quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Querem vencer Lula pelo cansaço

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço
Depois de um dia iniciado ainda no escuro, nesta quarta-feira dantesca da “democracia policial” do Brasil, acompanhando os sites e com a Globonews buzinando nos ouvidos, é difícil ser capaz de fazer raciocínios muito objetivos, ainda mais com duas horas de depoimento de Lula para assistir, para não ficar preso aos recortes da Globo.

Então vou falar da impressão que me fica de tudo o que já assisti.

A primeira é de choque, certamente. Não é fácil, quase aos 60 anos, ver o país que você ama entregue ao policialismo.

Hoje, 70 ou 80% das chamadas dos sites pera sobre prisões, delações, depoimentos judiciais e relatórios policiais.

Claro, isso nos 50% dos sites que não é ocupado por abobrinhas e “celebridades”.

A segunda, é a miséria usada para acusar Lula.

No “maior caso de corrupção da História mundial”, tudo o que se tem contra ele é uma apartamento que não é dele, um terreno “doado ao Instituto Lula” que não é do Instituto Lula, um sítio que não se prova que é de Lula e – ah!! – ima apartamento alugado na luxuosa cidade de Saint Bernard de les Champs, uma Avenue Foch de pobre.

Será que não passa por alguma cabeça ainda comprometida com a lógica tachar de pessoalmente corrompido a um homem que não tem nada que se possa chamar de faustoso?

Ouço as moças da Globo dizendo que Lula estava impaciente. Queriam Lula com o “fair-play” de Palocci, fazendo um negócio teatral em troca do perdão judicial?

Será que uma pessoa normal, honesta, com a vida dedicada ao serviço público – afinal, não é como agente (oi servidor) público que está sendo julgado? – passar dois anos e meio sendo acusada de tudo e diante de alguém que o condenou a nove anos e meio de cadeia como um gatinho? Só mesmo se for um canalha…

Mas a estratégia é essa: cansar Lula, repetindo acusações, sacando acusações de gente ansiosa para escapar da cadeia que se comemora a cada decretação? Que buscam fazer com que perca a energia que, milagrosamente, ainda mantém depois dos 70 anos.

Será que ainda não perceberam que não irão quebrá-lo?

Nunca vi, depois de tantos anos, tamanha crônica de uma tragédia anunciada.

Funaro: Temer e Cunha tramaram o impeachment

Do blog de Magno Martins
Ainda vice-presidência da República, Michel Temer e o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tramavam "diariamente" a derrubada da presidente Dilma Rousseff; a afirmação é do corretor financeiro Lúcio Funaro, que em anexo de sua delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal, ele descreve a relação com a cúpula do PMDB e nomeia os "operadores" de Temer em supostos esquemas de corrupção.

"Na época do impeachment de Dilma Rousseff, eles confabulavam diariamente, tramando a aprovação do impeachment e, consequentemente, a assunção de Temer como presidente", disse Funaro na delação ao Ministério Público Federal. 
Conforme Funaro, Cunha sempre foi o arrecadador de propinas para o chamado "quadrilhão" do PMDB, enquanto Temer atuava no núcleo político, viabilizando interesses de empresas que pagavam subornos ao grupo.
Segundo relatório da Polícia Federal encaminhado ao STF, Michel Temer liderava uma quadrilha formada para assaltar os cofres do Estado. A PF fez um organograma do "quadrilhão do PMDB" da Câmara no qual indica flechas para Temer, ao lado do ex-deputado Eduardo Cunha (RJ), no comando da "gestão do núcleo político" da quadrilha.
A Temer se reportariam deputados e ex-deputados que atuaram no Planalto, como Geddel Vieira Lima, Henrique Alves, os dois já presos, e Eliseu Padilha, acusado de receber R$ 10 milhões da Odebrecht. Na descrição da PF, o gráfico "tem como referência o presidente Michel Temer, por ser sua excelência justamente o ponto comum entre essas pessoas". Temer é acusado de ter recebido R$ 31,5 milhões em propinas

Janot denuncia Agripino Maia, presidente do DEM

Folha de S.Paulo - Reynaldo Turollo JR
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou nesta quarta-feira (13) o senador José Agripino Maia (DEM-RN) ao STF (Supremo Tribunal Federal).

