terça-feira, 23 de outubro de 2018

Campanha de Haddad aposta em crescimento das bancadas do PT e de Bolsonaro


Radar Online
Integrantes do alto escalão da campanha de Fernando Haddad apostam que tanto o PT quanto o PSL vão se beneficiar da cláusula de barreira.
Para os haddadistas, o PT será o destino preferido dos deputados das legendas de esquerda barradas pela cláusula, como PCdoB e PV, enquanto o partido de Bolsonaro deverá abrigar a turma egressa das demais siglas.

“Espere calmamente” (por Hitler). Por Volker Ullrich, parte 1

POR FERNANDO BRITO ·no Tiolaço


Recebo do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, um dos artífices da política externa brasileira durante o Governo Lula, ao lado de Celso Amorim, um excelente texto do historiador alemão Volker Ullrich, publicado em 2017, sob o título Ruigh Abwarrten (Espere Calmamente), sobre os primeiros meses da ascensão de Adolph Hitler ao poder e ilusão de que as leis, a constituição e a sociedade barrariam sua loucura.

Como é longo, publico em três partes, com o link, ao final, para a continuação.
Espere Calmamente

Volker Ullrich, no jornal Die Zeit

Argumentaram que ele seria mais razoável uma vez no cargo e que seu gabinete iria domá-lo.

Um ditador? Fora de questão!

Como jornalistas, políticos, escritores e diplomatas tiveram responsabilidade na nomeação de Adolf Hitler para chanceler.

Há razão para se preocupar? “Não”, pensou Nikolaus Sieveking, funcionário do Arquivo de Economia Internacional de Hamburgo, Alemanha. “Acho que considerar a chancelaria de Hitler como um evento extraordinário é infantil o suficiente para deixar esse sensacionalismo para seus leais seguidores”, escreveu ele em seu diário em 30 de janeiro de 1933.

Assim como Sieveking, muitos alemães não reconheceram inicialmente essa data como um ponto de virada dramático. Poucos sentiram o que a nomeação de Hitler como chanceler realmente significava, e muitos reagiram ao acontecimento com uma indiferença chocante.

O chanceler do gabinete presidencial havia mudado duas vezes em 1932. Heinrich Brüningwas foi substituído no início de junho por Franz von Papen que, por sua vez, foi substituído no início de dezembro por Kurt von Schleicher. As pessoas quase se acostumaram com esse ritmo. Por que o governo de Hitler deveria ser algo mais do que apenas um episódio? Nos noticiários de Wochenschau [ cinejornal passado antes do início da projeção do filme. O equivalente alemão do antigo Canal 100 brasileiro] exibidos nos cinemas, a informação sobre a posse do novo gabinete foi a última, depois dos grandes eventos esportivos. Isso, apesar do fato de Hitler ter explicado claramente em “Mein Kampf” e em incontáveis discursos antes de 1933 o que queria fazer uma vez no poder: abolir o “sistema” democrático da Alemanha de Weimar, “erradicar” o marxismo (pelo que ele queria dizer social-democracia e comunismo) e “remover” os judeus da Alemanha. Quanto à política externa, não fazia segredo do fato de que queria revisar o Tratado de Versalhes e que seu objetivo de longo prazo era a conquista do “Lebensraum[espaço vital] no Oriente”.

A camarilha do presidente alemão Paul von Hindenburg, que o colocou no poder por meio de uma série de intrigas, concordou com os objetivos de Hitler de impedir o retorno à democracia parlamentar, cortar as correntes do Tratado de Versalhes, armar maciçamente os militares e ,mais uma vez, fazer da Alemanha o poder dominante na Europa. Quanto ao resto das intenções declaradas de Hitler, seus parceiros da coalizão conservadora estavam inclinados a descartá-las como mera retórica. Uma vez no poder, argumentavam, ele se tornaria mais razoável. Eles também acreditavam que haviam “enquadrado” Hitler de uma forma que permitiria que suas ambições pelo poder e a dinâmica de seu movimento fossem mantidas sob controle. “O que vocês querem?”, perguntou aos críticos o vice-chanceler Papen, o verdadeiro arquiteto da coalizão de 30 de janeiro. “Eu tenho a confiança de Hindenburg! Em dois meses, teremos empurrado Hitler para tão longe que ele vai gritar.”, assegurava Papen.

