto risco de uma condenação criminal. Neste aspecto, cumpre recordar, a Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz Sérgio Moro permanecem invictos. em matéria de condenação. Num processo onde as partes não demonstram isenção nem distanciamento das próprias convicções, não perderam nenhuma. Mesmo quem fez delação premiada não escapa de ser condenado, ainda que a uma pena menor. Alguém tem o direito de pensar, assim, em Lula em 2018? Na boa?
Vamos acordar, gente.
Vamos mostrar que uma eventual prisão de Lula se trata uma medida absurda e injusta que irá representar o primeiro passo para um retrocesso que todos sabem como começa e, ao contrário do que é costume dizer, também sabem como termina.
Basta ler os trabalhos do professor da PUC-SP Pedro Serrano – já escrevi sobre eles aqui neste espaço – mostrando que vivemos um tempo de golpes de Estado sem tanques nem fuzis. Os regimes de exceção, hoje, tem aparência de normalidade. São produzidos por medidas judiciais disfarçadas em cumprimento da lei e da defesa da ordem, quando não passam de uma tentativa de se fazer política por outros meios – sem voto, é claro.
A tentativa de criminalizar as relações entre Lula e os empresários, depois que ele deixou o governo, sugerindo aí qualquer demonstração de mau comportamento ou coisa pior, é apenas uma demonstração de subdesenvolvimento mental e ignorância política.
Vamos falar claro: pela liderança internacional que conquistou, pelos espaços que teve competência de abrir para a venda de produtos e serviços brasileiros durante seus oito anos de mandato, quando mudou o eixo de nossa diplomacia comercial, Lula tem todo direito de fazer isso. Deveria ser aplaudido, até, pois chegou numa altura da vida na qual seria mais fácil descansar e se divertir — além de receber homenagens de vez em quando, não é mesmo?
As viagens internacionais de Lula são um serviço que ele presta ao país e nosso futuro. Tem a ver com interesses nacionais, expressão que a maioria de seus adversários nunca soube o que significa mas é cada vez mais decisiva nessa época de globalização e interesses imperiais.
Imagine se Barack Obama resolvesse fingir que nada tem a ver com a venda de aviões da Boeing.
Será que Bill Clinton, fora da Casa Branca, será criticado por defender medidas de interesse de grandes corporações norte-americanas em suas viagens pelo mundo? Em fazer palestras onde defende ideias como solidariedade e colaboração?
Detalhe: vamos criticar Lula porque ele fala do combate contra a fome? É oportunismo?
Ronaldo Reagan e George Bush, pai, se mobilizaram na década de 1980 para defender a indústria de informática dos EUA. Abriram o mercado brasileiro, numa pressão violenta que incluiu sanções duras contra nossa economia – e foram aplaudidos, sem muito silencio nem o esperado pudor, pela mesma turma que hoje critica Lula.
Pense nos alemães, grandes exportadores de tecnologia limpa – com auxílio de Angela Merkel, é claro. Ou no pacote de investimentos chineses.
É sempre bom lembrar que não há prova nenhuma contra Lula. O que se quer é humilhar e ofender. Dar-lhe um tratamento indecoroso e mostrar que seus adversários tem força para isso. Enfim, o que se quer é, enfim, dar uma lição neste tipo que não conhece o seu lugar. Você sabe do que estou falando.
Tudo o que se insinua a respeito de Lula pode-se demonstrar nas relações entre Fernando Henrique Cardoso e grandes empresários na saída do governo.
O que há é uma vontade de mostrar que seus adversários estão acima da Lei e do Direito. Sim, meus amigos. Mais uma vez, é disso que se trata. Isso porque Lula não é uma pessoa física. É uma história, um personagem que ajuda a dar sentido para o Brasil.
"Prendo e arrebento," dizia João Figueiredo, o general-presidente da ditadura que mandou prender Lula, 35 anos atrás.
Naquela época, as greves operárias que Lula comandava e inspirava serviram de teste político para uma abertura que queria uma democracia sem trabalhadores nem ao povo pobre. Em 2015, a situação se repete. As pressões contra Lula irão definir os direitos da maioria dos brasileiros definir seu destino pelos próximos anos.

Erga Omnes: lei vale para todos, menos para Moro?

Por Luiz Moreira, especial para o 247
Desde março de 2014, somos bombardeados por prisões, amplamente divulgadas, de pessoas identificadas como alvo de “operações” capitaneadas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Justiça Federal no Paraná. Tais “operações” se procedem a acordos de delação premiada, em circunstâncias não muito claras, envolvendo alguns desses presos.
Desde então é também amplamente divulgado que se trata de “operação”, dividida em fases, cujo objetivo é passar o Brasil a limpo, livrando-o da corrupção existente na Petrobras, em esquema orquestrado por empresas privadas e por partidos políticos.
Como consequência dessa “operação”, articularam-se duas propostas: uma promovida pela Justiça Federal e outra, pelo Ministério Público Federal.
