quarta-feira, 12 de julho de 2017

A troca de seis por cinco e meio

Do colunista Elio Gaspari
Começaram as conversas para a formação do governo de Rodrigo Maia. Henrique Meirelles continua na Fazenda e quer nomear a diretoria do BNDES. Eliseu Padilha dança, mas Moreira Franco, casado com a mãe da mulher de Maia, fica. Os cortesãos disputam o tesouro do monarca encurralado. O ataque aos cargos de Michel Temer tem uma originalidade: trata-se de levar o que se pode, desde que tudo continue na mesma.

O Brasil ainda vive sua maior recessão. A estrutura partidária está dividida entre a cadeia, o medo e a perplexidade. O país amargou a queda de uma presidente da República e a ruína de outro sem que se discuta quem deve ir para o lugar. Milhões de pessoas foram para a rua pedindo a deposição de Dilma Rousseff sabendo que ela seria substituída pelo vice-presidente. Passou-se um ano, ele administrou uma agenda que nada teve a ver com a campanha em que se elegeu e colheu uma inédita impopularidade, envenenada por uma conversa de 38 minutos com um campeão nacional da roubalheira.

Tirar Dilma era fácil. Ela sairia por uma porta e Temer entraria pela outra. Agora, a conversa é outra. Se Temer for deposto, será interinamente substituído pelo presidente da Câmara (Rodrigo Maia), que convocará uma eleição indireta, na qual votarão só deputados e senadores.

O tamanho da encrenca permitiria supor que houvesse uma discussão de nomes para o mandato-tampão de pouco mais de um ano. Seria o caso de se pensar em alguém que não estivesse no índice onomástico da Lava Jato. Nem pensar, a máquina oferece a perpetuação de Rodrigo Maia.

Deputado de pouco votos, ele entrou na política por direito dinástico, pois seu pai foi prefeito do Rio de Janeiro, permitindo-lhe a única e breve experiência executiva. Todos os políticos têm seus altos e baixos e Rodrigo Maia viveu seu momento demoníaco em abril de 2016, no dia da votação do impedimento de Dilma Rousseff. Ele foi ao microfone, atirou na doutora e dirigiu-se ao deputado Eduardo Cunha, que comandava a sessão: "Senhor presidente, o senhor entra para a história hoje." Em outubro o poderoso personagem entrou para a história da carceragem de Curitiba, onde ainda está.

Rodrigo Maia é visto como uma preferência do "mercado" e apresentou-se nessa condição, como paladino dos itens mais audaciosos da agenda de Temer. Há um componente mistificador nessa construção. A condição de "queridinho do mercado" é uma invenção da turma do papelório. O escolhido, ou vítima, é um simples coadjuvante. O último "queridinho" foi Antônio Palocci. Preso em Curitiba, está colaborando com a Viúva e transformou-se numa alma penada para a banca que o aplaudia. Apesar dessa mistificação ostensiva, a base de apoio de Rodrigo Maia não é a banca, mas a tropa de parlamentares que garantiram o que parecia ser maioria mágica da Temer. Assim, a turma do papelório finge que não vê a essência da base de apoio e ela finge que fará tudo o que seus mestres mandarem. (A reforma da Previdência foi tosada e a trabalhista, vendida.) O que poderia ser uma mútua enganação é apenas uma trapaça para iludir o eleitorado. O preço da malandragem é a perda de legitimidade do jogo político, ameaçando o que há de relevante no calendário: a eleição presidencial do ano que vem.

Senado As escuras

Colunista Bernardo Melo Franco na Folha de São Paulo
Antes de se consagrar como escritor, Machado de Assis deu expediente como jornalista no Senado. Repórter do "Diário do Rio de Janeiro", ele cobria os debates de barões e marqueses sobre os rumos do Império. Suas excelências tinham mandato vitalício e não costumavam perder a fleuma na tribuna.
"O público assistia, admirado e silencioso", anotou o bruxo, na crônica "O Velho Senado". "Nenhum tumulto nas sessões. A atenção era grande e constante", prosseguiu.
Faz tempo que o Senado não lembra a tediosa casa de leis frequentada por Machado. Depois que a capital veio para Brasília, houve até assassinato em plenário. Em 1963, o alagoano Arnon de Mello tentou atirar num desafeto e matou o suplente José Kairala, que nada tinha com a contenda.
Nesta terça, a Casa viveu outro dia de ânimos exaltados —felizmente, sem armas. Cinco senadoras da oposição ocuparam a Mesa Diretora, numa tentativa de barrar a votação da reforma trabalhista. Impedido de assumir a cadeira, o presidente Eunício Oliveira mandou cortar os microfones, a transmissão de TV e até a luz do plenário. As rebeladas passaram seis horas no breu, onde devoraram um almoço trazido em quentinhas.
O piquete nem chegou a ser original. No ano passado, a deputada Luiza Erundina ocupou a presidência da Câmara em protesto contra o notório Eduardo Cunha. Mesmo assim, Eunício descreveu o ato como um perigoso atentado à democracia. "Nem a ditadura ousou ocupar o Senado", esbravejou. O regime dos generais fechou o Congresso e prendeu parlamentares, mas esta é outra história.
Encerrado o motim, as luzes se acenderam e o Senado aprovou a reforma trabalhista, que retalha a CLT. Isso não ocorreu porque o governo Temer ainda tenha alguma força, mas porque a maioria ali representa interesses dos empresários, não dos trabalhadores. É o caso de Eunício, cujas firmas de limpeza, transporte e segurança têm contratos de mais de R$ 700 milhões com a União.