A investigação que culminou na denúncia foi aberta a partir da Operação Lava Jato e está sob sigilo. O teor da denúncia não foi divulgado, tampouco os crimes de que Maia é acusado.
O relator do caso no Supremo é o ministro Luís Roberto Barroso. Agora, caberá ao tribunal acatar ou não a acusação. Se a denúncia for aceita, Maia vira réu e pode ser absolvido ou condenado.
OUTRO LADO
O senador disse, em nota, que os fatos e que "em todos os depoimentos tomados e registrados ao longo do referido inquérito não consta sequer uma referência de pedido ou recebimento de valores em troca de qualquer tipo de retribuição ou vantagem", o que caracterizaria corrupção passiva.
"Registre-se que, até as últimas eleições [2014], contribuições de pessoas jurídicas eram legalmente permitidas", diz a nota.
"Apesar de defender o combate à corrupção mediante a eficiência na apuração de todos fatos, o senador José Agripino não aceita ações que generalizam e maculam a dignidade, a imagem e o capital político de homens públicos", conclui o texto 

Janot 9 x 0 Temer


 Bernardo Mello Franco - Folha de S.Paulo
Às vésperas de virar alvo da segunda denúncia, Michel Temer sofreu uma dura derrota no Supremo. Por unanimidade, a corte negou o pedido para afastar Rodrigo Janot das investigações que o envolvem. O procurador venceu o presidente de goleada: 9 a 0.

A defesa queria que Janot fosse declarado suspeito por "ausência de imparcialidade". Se o tribunal aceitasse a tese, os dois inquéritos contra Temer iriam para as calendas. Assim, ele não teria mais motivos para se preocupar com a Lava Jato.
O advogado Antônio Cláudio Mariz disse que seu cliente "quer trabalhar, mas não consegue", porque "a cada momento uma nova denúncia aparece". Ele ainda acusou a imprensa, a culpada de sempre, de "dar eco para propagar o mal" contra Temer.
"Deixem-no em paz!", suplicou o causídico, antes de dizer que as acusações de corrupção têm causado grande "sofrimento" ao presidente, à mulher e a um "irmão doente".
Se a ideia era arrancar lágrimas, não funcionou. Os nove juízes presentes ouviram o discurso sem demonstrar qualquer emoção. O ministro Gilmar Mendes, que costuma se sensibilizar com os dramas de Temer, preferiu não aparecer para votar.
"Os fatos descritos não configuram causa de suspeição", resumiu a ministra Rosa Weber. "O presidente não foi o alvo exclusivo do procurador. Outros partidos e outros políticos foram igualmente atingidos", endossou Ricardo Lewandowski.
A sessão ganhou tom de desagravo ao procurador. "Não posso deixar de reconhecer a atuação responsável, legítima e independente de Janot, que tem exercido a chefia do Ministério Público com grande seriedade", disse o decano Celso de Mello.
Os elogios não livram Janot de explicar melhor as relações suspeitíssimas entre seu ex-auxiliar Marcello Miller e a JBS. Mesmo assim, o procurador venceu de lavada. Para Temer, fica um lembrete: a vida pode ser mais difícil quando os julgadores não trocam votos por cargos e emendas

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Operação Força no Foco

Garanhuns recebe Operação Força no Foco


O município terá reforço das Polícias no combate a homicídios e ao tráfico de drogas.


Desde o início da manhã desta terça-feira (12/09), policiais militares, policiais civis e o Corpo de Bombeiros estão nas ruas de Garanhuns, no Agreste do Estado, reforçando o trabalho de combate aos homicídios e tráfico de drogas, além de outros crimes relacionados. As ações, que ocorrem de forma integrada, fazem parte da Operação Força no Foco.


Em Garanhuns, a Polícia Civil atuará com equipes táticas empenhadas na instrução de inquéritos policiais de homicídios que ainda estão em aberto, buscando a elucidação da autoria e adoção das demais providências necessárias para sua conclusão. Além disso, com o apoio da Polícia Militar, será reforçado o cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão, assim como a realização de oitivas na cidade. 


