quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Passado que assombra


Blog do Kennedy
Bolsonaro dispensou o elogio de David Duke, um dos mais importantes representantes da Ku Klux Klan _movimento de extrema-direita do EUA que defende a supremacia branca. Duke disse que Bolsonaro “soa como nós”. A “BBC Brasil” fez reportagem a respeito.
Como o candidato do PSL está numa estratégia de moderação no segundo turno, ele se manifestou contra Duke numa rede social. No entanto, a declaração do americano reflete todo o histórico de Bolsonaro no que se refere a declarações racistas dadas ao longo de sua carreira política. Afinal, um apoio da Ku Klux Klan é ruim para qualquer candidato.
Articulador do candidato a presidente do PSL, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) disse com todas as letras que Bolsonaro não participará de debates no segundo turno. A justificativa é médica, mas a principal razão é política. Fugir de situações arriscadas em confrontos com Haddad.

PT: os irmãos Gomes deram tiro no pé


Aliados de Fernando Haddad que militam fora do PT afirmam que, se a intenção dos irmãos Ciro e Cid Gomes, do PDT, era a de se preservar para a eleição de 2022 com o tal “apoio crítico” ao presidenciável, eles deram um tiro no pé.

Mesmo já projetando a derrota de Haddad, parte da esquerda avalia que o PT se manterá como o principal partido desse campo.
E que, agora, a legenda ainda vai despontar como a beneficiária do eventual fiasco de um governo Bolsonaro.  (Painel – Folha de SP)

Ato critica cortes de R$ 30 bilhões no orçamento da Assistência Social

A Frente Parlamentar em Defesa do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) promoveu hoje (17) ato em defesa do orçamento do SUAS em 2019. O objetivo foi firmar posicionamento contra os constantes cortes na área realizados pelo governo federal. No Projeto de Lei Orçamentário Anual (PLOA) de 2019, a assistência social sofreu uma redução de 50% em seus recursos, o que corresponde a R$ 30 bilhões.

Esse valor abrange pagamentos de programas, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoa idosa e pessoa com deficiência. Caso o corte ocorra, mais de duas milhões de pessoas deixariam de receber o benefício previsto na Constituição. Só em Pernambuco, de acordo com a Frente Pernambucana em Defesa do SUAS, seriam cortados 160 mil beneficiários.

O presidente da A Frente Parlamentar em Defesa do SUAS, deputado Danilo Cabral (PSB-PE), afirma ser “inaceitável que, anualmente, seja preciso brigar para assegurar o orçamento mínimo que garanta o funcionamento do Sistema”. “Precisamos debater a importação da assistência social para além do assistencialismo, e, sim, como política de Estado. Não podemos iniciar 2019 sem que esses recursos estejam assegurados na Lei Orçamentária Anual”, destacou o parlamentar.

De 2016 para cá, é possível afirmar que houve uma perda de aproximadamente R$ 1 bilhão nas ações discriminatórias do Fundo Nacional de Assistência Social. Além disso, o governo federal colocou como despesas condicionadas (que dependem da aprovação pelo Congresso Nacional) os R$ 30 bilhões necessários para o pagamento do BPC e R$ 25 bilhões necessários para o pagamento do Bolsa Família. Danilo Cabral ressalta que o SUAS tem visto seu funcionamento ameaçado pela instabilidade do governo federal, que trata a assistência social como algo secundário.

O deputado também é autor da Proposta de Emenda à Constituição, a PEC 383/17, que visa fortalecer o SUAS, propondo que a União aplique, anualmente, nunca menos de 1% da Receita Corrente Líquida do respectivo exercício financeiro no financiamento do Sistema.

O SUAS é público e organiza os serviços de assistência social no Brasil. Com um modelo de gestão participativa, ele articula os esforços e os recursos dos três níveis de governo, para a execução e o financiamento da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). Ele atua nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e nos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), que são unidades públicas estatais instituídas no âmbito do SUAS, que possuem interface com as demais políticas públicas e articulam, coordenam e ofertam os serviços, programas, projetos e benefícios da assistência social, além de atender cerca de 30 milhões de famílias.

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) frisou que o momento pelo qual atravessa o País requer um aumento no investimento da assistência social. “O que temos aqui no Brasil é o oposto. Quanto mais as pessoas precisam, mais se quer tirar”, criticou. Já a presidente do Congemsas, Andreia Lauande, destacou a necessidade do ato “com um cenário crítico, onde a assistência social precisa ser salva”.