Tripoli: maior parte do PSDB é favorável à denúncia

Folha de S. Paulo - Luiza Franco

A maior parte da bancada do PSDB na Câmara dos Deputados é a favor da admissibilidade da denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República) contra o presidente Michel Temer, disse, nesta terça-feira (11), o líder da bancada, o deputado Ricardo Tripoli (SP).
Na última segunda-feira (10), o relator da denúncia na CCJ, o deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), deu parecer favorável à denúncia contra o presidente. O parecer, agora, precisa ser aceito ou rejeitado por maioria dos presentes à sessão. A CCJ tem 66 integrantes.
O parecer começará a ser discutido nesta quarta (12) para, então, ser votado. Depois disso, segue para o plenário.
O PSDB é o principal aliado do PMDB na coalizão de Temer e tem a quarta maior bancada na Câmara, com 46 deputados.
O partido já havia liberado seus sete deputados membros da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para votarem como quiserem na comissão, sem a obrigação de acompanhar uma decisão partidária.
Uma reunião de mais de quatro horas, nesta terça (11), acabou sem uma definição sobre como o PSDB como um todo vai se posicionar diante da denúncia no plenário – se liberará ou não a bancada.
"A maioria dos deputados são pela admissibilidade. Terminada a votação na CCJ, vamos nos sentar para ver o que é melhor, se cada um vota por sua própria responsabilidade ou se buscamos uma solução de maioria", disse Tripoli.
Foi perguntado a ele o que teria motivado a posição dos deputados.
"Cada um foi analisando por si só. Alguns assistiram CCJ, foram vendo os fatos. O relator é do PMDB e é pela admissibilidade, então fica difícil cobrar reciprocidade num momento destes", respondeu.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Senadores aprovam reforma trabalhista e matam a CLT


247-Depois de muitas horas de protesto e resistência de senadoras da oposição, que ocuparam a mesa da presidência do Senado para impedir a votação da reforma trabalhista de Michel Temer, os senadores aprovaram o texto-base da proposta, que restringe direitos históricos dos trabalhadores, por 50 votos a 26; entre as medidas de maior destaques estão o acordado entre empregados e empresários sobre o legislado, o que deixa em segundo plano os direitos previstos na legislação; ex-líder do PMDB, agora integrante da oposição, o senador Renan Calheiros discursou: "estamos vivendo o pior momento deste Senado Federal"; direitos dos trabalhadores foram retirados por um governo ilegítimo que deu um golpe

DEM e PSD podem trair Temer na CCJ

Radar Online
O clima na CCJ é de suspeita. Nas contas de Carlos Marun (PMDB-MS) o governo terá ao menos 40 votos na CCJ para barrar a denúncia. Mas entre os deputados, há o consenso de que pelo menos três deles vão trair o presidente.
As suspeitas recaem sobre dois partidos: DEM e PSD. O primeiro, a depender do que acontecer nos próximos dias, pode protagonizar o motim, já que é possível que Rodrigo Maia assuma a cadeira de Michel Temer em uma eventual eleição indireta. Ou seja, teria interesse direto no resultado da CCJ.
O outro partido é o PSD de Gilberto Kassab. Vale lembrar que no processo de impeachment de Dilma Rousseff eles abandonaram o governo apenas 48 horas antes da votação que determinou o afastamento da petista.

Doria cobra saída de Aécio da presidência do PSDB

Blog da Andréia Sadi
O clima esquentou entre o prefeito de São Paulo, João Doria, e o senador Aécio Neves, ontem, na reunião do PSDB que discutiu o desembarque do partido do governo Temer. O partido adiou a decisão.
Doria foi incisivo e cobrou Aécio que deixasse em definitivo a presidência do PSDB. Atualmente, Aécio está licenciado da função e o cargo está ocupado interinamente pelo também senador Tasso Jereissati (CE).
Aécio disse respeitar a opinião de Doria e de outros colegas de partido, mas afirmou ter uma história dentro do PSDB.
No entanto, segundo alguns tucanos, Aécio já começou a dar sinais internamente de que pode concordar em antecipar as eleições do partido - previstas para o ano que vem.
Doria, na reunião, pediu a Tasso que marque a reunião da Executiva para renovar o comando do partido na primeira quinzena de agosto.
O prefeito, segundo relatos, quer renovar o partido e estabelecer uma espécie de "saída honrosa" para Aécio.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo não respondeu.