Nas ruas, além de apoiar as ações de cumprimento de mandados junto com a Polícia Civil, os militares intensificarão as rondas e abordagens, assim como bloqueios em pontos quentes, ou seja, locais conhecidos pelo maior número de ocorrências criminosas. O objetivo é ampliar as abordagens a transeuntes, automóveis e motos nessas áreas, assim como os veículos utilizados para transporte de passageiros.

Também com o apoio dos policiais militares, o Corpo de Bombeiros colocará em prática a Operação Bar Seguro, que busca fiscalizar e, caso necessário, interditar estabelecimentos que estejam funcionando de forma irregular.

PMDB abre processo para dissolver diretório de PE

Apesar da defesa emocionante, dura e muitas vezes convincente em relação a história do PMDB de Pernambuco, o presidente estadual da legenda, Raul Henry, não conseguiu, durante a reunião da Executiva Nacional do partido, hoje, em Brasília, evitar a abertura de um processo de dissolução do Diretório pernambucano.

Para ser aberto este processo, é preciso que algum integrante do diretório encaminhe o pedido à Executiva Nacional e este chegou através do militante Orlando Tolentino, de Petrolina, assessor do prefeito Miguel Coelho.
O presidente da Executiva Nacional, Romero Jucá, acatou o pedido e designou como relator o deputado Baleia Rossi (PMDB/SP), na foto acima.

Carta Aberta ao Zezé de Camargo



Por Ernesto José de Carvalho, o Ernestinho, no Viomundo

Caro Mirosmar, mais conhecido como Zezé de Camargo,

Acordei hoje e de cara recebi com tristeza sua entrevista, onde o senhor afirma que não houve Ditadura no Brasil e sim uma liberdade vigiada. Deixe-me lhe contar uma história.

Meu pai, assim como você e milhões de brasileiras e brasileiros, veio pra São Paulo atrás de uma vida melhor, também vindo do interior do país, no caso do meu pai e seus quatro irmãos e uma irmã saíram de Muriaé-MG, nos anos 50, todos com idade abaixo de 15 anos.

Também trabalharam na roça pra ajudar no sustento da família (ouvi dizer que também foi seu caso), ao chegar a São Paulo, período ainda da industrialização, passaram a trabalhar no pesado, meu pai Devanir trabalhava como louco de dia e à noite fazia curso para se tornar torneiro mecânico, meus tios Jairo e Joel, gráficos, e o Daniel e Derly, metalúrgicos.

A história deles se confunde com a sua e a de milhões de retirantes até aqui, só até aqui.

Diferentemente de você todos eles passaram a se indignar com o sofrimento vivido pela grande maioria de seus semelhantes, em condições de extrema pobreza causada pela enorme desigualdade social, imposta por uma política escravagista, excludente, elitista e cruel.

No início dos anos 60, todos eles já estavam comprometidos com a construção de uma resistência constitucional via sindicatos de classe, movimentos sociais e partidos políticos — assim como deve ser num estado democrático.

A eleição de 1960 levou à presidência pelo voto direto o Sr. Jânio Quadros e seu Vice João Goulart.

Com a renúncia de Jânio (forças ocultas, lembra?), João Goulart assumiria a presidência em 1961, propondo as reformas de base, Educacional, Política, Agrária e Fiscal, que atenderiam às demandas da população mais vulnerável e desprotegida economicamente.

Por essa razão, unicamente por ela, setores da elite econômica se aliaram aos militares — digo, alguns setores do Exército brasileiro — e passaram a conspirar para que o Vice-Presidente não assumisse o cargo.

Entre 1961 e 31 de Março de 1964, o que se viu no país foi uma sequencia de um jogo antidemocrático, criando uma tensão política insustentável.

Na noite de 31 de Março de 64, tiraram nosso presidente à força do cargo.

A partir daí, para manter o status quo, os militares implementaram uma das mais sanguinárias ditaduras do mundo, caro Zezé.

Perseguiram e mataram seus opositores políticos — como o Deputado Rubens Paiva, preso e morto nos porões da Ditadura — jornalistas como Wladimir Herzog, preso e morto nos porões da ditadura, artistas presos, torturados, banidos do país e muitos assassinados, também nos porões da Ditadura.

