sexta-feira, 24 de março de 2017

“Aberração”, diz blogueiro ao descrever condução coercitiva

O blogueiro Eduardo Guimarães, levado coercitivamente pela Polícia Federal para depor em um inquérito sobre vazamento de informações, deu sua versão dos fatos. Na quinta-feira, após o juiz federal Sergio Moro recuar da decisão de investigar Guimarães por violação de sigilo funcional, o blogueiro publicou um texto em seu Blog da Cidadania, com críticas à atuação da PF e, principalmente, do magistrado.
“O juiz Sergio Moro parece muito preocupado em negar arbitrariedades, mas não se cansa de cometê-las. A nota que soltou demonstra intenção clara de me acusar de ter revelado informações que não me foram pedidas. Ou seja: ele procura me atingir moralmente. (…) O juiz Sergio Moro se converteu em meu inimigo. Está me processando depois de ter sido por mim representado no CNJ e depois de ter representado criminalmente contra mim em razão de uma publicação em rede social, em que se considera vítima de ameaça praticada por mim. Não é mais juiz, é parte de um litígio. Não posso ser julgado por um inimigo. Isso é uma aberração, isso é coisa de ditaduras”, escreveu.

Atuação da Polícia Federal

Sobre a condução coercitiva, Guimarães postou: “Às 6 horas do dia 21 de março deste ano, eu e minha esposa dormíamos quando escutamos um barulho semelhante a arrombamento da porta da frente do nosso apartamento. (…) Minha filha Victoria, 18 anos, 26 quilos, portadora de paralisia cerebral, que dormia no quarto ao lado, assustou-se com os golpes desferidos pelos policiais na porta e começou a reclamar, como faz quando está nervosa”.
Guimarães afirma que recebeu ordem de busca e apreensão de quatro agentes da PF, “que começaram a vasculhar (o apartamento), abrindo gavetas, portas de armário e qualquer outro lugar possível”. De acordo com o blogueiro, os policiais exigiram que ele desbloqueasse seu notebook e seu celular, e anunciaram a condução coercitiva.
“Fui ouvido sem um advogado com condições de me orientar sobre o que eu precisava ou não responder. Fui informado de que, se não provasse que não tinha relações com as pessoas de Curitiba que conseguiram os dados que recebi, eu seria considerado parte de um grupo, ou uma quadrilha”, relata. De acordo com Guimarães, seu advogado chegou depois do depoimento e descobriu pontos que haviam sido inseridos indevidamente no depoimento e pediu retificação. “Se meu advogado não tivesse chegado a tempo, meus direitos civis teriam sido violados de forma ainda mais séria.”(Da Veja .com)

Paulo Câmara autoriza início da obra do Sistema Adutor do Pajeú


No esforço de atenuar os seis anos de seca que castigam os municípios do Sertão de Pernambuco, o governador Paulo Câmara autorizou, durante o primeiro encontro do Pernambuco em Ação, o início da obra do Sistema Adutor do Pajeú para o abastecimento da cidade de Santa Terezinha. Por meio de uma parceria entre a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e a Prefeitura da cidade, serão investidos R$ 750 mil na obra, que atenderá 7 mil moradores da Região.
“A parceria com a Prefeitura de Santa Terezinha foi muito importante, uma vez que a cidade está em colapso nos últimos cinco anos. Esse investimento vai tirar o município dessa situação”, afirmou o presidente da Compesa, Roberto Tavares. O gestor explicou, ainda, que já havia sido realizada uma ação emergencial para ligar a Barragem do Tigre à Santa Terezinha. “Avalio que as ações anunciadas pelo governador Paulo Câmara trouxeram ao Pajeú uma mensagem de esperança para a crise hídrica. Estamos enfrentando essa situação com muita disposição e trabalho”, considerou.
O equipamento consiste na implantação de 12 quilômetros (km) de sistema adutor entre a Estação Elevatória de Riacho do Meio e o Sistema Tigre. O governador também autorizou o lançamento do edital de licitação da segunda etapa do Sistema de Esgotamento Sanitário de Afogados da Ingazeira. Com um prazo de execução de 24 meses após a emissão da Ordem de Serviço, a obra, que tem um custo estimado em R$ 10 milhões, beneficiará 25 mil habitantes.

Pedro Falcão abre ano letivo da UPE em Garanhuns, Salgueiro e Caruaru

Os campi da Universidade de Pernambuco (UPE) em Garanhuns, Salgueiro, Serra Talhada e Caruaru, receberam esta semana a visita do reitor da instituição, Prof. Pedro Falcão, para a abertura do ano letivo para os alunos que estão ingressando na Universidade este ano.
A agenda teve início em Garanhuns, na última segunda-feira (20/03), com a visita ao campus acompanhado da diretora da unidade, Profa. Rosângela Falcão. Em seguida, aconteceu, no auditório do Sesc, no centro da cidade, a abertura do ano acadêmico para os estudantes dos campi de Garanhuns e Arcoverde.
Na ocasião, o reitor saudou os presentes dando as boas vindas à Universidade, apresentando a estrutura da UPE e fazendo um breve relato da sua história de vida para motivar os estudantes a superar toda e qualquer adversidade que possa surgir durante sua formação acadêmica. Prof. Pedro ajudava seu pai nas feiras, comerciante de feijão, que sempre valorizou os estudos dos filhos.
Na terça-feira (21/03), foi a vez do campus da UPE em Salgueiro, no caminho, Prof. Pedro fez uma parada em Serra Talhada para uma reunião com os estudantes e professores daquela unidade. Já em Salgueiro, o reitor proferiu a Aula Magna para os estudantes na UPE no município, que contou com a presença do vice-diretor dos campi da instituição em Garanhuns, Caruaru, Salgueiro, Serra Talhada e Arcoverde, Prof. Adauto Trigueiro.
Na quarta-feira (22/03), pela manhã, o reitor realizou a solenidade de início do ano acadêmico para os estudantes do curso de Sistemas de Informação do campus da UPE em Caruaru. À noite, aconteceu a abertura do ano letivo para os alunos do curso de Administração da unidade.
As visitas também tem o intuito da reitoria estar presente nas unidades do interior junto aos professores, servidores e estudantes para fortalecer o diálogo e ouvir suas demandas e sugestões.
A abertura para os estudantes do campus da UPE na Mata Norte será realizada no dia 27/03.

Governo de Pernambuco investe R$ 5,7 milhões na Rede Pública de Ensino do Sertão do Pajeú

AFOGADOS DA INGAZEIRA - A educação do Sertão do Pajeú recebeu, nesta quinta-feira (23.03), um reforço de R$ 5,7 milhões do Governo do Estado. Durante a primeira rodada do Pernambuco em Ação, o governador Paulo Câmara assinou Ordem de Serviço para construção/cobertura de seis escolas da Região que beneficiará mais de 2,9 mil estudantes. Além disso, alunos do Programa Ganhe o Mundo (PGM) do Pajeú receberam certificados de participação, fechando mais um ciclo do principal programa educacional do Estado.
"As quadras, além de ser um pleito antigo da Região, são um grande espaço de convivência e de atividades da escola. Nelas, é possível ter as práticas esportivas aliadas a práticas culturais e com a comunidade. Ou seja, é um espaço que permite integração social, uma vez que também é disponibilizado para a sociedade. Para os estudantes, é uma obra muito especial", afirmou o secretário de Educação, Fred Amâncio.
Do montante, R$ 390 mil serão para a cobertura da quadra da Escola Método de Godoy Lima; R$ 549 mil para a construção da quadra da Escola Santa Terezinha; R$ 546 mil para construção da quadra da EREM Aristaque José de Veras; R$ 398 mil para a cobertura da quadra da EREM Edson Simões; R$ 3,5 milhões para reforma e ampliação da EREM Alfredo de Carvalho, além da construção de uma quadra; e R$ 359 mil para construção da coberta da quadra da EREM Teresa Torres, em Itapetim.