A assessoria do senador Aécio Neves disse à reportagem que "não houve clima pesado" na reunião com Doria.

E que "eles inclusive saíram juntos do Palácio. Houve divergências entre os presentes, mas com cordialidade".

Ministério da Educação destina R$ 16,6 milhões a programas de educação básica em Pernambuco


Já estão disponíveis nas contas-correntes do Estado e dos municípios pernambucanos  os recursos referentes à quinta parcela de 2017 do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e do Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (Pnate). Os repasses, que totalizam R$ 16.611.032,80 , foram liberados pelo ministério da Educação  através do Fundo Nacional da Educação (FNDE). 

De acordo com o ministério os recursos do Pnae são liberados em dez parcelas, de forma a cobrir os 200 dias do ano letivo da educação básica. “O FNDE já repassou, este ano, R$ 1,8 bilhão para alimentação escolar e R$ 292,2 milhões para o transporte dos alunos das redes públicas de todo o País”, pontuou.

Para apoiar a alimentação escolar de estudantes da educação básica de todo o país, o FNDE repassou R$ 322,8 milhões. No caso do transporte de alunos residentes em áreas rurais às escolas públicas de ensino básico, foram transferidos R$ 70,5 milhões.

São atendidos pelo Pnae os alunos de toda a educação básica (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos) matriculados em escolas públicas, filantrópicas e em entidades comunitárias (conveniadas com o poder público). Um mínimo de 30% dos recursos transferidos deve ser utilizado na compra de produtos da agricultura familiar.

Transporte – O Pnate também repassa recursos em dez parcelas a cada ano. São beneficiados estados e municípios que possuem estudantes da educação básica pública residentes nas zonas rurais. A transferência é automática, sem necessidade de convênio, e os recursos devem ser utilizados no custeio de despesas diversas, como consertos mecânicos, compra de combustível ou terceirização do serviço de transporte escolar.

Veículos com final de placa 6, 7 e 8 têm até julho para circular com CRLV 2016

 
O Diretor Presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco – DETRAN-PE, Charles Ribeiro, lembra que o prazo limite para circular com o Certificado de Registro e Licenciamento Veicular-CRLV 2016, dos veículos com placa terminada em 6, 7 e 8 é até o final do mês de julho. O proprietário precisa ficar atento, pois o CRLV 2017 só é emitido depois que é quitado todas as taxas que compõem o Licenciamento. São elas: Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), taxas (bombeiros, licenciamento), possíveis multas de transito vencidas e seguro obrigatório (DPVAT).

 A entrega do CRLV é feita de duas formas: via Correios, para quem optou por pagar a taxa de postagem de documentos, no valor de R$ 16,87 e presencial, para quem optou por NÃO pagar a taxa de postagem de documentos. Nessa opção, depois de quitar as demais taxas que compõem o Licenciamento, é preciso agendar atendimento para emissão do CRLV 2017 no site www.detran.pe.gov.br, onde é possível escolher o ponto de atendimento do DETRAN para receber documento.

É possível ao cidadão que optou por pagar a taxa de postagem, rastrear o envio do CRLV 2017, depois de sua devida emissão, por meio do site do DETRAN. Para isso, digite a placa do veículo na seção “Consultar Placa”, localizada na parte superior esquerda da página principal do site. Depois disso, o cidadão clica no botão “Detalhamento de débito” e lá na opção de rastreamento do CRLV. Só o proprietário registrado ou seu procurador legal estão habilitados a receber o CRLV do veículo.

Já os de terminações 9 e 0 segue o prazo conforme calendário abaixo.
 
Terminações
Prazo final para portar o CRLV do exercício anterior (2016)
1 e 2
Até maio
3, 4 e 5
Até junho
6, 7 e 8
Até julho
9 e 0
Até agosto
 
 
 
 
ATENÇÃO
 
Quem estiver circulando com o CRLV 2016 fora do prazo estabelecido acima estará sob pena de ter o veículo retido e removido para o depósito do Órgão de trânsito até a apresentação do CRLV 2017, e pagamento de multa no valor de R$ 293,47 (conforme previsto no artigo 230, Inciso V do CTB), além das taxas para a liberação. O condutor acumulará ainda sete pontos na carteira.
 
 
IMPORTANTE:
 
·        Quem agendar a emissão do CRLV no site do DETRAN, não receberá o CRLV em casa;
·         Não é possível pegar o CRLV no DETRAN, sem agendar a emissão do CRLV;
·        Quem pagar a taxa de postagem, não deve agendar a emissão do CRLV no site do DETRAN-PE;
·        Os proprietários dos veículos registrados em outros municípios, QUE NÃO SEJAM os de Recife, Olinda, Jaboatão, Paulista, Abreu e Lima, Cabo de Santo Agostinho, Caruaru, Petrolina, Vitória de Santo Antão, deverão solicitar mediante agendamento o CRLV 2017 nas CIRETRAN’s Especiais e demais pontos de atendimentos. Isso pode ser feito a partir de 5 dias, contados após a quitação dos débitos que compõem o Licenciamento.