Muita gente, mas muita mesmo, de diversos setores da sociedade, resistiu à violência do estado, muitos camponeses assim como meu pai e tios, também resistiram, diferentemente de você, que virou as costas aos seus contemporâneos, à sua gente simples, da roça, que carrega em seus semblantes a pele marcada pelo sol forte do trabalho duro do campo.

Essa gente nunca se esqueceu das belas paisagens do campo, da simplicidade do interior, da solidariedade dos vizinhos, da confiança entre homens e mulheres.

Acima de tudo, eles nunca perderam a dignidade.

Meu pai Devanir José de Carvalho foi preso e torturado até a morte em 5 de Abril de 1971, aos 28 anos; minha mãe foi presa e banida do país aos 25 anos; meu tio Jairo José de Carvalho, preso, torturado e banido do país aos dezessete anos; meu tio Derly José de Carvalho, preso, torturado e banido do país aos 30 anos; meu tio Daniel José de Carvalho capturado aos 26 anos, nunca encontramos seu corpo; meu tio Joel José de Carvalho capturado aos 25 anos, nunca encontramos seu corpo; eu, aos três anos de idade, sai do Brasil clandestinamente com minha mãe, vagando por vários países, fugindo de outras ditaduras e do pavor de sermos capturados pelos senhores que “vigiavam” a sociedade brasileira.

Desculpe, caro Mirosmar, a Ditadura existiu, e foi uma das mais sanguinárias da história recente da humanidade.

Ernesto José de Carvalho

11 de Setembro 2017

Movimentos sociais fazem ato de apoio a Lula

Do Blog de Magno Martins
O ex-presidente Lula e o juiz Sergio Moro se encontrarão novamente nesta quarta-feira (13), às 14h, em Curitiba, em função da ação penal na qual o petista é acusado de receber propina da Odebrecht. Em apoio ao ex-presidente, a Frente Brasil Popular realizará um ato a partir das 15h, na Praça Generoso Marrques, no centro da capital paranaense.

"Eles só querem inviabilizar a candidatura de Lula pois sabem que, se Lula concorrer, irá se eleger presidente, por vontade do povo. Portanto, eles querem criminalizá-lo em um processo arbitrário e sem provas. Ele tem direito de ser candidato. Eleição sem ele é fraude", afirma o presidente da CUT, Vagner Freitas, em sua conta no Twitter.
A segunda "Jornada de Luta pela Democracia" terá mais dois eventos que estão previstos na programação. Às 16h30, será realizada uma aula pública sobre os métodos utilizados pela Operação Lava Jato. A atividade terá a presença do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, do sociólogo Emir Sader e do senador Roberto Requião (PMDB-PR), entre outras lideranças políticas.
Na sequência, haverá novo lançamento do livro Comentários a Uma Sentença Anunciada: O Processo Lula, publicado pelo Projeto Editorial Práxis. A obra, organizada por juristas, traz argumentos técnicos relativos à primeira sentença de Sergio Moro contra o ex-presidente. Já por volta das 18h começa o ato político que deve contar com a presença de Lula.

CPI quer moer JBS e triturar Lava Jato


CPI a gente sabe como começa, não como termina – dizia sempre o correto e admirável senador Pedro Simon, naqueles tempos em que o Legislativo ainda desfrutava de um resto de credibilidade junto à opinião pública. É claro que já havia bandalheira, e muita, nas convocações e votações, inclusive em CPIs. Mas ainda se guardava algum pudor – diferentemente do que ocorre hoje, ao menos procuravam disfarçar e esconder comportamentos reprováveis.