A primeira, capitaneada pelo Juiz Federal responsável pelo caso e por sua associação corporativa (AJUFE), tem o propósito de permitir a prisão de condenados por crimes graves já na primeira instância, prisão que seria mantida sem a necessidade dessa condenação transitar em julgado. A segunda, por procuradores da República que atuam na mesma “operação”, pretende alterar a regra que proíbe a utilização de provas ilícitas no direito brasileiro, permitindo tanto a utilização de provas ilícitas quanto das provas delas derivadas.
Com as prisões houve também o já conhecido processo midiático de sua legitimação, reforçado tanto por entrevistas coletivas concedidas pelas autoridades envolvidas no caso quanto por uma estratégia de dividir a instrução processual em diversas fases, todas “batizadas” com nomes excêntricos, cujo propósito é o de fixar no imaginário popular a permanência dessa “operação”, montada para “limpar” a República.
O método empregado tem sido duramente criticado por Ministros do Supremo Tribunal Federal, sendo qualificado pelo Ministro Teori Zavascki como “mediavalesco” e “cobriria de vergonha qualquer sociedade civilizada”; já para o Ministro Marco Aurélio, “a criatividade humana é incrível! Com 25 anos de Supremo, eu nunca tinha visto nada parecido. E as normas continuam as mesmas”.
Após mais de um ano de instrução processual, de acordos de delação firmados, de diversas prisões e de habeas corpus concedidos aos presos na citada “operação”, como é possível que não se tenha, ainda, um quadro jurídico definido para o caso? Após críticas contundentes de Ministros do STF ao referido Juiz Federal, por que não há sinais de que a orientação do STF, manifestada no julgamento dos citados habeas corpus, será acatada?
Minha resposta às duas questões anteriores é a seguinte: Sérgio Moro entende que lhe cabe traçar e implementar política criminal. Porta-se como militante de uma causa, submetendo as regras processuais penais e os direitos fundamentais à obtenção desse resultado. Para obtenção dos fins que justificam sua causa, ele se utiliza do cargo que ocupa e deapoio midiático. Elaborou meticulosamente um enredo para obtenção desse fim e dele não se arredará.
Esse enredo conta com personagens, tanto protagonistas como coadjuvantes, e com uma estratégia de obtenção de apoio popular.
O enredo montado por Sérgio Moro tem como protagonistas Alberto Youssef, João Vaccari Neto e Marcelo Odebrecht; já a obtenção de apoio popular se realiza pela reiterada mensagem de que se trata de uma missão, caracterizada como combate à corrupção e aos poderosos, o que explica a divisão da instrução em diversas fases, cujo propósito é o de permanecer sob holofotes para, assim, impossibilitar decisões dos tribunais que soltem os réus presos e que invalidem decisões e provas obtidas, e tem a finalidade de transformar em lei suas opiniões sobre processo penal.
O enredo traçado por Sérgio Moro se inicia com a prisão de Alberto Youssef e com o “acordo” de delação por ele traçado. Obedece a dois propósitos: firmar em Curitiba a competência paraprocessar e julgar ações judiciais ante a Petrobras, cuja sede é no Rio de Janeiro, e difundir que se trata de algo espúrio, sombrio, vez que a difusão do nome de Youssef é sempre precedida da afirmação de que se trata de doleiro.
Em 2003, Alberto Youssef firmara acordo de delação premiada, pela qual se comprometera a não mais cometer crimes. Esse acordo de delação foi considerado quebrado por Sergio Moro, após manifestação do MPF, o qual afirmara que ele continuava atuando na evasão de divisas e na lavagem de dinheiro. Surpreendente ainda é que ante Alberto Youssef tramitam vários processos na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba. Assim, tanto o Ministério Público Federal quanto Sérgio Moro são conhecedores de seus antecedentes e de sua personalidade.
Antecedentes e personalidade que tiram não apenas a credibilidade de suas afirmações como impedem que com ele se firme novo acordo de delação premiada.
Quanto a isso, o Ministro aposentado Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça, idealizador das varas especializadas nos crimes de lavagem de dinheiro no país e mentor de diversos juízes especializados no tema,considera “imprestável” o novo acordo de delação premiada, firmado por Alberto Youssef e homologado por Sérgio Moro, por “ausência de requisito subjetivo – a credibilidade do colaborador – e requisito formal – omissão de informações importantes no termo do acordo -, consequentemente todos os atos e provas dela advindas também serão imprestáveis”.
Ora, qual a razão para o juiz Sérgio Moro e os membros do MPF emprestarem credibilidade a Alberto Youssef e omitirem do termo de delação premiada, submetido à apreciação do Ministro Teori Zavascki, o cancelamento do acordo de delação anteriormente firmado?
Se, como afirma o Ministro Gilson Dipp, “todos os atos e provas” obtidos com a delação de Youssef são “imprestáveis”, não há nenhuma razão para o processamento e o julgamento desses feitos tramitarem em Curitiba, vez que a delação de Youssef é a única justificativa para esses processos estarem sob os cuidados de Sérgio Moro.