Paulo lança Rede de Pesquisa e Educação

O governador Paulo Câmara assina, às 11h de hoje, o decreto que institui a Rede Pernambucana de Pesquisa e Educação (REPEPE). Primeira rede estadual associada a nova configuração da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), a REPEPE interligará - a partir de internet de alta velocidade (1 a 10 Gigabytes) – 20 municípios do estado, podendo alcançar cerca de 400 entidades até 2018. Com isso, o Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), estimula a aceleração da inovação e da competitividade econômica baseados em cooperação e conhecimento.
A iniciativa faz parte da Estratégia de Ciência, Tecnologia e Inovação para Pernambuco 2017-2022 (ECTI-PE), documento criado pela Secti para guiar as políticas públicas da área de CT&I que também será, oficialmente, lançado no evento. Alinhada à Estratégia, a REPEPE tem como diferencial um modelo de negócio inovador, baseado em parcerias público-privadas voluntárias, propiciando, inclusive, a redução de custos e o compartilhamento de benefícios. O convênio de cooperação técnica e integração de infraestrutura entre Celpe, Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e Secti também será assinado na ocasião, garantindo a espinha dorsal do projeto que alcançará 1.175 km, percorrendo 10 das 12 regiões de desenvolvimento do Estado.

Lula: Bolsonaro é fruto do ódio despejado na política


Folha de S. Paulo – Carolina Linhares

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (10) que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), seu possível adversário na eleição presidencial de 2018, é "resultado do ódio despejado pela Rede Globo na política".
"Falar em democracia é muito importante e necessário. [...] Na medida em que a gente se cala, na medida em que a gente aceita as mentiras que são contadas todo dia, eles vão ocupando espaço. Vão negando a política, os partidos, o movimento sindical, as reivindicações. Daqui a pouco a gente começa a achar normal o mundo ser assim. De repente a gente vê começar a surgir um tipo igual Bolsonaro", afirmou Lula.
"Ele não é resultado de mérito algum. Ele é resultado do ódio despejado pela Rede Globo na política desse país", completou.
Em evento organizado pelo Instituto Lula em Belo Horizonte, o ex-presidente afirmou que se voltar ao Planalto será para fazer "mais e melhor". "Acho que eu poderia ter feito mais. Eu poderia ter dado um passo a mais, sobretudo nos meios de comunicação", disse.
Lula defendeu as eleições diretas e afirmou que, após articular o impeachment, o presidente Michel Temer (PMDB) é que será derrubado. "Eles deram um golpe e agora vão dar um golpe na barba dele, a turma dele."
Em referência aos seus processos na Lava Jato, o petista disse que há provas: "já provei minha inocência, agora eles têm que provar a minha culpa".
Lula pode sofrer sua primeira condenação pelo juiz Sergio Moro nos próximos dias. Ele é acusado de ter recebido propina por meio de um tríplex em Guarujá (SP).
Em relação a outra acusação, de que a OAS teria pago pelo transporte e armazenamento do seu acervo presidencial, Lula afirmou que essa tarefa deveria ficar a cargo da União e não dos ex-presidentes.
"Eu ganhei muita coisa. Só de papel, eram 11 contêineres, de carta e bilhete. E a gente precisa arrumar condições de tomar conta. Quem deveria cuidar do acervo do presidente é a União."
"Eu tenho até pena do Paulo Okamotto [presidente do Instituto Lula] pelo tanto que a Receita Federal vai lá. A Receita num dia, Polícia Federal no outro, Ministério Público no outro. [...] A gente acha que é uma provação. Se Deus quer, vamos passar por isso, com tranquilidade e cabeça erguida", disse.
Lula afirmou ainda que "não há saída fora da política". "Hoje estamos com as instituições todas desmoralizadas. Ninguém acredita em Poder Judiciário, partido político, na Presidência, na Câmara dos Deputados... Essa negação de tudo não ajuda em nada."
DEMOCRACIA
O ex-presidente falou no lançamento da segunda etapa do Memorial da Democracia, um museu digital e multimídia criado pelo Instituto Lula sobre a luta pela democracia no país.
"Teve um tempo em que se imaginava que democracia era o direito de gritar que estava com fome. Mas a gente aprendeu que democracia é comer", disse Lula. "Quando eu entrei no palácio, parou de entrar príncipe e princesa e passou a entrar sem-terra."
Lula explicou ainda que, a princípio, a ideia era constituir o Memorial da Democracia na região central de São Paulo e que houve aprovação dos vereadores, mas o Ministério Público embargou o projeto. Por isso, o museu hoje é virtual.
O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), também estava presente e engrossou o coro pela eleição de Lula em 2018. Pimentel disse que ao viajar pelo Estado, só escuta "uma frase no coração dos mineiros: em 2018, é Lula de novo com a força do povo".
O governador afirmou ainda que Minas será o "refúgio" de Lula caso ele precise e que "sempre será recebido de braços abertos".
O ex-ministro da Comunicação e coordenador do museu, Franklin Martins, e o ex-ministro da Cultura e atual secretário da Cultura de BH, Juca Ferreira, fizeram parte da cerimônia.
Compuseram ainda a mesa do evento o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o presidente da Assembleia Legislativa de Minas, deputado estadual Adalclever Lopes (PMDB), líderes de movimentos de esquerda, reitores de universidades e secretários de Estado.
Lançado em 2015, o Memorial da Democracia continha os períodos de 1964 a 2002. Agora serão inaugurados mais dois trechos, que vão de 1930 a 1964. É possível navegar por meio da linha do tempo, além de vídeos, recortes de jornais e músicas da época.
O evento lotou os 1.700 assentos do teatro do Palácio das Artes, no centro de Belo Horizonte. Formada majoritariamente por militantes de esquerda, a plateia gritou palavras de ordem como "Fora, Temer", "Diretas Já", "Aécio na cadeia" e "Lula guerreiro do povo brasileiro".
A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi aclamada pelo público ao ser mencionada entre nomes de mineiros ilustres pelos apresentadores do evento, os cantores Aline Calixto e Fábio Renegado.