A sede de poder de Hitler não poderia ter sido mais subestimada. Os nove ministros conservadores do chamado “Gabinete de Concentração Nacional” claramente tinham mais peso do que os três Nacional-Socialistas. Mas Hitler também tratou de garantir que dois ministérios principais fossem preenchidos por seus homens: Wilhelm Frick assumiu o Ministério do Interior do Reich Alemão e Hermann Göring tornou-se ministro de gabinete sem pasta além de ministro do Interior da Prússia, adquirindo poder sobre a polícia no maior estado da Alemanha­_ importante condição prévia para o estabelecimento da ditadura nazista.

O magnata da mídia e chefe do Partido do Povo Nacional da Alemanha, Alfred Hugenberg, foi visto como o homem forte no gabinete. Ele recebeu o Ministério da Economia e Agricultura do Reich e da Prússia. O novo superministro supostamente teria dito ao prefeito de Leipzig, Carl Goerdeler, que havia cometido o “maior erro” de sua vida ao se alinhar ao “maior demagogo da história mundial”, mas ainda hoje é difícil acreditar que tenha falado isso. Hugenberg, como Papen e os demais ministros conservadores, estava convencido de que poderia fazer Hitler abandonar suas próprias idéias e seguir a orientação dos demais.

Representantes de grandes empresas compartilhavam a mesma ilusão. Em um editorial no Deutsche Allgemeine Zeitung, que tinha laços estreitos com a indústria pesada, o editor-chefe Fritz Klein escreveu que trabalhar junto com os nazistas seria “difícil e cansativo” mas que as pessoas tinham que ousar “dar o salto” nas trevas “porque o movimento de Hitler tornou-se o ator político mais forte da Alemanha. O chefe do partido nazista teria agora que provar “se ele realmente tinha o que era necessário para se tornar um estadista”. O mercado de ações também não parecia assustado.As pessoas estavam esperando para ver o que aconteceria.

Os conservadores que ajudaram Hitler a ascender ao poder e seus opositores no campo republicano estavam errados em sua avaliação da verdadeira divisão do poder. Em 31 de janeiro, Harry Graf Kessler, diplomata e patrono das artes, relatou ter conversado com Hugo Simon, ex-colega do ministro das Relações Exteriores Walther Rathenau, assassinado em 1922. “Ele vê Hitler como prisioneiro de Hugenberg e Papen. ” Aparentemente, Kessler via da mesma forma, porque apenas alguns dias depois profetizou que o novo governo não duraria muito, já que só era mantido pelos “exageros e intrigas” de Papen ”, e argumentou: “Hitler já deve ter percebido que foi vítima de uma fraude. Ele está preso, de mãos e pés, a esse governo e não pode se mover nem para frente nem para trás”.

Jair Bolsonaro precisa parar de industrializar o ódio


Por Josias de Souza


Jair Bolsonaro e seu círculo de filhos e colaboradores produzem declarações que poderiam ter sido planejadas no Quartel General do petista Fernando Haddad, que se empenha em pregar no adversário-capitão as pechas de miliciano e golpista. A poucos dias da eleição que testará a confiabilidade das pesquisas que o colocam sentado na cadeira de Presidente da República, Bolsonaro não consegue produzir nada além de raiva.
Respira-se na campanha um ar eletrificado. Versão nacional de Donald Trump, Bolsonaro diz que as urnas eletrônicas estão sujeitas a fraudes. Seu vice, o general Hamilton Mourão, sonha com uma Constituição redigida por sábios. E um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonado, diz que “pra fechar o STF basta um cabo e um soldado.”
Embora declare estar “com uma mão na faixa”, Bolsonaro comporta-se não como um futuro presidente, mas como um soldado. No domingo, discursou num telão para uma multidão de apoiadores concentrados na Avenida Paulista. Prometeu ''uma limpeza nunca vista na história desse Brasil''. Categórico, declarou: ''Vamos varrer do mapa esses bandidos vermelhos do Brasil''.
Bolsonaro ainda não notou, mas tem inimigos mais perigosos à sua frente: uma crise fiscal sem precedentes, uma economia anestesiada e 12,7 milhões de desempregados. Perder uma eleição é fácil. Difícil é saber vencer. O primeiro passo é parar de industrializar o ódio.

