terça-feira, 22 de agosto de 2017

Amigo de Aécio negocia delação com a Lava Jato

Folha de S.Paulo - Walter Nunes
O empresário Alexandre Accioly, amigo do senador Aécio Neves (PSDB-MG), iniciou conversas com procuradores da força-tarefa da Lava Jato visando um acordo de delação premiada.

As tratativas ainda estão no início, mas o foco dos relatos são acusações de corrupção e lavagem de dinheiro que envolveriam Aécio.
Accioly já foi citado na delação de Henrique Valladares, ex-diretor da área de energia da Odebrecht, que disse que a empresa baiana teria feito pagamento de propina a Aécio por meio de uma conta do empresário em Cingapura, no Sudeste Asiático.
"Então, [um dia] o Dimas [Toledo, ex-diretor de Furnas e homem de confiança de Aécio] me traz um papelzinho com o nome do Accioly. Eu sabia que era amigo do governador [Aécio]. Eu me recordo que é em Cingapura a conta", disse Valladares.
A suposta propina, segundo o delator, fazia parte de um acordo para compra de apoio do PSDB ao consórcio que a Odebrecht liderava no leilão para a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia.
Accioly negou na ocasião que fosse "titular de recursos de qualquer conta ou estrutura financeira em Cingapura". Aécio também disse que eram falsas as afirmações do delator.
Os procuradores da Lava Jato apuram as informações fornecidas pelos delatores da Odebrecht em relação ao senador tucano.
Segundo fontes ouvidas pela Folha, Accioly contratou um advogado exclusivamente para negociar a delação, já que Renato de Moraes, seu atual defensor, não atua em acordos de delação premiada.
Ele é dono da rede de academias BodyTech e padrinho de um dos filhos do senador tucano.
Na BodyTech ele tem como sócio o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN), citado na delação de três executivos da Odebrecht como sendo beneficiário de R$ 100 mil em caixa dois na campanha de 2010.
Faria também é citado na delação de Ricardo Saud, executivo da JBS, que disse que o deputado participou de um jantar na casa de Joesley Batista, dono da JBS, onde teria sido acertado pagamento de propina para a campanha de seu pai, Robinson Faria (PSD-RN), eleito governador do Rio Grande do Norte, em 2014.
OUTRO LADO
A reportagem da Folha ligou para o empresário Alexandre Accioly, que negou que esteja negociando acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato.
"Estou lhe afirmando que isso é mentira. Meu advogado chama Renato Moraes. Renato Moraes que não faz nenhum tipo de delação na Lava Jato", diz. "A Folha de S.Paulo infelizmente sempre está cavando uma nota errada a meu respeito."
O empresário também defendeu Aécio Neves. "Não faria (delação) em hipótese alguma, até porque não tenho o que falar de Aécio Neves. A Folha de S.Paulo é uma decepção."
O advogado Renato de Moraes, que defende Accioly, disse que enquanto ele for advogado do empresário não existe a possibilidade de delação premiada. A defesa de Aécio não se manifestou.

PF indicia Agripino por corrupção e lavagem

Investigação apura suposto esquema de propina na construção da Arena das Dunas, em Natal
VEJA - Da redação

Polícia Federal concluiu em inquérito que há indícios de que o senador José Agripino Maia (RN), presidente do DEM, tenha praticado corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O caso envolve suposto recebimento de propina na construção da Arena das Dunas, em Natal. Uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, o estádio foi erguido pela empreiteira OAS, uma das investigadas no petrolão.
As conclusões do inquérito foram divulgadas nesta segunda-feira pela PF. O documento segue agora para o Ministério Público Federal, que pode decidir se oferece ou não denúncia contra o senador, que tem foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF).
A Polícia Federal aponta que José Agripino teve participação no “recebimento de vantagens indevidas da empresa OAS em troca de seu auxílio político na liberação de recursos de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) direcionados à construção da Arena das Dunas, em 2013”. O repasse teria sido feito por meio de doações oficiais e repasses em espécie, totalizando pelo menos 2 milhões de reais.

Funaro fecha acordo de delação com a PGR


Do G1
O doleiro Lúcio Funaro fechou o acordo de colaboração na Operação Lava Jato. A conhecida delação premiada será assinada, hoje, na Procuradoria-Geral da República (PGR). O doleiro está preso desde julho de 2016.
Funaro é apontado pelas investigações como operador de supostos pagamentos de propina ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB). Cunha foi condenado a 15 anos e 4 meses de reclusão por envolvimento em irregularidades na Petrobras.
O doleiro também foi citado na delação do dono da JBS, Joesley Batista.
Quando um investigado firma acordo de colaboração, ele se compromete a repassar para os investigadores informações e provas dos crimes cometidos em troca de benefícios em caso de condenação. O documento ainda precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A briga mais indigesta de Cármen Lúcia