Organizado pela Frente Parlamentar juntamente com o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS); o Fórum Nacional de Secretários de Estado de Assistência Social (Fonseas) e o Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas), o evento também contou com a presença dos parlamentares Tadeu Alencar (PSB/PE), Erika Kokay (PT/DF), entre outros, e de representantes de entidades ligadas à assistência social.

Chuva forte enche barreiros e alegra população de Pesqueira

NE10 Interior
No Povoado Beira Mar, a precipitação atingiu 155 mm e encheu os barreiros / Foto: cortesia
No Povoado Beira Mar, a precipitação atingiu 155 mm e encheu os barreirosFoto: cortesia
Uma chuva inesperada caiu no fim da tarde dessa terça-feira (16) por cerca de duas horas e animou os moradores de Pesqueira e região do Agreste pernambucano. Na zona urbana, a precipitação variou entre 38 e 49 mm.
Durante o período da chuva, pequenos transtornos foram registrados na cidade. Houve queda e oscilação da energia elétrica e o muro de uma escola estadual no centro caiu em cima de um veículo. Felizmente, os danos foram apenas materiais. O Corpo de Bombeiros isolou o local.
Já na zona rural, a trovoada atingiu precipitação maior. No Distrito de Papagaio, as chuvas variaram entre 50 e 65 mm. O rio que corta o povoado recebeu água que chegou até o Povoado de Cacimbão, que registrou 12 mm de chuvas.
Muro de escola caiu sobre carro; danos foram materiais
Muro de escola caiu sobre carro; danos foram materiais
Foto: cortesia
No Povoado Beira Mar, a felicidade foi maior: a precipitação atingiu 155 mm. O gerente de uma fazenda no local, Damião, ficou animado com as chuvas. "Os barreiros pequenos estão tudo sangrando. Todo mundo está alegre lá, graças a Deus choveu para acabar a seca, lá estava um caso sério", afirmou, em entrevista à Rádio Jornal Pesqueira.
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Chuvas em Pesqueira - 16.10.18

Barreiros cheios no Povoado de Beira Mar 
Crédito: cortesia

Chuvas em Pesqueira - 16.10.18

Barreiros cheios no Povoado de Beira Mar 
Crédito: cortesia

Chuvas em Pesqueira - 16.10.18

Rio no Povoado de Cacimbão 
Crédito: cortesia

Chuvas em Pesqueira - 16.10.18

Rio no Povoado de Cacimbão 
Crédito: cortesia

Previsão

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para esta quarta-feira (17) na cidade é de tempo nublado a parcialmente nublado com chuva isolada. As temperaturas variam entre 18°C e 33°C.

Centrão faz fila para o bote salva-vidas de Bolsonaro

Valdemar, Kassab e companhia preparam entrada na base aliada do presidenciável
Bruno Boghossian – Folha de S.Paulo

No grande naufrágio partidário de 2018, os primeiros da fila para o bote salva-vidas são Roberto Jefferson, Pastor Everaldo, Valdemar Costa Neto e Gilberto Kassab. Os caciques do centrão, que sustentaram governos de todas as cores, decidiram se alinhar a Jair Bolsonaro (PSL) em busca de sobrevivência.
PSD não é de esquerda, nem de direita, nem de centro (como definiu Kassab ao criar a legenda), mas já está afinado com o radicalismo de Bolsonaro. O fundador da sigla disse nesta quarta (17) que, se o candidato do PSL for eleito, “evidentemente” apoiará seu governo no Congresso.
A condição é que as pautas tenham convergência com as crenças do PSD, mas a adaptação não será muito difícil. Kassab foi ministro de Dilma Rousseff, pediu demissão para apoiar o impeachment e, em menos de um mês, pegou as chaves de outro ministério com Michel Temer.
O PR não quis apoiar Bolsonaro no primeiro turno, mas agora planeja um consórcio com o presidenciável. Caso sua eleição se confirme, o partido de Valdemar estará na base governista e lançará ao comando da Câmara o deputado Capitão Augusto, um policial que diz que o regime militar não foi uma ditadura.
“Houve alternância no poder, o Congresso manteve-se aberto, o Judiciário manteve-se aberto e até a imprensa tinha liberdade”, disse, em 2015. Quatro mentiras, se considerarmos que a ditadura aposentou ministros do STF e tutelou o tribunal.
O time pró-Bolsonaro tem ainda a companhia do PTB de Roberto Jefferson, do PSC do Pastor Everaldo e de outros partidos que acreditam farejar vitória no campo do PSL.
A corrida atrás de um candidato que se beneficiou do derretimento da política soa como ironia, mas não surpreende. Se for eleito, Bolsonaro precisará dessas siglas para aprovar uma pauta especialmente amarga de equilíbrio das contas públicas.
Embora o candidato prometa não distribuir cargos, tudo parece negociável. Há dois dias, Bolsonaro pediu à bancada ruralista uma indicação para o Ministério da Agricultura.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