Lindbergh Farias com receio de Bolsonaro

Discurso de ódio
Folha de S. Paulo - Monica Bergamo

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) decidiu pedir proteção à Polícia Federal. Ele foi citado por Bolsonaro em um discurso que o presidenciável fez por telefone, no domingo (21), para seus seguidores na av. Paulista, em SP.
Bolsonaro disse, dirigindo-se a Lula, que “brevemente você terá Lindbergh Farias para jogar dominó no xadrez”. Afirmou que “esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria” pois fará “uma limpeza nunca vista na história”, com a polícia fazendo “a lei valer no lombo de vocês”.
“Foi o discurso de um candidato a ditador. A ideia central foi de eliminação do adversário. É um discurso que autoriza a violência. Me preocupo porque no Rio todos os grupos milicianos apoiam Bolsonaro”, afirma o senador.

Comissão aprova percentual mínimo para compra de pães na merenda escolar



A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara Federal aprovou proposta que obriga estados e municípios a aplicarem parte dos recursos do programa de merenda escolar, repassados pelo governo federal, na compra de produtos de panificação elaborados por micros e pequenas indústria locais. O Projeto de Lei  7.745/2017 é de autoria do deputado Danilo Cabral (PSB).
 
A lei já determina que, de acordo com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), pelo menos 30% deverão ser utilizados na aquisição de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar, do empreendedor familiar rural e empreendedor das micro e pequenas indústrias de panificação local ou das suas organizações, priorizando-se os assentamentos da reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas.
 
O autor da proposta, Danilo Cabral, acredita que é primordial inserir alimentos panificáveis na alimentação escolar, principalmente feitos na localidade, para incentivar a produção regional. “Para crianças e adolescentes na idade escolar, é necessário incentivar o consumo de tais produtos. Além disso, ainda ajuda na contribuição para as micro e pequenas indústrias de panificação que desenvolve suas atividades na localidade da escola”, defende o parlamentar.
 
Ao projeto foi apresentado um substitutivo, do deputado Rubens Otoni (PT-GO), que determinada que sejam aplicados, pelo menos, 5% dos recursos do programa de merenda escolar na aquisição dos produtos panificáveis. Então, além do percentual de 30% para gêneros da agricultura familiar, o texto aprovado mantém cria esse percentual adicional.
 
O PL tramita em caráter conclusivo, rito pelo qual o projeto é votado apenas pelas comissões designadas para analisá-lo, dispensada a deliberação do Plenário. O texto será encaminhado para análise na Comissão de Educação e, posteriormente, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Marina diz que dará voto crítico a Haddad

Candidata da Rede à Presidência no primeiro turno, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva divulgou uma nota, hoje, na qual afirmou que dará "voto crítico" ao candidato do PT, Fernando Haddad.
Logo após o primeiro turno, a Rede Sustentabilidade, partido de Marina, recomendou aos filiados que não votassem em Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno, mas não manifestou apoio a Haddad.
Na nota, Marina afirma que dará o voto a Haddad porque o petista "não prega a extinção dos direitos" nem a repressão aos movimentos. Apesar disso, ressaltou, fará oposição se ele for eleito.
"Diante do pior risco iminente, de ações que, como diz Hannah Arendt, “destroem sempre que surgem”, “banalizando o mal”, propugnadas pela campanha do candidato Bolsonaro, darei um voto crítico e farei oposição democrática a uma pessoa que, “pelo menos” e ainda bem, não prega a extinção dos direitos dos índios, a discriminação das minorias, a repressão aos movimentos, o aviltamento ainda maior das mulheres, negros e pobres, o fim da base legal e das estruturas da proteção ambiental, que é o professor Fernando Haddad", afirmou Marina na nota.
POR FERNANDO BRITO · no Tijolaço



No vídeo que gravou, ontem, para seus apoiadores reunidos na Avenida Paulista, Jair Bolsonaro apresentou, em linguagem tão tosca quanto clara, o que serão as ações iniciais de seu governo, enquanto não for tragado pelos inevitáveis conflitos do aglomerado de escória moral, de autoritários doentios e de aventureiros do dinheiro que reuniu.