Imagine-se agora, quando a gente já sabe como as coisas estão começando, e quando já começam mal. A recém-criada CPMI da JBS é o mais recente exemplo.
Formada por requerimento do senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), e tendo muito provavelmente o deputado eduardista Carlos Marun como relator, a comissão tem basicamente um objetivo: moer a JBS dos irmãos Batista, a ponto de a delação de Joesley e seus compadres ser eliminada da face da terra, e triturar a Lava Jato.
O principal beneficiário seria o presidente da República – que esteve longamente com Ataídes no fim de semana e é um dos incentivadores da CPI – mas a estratégia une todos os parlamentares que foram, são ou serão alvo da Lava Jato. Afinal, precisam reduzir a pó a delação de Joesley. O próprio Michel Temer, inclusive, tem força hoje para enterrar denúncias no plenário da Câmara. Mas se verá diante da Justiça daqui a pouco mais de um ano, quando deixar o cargo. Até lá, tem que fazer apodrecer depoimentos e eventuais provas deles originadas.
Por isso, os integrantes da CPMI estão sendo escolhidos a dedo entre os mais fiéis governistas e os maiores adversários da Lava Jato. E, a partir desta terça, vai valer tudo: convocação (e intimidação) dos delatores, dos procuradores e, se deixarem, até do ministro do STF Edson Fachin.
Há quem veja, no horizonte, um claro risco de crise institucional(Helena Chagas-Do blog Os Divergentes)

Mais munição para Janot


A Polícia Federal encaminhou ao STF relatório sobre o chamado quadrilhão do PMDB, no qual acusa o presidente Temer de comandar um antigo esquema de corrupção que teria continuado com a ascensão do peemedebista ao poder.

Formulada dessa maneira, a acusação permitiria a Janot denunciar Temer por atos praticados no atual mandato. Este é um ponto importante da peça da PF.
Certamente, o relatório dá mais munição ao procurador-geral da República. Cria mais problemas para Temer e os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria Geral. O presidente reagiu ontem por meio de nota e disse que não participou nem participa de nenhuma quadrilha.
Mas o relatório tem efeito político negativo, como tornar mais complicada a articulação política no Congresso. Por exemplo, dificulta que se torne real essa miragem de aprovação do relatório da reforma da Previdência na Câmara que é vendida pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
No entanto, no atual quadro político, o Congresso está dando mais peso às traquinagens de Joesley Batista e companhia, na qual a cada dia fica mais clara uma trama contra o presidente da República. Esse ponto enfraquece acusações que possam ser usadas para tentar tirar Temer da Presidência. Ou seja, o relatório atrapalha, mas não mata o atual grupo no poder.  (Do blog de Kennedy Alencar)

O roubo foi maior, presidente


Bernardo Mello Franco – Folha de S.Paulo
O inquérito do "quadrilhão" do PMDBimplode o discurso de que Michel Temer seria vítima de perseguição da Procuradoria. Agora é a Polícia Federal, e não mais o Ministério Público, quem sustenta que o presidente está no topo de uma organização criminosa.

O relatório da PF faz um raio-x na atuação do chamado PMDB da Câmara. São quase 500 páginas de uma longa crônica de assaltos aos cofres públicos. O documento descreve falcatruas milionárias na Petrobras, na Caixa Econômica, em Furnas, no Ministério da Agricultura, na Secretaria de Aviação Civil e no Congresso.
De acordo com a investigação, o esquema operava em diversas modalidades: do pedágio em obras à venda de medidas provisórias, da fraude em licitações à cobrança de propina para liberar empréstimos.
Sua aposta mais lucrativa foi a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara, em 2015. Com um investimento de R$ 30 milhões, repassados pela JBS, o grupo teria subornado dezenas de parlamentares para conquistar a cadeira. Nela, ampliou o poder de chantagem e multiplicou o faturamento dos negócios.
A PF afirma que o "quadrilhão" reunia seis amigos de longa data. A Lava Jato já prendeu metade do time: Cunha, Henrique Alves e Geddel Vieira Lima, o homem de R$ 51 milhões. Os outros três estão no Palácio do Planalto: Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, todos protegidos pelo foro privilegiado.
Nesta terça, o presidente ensaiou fazer um pronunciamento para rebater as conclusões do relatório. Assessores conseguiram demovê-lo da ideia. Sem a opção de atacar Janot, ele teria que criar outra teoria conspiratória envolvendo a Polícia Federal, que é subordinada a seu governo.
Por fim, Temer divulgou uma nota em que protesta contra "toda forma de injustiça", chama os delatores de "bandidos" e afirma que "facínoras roubam do país a verdade".
Se o roubo se limitasse a isso, o país ainda estaria no lucro.