Andrei Meireles – Blog O Divergentes

Fez bem a ministra Cármen Lúcia ao mandar os tribunais de todo o país abrirem suas caixas-pretas salariais. Ao dar um prazo de 10 dias, ela mostrou que sua decisão é para valer. Se conseguir, será uma proeza inédita. Feito que, por si só, pode carimbar sua gestão como revolucionária.
Além da farra salarial, com vencimentos engordados com os mais variados e absurdos penduricalhos, essa turma costuma achar que não deve satisfação a ninguém.
Há mais de 10 anos, Nelson Jobim também presidia o STF e o Conselho Nacional de Justiça. Resolveu comprar essa briga. Durante seis meses, cobrou informações dos tribunais estaduais. Insistiu, ameaçou.  Mesmo assim, os magistrados de vários estados se recusaram a responder, outros mandaram respostas incompletas.
Em parceria com o repórter Ronald Freitas, fui atrás dos que, então, se lixaram para as cobranças do Conselho Nacional de Justiça. Alguns nem quiseram conversa. Outros tentaram se justificar. Diziam que estavam amparados em leis estaduais, imunes a bedelhos federais.
Teve até quem acusasse Jobim de armar um circo para se credenciar a concorrer como candidato a vice de Lula na eleição presidencial de 2006.
Ainda assim, foi possível mostrar que, na Justiça, o teto salarial era uma ficção. O plenário do STF resolveu pôr ordem na casa. Decidiu que juiz algum, estadual ou federal, poderia receber vencimentos acima do teto salarial. Aí, o CNJ abriu uma janelinha aqui, o STF outra ali…
Pois bem. Tantos anos depois, continua tudo igual. Em alguns casos, como se viu recentemente em Mato Grosso, até pior.
Onze anos atrás, nossa reportagem na revista Época, começava assim: “Poucos segredos são tão bem guardados na Justiça brasileira quanto os salários dos magistrados, em especial dos desembargadores estaduais”.
A nossa expectativa era de que, enfim, o CNJ abrisse essa caixa-preta. Jobim e nenhum dos seus sucessores conseguiu. Ou quis.
A dificuldade de Cármen Lúcia começa no próprio STF. Alguns penduricalhos são mantidos por causa de liminar de Luiz Fux. Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello defendem abertamente a farra de remunerações, o desrespeito ao teto, e até dizem, sem corar, que os juízes sofrem arrocho salarial.
“Se dribla o teto porque os vencimentos não fazem frente para o magistrado manter uma vida condigna”, disse Marco Aurélio, justificando uma ilegalidade em plena sessão do STF.
Faça história, Cármen Lúcia

MPF: R$ 2,5 milhões em diárias para procuradores

Os procuradores da Lava Jato Orlando Martello, Carlos Fernando dos Santos Lima e Deltan Dallagnol
Os procuradores da Lava Jato Orlando Martello, Carlos Fernando dos Santos Lima e Deltan Dallagnol

Mônica Bergamo - Folha de S.Paulo  
O Ministério Público Federal gastou, de 2015 até julho deste ano, cerca de R$ 2,2 milhões só em diárias pagas a procuradores que atuaram na Operação Lava Jato no período. Os valores são desembolsados como verba extra para aqueles que se deslocam de suas cidades de origem para reforçar as equipes em Curitiba.
De acordo com a assessoria da força tarefa, os procuradores lotados em Curitiba também fizeram viagens para outras cidades e países para realizar diligências e colher depoimentos, além de acompanhar buscas e apreensões. Para isso, também receberam diárias.
O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima recebeu, por exemplo, R$ 286 mil em diárias de 2015 até agora, além de seus salários regulares. Marcelo Miller, que era braço direito do procurador-geral Rodrigo Janot e deixou a carreira para trabalhar num escritório que prestava serviços para a JBS, recebeu R$ 78 mil em 2016.
O valor total das diárias caiu de R$ 895 mil gastos em 2015 para R$ 784 mil em 2016. Neste ano já foram pagos R$ 619 mil.
A assessoria da força-tarefa afirma que, de uns tempos para cá, procuradores concordaram em receber menos da metade dos dias efetivamente trabalhados em razão de dificuldades orçamentárias.
A assessoria ainda afirma que a Lava Jato é "extremamente" superavitária. "O valor recuperado num período de dez dias, recentemente, chegou quase a R$ 1 bilhão", ressalta.

Vinda de Lula mobiliza aliados no Recife

Do Diario de Pernambuco
Em encontro realizado ontem, o deputado e vice-líder da oposição na Câmara Federal, Sílvio Costa (Avante), e o ex-prefeito do Recife João da Costa (PT) discutiram o fortalecimento da participação de lideranças políticas, sociais, sindicais e comunitárias na agenda que o ex-presidente Lula fará a Pernambuco. Em caravana pelo Nordeste, o ex-presidente estará no Recife e Ipojuca nas próximas quinta-feira, sexta-feira e sábado. O petista seguirá para o Sertão do Araripe no dia 31.