É o horror, nada além disso.

A ordem do dia pronunciada ontem, aos espasmos, sem nenhum chamamento à razão, sem nenhuma alegria que não a perspectiva de uma “vingança” (contra que “mal”, não o sabemos, pois foram os que menos sofreram neste país) teve como conteúdo, apenas, o chamado à força.

“Varrer”, “expulsar do país”, “trabalhar, vagabundos” são os comandos de um tempo em que devemos ter medo do vizinho, cuidar do que falamos e até do que vestimos.

Ontem, um grupo de hidrófobos gritava, diante da Catedral de Brasília iluminada de rosa, por conta da campanha contra o câncer de mama, que a igreja era comunista: “este merda vermelha não nos representa”, gritava uma desequilibrada, seguida por outro que dizia para “botar verde-amarelo”.

Como não tem, ao menos de imediato – e, provavelmente, também não depois – condições de resolver os problemas essenciais do país, será esta a “reivindicação” que pode “atender”.

A violência e o extermínio policiais soltos, a perseguição política à solta, a “deduragem”, a demissão dos indesejáveis, o espancamentos nas madrugadas das calçadas.

O horror, nada além disso.

Em outro front, o adesismo imediato das maiorias fisiológicas do Congresso, neste quadro quase “de graça”, com o pagamento, apenas, de deixarem-nas sobreviver.

A Constituição, diante desta matilha majoritária, será um pedaço de carne podre a ser dilacerado.

Não haverá, igual, Judiciário a contê-lo. O acoelhamento vergonhoso do STF, depois de merecer o filho do Ditador a bofetada de dizer que um cabo e um soldado o fechariam, foi o suicídio de sua autonomia.

Tudo isso, porém, toma tempo e tem trâmites.

Só o que não tem são as mortes, os espancamentos, as balas anônimas, as intimidações.

O horror, se não o contivermos até domingo.

Adutora do Agreste recebe primeiro repasse do ano


Após várias audiências realizadas no Ministério da Integração Nacional ao longo de 2018, em busca de novas liberações de recursos para a obra da Adutora do Agreste, a Companhia Pernambucana de Saneamento – Compesa recebeu a notícia, nesta sexta-feira, 19, da liberação de R$ 28,9 milhões para a continuidade do empreendimento. De acordo com o presidente da Compesa, Roberto Tavares, que esteve ontem em Brasília, esse será o primeiro repasse liberado neste ano pelo presidente Michel Temer para a obra, que estava ameaçada de paralisação pela ausência de verba nos últimos dez meses.

De acordo com Roberto Tavares, o governador Paulo Câmara estava bastante preocupado com a possibilidade da paralisação da obra da Adutora do Agreste, uma vez que se prenuncia mais um ano de seca na região. "Caso não chegasse o repasse, estaríamos anunciando na próxima semana a paralisação das obras. Agora, podemos nos concentrar em levar água do Rio São Francisco para a população do Agreste que tanto precisa", reforça. Tavares lembra ainda a atuação do deputado federal pernambucano Fernando Monteiro, que foi fundamental para a liberação desses recursos, levando as preocupações do governador Paulo Câmara para o Ministério da Integração.
Mesmo sem a conclusão da obra do Ramal do Agreste, por parte do Governo Federal, a Compesa está conseguindo distribuir água do Rio São Francisco por meio da Adutora do Moxotó. "Essa foi a solução que encontramos, a pedido do governador Paulo Câmara, para antecipar a funcionalidade da Adutora do Agreste, antes mesmo da conclusão do Ramal do Agreste, um dos braços do projeto da Transposição do Rio São Francisco para alimentar o Eixo Leste, que beneficiará 68 municípios pernambucanos", explica o presidente da Compesa, Roberto Tavares. Ele antecipa que a água do "Velho Chico" já chegou na cidade de Arcoverde, no Sertão, e nos próximos dias deve chegar em Pesqueira, no Agreste. Outras oito cidades da região também serão beneficiadas com a obra da Adutora do Moxotó, já interligada a Adutora do Agreste, contemplando 400 mil pessoas. Na sequência, as outras cidades que terão mais água nas torneiras são: Venturosa, Pedra, Alagoinha, Sanharó, Belo Jardim, Tacaimbó, São Bento do Una e São Caetano.
As obras da Adutora do Agreste começaram em 2013. No ano passado, o governo federal liberou R$ 194 milhões. Com a liberação desses 28,9 milhões, ainda faltam ser repassados R$ 413 milhões para finalizar a primeira etapa do empreendimento, que prevê o abastecimento de 23 municípios do Agreste, de um montante conveniado no valor de R$ 1,4 bilhão. A segunda etapa deverá beneficiar outros 45 municípios, mas ainda não há convênio formalizado entre o Governo de Pernambuco e Governo Federal.