PT exibe depoimento de torturada na ditadura

O programa eleitoral do PT exibiu o depoimento de Maria Amelia de Almeida Telles, ex-militante do PCdoB durante a ditadura militar, em que relata a tortura que sofreu do general Carlos Alberto Brilhante Ustra, homenageado por Jair Bolsonaro em seu discurso no impeachment de Dilma Rousseff.
No vídeo, Amelinha, como é conhecida, diz que “o momento de maior dor foi o Ustra levando os meus dois filhos na sala de tortura, onde eu estava nua, vomitada, urinada”.

Jarbas e Silvio Costa fumaram o cachimbo da paz

Após uma discussão acalorada no grupo de WhatsApp da bancada pernambucana, os deputados federais Jarbas Vasconcelos e Silvio Costa, que disputaram o Senado, se encontraram ontem no fumódromo da Câmara dos Deputados em Brasília e fumaram o cachimbo da paz. O senador eleito foi o primeiro a levantar a bandeira branca ao perguntar ao colega: “vamos acabar com essa briga?”, e Silvio respondeu sorridente que sempre soube da sua grandeza enquanto se abraçavam.

Meirelles "perdeu" R$ 53 milhões na campanha

..mas pode ter ganhado muito mais na bolsa
Do Infomoney

Fizemos duas simulações para calcular quanto o candidato já deve ter embolsado com seus investimentos em ações: a primeira de que ele investe em uma carteira média de mercado e a segunda, na Carteira InfoMoney.
A campanha presidencial de Henrique Meirelles (MDB) custou perto de R$ 53 milhões e foi financiada pelo próprio candidato, segundo a declaração de gastos dos candidatos à presidência para o TSE, que ainda pode ser atualizada.
O custo total da campanha foi o maior entre os candidatos à presidência e o que apresentou o pior “custo-benefício”: com 1,2 milhão de votos, cada um custou, portanto, R$ 41. Em comparação, Cabo Daciolo (Patriota), teve o custo mais baixo por voto: ele gastou R$ 808 em toda a sua campanha e terminou com 1,3 milhão de votos, um custo de R$ 0,0005 por voto.
Boa parte do valor gasto por Meirelles na campanha, no entanto, foi compensado por prováveis ganhos no mercado acionário. Isso porque o emedebista declarou no final de 2017 R$ 283.176.015 em ações e a Bolsa segue com alta significativa em 2018 -- no total, o patrimônio do candidato é de R$ 377 milhões. 

Amapá: TSE mantém votos e Capiberibe disputa 2º turno


G1 

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta terça-feira (16) validar os votos recebidos por João Capiberibe (PSB) no primeiro turno da eleição para governador do Amapá. Com isso, Capiberibe está mantido no segundo turno.
Os votos dados a Capiberibe foram anulados porque candidatos do PT tiveram os registros indeferidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) – o candidato a vice na chapa de Capiberibe é Marcos Roberto, do PT.
No último dia 7, primeiro turno da eleição, Waldez Góes (PDT) recebeu 133.214 votos, e Capiberibe, com 119.500. O terceiro colocado, Davi (DEM), somou 94.278 votos.
Decisão do TSE
Na sessão desta terça-feira, os ministros do TSE entenderam que não houve má-fé por parte da chapa de Capiberibe ao indicar o candidato a vice do PT.
Isso porque, na avaliação dos ministros, Marcos Roberto não estava em uma situação "sabidamente inelegível".
Por seis votos a um, o tribunal decidiu, então, manter a chapa na disputa. Permitiu, ainda, o direito à substituição do candidato a vice-governador – a proposta feita ao TSE foi a substituição de Marcos Roberto por Andrea Tolentino (PSB). A possibilidade de a chapa fazer propaganda eleitoral foi aprovada por unanimidade.

