sexta-feira, 13 de abril de 2018

Por que processo contra Alckmin está sob sigilo?


Josias de Souza
Uma semana depois de abrir a porta da cadeia para Lula, o Supremo Tribunal Federal recusou-se a livrar do xadrez Antonio Palocci, preso há um ano e meio. Por 7 votos a 4, a Suprema Corte negou pedido de habeas corpus do ex-ministro de Lula e Dilma. Quase que simultaneamente, a ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça, o STJ, enviou para a Justiça Eleitoral o processo sobre o repasse para Geraldo Alckmin de R$ 10,5 milhões provenientes do departamento de propinas da Odebrecht. Com isso, Alckmin livrou-se da Lava Jato. Na Justiça Eleitoral, a apuração deve acabar em pizza.

Essa expressão “acabar em pizza”, tem origem no futebol. Nasceu no Palmeiras, o clube da colônia italiana, cuja política interna é marcada por desavenças. As brigas, porém, nunca impediram que os rivais, como bons italianos, terminassem o dia ao redor de uma pizza. Transposta para a política nacional, a expressão é usada sempre que se frustra a demanda da sociedade por justiça.
A decisão do STJ em relação a Alckmin acendeu o forno. E a Procuradoria da República, que poderia pleitear uma mudança de rumo bate cabeças. A força-tarefa da Lava Jato em São Paulo se desentende com a Procuradoria-Geral em Brasília. Caixa dois eleitoral costuma dar em impunidade. Propina dá em cadeia. O processo contra Alckmin corre em segredo. O Judiciário precisa destampar essa panela. O rigor tem que ser amplo, geral e irrestrito. Alckmin disputa a Presidência da República. O eleitor tem o direito de não ser feito de bobo. É hora de transparência.

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