Lula, que começou seu giro pelo Nordeste pela Bahia, esteve ontem ao lado de jovens baianos, com quem dançou funk. A foto viralizou nas redes sociais.
 Para Sílvio e João da Costa, é importante ampliar a presença das organizações e movimentos sociais na recepção e nos atos da agenda do ex-presidente Lula porque ele tem viajado pelo país em um momento de forte crise política e econômica e diante de uma onda de intolerância contra a classe política.
Ambos estarão nas agendas de Lula pelo estado e discutiram a necessidade de dar início a um debate sobre a formação de uma Frente Ampla de Esquerda, unindo partidos progressistas e programáticos para enfrentar o que chamaram de “desmonte do estado social brasileiro pelo governo Michel Temer”.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O sincericídio do PSDB e a façanha de Michel

Presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati

Por Helena Chagas no blog Os Divergentes

O presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati, virou bola da vez depois da veiculação do programa do partido ontem à noite. Mas qual foi o erro de Tasso? O programa reconheceu erros, disse que Michel Temer não está conseguindo governar, falou em presidencialismo de cooptação, defendeu o parlamentarismo e mencionou negociações escusas mostrando bonequinhos com cifrões no lugar dos olhos. Tem alguma mentira? Todo mundo sabe que não.

Mas tamanha sinceridade não é normal, e levou ministros e deputados governistas a criticar Tasso publicamente e exigir sua deposição do posto. O chanceler Aloysio Nunes disse que o programa é uma “crítica vulgar” e que deve ter levado o PT às gargalhadas. O ministro das Cidades, Bruno Araújo, afirmou, em nota, que não se sente representado pelo programa. O Planalto divulgou aos quatro ventos seu descontentamento. O Centrão não perdeu tempo e voltou a pressionar Michel para tirar o PSDB do governo.

Trata-se de mais um episódio em que o PSDB expõe sua agora irremediável divisão interna, reforçando avaliações de que não chegará inteiro a 2018 e jamais será o mesmo. Pouco importa se Tasso Jereissati continuará ou não à frente do partido. No quesito biografia, aliás, o senador vai acabar saindo ganhando dessa história, sobretudo se for saído por falar a verdade.

E Michel Temer sairá com o troféu pela façanha sempre ambicionada mas jamais realizada pelo PT: destruir o PSDB.

Cai liminar, Lula vira doutor


247 - A Justiça derrubou há pouco a liminar que impedia a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) de conceder ao ex-presidente Lula o título de Doutor Honoris Causa. Suspensão da cerimônia marcada para esta manhã se deu ontem, atendendo a pedido do vereador de Salvador Alexandre Aleluia, do DEM.

Mesmo com a proibição, Lula chegou ao município de Cruz das Almas por volta das 11h desta manhã, onde está o campus da universidade. Ele foi recebido com festa pela população.

Em discurso, Lula dedicou a homenagem aos negros e negras que conseguiram chegar à universidade; "Esse título não é meu, é de cada negro e negra que se formaram em uma universidade. Um pouco do sucesso da política e do acerto econômico é você ter consciência política de que lado você está", disse Lula. 

O ex-presidente voltou a critica o governo de Michel Temer. "Eles precisam aprender que não é possível governar sem ouvir e sem olhar na cara do povo. Eu digo pra vocês: guardem o meu título, que eu virei aqui pela quinta vez para receber meu título", disse o ex-presidente, que não chegou a receber a honraria, apesar da decisão da Justiça. 

"Se os políticos que têm diploma não sabem governar, talvez seja necessário um torneiro mecânico voltar a governar", acrescentou o ex-presidente. 

A decisão do juiz Evandro Reimão dos Reis, da 10ª Vara Federal Cível de Salvador, causou espanto ontem no meio acadêmico. A própria UFRB pediu ontem que a Advocacia Geral da União (AGU) tomasse "todas as medidas cabíveis" para reverter a liminar.

Presunção da inocência

O vereador Aleluia disse a uma rádio local que moveu o processo porque, para ele, Lula merecia "uma sentença e não uma homenagem". Foi então que entrou no ar o procurador de Justiça da Bahia Rômulo Andrade Moreira, articulista do portal Justificando, para indagar o político e seu aluno se ele havia prestado atenção às aulas.

"Pergunte a ele se na faculdade ele não aprendeu o que é princípio da inocência. Ele foi meu aluno na Unifacs. Eu ensinei isso a ele. Lula não foi definitivamente condenado. Lula já foi homenageado por várias universidades no mundo", rebateu o procurador.

Carlos Fernando, procurador da Lava Jato levou R$ 137.150 em diárias em 2016

Por: Reinaldo Azevedo

Vejam isto. Vocês logo vão entender.



É, meus queridos, vida boa quem tem é procurador da República. Se o sujeito pertencer à Lava Jato e atuar fora da sua região de origem, a exemplo do buliçoso Carlos Fernando Santos Lima, aquele que já me chamou de cachorro, a vida pode ser mesmo uma festa.

Ainda na terça-feira, é bom lembrar, ele e Deltan Dallagnol vomitaram impropérios contra os políticos num vídeo postado na Internet. Sim, leitor! Você já está com inveja do rapaz desde o título.