General Girão é o Mourão da Câmara: quer prender ministros do STF

POR FERNANDO BRITO · no TIJOLAÇO





Não sem, antes, um gesto explícito de sabujismo, ao sugerir que o filho de Jair Bolsonaro, Eduardo, seja indicado presidente da Câmara dos Deputados, o general Eliéser Girão, eleito pelo PSL do Rio Grande do Norte, no Estadão de hoje, já começa a mostrar aos juízes que abriram as portas para essa gente o futuro que lhes aguarda.

Girão, considerado próximo ao general Augusto Heleno, provável Ministro da Defesa, diz o jornal, “defendeu o
impeachment e a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) responsáveis pela libertação de
políticos acusa dos de corrupção, como o ex-deputado José Dirceu (PT) e os ex-governadores do Paraná Beto
Richa (PSDB) e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Segundo ele, “o impeachment de vários ministros” se insere em um “plano de moralização das instituições da República”. “Não tem negociação com quem se vendeu para o mecanismo”, escreveu em sua conta no Twitter, em referência à série da Netflix sobre a Lava Jato. “Destituição e prisão”, completou.

Depois do ‘autogolpe’ do General Mourão, agora a ‘destituição e prisão’ by Girão.

Está achando ‘folclórico’? Pois saiba que mesmo com uma maioria subserviente à ditadura de 1964, três de seus ministros foram cassados e mais dois levados a deixarem o cargo.

E os tolinhos achando que as instituições estão seguras e é hora para ir fazendo planos para 2022.

Os únicos que parece prováveis, assim, são os de Sérgio Moro ir para a a Corte Suprema.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

TSE manda remover da internet vídeos de Bolsonaro contra o kit gay

Do blog de magno martins
O ministro Carlos Horbach, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de vídeos publicados no Facebook e Youtube nos quais o candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, aparece criticando a suposta distribuição pelo Ministério da Educação a escolas públicas de um livro, dentro do chamado “kit gay”.
O kit fazia parte do programa Escola Sem Homofobia, que Bolsonaro atribui ao adversário Fernando Haddad, candidato pelo PT e ex-ministro da Educação.
A decisão que mandou remover os vídeos da internet foi assinada ontem e atendeu a pedido da campanha de Haddad. A defesa do petista nega que houve distribuição do livro, segundo declarações do Ministério da Educação e da editora que o publicou.
Na decisão, o ministro concluiu que o vídeo "gera desinformação no período eleitoral, com prejuízo ao debate político". "É igualmente notório o fato de que o projeto 'Escola sem Homofobia' não chegou a ser executado pelo Ministério da Educação, do que se conclui que não ensejou, de fato, a distribuição do material didático a ele relacionado", escreveu na decisão.
No total, os advogados de Haddad pediram ao TSE a remoção de 42 links da internet relacionados ao tema, mas o ministro mandou retirar do ar apenas 6, nos quais Bolsonaro diz que o livro era distribuído. Disse que os demais não tiveram sua "veracidade posta em xeque".

Eu corrompi um cara do PT

Por Homero Fonseca


Eu corrompi, sim, um cara do PT. Como nossa atuação não está na jurisdição da Lava Jato, estou fora desse redemoinho todo, assim como o tal técnico-político ou político-técnico. Claro que não vou me identificar, nem dar nomes aos bois, por motivos óbvios. E independente dessa onda moralizante, sempre fui discreto, nunca quis refletores em cima de mim, nem nas boas ações, muito menos nas más. Aquele publicitário que deu uma garrafa de vinho caríssimo ao cara e soprou pras colunas sociais… Que coisa mais kitsch. Mas eu até entendo o comportamento de noveau riche. É assim que se começa a corromper um cara. Por que quando corrompemos alguém, não apenas damos gordas propinas: nós compramos a sua alma. Trazemo-lo para nosso território: a vida de luxo. O político que eu corrompi não era o que vocês estão pensando, não. Esse daí nem sei se foi corrompido mesmo porque, com o poder que tinha, aceitar aquelas merrecas de classe média, entregar a alma por ninharias… Francamente, só se fosse muito burro. E ele não parece nada burro. Deve ter ficado tentado, mas aceitar gorjeta…