Gabas: a verdade é que a Previdência não é deficitária

Blog da Folha
Em debate, o ex-ministro Carlos Gabas criticou o projeto de Reforma da Previdência proposta pelo governo de Michel Temer (PMDB). Segundo ele, o governo vem “maquiando números” para defender mudanças que são “brutais e excludentes”. Gabas participou de ato no Recife, na última quinta-feira (23), e em Caruaru, no Agreste, hoje. As visitas são organizadas pelo gabinete do senador Humberto Costa (PT).
"O governo faz uma confusão proposital dos números para dizer que estamos quebrados. Mas a verdade é que a Previdência não é deficitária. Podemos afirmar com muita certeza: a dificuldade apresentada hoje é conjuntural e não estrutural. E você não ataca um déficit conjuntural não indo na raiz do problema, que é a crise econômica”, disse Carlos Gabas.
Gabas disse, ainda, que a proposta não foi debatida com a população e pode gerar impactos econômicos ainda mais graves para um país em crise. “Esse projeto de Reforma da Previdência é ruim para todo mundo. Não pode passar porque ela é cruel com toda a sociedade. Tem que ser retirado. Não podemos ficar apresentando emenda. Tem que ser rejeitado na íntegra”, argumentou.
O senador Humberto Costa falou sobre o descontentamento com o projeto. “Na medida em que a população vem tomando conhecimento sobre a Reforma de Temer, aumenta também a sua rejeição. Por isso, é fundamental trazer essas informações para a sociedade. Só com a mobilização de todos vamos conseguir enterrar de vez esse projeto que é extremamente danoso para a população brasileira”, afirmou o parlamentar.
A proposta da Reforma da Previdência tramita na Câmara dos Deputados. Há dois dias, Temer anunciou a retirada de servidores públicos estaduais e municipais da proposta que muda as regras de aposentadoria.

Paulinho da Força vira e ataca terceirização

Do blog de Magno Martins
O deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), um dos grandes apoiadores do impeachment contra Dilma Rousseff voltou-se agora contra o presidente  Michel Temer atacando a terceirização. Ele divulgou nota nesta quinta-feira para dizer que os trabalhadores brasileiros foram condenados à escravidão com o projeto de terceirização aprovado ontem.
Confira abaixo:
A terceirização aprovada condena o trabalhador à escravidão
É inaceitável!

O projeto de terceirização, PL 4302/98, aprovado nesta quarta-feira, dia 22, é um retrocesso e acaba com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Com mais de 12 milhões de desempregados, o trabalhador não pode ser ainda mais penalizado pelo governo para resolver a grave crise político/econômica do País.

Essa terceirização promove uma reforma trabalhista e sindical. Aumenta a insegurança jurídica, acaba com os direitos trabalhistas, divide as categorias e permite que o setor patronal faça o que bem entender com os sindicatos dos trabalhadores.

O trabalhador ganhará menos, trabalhará mais e ficará exposto a acidentes de trabalho. O governo Temer e o Congresso Nacional atendem somente a interesses da classe empresarial.

As centrais sindicais condenam o projeto da forma que foi aprovado. Seguimos firmes na organização de nossas bases, cobrando a abertura de negociações e a manutenção da proibição de terceirização na atividade fim.

As centrais sindicais reinteram todos os esforços de mobilização dos trabalhadores, mas afirmam estar abertos ao dialogo.

Paulo Pereira da Silva (Paulinho)
Presidente da Força Sindical

Vagner Freitas
Presidente da CUT

Ricardo Patah
Presidente da UGT

Adilson Araújo
Presidente da CTB

José Calixto Ramos
Presidente da Nova Central

Antonio Neto
Presidente da CSB

Ação de Moro contra blogueiro incomodou Supremo

Informação de Mônica Bergamo, hoje na Folha de S.Paulo, de que a condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães, determinada pelo juiz federal Sergio Moro nesta semana, deixou ministros do STF incomodados. Um dos mais antigos da corte se disse chocado com o argumento do magistrado de que Guimarães não é jornalista. Quem seria o juiz, diz o ministro, para dizer se alguém é ou não jornalista?
Lembra a colunista que o próprio Supremo já definiu que não é preciso diploma de jornalista para exercer a atividade.
A força-tarefa da Lava Jato tem defendido a necessidade das conduções coercitivas. Na mais espetacular delas, com o ex-presidente Lula, os procuradores afirmaram que houve a determinação para protegê-lo.

Paulo Câmara e Armando: orgulho e revanche

Marisa Gibson, na sua coluna DIARIO POLÍTICO 
Responsável pelo segundo ítem da pauta de exportação de Pernambuco – veículos – o polo automotivo de Goiana é um dos orgulhos do governo Paulo Câmara, cujos integrantes estão sempre a postos nas criticas a Armando Neto (PTB). Segundo eles, o senador não fez nada pelo estado, quando ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Governo Dilma.

Ontem, o Senado ratificou acordo bilateral entre o Brasil e o Peru, fechado por Armando, quando ministro do Desenvolvimento e que representa uma abertura dos mercados de automóveis para empresas brasileiras. Assinado em abril de 2016, o acordo  beneficia diretamente o polo automotivo de Goiana. Outros atos semelhantes foram firmados com a Colômbia, Mexico, Argentina e Uruguai.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Histeria da Carne Fraca pode jogar no lixo 150 mil perus prontos para o abate

Reportagem de André Borges no Estado de S.Paulo 
“'O que temos para dizer é simplesmente alarmante', afirma Fábio Lemos, vice-presidente da Associação dos Avicultores Integrados da Perdigão em Mineiros. 'Estamos perdidos. Não temos nenhuma relação com as acusações, mas estamos aqui sozinhos, sem ter a menor ideia do que vai acontecer.'
A unidade da Perdigão de Mineiros é um dos três frigoríficos que tiveram suas linhas de produção paralisadas por determinação do Ministério da Agricultura, até que se apurem as eventuais falhas sanitárias investigadas pela Polícia Federal. Em operação regular até a semana passada, o frigorífico teve sua licença sanitária aprovada em fevereiro e vinha abatendo diariamente cerca de 25 mil perus, aves que são enviadas ao exterior, principalmente a países da União Europeia.

Com o fechamento da unidade, as 219 granjas do município travaram as atividades. Nos últimos seis dias, cerca de 150 mil perus que deveriam ter deixado os criadouros para serem abatidos na unidade da BRF tiveram de continuar no campo. Esse problema se agrava diariamente, não apenas por conta do volume de aves acumuladas, mas principalmente pelo peso que os animais passam a ganhar.
O limite do peso para abate de cada ave, segundo os produtores, é de até 25 kg. Em média, os animais, conhecidos como “peru pesado”, estão com cerca de 20 kg no momento do abate. Ao permanecerem nas granjas, eles ultrapassam 25 kg e não podem mais entrar na linha de produção por conta da configuração técnica da fábrica. Ou seja, não poderão ser processados pela unidade da Perdigão, além de não atenderem às exigências de boa parte dos compradores internacionais."