Marta escapa de investigação por causa da idade


Marta Suplicy tem mais de 70 anos, o que reduz o tempo de prescrição dos crimes
Época
A idade salvou a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) de ser investigada no STF em razão do que executivos da Odebrecht delataram.
Os colaboradores disseram que repassaram a ela, por meio de caixa dois, R$ 500 mil em 2008.
Naquele ano ela disputou a prefeitura de São Paulo.
Por ter mais de 70 anos (Marta tem 72), o tempo de prescrição do crime cai pela metade, o que resultou no arquivamento da apuração.

Susana Vieira recusa foto com deputado na Câmara

Por Painel










Durante ato de artistas no Congresso contra o decreto que extingue a Renca, nesta terça (12), o líder do PR, deputado José Rocha (BA), tentava a todo custo tirar uma foto ao lado de Susana Vieira.

O assessor do parlamentar se aproximou da atriz:

— Susana, tira uma foto aqui com o líder?

— Que líder? Do PSOL, da Rede?

— Não, o líder do PR, mas o PR é tranquilo…

— Querido, aqui não tem ninguém tranquilo, não. Só o Temer, que parece tomar um Frontal maravilhoso!

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Gilmar convicto de que foi gravado por Joesley


O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), diz estar seguro de que foi gravado pelo empresário Joesley Batista, da J&F.

"Eu hoje estou convicto disso", afirma o magistrado.
É geral no meio jurídico a desconfiança de que o delator grampeou Mendes, mas o ministro afirma agora não ter mais dúvidas de que isso ocorreu.
"A conversa entre os delatores [Joesley Batista e Ricardo Saud que foi divulgada na semana passada] mostra que eles queriam destruir o Supremo, pilotados pela PGR [Procuradoria-Geral da República]", afirma.
Em abril, o ministro foi procurado por Francisco de Assis, advogado da J&F, e marcou um encontro com ele.
O tema da conversa, afirma, era uma decisão recente do STF sobre o Funrural, a contribuição previdenciária rural.
No meio da conversa, sem avisar, Joesley Batista apareceu. Na época, Mendes não deu importância ao fato, que agora reforça sua certeza de que foi grampeado. (Painel – Folha de S.Paulo)

Na delação premiada vale o que está escrito?

José Antonio Severo – Blog Os Divergentes
“Vale o que está escrito”. Regra de conduta no mundo do crime e aforismo adotado pelo jargão popular no Rio de Janeiro, que se espalhou pelo Brasil como palavra de fé.

No momento em que o ministro Edson Fachin pegou seu lápis vermelho para riscar anulando a delação premiada dos dedos-duros da J&F, Joesley Batista e Ricardo Saud, vem à lembrança a máxima dos bicheiros cariocas: a delação premiada não é um acordo de cavalheiros, mas um pacto com criminoso confesso. Deveria o ministro, portanto, seguir a ética da bandidagem, que não admite rompimentos unilaterais, seja quais forem as justificativas. Se cair, desaba todo o sistema.
É compreensível que o ministro não se atenha à “lei” consuetudinária dos morros para suas sentenças, mas não deixa de ser preocupante mandar dois delatores premiados para a cadeia. Talvez fosse este o sentido da advertência do ministro carioca Luiz Roberto Barroso quando disse: “Todo o mundo sabe o que se quer fazer lá na frente. Eu não quero”.
O delator relapso sempre poderá alegar em seu favor que só respondeu o que lhe foi perguntado.
A dúvida é: quanto vale um acordo? É comum ver-se em “legal thriller” na televisão e no cinema os acordos de criminosos com os promotores norte-americanos. A pergunta: nos Estados Unidos, onde se aplica esse mecanismo, é comum a anulação de delações premiadas? Fica uma sugestão a pauteiros dos grandes veículos de comunicação que têm correspondentes na América do Norte: como funcionam esses acertos entre promotores e bandidos?
E no Brasil: a delação premiada serve apenas para os casos de crimes de corrupção ou será também usada nos crimes comuns?