Ser um procurador da República, no Brasil, é um excelente negócio. A depender do caráter do vivente, pode sair por aí acusando Deus e o mundo com ou sem provas; recorrer às redes sociais para malhar a política e os políticos; posar de herói da moralidade pública; palestrar em seminários e fóruns; acusar os membros dos Poderes Executivo e Legislativo de só pensar nos próprios interesses; gravar vídeos conclamando a população a se revoltar contra o Congresso; acusar jornalistas que lhe são críticos de estar a serviço de partidos políticos…

E dá para fazer tudo isso e ainda acumular um belíssimo patrimônio sem correr risco de nenhuma natureza — nem mesmo o de ser punido por abuso de autoridade ainda que se pratique… abuso de autoridade.

Esse procurador vai receber R$ 30 mil reais por mês de salário. Mas dá para melhorar essa performance. E muito! Os monopolistas da moralidade nacional têm direito a coisas que você, um simples mortal, ignora.

O mais escandaloso privilégio é o auxílio-moradia mesmo para quem é proprietário de imóvel na cidade em que trabalha. Há ainda auxílio-alimentação, ajuda de custo, auxílio-transporte, auxílio-creche…

Auxílio-creche? É… Se você decidir se reproduzir, o problema é seu. Quando um procurador se reproduz, o problema é nosso.

Até o mês passado, companheiros, esses penduricalhos nos salários dos digníssimos somavam R$ 60,2 milhões — ou R$ 8,6 milhões por mês. Como são 1.152 procuradores, houve um acréscimo salarial per capita de R$ 7.465,27. A coisa está ficando boa? Para os membros da Lava-Jato que atuam fora de sua praça, como Carlos Fernando, o que diz ser eu um cachorro, vai ficar muito melhor.

Isso é média. Vista a folha de pagamentos de julho, houve procurador que chegou a receber, só de penduricalhos, segundo reportagem da Gazeta do Povo, do Paraná, R$ 47,7 mil. Informa o jornal que “pelo menos 80% dos procuradores receberam benefício entre R$ 5 mil e R$ 5,9 mil no mês passado. Outros 15% receberam como auxílio valores entre R$ 6 mil e R$ 35,6 mil.”

E o melhor da festa
E falta a isso tudo o melhor da festa para quem, como Carlos Fernando — aquele que diz que todo mundo sabe quem sou; e sabe mesmo! — atua fora da sua região.

Ele é lotado em São Paulo e foi deslocado para a Força Tarefa da Lava Jato, em Curitiba, onde atua como lugar-tenente de Deltan Dallagnol — também nas redes sociais, nos impropérios e nas ofensas a todos que considera seus adversários.

As diárias
Quem tem essa sorte, ora vejam, ganha o direito a receber “diárias” de mais de R$ 800. Nunca se esqueçam de que um procurador já tem o auxílio-moradia, de R$ 4,3 mil mensais.

No ano passado, Carlos Fernando recebeu a bagatela de R$ 137.150,48 só nesse quesito. Sim, cara pálida, além do salário e dos penduricalhos, o MPF lhe pagou 170 diárias.

Marcelo Miller — aquele que auxiliava Rodrigo Janot em Brasília, pediu demissão e, três dias depois, passou a advogar para a JBS — levou R$ 151.076,84 por iguais 170. O valor varia de acordo com a cidade para a qual o procurador é deslocado.

Numa conta feita, assim, meio no joelho, pegando a média dos benefícios, Carlos Fernando, o Catão da República, recebeu uns R$ 37 mil mensais em salários. O teto é de R$ 33.700. É que os benefícios não contam, embora a Constituição diga que sim… Quem liga para a Constituição?

Considerados os 13 salários, são R$ 481 mil. A esse valor, deve-se somar a bolada de R$ 137.150,48. Somam-se aí R$ 618.150 — média mensal de R$ 51.512,50, R$ 17.812,50 acima do teto, que é de R$ 33.700 (52,85% a mais).

E olhem que os valentes haviam decidido se autoconceder um reajuste de 17%. Só recuaram porque o salário, penduricalhos à parte, ultrapassaria o dos ministros do Supremo, e estes disseram que aumento não haveria.

Para que isso?
Por que isso? Só para demonizar Carlos Fernando? Só porque ele me chamou de cachorro? Só porque, segundo disse, todos sabem quem eu sou? E sabem mesmo, note-se.

É que acho importante que todos saibam quem ele é. E há gente a sustentar que a sua atuação no escândalo do Banestado precisa ser revisitada. Faça-o quem dispuser de tempo.

Trago esses números — especialmente o ganho em diárias em razão da Lava Jato — no esforço de que esses procuradores sejam vistos por aquilo que são: funcionários que ganham os maiores salários da República, que recebem privilégios só equiparáveis àqueles de que dispõem os juízes e que não têm razão nenhuma para posar como os heróis sem interesses ou os mártires da República.

