segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Procuradores “queriam a cabeça do Lula, era como o Coliseu”, diz ao DCM empresária citada na Vaza Jato


Rosângela Lyra

Rosângela Lyra tem 49 anos e foi representante da marca de luxo Dior no Brasil por quase 30 anos.

Atualmente, a empresária é presidente da Associação de Lojistas dos Jardins, além de ser conselheira do turismo da França no Brasil. Rosângela também mantém um canal no YouTube chamado Política Viva.


Ela é mencionada em diálogos da série de reportagens da Vaza Jato do site The Intercept Brasil em um texto publicado em parceria com a Agência Pública.

O trecho diz o seguinte:


As mensagens trocadas por Deltan Dallagnol e os fundadores do Instituto Mude – Chega de Corrupção mostram que não foi apenas de Patrícia Coelho que o chefe da força-tarefa se aproximou para conseguir dinheiro para o instituto. Ele captou recursos de vários empresários, além de ter feito palestras para promover a organização (…).

Em outra troca de mensagens, no mesmo grupo, fica claro o interesse de empresários em se aproximarem de Deltan Dallagnol por meio do Instituto Mude. A empresária Rosângela Lyra é ex-sócia da Dior no Brasil. A palestra citada na conversa foi realizada na Casa do Saber, dia 13 de setembro de 2016, em São Paulo.

O diálogo de Deltan com Patrícia Coelho mencionando Rosângela Lyra é de 7 de setembro daquele ano. Em 2015, ela havia organizado uma certa Balada contra Corrupção em que Deltan era a estrela da festa.

O DCM falou com Rosângela:

Diário do Centro do Mundo: Você militou em organizações anticorrupção. Se arrepende desse apoio ou vê com mais crítica o que você fez? 

Rosângela Lyra: Não estou arrependida. De forma alguma. Porque eu sei que, quando eu aceitei fazer parte disso, trabalhar nesse combate contra a corrupção, não era contra um partido. Fiz o que fiz seja através das 10 Medidas Contra a Corrupção ou mesmo pela Lava Jato, que eu criei o adesivo apoiando com ajuda de uma agência de publicidade.

Combati não uma pessoa, mas um sistema que eu não pretendia acabar, o que seria uma utopia, e sim quebrar de alguma forma. Era pra ir contra o mecanismo, que é uma palavra que tá na moda, né?

Fiz isso como cidadã ao ver uma abertura pra isso. Foi assim que fui convidada pra encabeçar as 10 Medidas Contra a Corrupção. O que não foi pra frente.

Fazia parte da nossa história de mobilização e de conscientização participar daquele processo. Era para que o brasileiro tivesse alguma esperança. O brasileiro que assinou a lista de apoio e passou para outras pessoas assinarem fizeram parte disso.

Recebi dois prêmios da Procuradoria-Geral da República, duas placas na época do [Rodrigo] Janot. Fui reconhecida como a brasileira que mais combateu a corrupção.

As revelações da Vaza Jato não comprometem as iniciativas que você apoiou? Você não mudou sua visão sobre o Dallagnol? 

O combate à corrupção, desde o começo, eu entendi que era contra a corrupção em si. Era contra os prejuízos que ela causava, o que tirava na saúde, no saneamento básico. Essa era a minha visão. A corrupção prejudicava justamente quem precisava muito do Estado, dinheiro que estava indo pelo ralo.

Em palestras, ouvi uma estimativa de perdas em R$ 200 milhões. Essa mesma corrupção não estava em Brasília, e sim também nos estados e nos municípios. Não era contra um partido se ela estava presente em todos os lugares.

Acho que as investigações contra a corrupção inclusive não foram mais para trás na história. Não consigo concordar com a frase “o PT é o partido que mais roubou” sem referência ou parâmetro.

Por que você não concorda com essa frase?

Porque a minha luta nunca foi contra uma pessoa e eu nunca celebrei as prisões. Na verdade, é triste isso pra todo mundo. É triste o roubo, o encarceramento e o Estado não fornecer saneamento básico. Melhorou nos últimos anos? Melhorou. Mas ainda está muito ruim, com uma má gestão. A corrupção é sistêmica.

No caso da Vaza Jato, parte das conversas que o Intercept nos trouxe, se você pegar as que estão no meu celular, tem umas besteiras que todo mundo falaria. Parte disso deveria ser relevado. Mas há partes que, no meu entender, mostraram um objetivo de satisfazer a sanha da sociedade.

Não adiantava encarcerar Cunha, Cabral e grandes empresários. Essas pessoas queriam o Lula. Era mais ou menos como o Coliseu e o imperador com dedo voltado para baixo. Queriam a cabeça dele.

Os procuradores estavam pressionados. Nada adiantava pros movimentos de rua, pras redes sociais. “E o Lula?”, era a cobrança.