Em privado, Maia dá como irreversível queda de Temer


Folha de S. Paulo - Marina Dias e Daniela Lima

Rodrigo Maia (DEM-RJ) passou o último domingo (9) imerso em articulações. Às vésperas de uma semana decisiva para o governo Michel Temer, traçou a diversos interlocutores um cenário em que trata a queda do presidente como irremediável. 
No comando da Câmara e sucessor imediato ao Planalto caso o afastamento e a derrocada de Temer se concretizem, Maia encerrou o fim de semana com uma reunião em sua residência oficial em que serviu pizza e sopa e estava cercado de parlamentares da base aliada ao governo. 
Um dos deputados que estavam no encontro contou que, em tom sóbrio, Maia reproduziu a alguns dos presentes o diagnóstico que disse ter feito, horas antes, ao próprio Temer, no Palácio do Jaburu. 
Segundo este interlocutor, o presidente da Câmara afirmou ter dito ao presidente da República que ele poderá sobreviver à votação, no plenário da Casa, da primeira denúncia apresentada pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, mas que certamente sucumbiria quando a segunda acusação chegasse à Câmara. 
A avaliação de Maia é que o resultado da primeira votação influenciará diretamente a segunda, visto que os deputados da base se desgastariam uma vez em defesa de Temer, mas numa outra ocasião ficaria "mais difícil". 
Maia também se queixou de ministros e aliados do presidente, que vêm questionando sua lealdade diante de relatos de que tem se reunido com políticos que articulam um cenário pós-Temer. 
Afirmou ainda que, antes do jantar em sua casa, havia participado de um almoço com "gente importante" que fazia a mesma avaliação sobre o futuro do governo. 
O relato dava conta de um encontro que Maia havia protagonizado horas antes, logo após se reunir com o presidente no Jaburu. 
Depois da conversa com Temer, de pouco menos de uma hora, o presidente da Câmara, em carro descaracterizado, foi a uma casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, para um almoço. 
Era o convidado principal de um encontro promovido pelo vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet. 
A reportagem da Folha chegou ao local por volta das 14h45. Menos de uma hora depois foi abordada, pela primeira vez, por um dos seguranças da casa, que questionou o motivo da campana. 
Passados 15 minutos, um segundo funcionário da residência interpelou a reportagem. Ele disse: "o vice-presidente da Globo quer saber quem você é e para quem você trabalha". 
A reportagem informou nome e veículo, e confirmou que Maia estava na residência, com mais cinco políticos, entre eles, os deputados Benito Gama (PTB-BA) e Heráclito Fortes (PSB-PI) e o ministro Fernando Bezerra Coelho (Minas e Energia). 
Os carros dos convidados -todos sem placa oficial- só deixaram o local à noite, por volta de 19h15, após cerca de cinco horas. Motoristas foram orientados a entrar na garagem para que os passageiros embarcassem com os portões fechados. 
Heráclito disse que o encontro estava "marcado há mais de um mês" e que "não teve nada de conspiração". 
"Era para ser lá em casa mas Tonet resolveu fazer na casa dele", disse. "As pessoas estão vendo coisa onde não existe. Maia tem sido muito correto", completou. 
Pouco depois, o presidente da Câmara telefonou a alguns deputados, ministros e líderes de partido, convidando-os para comer em sua residência oficial, assim que saíssem de uma reunião com Temer no Alvorada. 
Em sua casa, Maia falou sobre a conversa com o presidente mais cedo, relatou seu almoço com a direção da emissora e vaticinou o fim do atual governo. 
Na pizza com sopa, estavam presentes os ministros Antonio Imbassahy (Governo) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), além dos deputados Benito, Heráclito e dos líderes do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e no Congresso, André Moura (PSC-SE). 
Parlamentares que participaram do encontro deixaram o local afirmando que o clima não estava bom para Temer e que a relação de Maia com o Planalto azedou. 
Procurado, Maia não quis comentar as reuniões.