Vejam a lista dos campeões das diárias. Os nomes marcados em amarelo integram a Força Tarefa da Lava Jato. Com um pouco de sorte para essa turma, essa operação dura mais uns dez anos.

Os cofres públicos brasileiros aceitam qualquer desaforo.

Quem sabe Carlos Fernando passe a ser um pouco mais contido na hora de enfiar o dedo na cara de políticos e, lembre-se, até da futura procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

É mesmo um destemido. Fosse também pobrezinho, seria o herói perfeito desta quadra melancólica que vivemos.

E aí? Você ainda quer enforcar o último deputado com um pedaço da tripa do último senador ou já começa a espichar os olhos para as tripas dos procuradores. São 1.153. Há matéria para liquidar os 594 parlamentares federais. E ainda sobra tripa…

Temer quer terceirizar o fracasso de seu governo


Por Silvio Costa*

O presidente Michel Temer (PMDB) e seus ministros não estão falando a verdade ao Brasil. Em 29 de junho de 2016, o atual ministro do Planejamento, Diogo de Oliveira, declarou – em uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal – que havia recursos previstos no Orçamento da União para o aumento salarial dos servidores federais dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, mais o Ministério Público Federal (MPF). O ministro disse, ainda, que o impacto financeiro já estava previsto para os anos de 2016, 2017, 2018 e 2019. Agora, de forma irresponsável, o governo tenta terceirizar a culpa da suspensão do reajuste.  Quer creditar o seu fracasso na gestão das contas públicas ao governo anterior.
Michel Temer não fala a verdade. O Brasil todo sabe que o principal discurso do golpe era o equilíbrio fiscal, o ajuste das contas públicas. É verdade que o déficit público aumentou no governo da presidente Dilma em função das desonerações promovidas com o objetivo de estimular o consumo e preservar o emprego em nosso País. Reconheço que o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, exagerou na política de desoneração, porém, Michel Temer não fala a verdade ao Brasil.
A primeira medida econômica que Michel Temer e seus ministros tomaram, após o golpe, foi a elevação do déficit público para R$ 170 bilhões, e de forma leviana colocaram está conta nas costas do governo da presidente Dilma. O déficit previsto para o final de 2016 era de R$ 120 bilhões, mas em abril Temer e seu grupo deram o golpe e fizeram um incremento de R$ 50 bilhões, ou seja, elevaram o déficit para R$ 170 bilhões, visando a criar uma “gordura” para gastar. Fizeram uma farra com os recursos públicos para dizer ao mercado que tinham base parlamentar, e isto é história, não é “estória”. Basta consultar o Orçamento da União de 2016 para se constatar a verdade que tentam esconder do Brasil.
Portanto, como vice-líder da oposição na Câmara Federal não posso aceitar tamanho cinismo e afronta ao povo Brasileiro. Michel Temer e seu grupo diminuíram o valor do salário mínimo para 2018, quer congelar o salário dos servidores, reduziram as políticas de inclusão social e quer privatizar empresas estatais eficientes - como o Aeroporto de Congonhas -, entre outras decisões desastradas, para fazer um remendo nas contas do País, que enfrenta um déficit que eles aprofundaram. E, de forma cínica, Temer e sua turma querem colocar a responsabilidade por esse “pacote de maldades” na conta da presidente Dilma.
Não vamos aceitar esse cinismo. Queremos fazer um debate verdadeiro, civilizado e acima de tudo com respeito ao País. Para começar, esperamos que o presidente Temer fale a verdade pelo menos uma vez ao Brasil.
*Deputado e vice-líder da oposição na Câmara Federal

PSDB precisa buscar sucessor para Tasso


Blog da Andréia Sadi

Na maior crise desde a sua fundação em 1988, o PSDB busca juntar os cacos e construir um sucessor tampão para o senador Tasso Jereissati (CE), presidente interino da legenda.
Para tucanos, Tasso está inviabilizado de seguir no comando do partido após questionar práticas de todos os caciques da sigla no programa do PSDB que foi ao ar nesta quinta-feira.
O programa do PSDB irritou os diferentes grupos do partido, além de provocar a ira dos deputados do "Centrão" por criticar o "presidencialismo de cooptação".
Mas, no tucanato, o programa elevou a pressão para que o senador deixe a presidência da legenda. Desde ontem, as principais lideranças do PSDB discutem soluções para a crise na cúpula.
Em conversas reservadas, uma ala de tucanos defende que Aécio Neves (MG) reassuma o comando do partido – mas, antes, os principais líderes vão consultar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o tema.
O prefeito de São Paulo, João Doria, não quis comentar o programa. Mas, questionado pelo blog sobre a crise no partido, disse nesta sexta-feira que o ex-presidente FHC pode ajudar a buscar soluções.
"FHC pode ajudar a serenar a crise do PSDB. Tem autoridade pra isso", afirmou o prefeito.
Aécio Neves está afastado do comando do partido desde que foi delatado pela JBS, em maio. Ele foi flagrado pedindo R$ 2 milhões para o empresário Joesley Batista.
Uma outra hipótese em estudo no PSDB é antecipar a convenção nacional, prevista para dezembro. Neste caso, o nome mais forte é o do governador de Goiás, Marconi Perillo. Para isso, a Executiva precisa se reunir novamente.
Tucanos ouvidos pelo blog admitem que a convenção possa ser antecipada para outubro. Mas, antes, o partido precisaria fazer as convenções estaduais - e há tempo hábil para isso.
Afago a tucanos
O presidente Michel Temer vai aproveitar a crise dos tucanos para afagar os ministros do PSDB.
Nesta sexta, Temer chamou para almoçar todos os ministros tucanos e o senador Aécio Neves.
Na quinta-feira à noite, os ministros Aloysio Nunes e Antonio Imbassahy, ambos do PSDB, vieram à público para o programa do partido. Além disso, os dois e o também ministro Bruno Araújo saíram em defesa do governo Temer