Moro pisou na bola ao criminalizar blogueiro

Helena Chagas - Blog Os Divergentes
A liberdade de expressão e de imprensa é um assunto extremamente sensível para jornalistas, veículos de comunicação, dirigentes e proprietários de órgãos da imprensa. Não é surpresa nenhuma, portanto, ver em altos de página de grandes jornais a notícia da condução coercitiva de Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania. Atitudes desse tipo são sempre consideradas ameaças ao princípio da liberdade de informação, e se há algo que une o sempre disperso establishment midiático é isso – mesmo quando atingem um blogueiro de campo ideológico oposto ao deles.
O juiz Sergio Moro tem sido sempre hábil na relação com a mídia, alimentando-a de informação e tendo nela um dos principais sustentáculos do sucesso da Lava Jato. Graças a isso, conquistou o apoio que ainda tem hoje da maior parte da sociedade. Mas não há dúvidas de que pisou na bola ao determinar a condução coercitiva de Guimarães e, principalmente, com a nota da Justiça Federal justificando o episódio poucas horas depois.
Não cabe à Justiça, nas circunstâncias, dizer se a informação postada num blog é jornalística ou não, e se o sujeito, que faz o Blog há mais de dez anos, é jornalista ou não. Muito menos qualificar o tipo de blog que ele faz. Depois que o Supremo Tribunal Federal decretou que não é necessário o diploma de jornalismo para exercer a profissão, ficou tudo muito fluido no nosso mercado.
O certo é que Guimarães, como tantos outros fazem todos os dias, deu uma informação que se comprovou correta, a de que o ex-presidente Lula seria levado em condução coercitiva. E, assim como tantos outros que antecipam informações, não pode ser criminalizado por isso. Ao ir em cima do blogueiro, que divulgou uma informação incômoda, e deixar todos os demais vazamento impunes, Curitiba passa a impressão de que age com dois pesos e duas medidas, e de que quer controlar não só a informação, mas a imprensa.
O melhor caminho para o juiz, agora, seria reconhecer o erro e pedir desculpas

Um cenário ingrato

Bernardo Mello Franco - Folha de S.Paulo
A turma que tenta melar a Lava Jato ganhou mais um motivo para sonhar. O ministro Gilmar Mendes sugeriu que a delação da Odebrecht pode ser anulada pelo Supremo Tribunal Federal. Seria um tiro fatal nas investigações sobre os repasses da empreiteira a políticos.
O motivo alegado por Gilmar é a publicação de informações sigilosas na imprensa. Ele acusou a Procuradoria-Geral da República de tratar o Supremo como "fantoche" e afirmou que o vazamento de informações é "eufemismo para um crime".
"Cheguei a propor no final do ano passado o descarte do material vazado, uma espécie de contaminação de provas colhidas licitamente e divulgadas ilicitamente. Acho que nós devemos considerar esse aspecto", afirmou Gilmar.
As declarações irritaram o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Numa reação furiosa, ele sugeriu que o ministro padece de "decrepitude moral" e "disenteria verbal".
"Procuramos nos distanciar dos banquetes palacianos. Fugimos dos círculos de comensais que cortejam desavergonhadamente o poder", acrescentou o procurador, numa referência à presença constante de Gilmar em almoços e jantares com o presidente Michel Temer.
A troca de amabilidades é lamentável, mas questão que importa é outra: afinal, a delação pode mesmo ser anulada pelo Supremo?
Em conversas reservadas, três ministros da corte garantem que não. A divulgação de uma lista de investigados não comprometeu a Lava Jato, e a sociedade não aceitaria que a sujeira revelada pela operação fosse varrida para baixo do tapete.
Além disso, a anulação do caso poria em risco todas as investigações em curso no país. Daqui para a frente, os advogados passariam a adotar um método infalível: vazar provas contra os próprios clientes e pedir sua absolvição sumária. Seria um cenário ingrato até para os criminalistas, que se veriam obrigados a baixar o valor dos honorários.

Perigo: filho de Teori adverte Fachin para se proteger

Em meio à expectativa de que o ministro Edson Fachin derrube o sigilo dos depoimentos de delatores da Odebrecht, Francisco Zavascki, filho de Teori Zavascki, deu um conselho ao substituto de seu pai na relatoria da Lava Jato no Supremo.
“Falei a ele que se proteja, física e espiritualmente. Sou testemunha de como o pai sofreu por causa desse processo.”
Francisco diz não se preocupar com o desfecho da operação. “Ele é um grande juiz. Quanto a isso, estou tranquilo.”
Francisco não fez comentários sobre Alexandre de Moraes, que tomou posse nesta quarta (22), no STF, na vaga deixada por seu pai. “Vamos torcer que a escolha tenha sido acertada.”   (Painel - Folha de S.Paulo)

quarta-feira, 22 de março de 2017

Repórteres sem fronteiras: Moro atentou contra a liberdade de expressão



Para a ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), com sede em Paris, a “clara tentativa de quebra do sigilo da fonte” do blogueiro Eduardo Guimarães, do “Blog da Cidadania”, representa “um grave atentado à liberdade de imprensa e à Constituição brasileira, que garante esse direito”, afirmou à BBC Brasil Artur Romeo, coordenador de comunicação da organização no Brasil.

Nassif: procuradores preparam ataque aos blogs

Por Luis Nassif, no jornal GGN
Leia, primeiro, a nota oficial dos procuradores da Lava Jato sobre o episódio Eduardo Guimarães, blogueiro levado para a Polícia Federal em condução coercitiva, em inquérito que visa levantar os responsáveis pelo vazamento das informações sobre a condução coercitiva de Lula em 2015.
A Nota é muito importante. Sem pretender, os procuradores passaram a receita do que pretendem:
Diz a Nota:
“As providências desta data não tiveram por objetivo identificar quem é a fonte do blogueiro, que já era conhecida, mas sim colher provas adicionais em relação a todos os envolvidos no prévio fornecimento das informações sigilosas aos investigados.
“O Ministério Público Federal reforça seu respeito ao livre exercício da imprensa, essencial à democracia. Reconhece ainda a importância do trabalho de interesse público desenvolvido por blogueiros e pela imprensa independente. Trata-se de atividade extremamente relevante para a população, que inclusive contribui para o controle social e o combate à corrupção”
Quem quiser que compre a versão, em que só faltou beijo na obca.
Mas vamos analisar a nota, ponto por ponto.
Ponto 1 – o objetivo não era identificar a fonte, mas “colher informações provas adicionais em relação a todos os envolvidos no prévio fornecimento das informações sigilosas aos investigados.
Ou seja, não queremos as fontes do Eduardo, mas apenas as pessoas envolvidas no fornecimento de informações ao Eduardo. Em jornalismo, essas pessoas atendem pela alcunha de... fonte.
Ponto 2 – se a Operação já tem todo o trajeto das informações, da moça que vazou ao blogueiro paranaense, do blogueiro ao Eduardo, o que mais precisam? O roteiro das informações depois que chegaram no Eduardo.
A intenção óbvia dos bravos e óbvios procuradores é juntar elementos que permitam caracterizar ação concatenada entre Eduardo e outros blogueiros. De preferência, encontrar algum elo externo que permita enquadrar a ação dos blogueiros em organização criminosa.
Logo após a consumação do golpe, mostramos aqui que a força tarefa da Lava Jato tinha incluído, nas perguntas aos delatores, nomes de blogueiros, visando identificar algum elo.
Aparecendo o nome, obviamente dar-se-ia ampla publicidade, como foi o caso de Breno Altmann, mesmo que as acusações se mostrassem infundadas.
O sequestro dos equipamentos de Eduardo visa estabelecer essas relações entre blogueiros para futura ação da Lava Jato.