STF tende a rescindir parcialmente delação da JBS

Para ministro do Supremo, dupla confessou tentativa de manipular
Blog do Kennedy
Nas palavras de um ministro do Supremo, os depoimentos da dupla Joesley-Saud sobre a “conversa de bêbados” são a confissão de uma tentativa de manipular o Ministério Público e a Justiça.
A afirmação de Joesley de que possuiria mais gravações revela que ele teria escondido provas e delitos. A declaração de Saud de que o ex-procurador Marcelo Miller deu orientações para produção de provas justificaria, no mínimo, a revisão da delação.
A tendência do Supremo é rescindir parcialmente benefícios aos delatores e manter a maior parte das provas. Mas haverá debate sobre anulação especificamente de algumas dessas provas

Opinião sobre Janot no Supremo nunca foi tão ruim


Integrantes do Supremo avaliam que dificilmente Rodrigo Janot será afastado pela corte dos casos que envolvem o presidente Michel Temer.

Ainda assim, o chefe do MPF deve se preparar para ouvir uma série de críticas à sua atuação no julgamento desta quarta (13).
Membros do tribunal afirmam que nunca antes o juízo sobre o trabalho de Janot foi tão ruim. Se o procurador-geral fica, dizem, é porque o tempo que lhe resta é tão pequeno que não vale o desgaste de impedi-lo.
O governo vai se apoiar na fragilidade da delação da J&F de Joesley Batista para rebater a afirmação da PF de que Michel Temer tinha poder de decisão em “quadrilhão” do PMDB. Diz que o relatório perde força ao citá-lo como destinatário da mala entregue a Rodrigo Rocha Loures, como sustenta o empresário.(Folha de S.Paulo)

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Henry: FBC só confirma a fama de traidor que ele tem


Blog da Folha
O vice-governador de Pernambuco e presidente da executiva estadual do PMDB, Raul Henry, fez duras críticas ao processo de ingresso do senador Fernando Bezerra Coelho no partido e à possível perda do comando da legenda para o novo integrante. Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, hoje, Henry voltou a falar em "violência contra a história da legenda", disse que o grupo "vai lutar" e chamou, ainda, o parlamentar de "traidor".
Questionado se a iniciativa seria uma retaliação da executiva nacional à postura do deputado federal Jarbas Vasconcelos em favor da denúncia do presidente Michel Temer (PMDB), Raul Henry disse acreditar as duas coisas parecem não ter relação.
"Agora é uma coisa diferente, uma articulação do senador Fernando, uma coisa absolutamente desleal, traiçoeira, indigna da parte dele, mas não vamos aceitar. Me parece que com essa só confirma a fama de traidor que ele conseguiu cultivar aqui em Pernambuco. Não vamos admitir, nós vamos para a luta e para o enfrentamento", disparou.
O dirigente partidário lembrou entrevista "muito generosa" concedida por Jarbas em relação ao senador, na qual ele afirmava que acolheria Fernando Bezerra Coelho no PMDB.
"Mas ninguém imaginava que na impossibilidade de Jarbas conversar, acometido de uma forte sinusite, que sequer foi a Brasília, eu numa viagem de trabalho a Ásia, que o senador fosse entrar no partido dizendo que estava entrando para ser o comandante estadual do PMDB. Que história é essa? Que falta de respeito é essa? Que violência é essa contra a nossa história, contra toda uma trajetória que nós temos, contra a liderança de Jarbas, querendo atropelar, querendo desmoralizar a liderança de Jarbas? Não vamos aceitar isso por hipótese nenhuma", declarou o vice-governador.
Raul também acrescentou que teve uma conversa sobre um eventual ingresso com o senador há dois meses. E que depois não conversou.


Na entrevista à Rádio Folha, Raul Henry também disse que na quarta-feira (13) vai ter reunião da executiva nacional e que ele e Kaio Maniçoba, atual secretário estadual de Habitação e que também faz parte da direção nacional, estarão e que levantarão o assunto para debate.

Lava jato virou partido político

Os palestrantes Deltan Dallagnol e Carlos Fernando Lima disputarão o Senado pelo Paraná, em 2018, na sigla do senador Alvaro Dias — o PHODEMOS.

A informação da jornalista Cristina Lobo na GloboNews, neste sábado (9), não é novidade para as forças políticas do Paraná.

Todos os paranaenses já sabemos que os moços da força-tarefa lava jato querem galgar posições na política. Se acham mais preparados que os tradicionais políticos para a função de representação, embora nunca tenham dito o que realmente defendem e quem defendem...