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Na UPAE Garanhuns, população tem assistência do Serviço Social muito além da consulta médica


O trabalho da Assistência Social na UPAE Garanhuns tem por objetivo o acolhimento, atendimento e orientação aos pacientes encaminhados pelos médicos da unidade, ao detectarem necessidades especiais, além da própria consulta médica. As profissionais de Serviço Social atuam para integrar estes pacientes à Rede SUS, e orientam sobre diversas situações no âmbito da saúde e cidadania.

Duas assistentes sociais estão diariamente na unidade; Valderês Barbosa e Monique Vasconcelos, esta última esteve junto ao coordenador geral da UPAE Garanhuns, Gustavo Amorim, concedendo entrevista na Rádio Jornal Garanhuns, no programa Consultório, com Samara Pontes, justamente sobre a atuação do Serviço Social na unidade. "Buscamos efetivar o acesso universal dos pacientes à Rede SUS e as políticas de saúde pública, com a finalidade de oferecer bem-estar físico, mental e social aos pacientes e seus familiares" - registra Monique Vasconcelos. 

Gustavo Amorim informou que o atendimento no setor de Serviço Social da UPAE Garanhuns, além de encaminhada pelos médicos, também pode acontecer de forma espontânea ao paciente em atendimento, que precise de informações ou apoio das profissionais. "Este atendimento pode ser individual ou de forma coletiva, esclarecendo quanto a direitos sociais dos cidadãos, encaminhamento à rede socioassistencial e de saúde, informação sobre normas e rotinas no atendimento da unidade, aconselhamentos preparatórios para procedimentos (principalmente cirúrgicos, a exemplo de vasectomia), planejamento familiar, além de interagir com outros setores para informações aos usuários, como foram feitos recentemente para prevenções de doenças e importância de doação de sangue.

A UPAE Garanhuns atende pacientes encaminhados pelas Secretarias de Saúde dos 21 municípios da área de abrangência da V GERES - Gerência Regional de Saúde, com sede em Garanhuns, Agreste do Estado.

Projeto do Estado propõe redução da jornada de trabalho de servidor que tem dependente com deficiência

Com o compromisso de proporcionar uma melhor qualidade de vida e atender a uma demanda crescente no Estado, o governador Paulo Câmara enviou, na manhã desta quinta-feira (17.08), à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Projeto de Lei que estabelece a concessão de horário diferenciado na jornada do trabalho dos servidores públicos do Estado que são pais, responsáveis por tutela ou guarda judicial de dependentes com algum tipo de deficiência e que necessitem de assistência direta e diferenciada. 

A proposta tem o objetivo de eliminar barreiras que possam impedir a participação plena e efetiva dos servidores que necessitam prestar auxílio direto aos seus dependentes. O PL garantirá horário especial na jornada de trabalho desse servidor sem prejuízo de seus vencimentos, direitos e vantagens, desde que comprovada a necessidade pelo Serviço de Perícias Médicas do Estado.

O horário reduzido poderá ser concedido sob a forma de jornada reduzida em dias consecutivos ou intercalados ou ainda através de ausência ao trabalho em dia específico por semana, conforme a necessidade ou programa de atendimento da pessoa com deficiência, desde que seja cumprida a jornada de trabalho mínima de quatro horas diárias ou 20 horas semanais. 

Conforme previamente estabelecido no texto da Convenção Internacional sobre os direitos da Pessoa com Deficiência, e, mais recentemente, na aprovação pelo Congresso Nacional da Lei Federal 13.146, de 2015, chamada de Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, a mensagem encaminhada pelo governador Paulo Câmara contribui para assegurar que as pessoas com deficiência possam gozar ou exercer, em igualdade, de oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos humanos e liberdades fundamentais.

