sexta-feira, 20 de março de 2015

Governo do Estado tem dificuldades para contratar funcionários efetivos

Pernambuco está perto do limite prudencial estipulado pela Lei de Responsabilidade Fiscal

Paulo está com as mãos atadas para homologar concurso realizado em 2014 e ampliar quadro de funcionários do Estado / Aluisio Moreira/Divulgação Governo do Estado

Paulo está com as mãos atadas para homologar concurso realizado em 2014 e ampliar quadro de funcionários do Estado

Aluisio Moreira/Divulgação Governo do Estado


Desde que assumiu o governo, Paulo Câmara (PSB) autorizou a realização de concursos para delegado da Polícia Civil e para professores da Universidade de Pernambuco (UPE) e garantiu que abrirá, ainda este ano, outras vagas em diversas áreas  para melhorar os serviços oferecidos à população. Os números, no entanto, mostram que o socialista está praticamente de mãos atadas para  contratar pessoal.

Atualmente, o Estado tem 46,24% da receita corrente líquida comprometida com despesas de pessoal. Os dados  estão disponíveis desde dezembro, mas trazem uma preocupação constante já que Pernambuco ultrapassou o limite de alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal (44,10%) e está perto do limite prudencial (46,55%). Ao mesmo tempo em que Paulo promete ampliar o quadro de  efetivos do governo, há uma ordem expressa para frear, ao menos por enquanto, esse aumento.

O espaço para manobra é tão pequeno que o governo não homologou o concurso da Agência Reguladora de Pernambuco (Arpe), realizado em 2014. A explicação do Estado é que não pode contratar os 35 aprovados por estar perto do limite prudencial da LRF. Segundo a Secretaria de Administração, só haverá uma resposta sobre o concurso no final de maio, após a análise do Relatório de Gestão Fiscal do primeiro quadrimestre de 2015.  

“Por mais importante que seja a contratação de mão de obra e as demandas  por aumento de salário, o Estado está em uma situação que esbarra em algo claro e técnico. Se esbarrar na LRF, poderá ter problemas com repasses e efetivação de convênios”, explica Djalmo Leão, que foi secretário da Fazenda do governo Eduardo Campos e hoje atua como assessor especial de Paulo Câmara.

Caso ultrapasse o limite prudencial, Pernambuco está sujeito a restrições para contratação de pessoal (com exceção para as áreas de educação, saúde e segurança), concessão de reajustes e pagamento de hora extra. Se passar do limite máximo estipulado pela LRF (49%), o prejuízo é maior com a proibição de contrair financiamentos e de obter transferência voluntárias.

As dificuldades enfrentadas pelo governo não comovem quem espera novos concursos. “É preciso contratar. Há muitos temporários na área de educação e alguns inclusive estão nas escolas de referência. Como se pode colocar educação de qualidade sem funcionários efetivos?”, questiona Juarez Ribeiro, do Movimento Organizado dos Professores de Pernambuco.

(Do jc.com)

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