Mas concordei em falar, sob estrito anonimato, foi da minha experiência, do meu petista. Em primeiro lugar, corrupção nunca foi novidade. Desde que o homem inventou o dinheiro ela nasceu junto. Obviamente há lugares e épocas mais propícias. Por exemplo, em nações atrasadas e/ou sob regimes autoritários. No chamado 3º Mundo é mais fácil: normalmente eles não têm muita preocupação nem órgãos de controle eficazes. Por isso a prática é generalizada, torna-se uma cultura. O que não quer dizer que nas sociedades avançadas, onde existem instituições mais sofisticadas, ela não exista. Ora, pois sim. Também em governos ditatoriais a corrupção floresce direitinho: a imprensa é censurada e quem se meter a denunciar termina um dia como “desaparecido”. Minhas empresas cresceram exponencialmente durante a ditadura. Foi uma loucura! Claro que foi à custa de muita generosidade de nossa parte. Pagamos muita despesa doméstica, muitas reformas, muitas viagens, muita festa, muita mulher… Qualquer empresa de médio porte pra cima colocava um militar da reserva na diretoria, mesmo que ele não entendesse bulhufas do métier (melhor até quando não entendia, pois não se metia a dar palpite, se limitando a pegar a polpuda grana no fim do mês). Todos sabiam, mas ninguém podia falar. Dizem que num certo país onde havia uma ditadura, um militar de alta patente, diretor de uma instituição financeira, costumava apostar com um CEO do ramo imobiliário. A cada projeto apresentado à instituição, o colega se queixava com o figurão: “A burocracia estatal é um câncer e meu projeto não será aprovado”. O alta patente argumentava: “Não senhor, agora agilizamos tudo”. “Aposto que não” — respondia o dono do projeto. “Pois vamos apostar” — retrucava o diretor. “Feito. Aposto um milhão”. O outro concordava, o projeto saía em menos de um mês e o empresário pagava a aposta em dinheiro vivo.


Depois da chamada redemocratização, a folia corruptora continuou. A coisa se tornou sistêmica, para usar uma palavra da moda. Traduzindo: negócios e políticas caminhavam juntos, num sistema em que todos ganhavam: nós com as obras superfaturadas, os políticos com as propinas. A mais generalizada é o financiamento das campanhas políticas pelo chamado Caixa 2. Distribuímos nossas fichas entre os vários partidos, “doando” quantias mais vultosas aos nossos candidatos preferenciais, e a outros com chance de vencer, de qualquer partido. Corrupção não tem ideologia: é toma lá dá cá. Claro que se eu solto meu rico dinheirinho com um político, seja lá de que partido for, vou cobrar em dobro depois dele eleito. E no Parlamento, mesmo muitos caras da oposição recebem e continuam a receber seu quinhão, para não atrapalhar os negócios.


Com a chegada do PT ao governo, as coisas ficaram mais complicadas. O partido era uma espécie de convidado bem trapalhão em nosso banquete, lembram do filme com Peter Selers? Porque antes, os corruptos e nós, os corruptores, geralmente frequentávamos os mesmos ambientes: clubes fechados, marinas, haras, hotéis seis estrelas, ilhas particulares, viagens em 1ª classe (os mais unhas-de-fome) ou de jatinhos próprios, restaurantes exclusivos, casas de massagem com garotas internacionais. São nos almoços e jantares discretos, em happy hours no Jockey Club, no fim de semana numa praia particular ou num campo de golfe, que os grandes negócios são fechados, entre um gole de um Chivas Rigal 18 anos ou uma taça de Château Mouton Rothschild , sem nos preocuparmos em avisar para as colunas sociais, pelo contrário… Depois, os mensageiros dos caras (os mais “necessitados”) aparecem para pegar as malas de dinheiro com nossos executivos ou fazemos os depósitos em contas nos chamados pejorativamente pela imprensa comunista “paraísos fiscais”. As negociatas, para usar uma linguagem crua e um pouco pebléia, são tão naturais nesses espaços como o ar que respiramos. A todo momento nos encontramos e sempre surgem excelentes oportunidades de negócios. A maioria dos políticos vem de famílias ricas e se locomove com familiaridade nesses espaços, tirando um ou outro caipira.