Operação prende divulgador de material pornográfico infantil em São Paulo


Reportagem de Flávia Albuquerque na Agência Brasil.

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã de hoje (22) uma operação para combater o abuso sexual infantil e a divulgação de material pornográfico infantil na internet. A Operação Mestre Impuro cumpriu dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva na capital paulista. As investigações começaram após a PF receber informações sobre uma pessoa publicando muito material com cenas de sexo em fóruns dedicados à pornografia infantil.

“Policiais federais entraram no ambiente da deep web ((internet oculta) com o uso de equipamentos e técnicas próprias para a investigação desse tipo de crime e identificaram que esse brasileiro seria um professor que atua na capital paulista. As diligências apontam que ele usaria a proximidade decorrente da profissão para abusar de crianças entre 5 e 10 anos de idade, de ambos os sexos”, diz a PF por meio de nota.

Segundo as informações, a polícia concluiu que, além do compartilhamento, havia evidências de que a mesma pessoa também produzia imagens dos abusos, com o objetivo de conquistar respeito e admiração dos outros participantes dos grupos que atuavam nesse ambiente da internet.

De acordo com a PF, já foram identificadas sete crianças, que são membros da família do suspeito, alunos e alunas. “Agora a PF trabalha para identificar se há outras vítimas, a partir da análise do material apreendido e da oitiva de pessoas”, informou a PF.

O investigado será indiciado pelos crimes de publicação de imagens de pornografia infantil, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com penas variando de três a seis anos de reclusão, e pelo crime de estupro de vulnerável, previsto no Código Penal, com penas de oito a 15 anos de reclusão.

O preso será encaminhado ao sistema prisional estadual, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Porque jamais nos vencerão

POR FERNANDO BRITO · no TIOLAÇO


Se o Brasil tivesse uma imprensa digna da sua missão de informar, o Brasil não estaria à beira de cair sob o tacão do fascismo.

Se o Brasil tivesse instituições dignas de sua missão constitucional, não estaria na iminência de viver sob uma ditadura.

Se o Brasil tivesse liberais dignos de princípios e não amantes da velhacaria e de interesses eleitoreiros não estaria ao ponto de descer para a treva do autoritarismo.

Se Brasil tivesse uma elite econômica que amasse o país que sustenta sua fartura não estaria a um passo de regressarmos a escravatura.

Mas este país não os tem e por isso assistimos, indefesos, vê-lo atirado no lixo, submetido a um governante tosco, primário, imbecil, capaz de negar o direito mais básico que tem cada ser humano que aqui vive: o direito de ser brasileiro.

Quem assistir ao vídeo onde o Sr. Jair Bolsonaro despeja, com um discurso gutural o seu desejo de expulsar do país todos aqueles que não concordarem ou se submeterem a sua vontade fascista não pode deixar de perceber quão escura é a treva em que ele lançará esse país.

Desde Médici ninguém ameaçava um brasileiro com o exílio.