Kaio assume Habitação e Bivar mandato na Câmara



Aliado do deputado federal Daniel Coelho, que disputou a eleição para prefeito do Recife em 2016, o empresário Luciano Bivar, que controla o PSL no Estado, assumirá o mandato de fdeputado federal na condição de primeiro suplente da sua coligação. O acordo foi fechado, ontem, pelo governador Paulo Câmara com o deputado Kaio Maniçoba durante encontro no Palácio das Princesas. Convidado para a Secretaria de Habitação no lugar de Bruno Lisboa, Kaio abre vaga na Câmara para Bivar, que exercerá o mandato por dez meses. O anúncio deve ser feito hoje ou amanhã.(Do blog de magno martins)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Relator defende aceitação de denúncia contra Temer pela Câmara

Da Veja.com
O deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), relator da denúncia contra Michel Temer (PMDB) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), defendeu a aceitação pela Câmara da acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). “A denúncia é grave”, disse o relator. Apesar de ser do mesmo partido do presidente, Zveiter já era considerado um parlamentar de atuação independente, provocando o temor na base aliada de que poderia adotar essa posição diante da denúncia.
Formada por 66 deputados, a CCJ é a comissão que tem a responsabilidade de analisar a adequação da denúncia à Constituição brasileira. Após a leitura do relatório, o colegiado deve ouvir a defesa técnica de Temer, representada pelo advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, e encerrar o encontro com a concessão de um pedido de vista por parte do presidente da Comissão, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG).
Na quarta-feira, iniciam-se os debates, com o direito à fala dos 66 titulares e 66 suplentes, totalizando 132 parlamentares. Além destes, os líderes partidários podem se manifestar a qualquer momento. A expectativa de Pacheco é que a Comissão possa analisar o relatório de Zveiter até a próxima sexta-feira, em votação simbólica que pode influenciar a decisão do plenário. Lá, o parecer do parlamentar precisa do apoio de 342 dos 513 deputados para ser aprovado, em votação nominal e aberta.
A posição de Zveiter, um deputado do PMDB que se coloca contra um presidente de quem é correligionário, pode intensificar a erosão da base aliada, uma vez que estimularia traições ao governo em outros partidos. Com baixa aprovação, Temer se esforça para convencer parlamentares a se exporem em sua proteção, enfrentando resistências dos que miram às próprias reeleições, em 2018.
No entanto, para fortalecer sua defesa em plenário, o governo estaria por trás de substituições na CCJ, nas quais líderes de partidos da base aliada substituíram deputados favoráveis à denúncia por colegas dispostos a defenderem o presidente. Entre os partidos que executaram movimentações desse tipo, estão PR, PSD, SD e o próprio PMDB.