Os petistas chegaram nesse meio como crentes num cabaré. Ô pessoal destrambelhado! Marinheiros de primeira viagem, deram um trabalho danado. Alguns até resistiram a qualquer aceno nosso: é o caso de um ex parlamentar e dirigente partidário, um pau-de-arara que mora numa casinha de classe média no Butantã. Os caras são uns tabaréus (com raras exceções: tem até um de família quatrocentona, mas esse não gosta de dinheiro, acho que é meio doido). Pois bem: como não frequentavam nossos ambientes, não sabiam se comportar, nem entendiam nossa linguagem cifrada. Vocês hão de convir que em nosso meio não é muito comum alguém chegar dizendo “Me dá um dinheiro aí!” (Apesar de que, pra minha surpresa, um tucano de pedigree político e familiar ter sido flagrado falando quase exatamente isso para o açougueiro do Centro-Oeste e ainda arrotando que mataria quem fizesse delação. Incrível! Mas toda boa família tem sua ovelha negra.) O que posso dizer é que fiz um esforço enorme para corromper meu petista. Não era ele do primeiríssimo escalão, mais era importante numa estatal aí. Não entendia nada de negócios e deu um trabalho danado. Acho que isso aconteceu com outros.
Quando conseguimos tirar a Presidenta — pense numa mulher difícil, meu! — as coisas voltaram ao seu leito normal, retornaram às mãos de quem tem know how,embora um pouco mais acanalhadas. Com essa história de delação premiada, o pessoal quase entrega o ouro. Felizmente a força tarefa só queria mesmo pegar os petistas (e um tucano aqui e outro emedebista ali, pra disfarçar) e, como disse nosso Senador, a sangria foi estancada (ou esperamos que tenha sido). Agora, o “Mercado” — como nos chamam nossos jornalistas — estamos na expectativa. Nosso candidato preferencial foi um fiasco no primeiro turno (aliás, todos os nossos prediletos), mas ao que tudo indica continuaremos a mandar na economia, se o capitão chegar lá, que o Deus Neoliberal o proteja e guie. Só otário acredita no discurso do incorruptível. Sabemos que todo moralista é um invejoso da delícia dos pecados dos outros e basta surgir a chance para tirar o atraso. Estamos prontos para continuar corrompendo, como sempre o fizemos. É a regra do jogo.


PS.: Este é um texto de ficção. Qualquer semelhança com fatos ou pessoas da vida real terá sido mera coincidência


*Homero Fonseca é jornalista e escritor, radicado na capital pernambucana.

Obras avançam em trecho da BR-104, entre Caruaru e Pão de Açúcar

O Governo de Pernambuco segue realizando importante ação de infraestrutura viária no Agreste. A restauração e duplicação da BR-104, no trecho de 13,2 quilômetros de extensão, que vai do km 19,8, no distrito de Pão de Açúcar, em Taquaritinga do Norte, até o km 33, no município de Caruaru. Essa iniciativa conta com investimento de R$ 77,9 milhões, sendo 90% dos recursos do Governo Federal e uma contrapartida de 10% do Governo de Estadual, por meio de um convênio firmado entre ambos. Até o momento, foram concluídos 16,44% do total dos serviços previstos nessa iniciativa, que tem prazo previsto para ser concluída em agosto de 2019.

Atualmente, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão vinculado à Secretaria de Transportes, segue realizando os trabalhos de terraplenagem, incluindo os aterros e a demolição de rochas por onde passará a nova pista. No trecho atual, o fluxo de veículos segue sem maiores transtornos e o sistema de controle de tráfego “Pare e Siga” é utilizado apenas nos momentos de detonação dos explosivos para demolição do material rochoso. Esse segmento que está sendo restaurado e duplicado liga as microrregiões Central e Setentrional do Agreste pernambucano. 

“A conclusão das obras desse trecho da BR-104 vai melhorar a mobilidade dos usuários com boas condições de trafegabilidade, mais conforto e segurança, além de trazer imensa contribuição para o crescimento do polo de Confecções do Agreste, incremento do turismo local e geração de novos postos de trabalho, ajudando no desenvolvimento dessa região do Estado, beneficiando diretamente mais de 384 mil moradores”, frisou o diretor-presidente do DER, Silvano Carvalho.