Mesmo os “bem-postos” – juízes, promotores, deputados, empresários, “mercadistas” – que odeiam o povo simples e humilde desse país não podem deixar de ver que vamos ser mergulhados na selva da violência estatal, numa situação em que as grandes maiorias da população serão submetidas à alternativa entre a vassalagem ou a insurreição.

As altas patentes militares, que aderem e se submetem a um capitãozinho “bunda-suja”, que há 30 anos garatujava no papel planos de explodir bombas em quartéis para obter salário melhor – se não sabem, deveriam saber – enfiaram as forças armadas na idolatria da indisciplina, da conspiração, da deformação de só ter coragem de apontar as armas para seu próprio povo, o que as decai à condição que Caxias rejeitou, a de capitães do mato.

Errem. Suicidem-se. Escondam numa votação escandalosamente manipulada, onde a boa-fé do povo brasileiro aceita ver como “corruptos” os que nem de longe, mesmo na sua vileza, os que praticam a mais vil das corrupções: a de vender o Brasil, a de vender os direitos do nosso povo, a de vender o sagrado bem da liberdade para instaurar um governo de pústulas, de tatibitatis, de gente microcéfala e, pior, genuflexa ao ponto de bater continência para a bandeira norte-americana.

É de repetir Castro Alves e gritar para que Andrada arranque dos ares seu pendão para que não sirva de mortalha às liberdades.

O nazismo teve seu ápice, teve multidões, teve seus braços erguidos no “heil” de milhares encantados, hipnotizados.

Os que ousaram resistir teriam passado anos como ratos em suas tocas não fosse o fato de que eram homens e mulheres cercados pelos ratos.

Quis-se avançar como um Brasil de todos. Ninguém foi perseguido, nenhuma bolsa foi saqueada, nem mesmo os salões foram violados. Apenas – e muito timidamente entreabriu-se suas portas para que outros pudessem entrar.

Será que é ofensa demais ver o rosto cafuzo, mulato, crestado do sol ao seu lado no shopping, no avião, na loja? É tanto o desprezo à carne da qual se nutrem ao sangue do qual bebem, aos pobres que os fazem ricos?

Eis, senhores, numa palavra, a torpeza de seu crime. Querem a morte de quem os nutre, de quem lhes constrói as casas de luxo, as mansões, de quem compra seus produtos, de quem é escorchado por seus bancos, de quem consome as porcarias que colocam no mercado? Querem o sangue de quem nunca lhes tirou uma gota de seu champanhe?

Há, porém, uma arma mortal e sem defesa, apontada contra os senhores.

Chama-se história, responde pelo nome de marcha incontível dos povos pelos seus direitos e liberdades. Neguem-na, persigam-na, prendam-na, exilem-na: nada adiantará.

Ela triunfa. Sempre haverá festa quando ela voltar e vocês se forem. É certo que haverá dores, haverá filhos separados dos pais, haverá vidas interrompidas, algumas perdidas.

Ainda há tempo para um difícil acesso de lucidez, tão mais difícil quanto mais covardes são aqueles que poderiam provoca-lo.

Mesmo assim, a causa de vocês é perdida, inviável, perversa. Há e haverá sempre brasileiros que não se vergarão que seja de onde for, estarão de pé, a enfrenta-los. Vocês não têm mais a censura e o silêncio que tiveram, há meio século para implantar uma ditadura.

Vocês são os zumbis do tempo que se foi e não adianta que avancem como hordas ameaçadoras.

Nós somos a vida e a humanidade, e a vida humana triunfará.

Boulos: discurso de Bolsonaro empodera malucos

Discurso de Bolsonaro empodera todo tipo de maluco, critica Boulos
Foto: da revista Forum
Folha de S. Paulo - Por Painel

Por Daniela Lima

Uma oitava acima O discurso gravado por Jair Bolsonaro (PSL) para os eleitores que foram às ruas neste domingo (21), em SP, intrigou alguns opositores. Guilherme Boulos (PSOL) comentou que, mesmo em vantagem, o capitão reformado não baixa o tom.
Avisado “Ele deixou claro que opositor tem dois caminhos: sair do país ou ir preso”, disse Boulos. “Esse discurso empodera todo tipo de maluco.”