A mosca azul picou os lavajistas depois que juízes e procuradores começaram a ser sondados pelos institutos de pesquisa. (Eles até acreditam no enredo do filme produzido para elevá-los aos céus!).

Entretanto, porém, todavia, todas as pesquisas sérias atestam que a turma da lava jato não está preparada para a política.

Denúncia contra Temer

76% dos brasileiros indignados com os deputados que rejeitaram a denúncia contra Temer
Plenário da Câmara durante a votação da denúncia contra Temer | Foto: Ailton de Freitas
Por Lauro Jardim
Não se sabe se nos próximos dias Rodrigo Janot apresenta uma segunda denúncia contra Michel Temer — provavelmente, sim.
Mas o arquivamento da primeira denúncia pela Câmara deixou 76% dos brasileiros indignados.
Apenas 19% não se sentiram dessa maneira, de acordo com uma pesquisa inédita feita pelo Ibope com 2.002 brasileiros de todos os estados entre os dias 17 e 21 de agosto.

Kakay acusa Janot de deslealdade

Kakay é advogado de Joesley Batista da JBS
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay | Ailton de Freitas / Agência O Globo

O Globo - Coluna de Lauro Jardim


Joesley Batista e Ricardo Saud contrataram Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, para atuar como advogado junto ao STF.
 
Kakay já entra partindo para cima de Rodrigo Janot:
 
— Não pode o Doutor Janot agir com deslealdade e insinuar que o acordo de delação foi descumprido. Esse é mais um elemento forte que levará a falta de credibilidade e a descrença no instituto da delação.
 
Joesley e Saud são, aliás, os dois primeiros clientes delatores de Kakay.

Lula volta a depor a Moro. Aliados nas ruas

Blog do Esmael Morais
O ex-presidente Lula desembarcará na próxima quarta-feira, dia 13, em Curitiba, para prestar novo depoimento ao juiz Sérgio Moro. O petista não estará sozinho. Lula será recebido e acompanhado na Capital paranaense por uma nova Jornada de Luta pela Democracia, um ato de solidariedade ao ex-presidente e de denúncia da perseguição e do caráter político da Operação Lava Jato.

A jornada é organizada por um conjunto de militantes e representantes de entidades e movimentos sociais articulados pela Frente Brasil Popular.
A audiência desta semana integra o processo que envolve a compra de um terreno para a construção da nova sede do Instituto Lula e um imóvel vizinho ao apartamento do ex-presidente, em São Bernardo do Campo.
Para o PT, a campanha jurídica-política-midiática para condenar e prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu seu apogeu na "Semana da Pátria" e terá importantes desdobramentos nos próximos dias.
O petista promete responder a todos os seus acusadores, inclusive o que ele considera "absurdos" que lhe foram imputados pelo ex-ministro Palocci.
O principal ato político da Jornada acontece na Praça Generoso Marques (próximo à Catedral), no centro de Curitiba.
Confira a programação completa do dia 13/09:
15h – Atividades culturais
17h – Lançamento do livro: "Comentários a uma sentença anunciada: o processo de Lula", organizado por um grupo de professores e operadores do Direito, que evidencia os abusos e inconsistências no processo contra Lula.
18h- Ato de solidariedade ao ex-presidente (com a presença de Lula)

Silêncio de Geddel estranha Planalto


Apesar de ressaltarem que Temer não expressa qualquer preocupação com o caso de Geddel Vieira Lima, integrantes do Planalto têm dito que é muito estranho o silêncio do ex-ministro sobre os R$ 51 milhões atribuídos a ele.

As polêmicas que circundam a colaboração da J&F devem ampliar a pressão sobre Fachin no Supremo. Aliados do presidente Michel Temer dizem que, se Rodrigo Janot errou ao acelerar a tramitação do acordo dos Batistas, o ministro do STF incorreu no mesmo pecado ao homologá-lo sem cautela.
Esses aliados apontam que a PF só encontrou os áudios apagados por Joesley porque a defesa de Temer solicitou perícia no grampo que afetou o presidente. O exame não havia sido pedido por Fachin. (Folha de S.Paulo – Painel)