Tira o P, fica o resto

Charge de quinta-feira 17 de agosto
Bernardo Mello Franco - Folha de S.Paulo
O PMDB teve uma ideia para tirar o nome da lama: aposentar o P da sigla. Parece piada, mas a proposta foi discutida a sério nesta quarta-feira. O presidente do partido, Romero Jucá, associou a mudança a planos grandiosos. "Queremos realmente ganhar as ruas", declarou.
Antes que alguém perguntasse, o senador disse que a troca de nome não seria mera maquiagem. "Quero rebater críticas de que o PMDB estaria mudando de nome para se esconder. Não é verdade", apressou-se.
Sem a letra inicial, o partido voltaria a se chamar MDB. Esta era a sigla do Movimento Democrático Brasileiro, criado em 1966 para fazer oposição à ditadura. Nos anos de chumbo, a legenda abrigou figuras como Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Eram políticos honrados, que não têm culpa pelo que está aí.
Conversei com dois fundadores do MDB sobre o plano de reciclar a sigla histórica. O deputado Jarbas Vasconcelos, 74, expressou sua opinião em poucas palavras: "É uma ideia irrelevante. O que melhora a imagem de um partido não é mudar o nome, e sim o seu comportamento".
O ex-senador Pedro Simon, 87, pareceu mais preocupado. Ele ainda sonha em reviver o velho MDB, mas não quer ver as três letras misturadas aos escândalos de hoje. "Fazer isso agora vai parecer malandragem", resumiu.
Para o político gaúcho, a ideia deveria ser guardada para outro momento. "Mudar o nome sem ter um projeto não significa nada. Qual é a bandeira nova? Vão tirar uma tabuleta e botar outra?", questionou.
Simon não acredita em renovação enquanto o partido continuar nas mãos de personagens notórios. "O Jucá é um cara meio comprometido, né? Ele representa o que está aí", disse, numa referência elegante à multidão de colegas na mira da Lava Jato.
O ex-senador se limitou a citar o atual presidente da sigla, alvo de nove inquéritos no Supremo. Mas poderia ter mencionado Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Geddel Vieira Lima, Jader Barbalho... 

Guerra Alckmin-Doria agora é às claras


A disputa entre Geraldo Alckmin e João Doria já não é mais velada. Aliados do governador encomendaram pesquisas para medir o impacto das viagens do prefeito pelo país sobre sua popularidade na capital paulista. Num tiro de advertência, antes de fazer o discurso público, Alckmin disse a Doria que 2018 seria a “eleição da experiência”. O novato não recolheu as armas. Trabalha para ultrapassar 20% de intenções de voto para o Planalto. Quer engolir o padrinho pelos números.

Pessoas próximas ao governador também analisam com lupa cada discurso feito por Doria em suas viagens pelo país. No Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, a tese é de que Doria começou a perder a simpatia do paulistano por estar fora da prefeitura.
Alckmin acha que vai ter o apoio de toda a cúpula do PSDB, com quem Doria se indispôs em diversos momentos, para assegurar que será o escolhido para disputar a Presidência. Ele agora atua para minar o plano B do prefeito, que seria concorrer ao governo do Estado.
João Doria não esconde nem de dirigentes de outras siglas que está em plena campanha. Em conversa recente, aconselhado a se concentrar na prefeitura para criar uma marca, apontou o Corujão da Saúde como um programa com projeção suficiente para ser vendido como o abre-alas de sua gestão.(Painel – Folha de S.Paulo

Delação de Funaro contaminará Congresso

Blog da Andréia Sadi
Interlocutores do presidente Michel Temer já trabalham com a expectativa de a delação de Lucio Funaro ser fechada no curto prazo, nas próximas semanas. Diante disso, o governo avalia que a delação "contaminará" o ambiente político no Congresso em meio a discussões sobre reformas.
Auxiliares do presidente admitiram ao blog que a expectativa no governo é de que a delação de Funaro atingirá o grupo político de Temer, tendo como personagens principais o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ministro Eliseu Padilha e o ex-assessor de Temer José Yunes.
Diante deste cenário, afirmam, as revelações do operador do PMDB, que atuava, prioritariamente, junto ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), podem complicar a articulação do governo em busca de votos para derrubar uma eventual segunda denúncia da Procuradoria Geral da República contra Temer.
Além disso, afirmam, também "tumultuará", nas palavras de um interlocutor do presidente, o ambiente na discussão das reformas, principalmente na votação das mudanças na Previdência.
Funaro também deve revelar operações que atingirão parlamentares, por exemplo, como foi a campanha de Cunha à presidência da Câmara, em 2015.
Um ex-aliado de Cunha disse ao blog que Funaro era conhecido nos bastidores do Congresso por ser responsável pelas operações financeiras junto a políticos quando acionado pelo ex-deputado, hoje preso pela Lava Jato.
Por isso, conclui, se um dos dois tiver provas de pagamentos a políticos para oferecer aos investigadores, seria ele – e não Cunha.