Ministros do STF criticam filho de Bolsonaro

Ministros do Supremo criticam filho de Bolsonaro e dizem ver autoritarismo e despreparo.
Folha de S.Paulo - Coluna Painel

Por Daniela Lima

Se houve silêncio diante do público, nos bastidores do Supremo a gravação em que Eduardo Bolsonaro (PSL) diz que “um soldado e um cabo” bastam para fechar o STF causou forte alarido. Para ministros, o vídeo evidencia “autoritarismo e despreparo”. “Tribunais só são peças dispensáveis na ditadura”, afirmou um magistrado. “E o que temiam, aconteceu. Há investigação no TSE e eles vão ter que conviver com essa sombra.” Dias Toffoli, presidente da corte, está sob pressão para responder.
O filme que viralizou é o trecho de uma palestra de Eduardo a alunos de um cursinho para ingressar na PF, em julho. A polêmica fala foi feita durante resposta a um aluno que perguntou se ele descartava uma ação do STF para impedir a eleição do pai —e uma consequente reação das Forças Armadas.
Antes de falar em tom de galhofa sobre o hipotético fechamento do Supremo, Eduardo disse que não achava impossível que usassem uma doação irregular de “R$ 100 do José da Silva” para impugnar a candidatura de Bolsonaro.
O presidenciável agora é alvo de investigação pelo escândalo do WhatsApp, revelado pela Folha. É a esse caso que o ministro do Supremo ouvido pelo Painel se referiu como sombra.
Um outro magistrado do STF fez muitos comentários sobre o linguajar usado pelo filho de Bolsonaro ao longo da palestra. Com o evento em clima descontraído, Eduardo disse diversos palavrões.
No início da palestra, o filho de Bolsonaro falou sobre o ingresso na PF —ele é escrivão— e descreveu a rotina na corporação. Ele criticou quem não defende polícia letal. “Policial treinado para atirar na perna?”, ironizou. “Policiais morrem por medo de apertar o gatilho.

sábado, 20 de outubro de 2018

Polícia investiga estupro por motivação política

Polícia do Paraná apura se denúncia de estupro teve motivação política.
Foto: wikipedia
Por Agência Brasil


A Policia Civil paranaense investiga se há motivação política em uma denúncia de estupro no Centro Acadêmico de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A vítima, que se declara mulher transexual, de 22 anos, disse que o crime foi cometido por um grupo de garotos e que a motivação seria o fato de ela estar usar um adesivo da campanha #EleNão – contrária à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República.
O relato foi postado no site do Mapa da Violência. A denúncia anônima é investigada pela Delegacia da Mulher de Curitiba. Nas redes sociais, o centro acadêmico informou quer tomou conhecimento do caso por meio da internet, mas que, até o início da semana, não havia sido contactado pessoalmente pela vítima.
“Não vamos colocar em descrédito o relato da vítima pois, o tempo todo, vítimas de estupro são culpabilizadas. Nos colocamos a serviço do acolhimento da vítima, mesmo que essa mulher não se sinta à vontade para a exposição do ocorrido. O corpo docente, juntamente com os estudantes, está articulando formas de lidar com o acontecido de forma a verificar os fatos.”
Repúdio
O Centro Acadêmico de Ciências Sociais publicou, também em sua página no Facebook, uma nota de repúdio, por meio da qual se coloca à disposição da vítima para auxiliá-la no que for necessário – inclusive para tomar medidas legais e na busca por apoio psicológico. “Não podemos banalizar esse como mais um caso estatístico”. O centro apela para o fim da  “crescente onda de violência”.
Na nota, a entidade diz que também identificou pichações com os dizeres “B17” e com suásticas nas paredes do centro acadêmico e informa que vai repensar a abertura do local em todos os turnos do dia – incluindo à noite – para estudantes de ciências sociais, de outros cursos e para a comunidade externa. 
Em momentos anteriores, nas redes sociais, quando questionado sobre a violência atribuída aos seus simpatizantes, Bolsonaro afirmou que rechaça qualquer tipo de agressão e que não tem como controlar as pessoas.