Batalhão da PMPE no Cabo ganhará nova sede

Para reforçar e ampliar o policiamento no Cabo de Santo Agostinho e no Ipojuca, o governador Paulo Câmara assinou, hoje, o termo de doação de terreno para a construção da nova sede do 18º Batalhão de Polícia Militar de Pernambuco. Localizada na PE-60, a área foi doada pelo Grupo Santo Inácio S.A. (Sisa) e receberá o apoio de R$ 1 milhão para a implantação do equipamento, advindos de emendas parlamentares. O anúncio ocorreu durante a passagem da sede do Governo de Pernambuco pelo município, em celebração dos 140 anos de emancipação política do Cabo.
O Batalhão, que hoje funciona no bairro da Cohab, também será reforçada com ações previstas no Plano de Segurança de Pernambuco, lançado em abril, e dará uma contribuição significativa para o combate à violência nos municípios.
"Nós vamos reformular todo o 18º batalhão da Polícia Militar aqui, que abrange as cidades do Cabo e do Ipojuca, para que ele esteja preparado para receber os novos policiais e, ao mesmo tempo, poder dar respostas rápidas à população no tocante à segurança. Essa é uma área que é um desafio enorme, mas que a gente há de vencer com muito trabalho, perseverança e, acima de tudo, com o apoio do povo de Pernambuco", ressaltou o governador.
Paulo ainda pontuou que a ação, que integra o Plano de Segurança de Pernambuco, vai contribuir para o reforço da atuação da PM nos dois municípios. "A questão da segurança está demandando muita atenção, todos sabem. E meu governo está atento e vem trabalhando, incansavelmente, para trazer de volta o sossego que todos nós almejamos. Ainda no decorrer deste ano de 2017, realizaremos importantes ações efetivas de combate à violência em todos os seus aspectos", cravou. 
O chefe do Executivo estadual aproveitou sua passagem pelo município para visitar o local onde será erguida a nova sede da tropa. Os investimentos para a implantação do batalhão são frutos de duas emendas parlamentares - de R$ 500 mil cada – indicadas pelos deputados Everaldo Cabral e pelo prefeito Lula Cabral, no período em que ele era membro da Assembleia Legislativa.
RESSOCIALIZAÇÃO – Através da Secretária Estadual de Justiça e Direitos Humanos, um convênio foi assinado entre o Governo do Estado e a prefeitura municipal para a contratação de 100 egressos reeducandos, que cumprem pena perante o prato no penitenciário de Pernambuco, em regime aberto livramento condicional. Os reeducandos poderão exercer atividades como serviços gerais, motorista, jardineiro, apoio administrativo, entre outras funções, no intermédio da cooperação entre as partes.
Pelo trabalho eles serão remunerados com um salário mínimo (R$ 937,00) e vale-transporte. Além do Cabo de Santo Agostinho, o órgão de execuções penais de Pernambuco mantém parcerias com as prefeituras de Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Petrolina e Olinda.
Através do convênio, regulamentado pela Lei de Execução Penal, o empregador fica isento de encargos trabalhistas, como FGTS, 13º salário e férias. O que representa uma redução de aproximadamente 40% na despesa com o reeducando. Pode promover jornadas de trabalho de até 40 horas/semanais e utilizar a iniciativa como prática de responsabilidade social da empresa.

Sérgio Moro no gueto de Curitiba

Blog do Esmael
O erro de cálculo da força-tarefa lava jato empurrou de vez o juiz Sérgio Moro para o gueto.
O advogado Masael Caetano dos Santos, conhecido como "Advogado dos Pobres", registrou neste sábado (8), no Centro de Curitiba, o fiasco de uma manifestação em apoio à lava jato, Moro & Cia.
Apenas três manifestantes atenderam à convocação do MBL e do movimento O Sul é o meu País, que defende a divisão dos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul do resto do país.
Neste domingo (9), no tradicional Parque Barigui, também na capital paranaense, o fiasco não foi menor. Seis pessoas compareceram ao comício pela lava jato e pela intervenção militar.
O discurso de todos esses grupos de extrema-direita, para angariar simpatia dos mais desavisados, era que seriam protestos em apoio à lava jato, não contrários ao ex-presidente Lula. Entretanto, os organizadores foram traídos pelas camisetas que pregavam "Lula nunca mais".
Lava jato desgraçou o país
Sob o signo do combate à corrupção, a lava jato jogou o país numa crise política e econômica cuja faceta mais triste é o desemprego de 14 milhões de brasileiros.
Some-se ao desemprego de pais, mães e jovens, a lava jato propiciou a ascensão de Michel Temer (PMDB) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), via golpe de Estado, bem como a derruba da presidente eleita Dilma Rousseff (PT).
A instalação dos golpistas no poder, segundo o "insuspeito" O Globo, recolocou o Brasil no mapa da fome da ONU. A situação tende a piorar com a aprovação da reforma trabalhista esta semana, de acordo com especialistas.
Gueto e saída
Tal militância política de procuradores e do juiz da lava jato é que os botou no gueto de Curitiba. O erro de cálculo da força-tarefa foi apenas a pá de cal.
Portanto, só há uma solução possível para recuperar novamente o Brasil: restauração da democracia pelo voto direto; somente a eleição direta é capaz de devolver o protagonismo ao povo e a legitimação ao governo.

FHC diz não a Temer e reitera pedido por renúncia e novas eleições

247 – Fracassou a tentativa de Michel Temer de encontrar uma tábua de salvação no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O tucano, que era uma das últimas esperanças de Temer para se manter no poder, disse não ao convite do Palácio do Planalto para um novo conchavo em torno do golpe.
“Precisamos pensar no país, não só no governo. Temer precisa conversar com as grandes forças políticas do País, não só o PSDB”, disse FHC, neste domingo.
Ele também afirmou sua posição explicitada num artigo recente, em que pede renúncia de Temer e novas eleições, está mantida. O ex-presidente também não saber se terá tempo para ver Temer antes do dia 11, quando viaja para a Europa.
FHC perdeu muito de sua reputação ao não conter o ímpeto golpista dos tucanos e do senador Aécio Neves (PSDB-MG), mas agora parece disposto a um ajuste de rota e defendeu a posição do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), presidente interino do PSDB, que defende o desembarque da nau golpista.
“Não tenho como antecipar a posição do partido. Mas ele expressou sentimento da Câmara, sentimento da sociedade, mas não o de todos os governadores”

Prédio desaba em Garanhuns

Um prédio residencial desabou já no início da manhã de hoje em Garanhuns, no Agreste Meridional, na Rua Capitão João Paes, Boa Vista. O Samu e Corpo de Bombeiros foram acionados e prestam socorro às vítimas neste momento. Não há registro de mortes. Uma mulher acabou de ser retirada do local com a filha. Também um bebê foi socorrido, todos encaminhados ao Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns. Outras três possíveis vítimas estão em meio aos escombros, sendo um homem, uma idosa e outra moradora, segundo o portal Imprensa do Agreste.