Crise na mídia impressa: Estadão demite Jabor e outros

O grupo Estado de S. Paulo anunciou, nesta terça-feira 14, que a coluna de Arnaldo Jabor não será mais publicada. O anúncio é mais uma medida de ajuste no grupo que, há duas semanas, iniciou um corte de mais de 100 profissionais. Jabor se notabilizou por colunas em que destilava ódio aos governos Lula, Dilma e à esquerda.
No último dia 6, o jornal anunciou corte que atingiu 125 funcionários, em todas as redações do Grupo Estado; entre os demitidos estavam o repórter especial Lourival Sant'Anna, o repórter de cultura Jotabê Medeiros e os de política Fábio Brandt e Roldão Arruda; na Folha de S. Paulo, o corte foi de 50 jornalistas.
De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), o Estadão vem promovendo, desde o início do ano, uma série de cortes isolados em tentativa de "mascarar" um processo demissão em massa. A última onda de demissões aconteceu em fevereiro deste ano.(Do blog de magno martins)

O vilões da história



                                        PF em operação dentro da Operação Carne Fraca
Bernardo Mello Franco - Folha de S.Paulo
escândalo da carne conseguiu algo que parecia impossível: fez os políticos esquecerem a Lava Jato, mesmo que por tempo limitado. Nesta terça (21), o assunto dominou os discursos do Congresso. Com raras exceções, os parlamentares defenderam os frigoríficos e atacaram a Polícia Federal.
"O delegado que fez essa operação é um irresponsável", bradou o senador Ivo Cassol, do PP. "Isso é um abuso!", exclamou o ruralista, sobre a prisão de 36 pessoas acusadas de integrar uma quadrilha que subornava fiscais e adulterava alimentos.
A senadora Kátia Abreu, do PMDB, classificou a Operação Carne Fraca como um "festival de horrores". Ela acusou "um delegado e meia dúzia de chefes da PF" de praticarem "crime de lesa-pátria". "Tentaram, com uma ação medíocre, infantil e baixa, destruir um dos setores mais importantes deste país", disse.
"Sempre me coloquei aqui contra a espetacularização da Polícia Federal. Agora estão vendo o monstro que criaram", endossou a senadora Gleisi Hoffmann, do PT.
O senador Renan Calheiros, do PMDB, aproveitou para dissertar sobre o estado da nação. "Este país está emburrecendo", disse. "O que nós assistimos com essa Operação Carne Fraca explicita o fato de nós não termos limite nenhum para nada."
Na Câmara, os discursos corriam na mesma toada. "A Polícia Federal não conhece a questão sanitária dos produtos da agropecuária brasileira", criticou o deputado Valdir Colatto, do PMDB. "Uma unidade da PF joga no chão todo um trabalho que vem sendo feito com muito sacrifício pelas empresas", emendou Delegado Edson Moreira, do PR.
A Polícia Federal não está imune a críticas, e há fortes indícios de exageros na divulgação da Carne Fraca. Mesmo assim, é difícil sustentar que os vilões da história são os investigadores, e não os frigoríficos investigados. Foram eles que compraram fiscais, enganaram consumidores e, claro, financiaram campanhas.

Carne Fraca: agora só pau na Polícia Federal e MPF

 
Os reparos à condução da Operação Carne Fraca criaram o ambiente ideal para políticos e críticos da Lava Jato no Judiciário incitarem uma onda de censuras à atuação de órgãos de investigação. A dura fala do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, nesta terça (21), foi uma pequena amostra. Outros nomes de peso no meio jurídico se somarão a ele. No Congresso, surge clima para relativizar o trabalho da polícia e pôr em marcha propostas que impõem limites ao Ministério Público e à PF.
Ex-presidente do STF, Nelson Jobim adotou linha semelhante à de Mendes. Em conversas com amigos, criticou o suposto vazamento de dados da Lava Jato de dentro da Procuradoria-Geral da República.
Com uma de suas empresas alvo de busca e apreensão pela PF nesta terça (23), o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), fez o possível para transparecer tranquilidade em sua estreia no olho do furacão da Lava Jato.
Um senador do PMDB deu a entender a auxiliares que não vê mais o que pode perder com a aprovação de medidas como a anistia ao caixa dois e o projeto de abuso de autoridade. Segundo ele, todos os citados já estão “politicamente acabados” e agora é hora de lutar para “se manter vivo”.  (Painel - Folha de S.Paulo)

terça-feira, 21 de março de 2017

Moro deve explicação sobre depoimento de blogueiro

Defesa de Guimarães diz que motivo de coercitiva seria descobrir fonte
Blog do Kennedy
Pelo que se sabe até agora, o blogueiro Eduardo Guimarães foi vítima de uma medida abusiva. O juiz Sérgio Moro ordenou sua condução coercitiva para depoimento na Polícia Federal hoje em São Paulo.
De acordo com a defesa do blogueiro, o motivo teria sido o interesse em saber a fonte que transmitiu a Guimarães a informação sobre a condução coercitiva de Lula no ano passado. Questionada pela jornalista Monica Bergamo, da “Folha de S. Paulo”, a assessoria de Moro respondeu: “Sem comentários”.
Não é uma resposta razoável. São necessárias explicações mais detalhadas da parte de Moro. O sigilo da fonte é uma garantia constitucional. Quebrá-lo fere a liberdade de informação e expressão.
É preocupante a atitude do juiz federal de Curitiba, que já quis dar lição à “Folha de S.Paulo” sobre o que o jornal deveria publicar. Tampouco cabe ao magistrado determinar quem pode ou não atuar como jornalista. O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu em 2009 que é inconstitucional a exigência de diploma de jornalismo e registro profissional no Ministério do Trabalho para o exercício da profissão de jornalista.
A Operação Lava Jato tem sido marcada por vazamentos. Não dá para adotar dois pesos e duas medidas em relação a quais vazamentos podem ou não ser tolerados por policiais, procuradores e juízes. Aceitar isso é flertar com perigosa tentação autoritária.
Pelo princípio da transparência tão defendido por Moro e integrantes da Lava Jato, a opinião pública merece saber quais foram as justificativas para a condução coercitiva de Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.

Temer retira servidores estaduais e municipais da reforma da previdencia


Proposta abarcará apenas os servidores federais. Estados e municípios definirão regras próprias

O Globo

Em um pronunciamento de última hora, o presidente Michel Temer disse, na noite desta terça-feira, que a reforma da Previdência abarcará apenas servidores federais. Caberá aos estados e municípios, segundo ele, a adequação de suas legislações e a realização de normas próprias em relação ao assunto para servidores estaduais e municipais. Temer disse que faz isso para evitar uma "invasão de competência" e para fortalecer o princípio federativo, o que vem defendendo desde o seu discurso de posse. Ele disse ainda que a nova fórmula a ser adotada será "muito adequada" e está de acordo com os apelos feitos por lideranças do Congresso Nacional. O presidente disse ainda que a mudança anunciada reflete o que deputados e senadores vinham pedindo com "insistência" ao Poder Executivo.