Onda de fake news eleva rejeição a Haddad no 2º turno

TSE precisa dar resposta dura a mentiras eleitorais
Blog do Kennedy

Uma onda de fake news contra Fernando Haddad elevou a rejeição do candidato do PT à Presidência a um patamar superior ao do seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL). Segundo a primeira pesquisa de segundo turno do Ibope, realizada no fim de semana e divulgada hoje, 47% dos eleitores rejeitariam Haddad. E 35% disseram que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum.
No dia 6 de outubro, véspera do primeiro turno, o Ibope mostrou que 43% dos eleitores afirmaram que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum. A taxa de Haddad era de 36% _7 pontos percentuais em benefício do petista. No levantamento divulgado hoje, houve uma inversão de 12 pontos a favor de Bolsonaro. A onda de fake news explica isso.
Haddad tem sofrido acusações de ordem pessoal que misturam preconceito, desinformação e falsidade sobre sexualidade, aborto, drogas e patrimônio.
Uma das maiores democracias ocidentais, o Brasil enfrenta nestas eleições uma onda de notícias falsas que tende a fazer o escândalo Cambridge Analytica virar fichinha _descoberta de manipulação de empresa inglesa no Facebook para ajudar Donald Trump e outros mandatários a chegar ao poder.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ameaçou esboçar uma reação nesta semana, cobrando o WhatsApp. Antes tarde do que nunca. Mas parece pouco diante do tamanho do problema.
A presidente da corte, Rosa Weber, deveria vir a público responder à evidência de uma avalanche de fake news na campanha eleitoral. Weber também deveria comentar a acusação de Bolsonaro em entrevista na quinta ao “Jornal da CBN – 2ª Edição” de que suspeita de fraude na urna eletrônica no voto para presidente. Ela ainda deveria falar a respeito de atos de violência contra eleitores de esquerda, sobretudo de ataques a mulheres.
No que se refere a fake news, Bolsonaro é o candidato mais beneficiado pelas mentiras enquanto o TSE assiste a tudo de camarote.

A partir de 2019, Gonzaga Patriota será o decano do Congresso

Com a derrota de Miro Teixeira (Rede-RJ) nas últimas eleições (perdeu a disputa por uma vaga no Senado), o decano da Câmara Federal a partir de fevereiro do próximo ano será o pernambucano Gonzaga Patriota (PSB), reeleito para o nono mandato.

Além disso, Patriota foi eleito no último domingo (14), pela quarta vez, presidente do Clube do Congresso, em Brasília.

O Clube do Congresso é uma instituição fundada por parlamentares, em maio de 1960, destinada à recreação e lazer de seus sócios.

Ministros: comissão do TSE contra fake news falhou

Magistrados acreditam que é tarde para providência efetiva contra as mentiras
Mônica Bergamo –Folha de S.Paulo
Ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) avaliam
que a comissão criada pelo ex-presidente da Corte, Luiz Fux, para combater as fake news, falhou na missão de coibir as notícias falsas divulgadas na eleição. Outras medidas até agora também têm se mostrado inócuas.

Os magistrados acreditam que é tarde para uma providência efetiva contra as mentiras, já que o tribunal está “no meio do vendaval”, segundo um dos ministros.
Na segunda (15), a presidente do TSE, Rosa Weber, convocou as campanhas de Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) para uma reunião contra as fake news.
O candidato do PT, que já foi acusado até de distribuir mamadeiras eróticas, chegou a propor um acordo com o adversário. Bolsonaro o chamou de “canalha” e disse que também é vítima de mentiras —como a de que aumentará o imposto para os mais pobres.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Haddad rechaça fake news

“Qual o limite da loucura do meu adversário?”
Estadão Conteúdo

O candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddad, lançou mão de fortes críticas ao seu adversário Jair Bolsonaro (PSL), em agenda na Capital neste domingo, "Qual o limite da loucura do meu adversário?", questionou Haddad, em coletiva, após evento com representantes do segmento de pessoas com deficiência. "Circulam na internet, por impulso do meu adversário, mentiras sobre mim. Segundo Bolsonaro, esse relógio (que Haddad usava na hora) vale R$ 400 mil. Não tenho carro no meu nome e virei proprietário de uma Ferrari", disse.
Haddad também refutou a afirmação de que ele seria favorável ao incesto. O tema ganhou repercussão nas redes sociais e Carlos Bolsonaro, filho do cabeça de chapa do PSL, chegou a compartilhar mensagens nas redes com a falsa afirmação contra Haddad.
Democracia.
O candidato petista foi questionado sobre as afirmações de opositores de que o PT quer transformar o Brasil em uma Venezuela ou Cuba. "O PT nunca violou um princípio democrático quando governou o País", rebateu. Segundo o petista, as comparações com Venezuela e Cuba seriam "um jogo de cena" para desviar a atenção do próprio passado de Bolsonaro.