Por que Lula lidera? É a pobreza, estúpido!


Helena Chagas - Blog O Divertentes

Alguns podem não entender ainda, mas estão a cada dia mais claras as razões pelas quais o ex-presidente Lula, mesmo sob o bombardeio da Lava Jato, e às vésperas de ser condenado, continua à frente nas pesquisas presidenciais de 2018. É a pobreza, estúpido! A manchete do jornal O Globo deste domingo é simbolo da enxurrada de dados negativos que comprovam o enorme retrocesso social dos últimos tempos: crise pode levar Brasil de volta ao mapa da fome, uma estatística da ONU, da qual havia saído há três anos.
Os personagens dessas estatísticas, na maioria parte do contingente de 14 milhões de desempregados, provavelmente não estão preocupados em verificar se a crise a qual se refere o jornal tem o nome Michel Temer ou Dilma Rousseff. Poderá mesmo vir a se chamar Rodrigo Maia.
Mas esse pessoal se lembra que, não muito tempo atrás, fazia parte da fatia de pelo menos 20 milhões de viventes que deixaram a linha da pobreza. Alguns conquistaram a casa própria no Minha Casa Minha Vida, compraram todos os eletrodomésticos que puderam no Minha Casa Melhor, viram seus filhos chegar à faculdade graças ao Fies ou ao Prouni, viajaram de avião… Chegaram, enfim, a fazer parte da chamada nova classe média.
Cadê ela, a nova classe média? Tomou doril. Mudou o governo, veio o ajuste fiscal, os programas sociais foram desidratados. Apesar de manter o discurso em torno do Bolsa Família, que atinge 25% da população, na prática o governo Temer excluiu beneficiários – num momento de crise em que a lógica indicaria exatamente o contrário –  desacelerou o aumento no volume de recursos e, recentemente, suspendeu o reajuste previsto. Encolheram também outros programas, como o BPC, o Farmácia Popular, o PPA, de compra de alimentos da agricultura familiar para distribuição à população de baixa renda.
Todo mundo sabe que nunca nos livramos da pobreza no Brasil. Mas é inegável que ela foi enormemente reduzida nos anos petistas, e a fome praticamente erradicada. O retrocesso social, agora, tem peso muito maior. É sempre muito pior tirar de quem já teve acesso a algum tipo de melhoria de vida do que manter o estágio anterior de iniquidade em que tantos brasileiros nascem, vivem e morrem.
São essas pessoas, incluindo a ex-nova classe média, que votam no Lula. Seriam, segundo os especialistas, aqueles 30% que, em tese, o PT sempre teve – o que não dá para ganhar a eleição. Teoricamente, o PT precisa daquela fatia da classe média que, de 2002 a 2014, completou o que faltava para eleger e reeleleger Lula e Dilma.
Esses, da velha classe média, são justamente os que mais se impressionam e revoltam com a corrupção, calcanhar de Aquiles de Lula hoje, e não parecem dispostos a voltar a votar no PT. A ver. Afinal, é também um pessoal sensível ao desemprego que se alastrou, à falta de perspectiva para seus filhos no ensino superior e na vida profissinal, à violência crescente nas grandes cidades e, agora, à falta de dinheiro para hospitais (já que muitos não podem mais pagar o plano de saúde), para vaga nas escolas, para a vigilância da polícia rodoviária e para a emissão de passaportes

Rodrigo Maia aparece em delações

Mas está livre de disparos atômicos
Folha de S. Paulo - Mônica Bergamo

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aparece em delações premiadas —mas está livre de disparos atômicos tanto da JBS quanto de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) caso venha a assumir a Presidência da República no lugar de Michel Temer. 
Maia aparece na delação da JBS como beneficiário de R$ 100 mil para campanhas eleitorais. Mas Joesley Batista mal o conhece e dificilmente acrescentaria informações bombásticas sobre o parlamentar em novos depoimentos à Justiça. 
Já Cunha também citou Maia nas conversas em que tenta fechar acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Mas nada que abale a República, segundo pessoa familiarizada com as tratativas. 
A delação da Odebrecht, portanto, segue sendo a mais delicada para Maia: ele teria recebido R$ 1 milhão em três anos eleitorais e é investigado sob a suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.