— (...) Surgiu com grande força a ideia de que nós deveríamos obedecer a autonomia dos estados, portanto fortalecer o princípio federativo e, assim sendo, fazer a reforma da Previdência apenas referentemente aos servidores federais, ficando portanto aos estados e municípios a edição de normas relativas a essa matéria — disse Temer.

O presidente afirmou que desde o fim de semana tem feito reuniões para tratar das mudanças no sistema previdenciário e que a ideia de excluir da reforma servidores estaduais e municipais apareceu "com grande força" nessas conversas com lideranças do Congresso. Apesar disso, Temer ressaltou a importância de se aprovar a reforma para o desenvolvimento do país:

— Reitero a importância fundamental da reforma da Previdência para caminharmos no sentido do desenvolvimento, do cresicmento econômico do país, da adequação das contas públicas e da formulação de novos empregos para o nosso país — afirmou o presidente.

Temer fez o comunicado cercado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder do governo na Câmara, do ministro da secretaria geral da Presidência, Moreira Franco, do ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, e do relator e presidente da comissão que analisa a PEC da Previdência na Câmara , deputados Arthur Maia (PPS-BA) e Carlos Marun (PMDB-MT), respectivamente. Também compuseram a tropa de Temer os deputados Arthur Lira (PP-AL), Alexandre Baldy (PTN-GO) e Laerte Bessa (PR-DF).

Segundo participantes da reunião com Temer, a avaliação levada ao presidente por líderes do Congresso é a de que o governo e sua base estavam enfrentando enorme desgaste sem qualquer ganho com isso. Antes do comunicado, Temer consultou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que aprovou a medida e disse que não haveria impacto nas contas federais.

— O impacto é zero para as contas federais, por quê vamos ficar segurando um desgaste que não é nosso se não faz diferença para as contas públicas federais? — questionou um dos presentes.

Um ministro que participou das negociações afirmou ainda que o presidente já vinha "ruminando" essa ideia desde antes do envio da a mensagem ao Congresso Nacional, que marca a abertura dos trabalhos legislativos. Assessores do Palácio do Planalto disseram ainda que, antes do envio da proposta ao Congresso havia essa dúvida sobre incluir ou não servidores estaduais e municipais na proposta. Mas, diante da pressão de governadores, que avaliavam ser muito difícil fazer essa reforma nos estados, o governo acabou cedendo.

— Houve muita pressão dos governadores porque diziam ter muita dificuldade de fazer a reforma nos estados. Mas a pressão em cima dos parlamentares é justamente dos servidores estaduais, e os governadores também não estão ajudando — afirmou uma fonte do Planalto.

Integrantes do governo afirmaram ainda que foram citados casos de governadores que, de um lado diziam apoiar a reforma, mas de outro estimulavam protestos contra a aprovação da matéria para enfraquecer o governo. Portanto, a avaliação, agora, é de que as questões estaduais estão sendo "devolvidas" para as áreas de origem.

— Está se devolvendo essa responsabilidade a quem de direito — afirmou um dos líderes presentes

Gabinete de Fachin recebe lista de Janot

Do blog de Magno Martins
O gabinete do ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu, há pouco, a chamada lista de Janot, com os 83 pedidos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para investigar políticos citados nas delações da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato.
Fachin não tem prazo para decidir se autoriza a abertura dos inquéritos nem mesmo para analisar se derruba o sigilo do material, como solicitou a PGR.
Segundo a reportagem apurou, o relator da Lava Jato já disse internamente no Supremo que será criterioso na análise dos documentos e não terá pressa para responder aos pedidos do Ministério Público. Ele, no entanto, sinalizou que não irá se alongar demais para evitar interpretações de que está "sentando" no processo.
Os pedidos de abertura de inquérito foram enviados por Rodrigo Janot na semana passada, mas antes de serem encaminhados para o relator, passaram por um processo de protocolo na Secretaria Judiciária do tribunal.
Ao todo, a Procuradoria Geral da República fez ao Supremo 320 pedidos, dos quais:
- 83 pedidos de abertura de inquérito;
- 211 pedidos de remessa de trechos das delações que citam pessoas sem foro no STF para outras instâncias da Justiça;
- 7 pedidos de arquivamento;
- 19 outras providências.
Protocolo
Antes de encaminhar os documentos ao gabinete de Fachin, a área técnica do STF rotulou o nome do novo relator da Lava Jato nas pastas, emitiu certidões e digitalizou todo o material.
No período em que foi realizado o processo de protocolo, os documentos ficaram depositados em uma sala-cofre montada no terceiro andar do prédio principal do Supremo.
A sala-cofre fica próxima ao gabinete da presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia. Sem janelas, o recinto tem uma mesa grande e as pastas ficaram empilhadas em prateleiras.
Fachin assumiu a relatoria do caso no início de fevereiro. Ele substituiu na função o ministro Teori Zavascki, que morreu em janeiro em um acidente aéreo no litoral do Rio de Janeiro.
107 nomes sob sigilo
Os 83 pedidos de inquérito enviados ao STF por Janot contêm 107 nomes sob sigilo, todos com foro privilegiado (prerrogativa de deputados, senadores e ministros, por exemplo).
Isso não quer dizer que o total de alvos dos inquéritos seja 107.
Em alguns poucos casos, segundo informaram investigadores da Lava Jato, foi pedida a investigação de uma mesma pessoa em mais de um inquérito. Esses investigadores estimam em cerca de 100 o total de pessoas que são alvos dos pedidos de inquérito.
Dos 83 pedidos:
- 64 têm um nome por inquérito;
- 16, dois nomes em cada inquérito;
- 2 pedidos, três nomes em cada inquérito;
- 1 pedido aparece com cinco nomes no mesmo inquérito.

Eduardo Guimarães: Não existe razão lógica para essa condução coercitiva


247 - O blogueiro Eduardo Guimarães foi liberado nesta manhã após ter sido alvo de um mandado de condução coercitiva - quando a pessoa é levada forçadamente a depor - pela Polícia Federal. A PF chegou às 6h em sua casa, no bairro do Paraíso. Guimarães negou a informação de que os policiais o impediram de ligar para seus advogados. "Não houve isso", esclareceu.

Dono do Blog da Cidadania, Guimarães contestou em declaração ao Jornalistas Livres as razões do mandado de condução coercitiva contra ele e principalmente a apreensão de seu material de trabalho: um computador, seu celular e o celular de sua esposa.

"Meus advogados não entendem a razão da condução coercitiva porque eu não me recusei a vir aqui depor. Não existe uma razão lógica para me trazer obrigado até aqui", argumentou. "Eu sou agora um blogueiro sem equipamento nenhum", declarou. "Eu acredito que a apreensão do meu equipamento de trabalho viola sim a atividade jornalística. Porque eles vão vasculhar", alertou.