Essa contradição é ainda mais evidente quando se sabe que Sérgio Moro já tinha se declarado suspeito, por motivo de foro íntimo, em processo criminal ante o mesmo Alberto Youssef.
Há uma razão deliberada que submete os direitos fundamentais de réus e suspeitos e impede que Juiz Federal competente, do foro da cidade do Rio de Janeiro, instrua e julgue tais processos. 
O caso Vaccari
Com João Vaccari Neto, o enredo ganha contornos políticos, isto é, a prisão de Vaccari Neto demonstra à opinião pública que nem mesmo o tesoureiro do partido da Presidenta da República e do ex-presidente Lula estão a salvos da “operação Lava Jato”.
Não importa se a prisão de Vaccari Neto seja fundamentada em abstratas razões, como “garantia da ordem pública e da ordem econômica”, e que sua prisão preventiva seja clara antecipação de pena. Também não importa que o triste erro judicial envolvendo sua cunhada Marice Corrêa de Lima, presa sem a mínima verificação não apenas de sua identidade como de sua relação com o caso, demonstre que as prisões foram utilizadas como forma de justiçamento.
Não havendo nada concreto a justificar uma prisão preventiva, medida que deveria ser excepcional, o recurso à garantia da ordem pública e da ordem econômica deveria ser razão secundária a acompanhar a existência de provas concretas a justificar o cerceamento de liberdade.
No entanto, não importa se o réu Pedro Barusco tenha afirmado desconhecer que o PT e Vaccari Neto tenham recebido propina: “O que eu disse e quero esclarecer é que eu ‘estimo’ que o PT tenha recebido” e sobre Vaccari Neto: “Não sei se o Vaccari recebeu, se foi doação legal, se foi no exterior, se foi em dinheiro”.
Ou seja, sem lastro probatório, a prisão preventiva é utilizada para que seja verificada a existência de delitos? Não havendo provas suficientes para embasarem condenação judicial ou sua confirmação nos tribunais, a prisão preventiva é pura antecipação da pena? É utilizada para eliminar os alvos da operação? Para destruir os cidadãos constituídos como seus inimigos? Receio que sim, mas não somente!
No entanto, além de se constituir como estado de exceção dentro de uma democracia constitucional, a prisão de Vaccari Neto se caracteriza como mais um capítulo da criminalização da política em vigor. Claro que há nela componentes ideológicos de quem a promove, porém não está em jogo apenas a interdição do Partido dos Trabalhadores. Trata-se de algo mais profundo. Está em curso um projeto de tutela da sociedade civil e dos poderes políticos pelo sistema de justiça.
O caso Odebrecht
A prisão de Marcelo Odebrecht tem alto valor simbólico. Ele completa o enredo, cuidadosamente traçado por Sérgio Moro, ao reunir elementos que compõem o cenário popular segundo o qual algumas pessoas e segmentos do país não seriam alcançáveis pelo sistema de justiça, encarnando a figura do empreiteiro rico, desligado dos destinos do povo brasileiro e com pouca conexão com seus problemas. Ele seria assim destinatário de uma espécie de vingança.
Não por acaso ele é tratado pelos que executaram a operação como “cereja do bolo”, como o motivo da 14ª fase, isto é, sua prisão demonstra que ninguém está a salvo dela, nem mesmo os ricos e os poderosos.
No entanto, a fundamentação dessa prisão preventiva é muito precária, típica de um método segundo o qual os fins justificam os meios, pois alegar que a condição econômica do preso, tanto tempo após o início dessa “operação”, poderia interferir na instrução, constrangendo testemunhas ou alterando provas, não é admissível, não neste momento.  Do mesmo modo, as provas divulgadas (mensagens eletrônicas) não são suficientes, nessa fase processual, para a decretação da prisão preventiva, uma vez que subvertem a lógica garantista da Constituição, não podendo a prisão ser utilizada como instrumento para produzir prova ou como meio para a investigação.
Por conseguinte, a prisão de Marcelo Odebrecht só se explica como parte desse enredo, mas não tem qualquer fundamento jurídico.
Na Alemanha nazista, era comum que o Ministro da Justiça editasse cartas aos juízes alemães, encorajando-os a aplicar os ideais nazistas. Se houvesse um choque entre as leis e esses ideais, o Estado nazista conclamava os juízes alemães a cumprirem seu papel como funcionários do Reich. Felizmente no Brasil de hoje vivemos sob uma democracia constitucional. Estou certo de que permanecerá no passado o desrespeito aos direitos fundamentais, assim como os tribunais corrigirão quaisquer decisões monocráticas que contornem nossa democracia constitucional.
A transposição de nomenclaturas de guerra para o sistema jurídico brasileiro não pode significar a existência de um regime de exceção, em que cidadãos sejam alvos de uma guerra promovida pelo aparato persecutório nacional.  Assim, os tribunais não permitirão que cidadãos sejam tratados como alvos, nem que se efetivem operações que os transforme em inimigos.
Luiz Moreira, Doutor em Direito, ex-Conselheiro Nacional do Ministério Público, é professor de Direito Constitucional.