Anúncio de pacote fiscal não melhora clima

Helena  Chagas – Blog Os Divergentes
O anúncio da nova meta fiscal não melhorou o clima entre a equipe econômica e os políticos do governo, e quem passeou no Congresso ontem ouviu poucas e boas da base planaltina. Não vai ser fácil aprovar as medidas do pacote fiscal, em sua maioria penalizando os servidores públicos, e talvez nem mesmo a meta. As orelhas de Henrique Meirelles, supostamente o vitorioso na queda de braço em torno dos R$ 159 bi, devem estar ardendo.
Para piorar o nervosismo, caiu pesada nas hostes governistas a nova pesquisa DataPoder360, segundo a qual o ex-presidente Lula não caiu depois de sua condenação pelo juiz Sergio Moro. Ao contrário, oscilou de algo entre 23% e 26% nos cenários de julho para um patamar que vai de 31% a 32% em agosto. A pior notícia, para eles, é de que se Lula não for candidato – caso seja impedido pela Justiça – o maior beneficiário seria o deputado Jair Bolsonaro, que chegaria aos 27%.
Por essa, nem o mercado esperava, e as mesas de operação dos bancos só falavam disso pela manhã.

Aliados de Temer exigem demissão de Imbassahy

Blog Diario do Poder
Antes elogiado, o ministro Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) virou um problema para o presidente Michel Temer.
A maior parte dos partidos aliados, como PR e PP, exige sua substituição. Ele é acusado de se empenhar mais pelo PSDB, seu partido, do que articular em favor do governo.
Imbassahy passaria a maior parte do tempo trabalhando por sua eventual candidatura a senador ou a governador da Bahia.
Inconformados com o Imbassahy no cargo, deputados baianos, antigos aliados de Temer, não querem mais saber de conversa com o Planalto.
“Ele só tem olhos para o PSDB da Bahia”, criticou o influente líder do PP na Câmara, deputado Arthur Lira (AL), referindo-se a Imbassahy.
O Planalto finge não perceber a deterioração das relações. “Uma nova denúncia contra Temer passa na Câmara”, adverte outro líder aliado

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Parece vitória de Meirelles, mas não é

Novos objetivos fiscais são irrealistas para ala política do governo
Kennedy Alencar
Parece uma vitória da equipe econômica, mas não é.
O anúncio de metas de R$ 159 bilhões negativos para 2017 e 2018 poderia ter sido feito na semana passada.
Houve atraso porque a ala política as considera irrealistas.
Dependeriam de medidas que o Congresso dificilmente entregará e de cortes de gastos complicados de realizar ou que não terão impacto imediato.
O anúncio aconteceu hoje para não desmoralizar ainda mais a equipe econômica.
As novas metas já nasceram sob o signo da desconfiança e refletiram bateção de cabeça no governo.
Com essas metas, não houve nem haverá ajuste fiscal na administração Temer.
A equipe econômica só conseguiu elevar a dívida pública.

Dia de índio (ou de ruralista)

Brasília (DF), 06/11/2012 - Índigenas das tribos Maranhenses de Kanela, Gavião e Guajajara fazem protesto em frente ao Palácio do Planalto. Eles pedem a presidente Dilma a demarcação de suas terras habitadas, que são objeto de disputa com fazendeiros locais.
Indígenas das tribos Kanela, Gavião e Guajajara fazem protesto em frente ao Palácio do Planalto
Bernardo Mello Franco - Folha de S.Paulo
A disputa pela terra terá um dia decisivo nesta quarta. O Supremo Tribunal Federal deve analisar três ações vitais para o futuro dos povos indígenas e quilombolas no Brasil. Eles tentam resistir ao avanço dos ruralistas, que contam com o apoio de Michel Temer.
Em duas ações, o governo de Mato Grosso questiona a demarcação de áreas incluídas em reservas indígenas e no Parque Nacional do Xingu. Na terceira, o DEM pede a derrubada do decreto que permite a titulação de terras de descendentes de escravos. (Em outro surto antiabolicionista, o partido já tentou revogar as cotas para negros em universidades. Perdeu de 10 a 0 no Supremo.)
Os fazendeiros querem que o tribunal reconheça a tese do "marco temporal". Por esta interpretação, os índios só poderiam reivindicar terras que já ocupavam em 5 de outubro de 1988, dia em que a Constituição foi promulgada. Seria um bom negócio para as tribos se a data escolhida fosse outra, como 22 de abril de 1500.
O caso do Xingu, demarcado em 1961 pelo antropólogo Darcy Ribeiro, resume bem o que está em jogo. De acordo com a turma do agronegócio, o parque teria incluído terras que não eram habitadas por indígenas. A ação pede uma indenização financeira, mas embute o desejo de substituir a floresta por plantações de soja.
A luta pela terra é desigual por natureza. Opõe setores organizados, com poder político e econômico, a comunidades que dependem da proteção do Estado para sobreviver. O desequilíbrio da balança se agravou com a aliança entre Temer e os ruralistas. Com Executivo e Legislativo do mesmo lado, a mediação do Judiciário ficou ainda mais importante.
"Se o Supremo não atuar em defesa dos direitos dos povos indígenas e quilombolas, vamos assistir a um crescimento dos conflitos no campo", alerta o advogado Darci Frigo, presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos. A escalada da violência nos últimos meses sugere que ele tem razão.