Ele disse que a PF já sabia quem era a fonte que lhe vazou a condução coercitiva contra o ex-presidente Lula em março do ano passado - motivo para o mandado de hoje - e queria saber se ele tinha alguma relação com essa pessoa. "Eu declarei que não conheço essa pessoa, e que divulguei porque é meu trabalho jornalístico. O meu trabalho é divulgar", contou.

Guimarães contestou ainda o argumento do juiz Sergio Moro, que autorizou a ação da PF contra Guimarães, de que ele não tem formação jornalística. "Inclusive fiquei sabendo que o juiz Sergio Moro falou que eu não sou jornalista. Mas há 12 anos eu tenho um site jornalístico", respondeu.

"A decisão de confiscar meu equipamento cita que eu não seria jornalista, então eu não seria beneficiado pelo direito ao sigilo de fonte. Isso é um equívoco, um desconhecimento da ordem legal do País", argumentou, em referência à legislação brasileira que não exige formação específica para a atividade jornalística no País. Guimarães informou ainda que é vítima de outra ação, de autoria da Associação de Juízes do Paraná, em que ele é acusado de ameaçar Moro pelas redes sociais. Ele nega ter feito isso, esclarecendo que suas mensagens no Twitter foram direcionadas ao seu leitor. "Isso é uma arbitrariedade, uma vergonha", afirmou sobre a ação da entidade.

Para Kenned Alencar, Lava Jato que tabela com mídia, tem pouca autoridade moral para investigar vazamento

247 – O jornalista Kennedy Alencar questionou nesta terça-feira 21 a "consistência dos motivos" que levaram a Polícia Federal a realizar um mandado de condução coercitiva contra Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
A PF apura o autor de um vazamento sobre a condução coercitiva do ex-presidente Lula, em março do ano passado, publicada antecipadamente por Guimarães à época.
"É preciso averiguar a consistência dos motivos para levar o blogueiro Eduardo Guimarães a depor coercitivamente na Polícia Federal em SP. Se for devido a vazamentos, investigadores da LJ têm pouca autoridade moral diante da tabelinha que fazem com jornalistas quando desejam", afirma o jornalista.
"São necessárias justificativas para ações dessa natureza, sob pena de ferimento das liberdades de informação e de expressão. Se há acusações de delitos cometidos por blogueiros, precisam ser tornadas públicas e checadas caso a caso", acrescentou.

Moro violou Constituição diz deputado ao sequestrar jornalista

247 –O juiz Sergio Moro, da Lava Jato, confirmou nesta terça-feira 21 ter autorizado a condução coercitiva contra Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, em resposta ao deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) em uma audiência pública (assista ao vídeo de Teixeira acima).

O motivo é a investigação da fonte que vazou para Guimarães a condução coercitiva do ex-presidente Lula, em março do ano passado. Moro argumentou ao deputado Paulo Teixeira que Guimarães não é jornalista. "Dr. Moro, o Brasil não exige formação específica para o jornalismo. Isso é censura", criticou Teixeira.

Nas redes sociais, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirma que Moro violou a Constituição Federal. "Ação de Moro que determinou a prisão do blogueiro Eduardo Guimarães é clara violação da Constituição Federal e afronta o Estado Democrático de Direito", protestou o parlamentar.

Para Pimenta, "a alegação do Moro que ele não é jornalista é uma estupidez. A CF diz respeito à atividade, não à pessoa. É uma afronta", protestou.

Governo é parte do problema na crise da carne

Blog do Josias
Temer não percebeu é que vigora no Brasil não o presidencialismo, mas uma versão bem brasileira de monarquia. Quem reina é a esculhambação
Desde que foi deflagrada a Operação Carne Fraca, o governo de Michel Temer corre para tentar reduzir os prejuízos que o setor agropecuário sofrerá, sobretudo no bilionário negócio da exportação de carne brasileira. Em privado, Temer trata a investigação da Polícia Federal como uma barbeiragem. Avalia que houve uma injustificável generalização de irregularidades que chama de pontuais. Em público, o presidente assegura que seu governo solucionará rapidamente todos os problemas. A questão é que o governo é parte do problema, não da solução.
No domingo, Temer reuniu-se com embaixadores de países que compram carne do Brasil. Tranquilizou-os. Horas depois, começaram a pipocar as notícias sobre a suspensão de importações. Hoje, Temer declarou em São Paulo: ''O agronegócio, para nós no Brasil, é uma coisa importantíssima e não pode ser desvalorizado por um pequeno núcleo.'' Ele se refere aos 33 servidores que estão sob investigação policial.
Não é que Temer não tenha enxergado uma solução. Ele é parte da encrenca porque ainda não enxergou o problema. Varejadas pela Polícia Federal, as superintendências do Ministério da Agricultura nos Estados são feudos políticos. Na superindência do Paraná, revezam-se o PMDB de Temer e o Partido Progressista. Na de Goiás, manda o PTB. Os prepostos desses partidos recebem voz de prisão. Ocorre na Agricultura o mesmo fenômeno que levou a Petrobras à breca: ingerência política.
O que Temer não percebeu é que vigora no Brasil não o presidencialismo, mas uma versão bem brasileira de monarquia. Quem reina é a esculhambação

Um silêncio conveniente

Bernardo Mello Franco - Folha de S.Paulo
O que Michel Temer tem a dizer sobre seus seis ministros delatados pela Odebrecht? Até aqui, nada. A nova lista de Janot já está na praça há uma semana, mas o presidente ainda não deu uma única palavra sobre o assunto.
Na última terça (14), a Procuradoria pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de uma penca de inquéritos. A relação inclui meia dúzia de auxiliares do presidente: Eliseu Padilha, Moreira Franco, Aloysio Nunes, Bruno Araújo e Marcos Pereira.
Os pedidos estão em sigilo, mas o assunto é conhecido. A Lava Jato encontrou indícios de que os políticos negociaram repasses ilegais da empreiteira. As suspeitas vão de caixa dois a corrupção em obras públicas.
O caso de Padilha é o que mais complica o governo. Chefe da Casa Civil, ele foi acusado por ao menos três delatores de negociar um repasse de R$ 10 milhões ao PMDB. Parte do dinheiro teria sido entregue ao advogado José Yunes. Ele diz que foi usado como "mula" pelo ministro.
Quando o caso veio à tona, Padilha saiu em licença médica. Treze dias depois, voltou como se nada tivesse acontecido. Ao chegar, disse que não falaria "sobre o que não existe" e se recolheu ao gabinete. Comparado com o chefe, falou até demais.
Não que Temer tenha passado a semana calado. Pelo contrário: em seis dias, ele fez seis discursos, somando uma hora e 42 minutos no microfone. Comentou temas como a falta d'água em Brasília, os números do desemprego, a reforma da Previdência e a crise da carne. Sobre os ministros delatados, nem um pio.
Em ao menos duas ocasiões, o presidente deu as costas a repórteres que mencionaram o assunto. O silêncio é conveniente para ele, mas não para a sociedade, que tem o direito de cobrar explicações.
Ao fugir das perguntas incômodas, Temer tenta ganhar tempo. Seu objetivo é blindar os auxiliares e deixar a crise esfriar, se possível até 2018. Chegando lá, a plateia estará mais preocupada com a eleição

segunda-feira, 20 de março de 2017

Qual será a próxima vítima do desmonte?