Você acha que eles naturalizaram essa cobrança?

Não acho. Mas eles tinham que entregar o Lula, caso contrário o trabalho deles não valeria de nada. Lula era a cereja do bolo. Eles foram levados a isso. Não quero isentar nenhum procurador de culpa, mas, se há uma culpa entre eles, essas pessoas foram conduzidas pelas manifestações.

Eles queriam o Lula preso. Tiveram que atender a essa sede de vingança de cidadãos que acham que o PT é responsável por todos os problemas do Brasil.

Como foi a repercussão pra você ao aparecer na reportagem da Vaza Jato do Intercept com a Agência Pública?

Alguns vieram falar assim como: ‘olha aí, tá vendo? Foi fazer isso e agora está sentindo na pele’. Outros vieram me alertar sobre eu ter aparecido e perguntavam o que eu ia fazer. Disse que ia esclarecer o que aconteceu e é isso.

O diálogo que a reportagem mostra é verdadeiro. Não me envolve diretamente. Era uma conversa da Patrícia Fehrmann com o Deltan me citando, falando sobre uma reunião na Casa do Saber em setembro. Podia convidar algumas pessoas e lembro dele participando.

Naquela situação, eu investi meu tempo e meus recursos no movimento MUDE que é muito próximo do Deltan Dallagnol. Levei mesmo uma pessoa na ocasião, mas nenhuma das que estão no texto eu lembro. Nem falei quem eu ia levar.

Era um empresário de nível, nada a ver com o cara da Havan. Um ativista que é longe de ser essa caricatura que parece aquele personagem Charada do Batman.

Você disse que é contra a corrupção de qualquer tipo de agente. Mesmo se as conversas do Intercept foram obtidas de maneira criminosa, a Vaza Jato tem que passar a limpo também a atuação dos procuradores?

Tem uma entrevista do próprio Moro que diz que não interessa a forma, desde de que as coisas venham à tona e a sociedade tome conhecimento. O fato dos diálogos terem sido obtidos de forma ilegal, pra mim, é irrelevante. As informações precisam ser verdadeiras e eu combato fake news diariamente.

Tenho um canal de YouTube chamado Política Viva e sou xingada pelos bolsominions por ser contra as fake news desde 2013.

Apoio a Vaza Jato, considerando que as conversas são reais.

Não me arrependo do restante porque acho que foi um aprendizado nessa caminhada da política. Acho que eles foram muito forçados a acharem soluções impróprias. Tem um diálogo da Vaza Jato que mostra que os procuradores queriam pegar o Lula mas o que tinham não estava bem fundamentado, solidificado, juridicamente.

Abomino esse ódio das pessoas. Falam que o “PT dividiu o país”. PT só mostrou que existia uma divisão e eles [do PT] queriam ajudar quem mais precisava.

Não vejo que eles são responsáveis pela divisão. O que eu mais ouvia era: “legal que as pessoas estão viajando cada vez mais. Mas é legal lá longe”. Ouvi isso e senti nojo no aeroporto. Falavam que “estavam mal vestidos”.

Esse lado não humano de algumas pessoas me assustou.

Arábia Saudita: após ataque preços do petróleo disparam

Preços do petróleo mundial disparam após ataque com drones a instalações sauditas. Cotações alcançaram nível máximo em seis meses, com preço do barril Brent chegando a subir 19%.
Chamas na petrolífera saudita após o ataque. Foto: VIDEOS OBTAINED BY REUTERS / VIDEOS OBTAINED BY REUTERS
O Globo - Por Reuters