Pesquisas: PT tenta desconstruir Bolsonaro


Guiado por pesquisas internas, PT aposta em contradições para tentar desconstruir Bolsonaro
Daniela Lima - Painel - Folha  de S.Paulo

 Pesquisas qualitativas feitas pelo PT deram novo norte aos aliados de Fernando de Haddad que buscam uma rota para desconstruir Jair Bolsonaro (PSL). Integrantes da equipe do petista dizem que “não é chamando o eleitor dele de fascista” que vão minar o apoio ao candidato do PSL.
A ordem é explorar contradições de Bolsonaro e tentar apresentá-lo como mentiroso. Essa foi a linha definida na última propaganda, que expôs posições divergentes do presidenciável sobre o Bolsa Família.
O PT começou a exibir votos do capitão reformado na Câmara em projetos de interesse social para pôr em dúvida propostas que ele faz hoje.

domingo, 14 de outubro de 2018

O delegado que viu paz e amor na suástica

O delegado viu paz e amor na suástica
Em Porto Alegre, jovem que vestia camiseta com o slogan #EleNão foi marcada na barriga
Foto: imagens google Notícias/News
O Globo - Por Elio Gaspari


Uma jovem de 19 anos contou na terça-feira à polícia de Porto Alegre que na noite anterior vestia uma camiseta com o slogan “#EleNão”, desceu de um ônibus e foi agredida por três pessoas. Contou ainda que, imobilizada, fizeram-lhe seis talhos na barriga, marcando-a com uma suástica.
Ainda não se conhecem as circunstâncias do episódio e, na quinta-feira, a jovem, que não teve o nome revelado, desistiu da denúncia. A investigação prossegue. Um dia antes da desistência, o delegado Paulo César Jardim, tendo visto uma fotografia dos ferimentos, deu uma entrevista aos repórteres Kelly Matos e Pedro Quintana com suas observações preliminares.
Ele repetiu seis vezes que ali não havia uma suástica. Informando que é um “especialista nesta área”, revelou que a cruz gamada do nazismo não tem aquele formato, pois a perna do “S” estava invertida. Segundo Jardim, “o que temos é um símbolo milenar religioso budista, símbolo de amor, paz e harmonia”. (A fotografia está na rede, bem como os 16 minutos do áudio da entrevista.)
Quando lhe perguntaram qual o sentido de uma pessoa marcar a canivete um “símbolo de amor, paz e harmonia” ele respondeu o seguinte: “Quem fez, foi, sei lá (...), Papai Noel, enfim, o que a gente tem é isto”. Categórico, acrescentou: “Não é uma suástica, isso eu afirmo com absoluta convicção”.
O delegado foi didático: “O movimento neonazista, quando ele iniciou, a partir de 1930, ele precisava ser representado por símbolo, um lado esotérico (...). O que é que aquelas pessoas que circundavam Hitler decidiram? Decidiram que buscariam um símbolo que trouxesse confusão e trouxesse harmonia para o povo alemão. Então, o que é que eles pegaram? Pegaram o símbolo budista de paz, amor e fraternidade e inverteram ele”.
Tudo errado. O nazismo (nada a ver com “neo”), bem como a suástica, surgiram em 1920 e ela não chegou à Alemanha pelo caminho da cultura indiana. Até sua apropriação pelo Partido Nacional Socialista, tinha vários significados, inclusive o de trazer sorte. Para Hitler, tratava-se de um símbolo do arianismo e da pureza racial.
Sejam quais forem as circunstâncias do episódio, quando aparece uma pessoa com uma suástica na barriga e um delegado como o doutor Jardim diz o que ele disse, algo de muito ruim está acontecendo.
Paris, 8 de junho de 1942
Hélène Berr tinha um diário. Tinha 21 anos, era judia e rica. Passava os dias na Sorbonne estudando literatura inglesa, tocava violino e estava apaixonada, de bem com a vida. Ela escreveu:
“Hoje é o primeiro dia em que me sinto num feriado. O tempo está glorioso e a chuva de ontem trouxe ar fresco. Os pássaros estão cantando. É também o primeiro dia em que vou usar a estrela amarela. Esses são os dois lados da vida de hoje: juventude, beleza e ar puro, tudo numa só linda manhã; a barbaridade e o mal, representados nesta estrela amarela.”
Enquanto Anne Frank escreveu seu diário no sótão de Amsterdam onde vivia escondida com a família, Hélène vivia o ocaso da paz dos judeus franceses. Deportada para a Alemanha, três meses antes da libertação de Paris, ela morreu em 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen, pouco antes da chegada das tropas inglesas.
Quem marcou a barriga da jovem gaúcha inverteu o traço da suástica, mas sabia o que estava fazendo.