Por Wellington Calasans, Colunista do Cafezinho, na Suécia

O desmonte do Brasil começou com a Lava Jato e agora cria novos tentáculos. Abatido, Moro apela por “apoio popular”. Difícil acreditar que o terá, pois Leandro Karnal é um exemplo vivo dos riscos à própria imagem de quem tira uma foto ao lado do “justiceiro” do Paraná.

A Polícia Federal destruiu a reputação da carne brasileira com o, sempre providencial, apoio da Globo. Antes a indústria naval, a construção civil e o sucateamento da PETROBRAS.
Tudo acontece em nome de um combate à corrupção que preserva corruptos no poder e blinda políticos do PSDB. Proteger “tucanos” é a especialidade de Moro.

Enquanto isso, o vice-almirante da reserva da Marinha, Othon Luiz Pinheiro da Silva, que é reconhecido como um dos mais importantes especialistas do mundo no domínio do urânio enriquecido, está preso.

Lula é massacrado diariamente e a tentativa da Força Tarefa de forjar crimes para atribuir a culpa ao ex-presidente é hoje um caso debatido no mundo acadêmico e organizações de direitos humanos.

Qual será a próxima vítima? Qual o próximo setor a ser arruinado? Chegou a hora de você que apoiou o golpe admitir que foi enganado. Desligue a televisão e cumpra o que prometeu ao dizer “primeiro Dilma, depois os outros”. Chegou a vez de somar em número e resistência aos que perceberam antes o mau cheiro que exalava de figuras notadamente corruptas e que gritavam contra a corrupção.

Cuidado para que não seja você mesmo a próxima vítima dos abusos do estado de exceção. Reaja!

Suspensa exportação de investigadas na “Carne Fraca”

Do G1
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou, no final da tarde de hoje, que proibiu, preventivamente, a exportação de carnes pelas 21 empresas investigadas na operação Carne Fraca, da Polícia Federal.
Após a Operação Carne Fraca, que apontou fiscalização irregular de frigoríficos no Brasil, alguns países importadores anunciaram restrições temporárias à entrada de carne brasileira, entre eles a União Europeia, Coreia do Sul e China. Estes 3 países juntos responderam por 27% das exportações brasileiras de carne em 2016.
UE: pediu que o Brasil suspenda a exportação de empresas envolvidas
CHINA: carnes brasileiras estão retidas nos portos
COREIA DO SUL: baniu frangos da BRF; empresa diz que não foi notificada
CHILE: suspendeu temporariamente a importação de carnes

IFPE Garanhuns fecha parceria com Prefeitura de Angelim para oferta de cursos de extensão

Ao todo, sete cursos serão ofertados nas áreas de informática, meio ambiente, música e assistência social
O IFPE Campus Garanhuns acaba de fechar parceria com a Prefeitura Municipal de Angelim para o desenvolvimento de sete projetos de extensão a serem devolvidos ao longo de todo o ano de 2017.


Os projetos Introdução a Programação; Horta Comunitária; Viagem ao mundo microbiano; Inclusão de estudantes cotistas; Oficina de reciclagem de papel; Oficina de educação ambiental e o Curso de Musicalização/instrumentos, serão ofertados respectivamente pelos docentes Marcelo Santos, Pedro Campello, Fabíola Dantas, João Paulo Oliveira, Pedro Campello, Rafaela Melo e Fabíola Dantas e Osman Júnior. Os cursos e oficinas serão desenvolvidos nas dependências do Campus Garanhuns e na Escola Miguel Calado, em Angelim.

A parceria proposta pelo secretário da Juventude de Angelim, Phelipe Emanoel, foi acolhida pela Divisão de Extensão do Campus Garanhuns e pela Direção-Geral, que estiveram em reunião com secretário e gestores da escola que receberá os cursos. De acordo com Phelipe a busca pelo IFPE se deu pelas amplas possibilidades de parceria. “Buscamos o IFPE na perspectiva de proporcionar novas oportunidades aos jovens de Angelim e tentarmos reverter a situação de vulnerabilidade dos jovens angelinenses”, afirma.

Para o diretor-geral do Campus Garanhuns, José Carlos de Sá Junior, a execução destes projetos fortalecem o vínculo entre IFPE e comunidade. “Agradeço em nome de todos que fazem o IFPE Garanhuns e sinto-me lisonjeado pelo convite em prol de uma causa tão nobre que é contribuir com a retirada de jovens de situações de vulnerabilidade”, diz.

O diretor adjunto da Escola Municipal Miguel Calado, Gilson Manoel de Lima, a parceria vem para colaborar e suprir carências de Angelim. “Pelo que vimos na apresentação das alunas e dos gestores do IFPE, o trabalho a ser realizado aqui será grandioso e nos ajudará a retirar muitos jovens do ócio, contribuindo com nossa cidade que conta com poucos recursos para mudar a difícil realidade de Angelim”.

PARCERIA: A parceria entre IFPE Campus Garanhuns e a Prefeitura Municipal de Angelim será efetivada com a formalização de convênio de cooperação técnica. A previsão é que o convênio seja assinado por ambas as instituições até o final de março.

Sr. CARIRI

Programação do Festival Viva Dominguinhos de Garanhuns


PALCO PRINCIPAL - VIVA DOMINGUINHOS

Quinta-feira (20)

Mourinha do Forró,

Nádia Maia e Targino Gondim,

Andréa Amorim,

Cezzinha

Dorgival Dantas


Sexta-feira (21)

Genaro,

Os Nonatos,

Alcymar Monteiro

Fulô de Mandacaru.


Sábado (22)

Kiara Ribeiro,

Cantoria Agreste, reúne Genaro, João Netto, Marcelo Melo e Sérgio Andrade. Flávio José

Falamansa.


Palco Canta Dominguinhos

Sexta-feira (21): Valdir Marino, Os Coroas do Forró, Forró do Xeeh, Orquestra Sanfônica, Quero Xote, Juliano do Acordeon, Verônica, Nando Azevedo e Amanda Back. Sábado (22): Ivan Maceió, Mateus Cordeiro e Deivinho, Rogério e Os Cabras, Michelly dos Anjos, Forró Pesado de Garanhuns, Banda Seu Januário, André Macambira, Andrezza Formiga e Roberto Cruz.
(Do blog de Ronaldo Cesar)

Temer, o imbecil, leva embaixadores para comer carne importada


Do Tijolaço, de Fernando Brito

Michel Temer não consegue deixar de ser o que é: um medíocre, um imbecil, um falso.

O Estadão foi perguntar aos garçons da churrascaria para onde levou os representantes dos importadores de carne brasileira, em Brasília, depois de uma reunião em que, de prático, anunciou uma “auditoria” sobre a fiscalização sanitária, como se os frigoríficos que, porventura, estivessem praticando irregularidades não estivessem, desde sexta-feira, mais apertados que boca de bode.

Não deu outra, no governo da piada pronta: a tal churrascaria só serve carne bovina importada da Argentina, Uruguai e Austrália.

Muito mais sério, porém, e nada hilariante, é a acusação de que a Polícia Federal agiu “de orelhada”, que não tem laudos para dar suporte às acusações que fez e que pôs, assim, não apenas o Governo como pateta – afinal, posição que não lhe é estranha – mas um importante segmento da indústria brasileira sob sério risco.

Com picanha argentina e “t-bone” australiano na “boca livre” dada aos gringos, é claro que isso não vai ficar na base do “mal-entendido”.

O ministro-Salmonella, Osmar Serraglio, nem sequer foi convidado – nem para a reunião, nem para o regabofe – porque ele, sim, já exala maus cheiro que não há vitamina C que disfarce. Tudo indica que já foi descartado.

O diretor da PF, por conta de bois, porcos e frangos, está a ponto de pagar o pato e o delegado Maurício Moscardi e a turma da Lava-Jato deram mais um passo para o controle do Ministério da Justiça.

Ou alguém acha que há peito para afastar e adotar providências disciplinares para afastar um delegado “lavajateiro”, mesmo que ele tenha feito uma “caca” de centenas de milhões de dólares?

Não podem, senão vão dizer que caiu por proteção aos frigoríficos, , com apoio até de uma pseudo-esquerda, pela cabeça da qual passa a esdrúxula ideia de que o policialismo pode trazer alguma coisa de bom.

E por uma imprensa que, depois de dizer que a carne estava “envenenada” com ácido ascórbico (vitamina C) agora se emenda para dizer que é por ácido sórbico, outra besteira, porque é uma substância retirada de plantas e que serve para matar o agente do botulismo nas carnes.

Então, o domingo, o do amigo de Temer, o Faustão, termina com as hilárias “pegadinhas”, onde o estafermo que nos preside prova, com risco de sua própria vida, a sanidade da carne brasileira comendo carnes importadas.

Se tivessem elaborar um roteiro de comédia não conseguiriam fazer tão bom quando fizeram de improviso

Louvem porras-loucas e o Haiti será aqui


Por Reinaldo Azevedo

O espetáculo grotesco, deprimente e perigoso estrelado pela Polícia Federal, que pode trazer prejuízos gigantescos ao Brasil e aos brasileiros, tem antecedentes. Não se chegou àquele descalabro do nada. Há muito está em curso a marcha da insensatez.

Quando eu começar a errar, aviso. Ou avisam os que têm a pretensão de ser meus adversários, não é? Ocorre que, até agora, assiste-se ao contrário disso. Só acerto! As provas estão nos fatos. Há bastante tempo venho chamando atenção para procedimentos impróprios de algumas autoridades encarregadas de investigar crimes (Polícia Federal e Ministério Público) ou de julgar os que são processados pelo estado — e, nesse último caso, refiro-me, é evidente, a setores do Judiciário.

Digamos com todas as letras, com todos os pingos nos is, com todas traves no tês: os porras-loucas desses três entes — PF, MPF e Judiciário — decidiram exercer o controle da política e dos políticos. E a melhor forma que encontraram de fazê-lo é criando factoides para manter a opinião pública em estado de permanente exasperação e mobilização rancorosa, que é coisa diferente de fazer uma escolha política. E contam, para isso, com a imprensa como subordinada e porta-voz.

Orgulho-me de ter escrito no dia 15 de fevereiro um post em que afirmei que há apenas três partidos no Brasil: 1) o PT e seus satélites de esquerda; 2) o PMDB-PSDB e seus satélites do Centrão e 3) o PAMPI (O Partido do Ministério Público e da Imprensa). Posso até fazer uma pequena mudança para tornar a coisa ainda mais precisa; o certo é PAMPIPO (Partido do Ministério Público, da Imprensa e da Polícia).

Alguém tem alguma dúvida disso?

A coluna deste domingo da ombudsman da Folha traz uma denúncia grave. Escreve Paula Cesarino Costa sobre o vazamento de nomes da chamada “Lista de Janot”, que deve chegar o ministro Edson Fachin apenas nesta segunda ou terça:

“Das dezenas de envolvidos na investigação, vazaram para os jornalistas os mesmos 16 nomes de políticos — cinco ministros do atual governo, os presidentes da Câmara e do Senado, cinco senadores, dois ex-presidentes e dois ex-ministros. Eles estavam nas manchetes dos telejornais, das rádios, dos portais de internet e nas páginas da Folha e dos seus concorrentes — O Estado de S. Paulo, O Globo e Valor. Por que tanta coincidência? A ombudsman apurou que a divulgação da chamada segunda lista de Janot se deu por meio do que, no mundo jornalístico, se convencionou chamar de ‘entrevista coletiva em off’. (….) Após receberem a garantia de que não seriam identificados, representantes do Ministério Público Federal se reuniram com jornalistas, em conjunto, para passar informações sobre os pedidos de inquérito, sob segredo, baseados nas delações de executivos da Odebrecht.”

Antes que prossiga, deixo claro: eu e Paula Cesarino somos, como costumo brincar, de “enfermarias diferentes”. Ela já lamentou de modo indireto que eu seja colunista da Folha. Não estou procurando pegar carona numa opinião sua ou fazer dobradinha. Estou é destacando uma informação que ela publicou e que sei correta. Afinal, já escrevi aqui que o objetivo da “Lista de Janot” é provar que todos são iguais. Ao industriar os vazamentos, os procuradores cometem um crime, que nem investigado será, e desbordam de sua função: fazem política. Prossigo.

Aécio Neves e Lula

E só nesse caso? Ah, não! Os vazadores resolveram também passar adiante o conteúdo de outras supostas delações: a Odebrecht e a Andrade Gutierrez teriam acertado o repasse de R$ 50 milhões a Aécio Neves, em 2007, depois de vencerem o leilão para a construção da hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia. Mas atenção: a) ninguém disse que era propina; b) os delatores não sabem se o dinheiro realmente foi pago. Entenderam?

Na coletiva que concederam na sexta-feira, os procuradores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando evidenciaram o desprezo que têm pelo Congresso, asseguraram que os senhores parlamentares querem é acabar com a Lava Jato, e um deles, Deltan, antecipou até a data do julgamento de Lula, que será feito pelo juiz Sergio Moro. A condenação veio sugerida nas entrelinhas. Na página-trocadilho criada por sua mulher — “Eu Moro com Ele” —, o juiz agradece o apoio da população e sugere que, sem este, a história poderia ser outra.

Todas essas ações têm nome. E o nome disso é política. É o que fazem os procuradores quando dão coletivas em off; é o que faz Moro quando apela diretamente à população; é o que faz a Polícia Federal quando, com impressionante irresponsabilidade, desfaçatez, ligeireza, falta de elementos e estupidez técnica, demoniza a carne brasileira, cuja excelência é reconhecida mundo afora.

Todos querem fazer história

Há uma evidente sede de protagonismo dessas forças. Não se contentam com o seu papel institucional, que, obviamente, pode, sim, dar conta do recado, combater a corrupção, prender os corruptos. A propósito: a única força no Brasil que hoje promove a impunidade é a Lava Jato, dadas as penas ridículas que aplicam aos delatores. Notórios bandidos estão sendo, de fato, literalmente premiados. Os abusos sem contenção nem punição da Lava Jato conduzem a outros tantos.

Não senhores! O espetáculo grotesco da Polícia Federal na sexta não surgiu do nada. Sob o pretexto de combater bandidos, só pode fazer aquela patuscada quem aposta na impunidade. A mesma impunidade que protege os procuradores-vazadores. Todos esses entes, incluindo setores do Judiciário, estão convencidos de que o país não precisa de políticos e da política. Querem saber? Entreguemos o Brasil aos porras-loucas do MPF, da PF e do Judiciário, e, em dez anos, seremos um Haiti de dimensões continentais