SYDNEY - Os preços do petróleo subiram para a cotação mais alta em seis meses, saltando 19% depois que  ataques com drones que atingiram duas instalações de petróleo da Arábia Saudita , cortando 5% do suprimento global de petróleo. O barril do petróleo Brent disparou 19%, atingindo o maior nível desde maio, a US$ 71,95, enquanto outra classe de referência, a West Texas Intermediate, subiu 15%, para US$ 63,34.
A gigante do petróleo Aramco afirmou que o ataque na Arábia Saudita cortou 5,7 milhões de barris da produção diária, e uma fonte informou à Reuters que o retorno à capacidade produtiva total levaria semanas.
Os preços diminuíram um pouco depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que aprovou a liberação da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) dos EUA, se necessário. Com isso, a alta do barril Brent ficou em 11,7% (US$ 67,28) e a de West Texas, 10,5% (US$ 60,60).
Veja: Trump autoriza liberação de petróleo de reservas americanas após ataque a Arábia Saudita
— As notícias de sábado sobre vários ataques de drones às instalações de processamento de petróleo da Arábia Saudita em Abqaiq devem reverberar nos mercados globais esta semana — disse Ray Attrill, chefe de estratégia cambial do National Australia Bank.
Sinalizando um começo fraco para os mercados acionários asiáticos na segunda-feira, os contratos E-Minis para o índice S&P 500 caíram 0,4%, enquanto os do Dow tiveram queda de 0,3%. A liquidez na Ásia deve ficar reduzida nesta segunda-feira, com as Bolsas do Japão fechadas devido a feriado, o que pode agravar a volatilidade do mercado.
Além de grandes interrupções no fornecimento, os ataques também aumentaram as preocupações dos investidores com a situação geopolítica na região e o agravamento das relações entre o Irã e os Estados Unidos. Essas preocupações elevaram os ativos de refúgio — com preços de ouro subindo 1% no comércio asiático para US$ 1.503,09.
O grupo iemenita houthi assumiu a responsabilidade pelo ataque, que atingiu a maior instalação de processamento de petróleo do mundo, mas uma autoridade sênior dos EUA disse a repórteres no domingo que as evidências indicam que o Irã está por trás da agressão.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no domingo que os Estados Unidos estavam "armados e preparados" para uma possível resposta ao ataque às instalações de petróleo sauditas.
As notícias elevaram o iene japonês em 0,2%, para 107,8 por dólar, enquanto o dólar canadense subiu 0,5% em antecipação aos preços mais altos do petróleo.
— Uma pergunta imediata que isso coloca para os mercados de títulos é se um aumento adicional nas expectativas de inflação dos rendimentos (que historicamente se mostram sensíveis aos preços do petróleo) dará um novo impulso à venda acentuada neste mês — acrescentou Attrill.
E ainda: Ataques com drones a central petrolífera saudita podem fazer preço do barril disparar na segunda-feira
No início dos pregões nas Bolsas asiáticas, os contratos futuros de títulos do Tesouro de 10 anos dos EUA subiram 0,2%, indicando que os rendimentos podem cair quando a negociação em dinheiro começar.
Os títulos globais foram vendidos na semana passada com rendimentos mais altos, liderados por uma recuperação mais ampla do risco, na esperança de que os Estados Unidos e a China terminem em breve sua longa guerra comercial. Dados de vendas de varejo nos EUA melhores que o esperado também aumentaram o sentimento.
Os dados chineses para produção industrial, vendas no varejo e investimento em ativos fixos serão divulgados nesta segunda-feira, o que pode ajudar a definir o tom para os mercados esta semana.
Os investidores também aguardam o resultado da reunião de política monetária do Federal Reserve (o banco central dos EUA) na quarta-feira. A expectativa é que o Fed diminua mais as taxas de juros e sinalize seu futuro caminho político.
Reflexos no Brasil
O ataque na Arábia Saudita vai afetar em cheio os principais países produtores. No caso do Brasil, o aumento no preço da commodity vai tornar mais atraentes os leilões do pré-sal, aumentar a arrecadação dos royalties e também encarecer o preço da gasolina e do diesel.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) planeja ofertar ao mercado diversas áreas do pré-sal em dois leilões. Segundo Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a cobiça pelos campos na Bacia de Santos vai aumentar por parte das empresas:
— O pré-sal está longe do Oriente Médio, tornando o investimento mais seguro para as empresas. Os leilões ainda serão beneficiados pelo aumento do preço do petróleo.
O custo do barril, que pode chegar a US$ 80 ainda nesta semana, segundo analistas, vai beneficiar o Rio por conta do aumento dos royalties. Isso deve aumentar a pressão sobre as discussões para alterar a lei de distribuição de royalties no país, o que pode por em risco o volume de recursos para o Rio. A ação deve ser julgada em novembro pelo Supremo Tribunal Federal.
Para Pires, o aumento do petróleo pode elevar o preço da gasolina e do diesel no Brasil.
(Colaborou Bruno Rosa)

Aceno de Deltan a Aras: "Saída honrosa"

Aceno de Deltan a Aras estimula tese de que coordenador da Lava Jato busca "saída honrosa".
(Foto: ABr | Roberto Jayme/ Ascom /TSE)
Folha de S. Paulo  - Painel

Por Daniela Lima

Os acenos de Deltan Dallagnol a Augusto Aras, o escolhido de Jair Bolsonaro para suceder Raquel Dodge na PGR, dividiram opiniões no Ministério Público e alimentaram projeções de que o chefe da força-tarefa da Lava Jato busca uma “saída honrosa” do posto que ocupa hoje. Antes de ser indicado pelo presidente, Aras dizia a interlocutores que, diante dos severos questionamentos à conduta da “República de Curitiba”, o melhor seria Deltan “dar um tempo” e “mudar de ares”.
Há um debate interno sobre o futuro de Dallagnol. O procurador não admite publicamente qualquer mudança, mas vários de seus colegas já dizem que o melhor para ele e para a Lava Jato seria trocar de área de atuação.
Edson Fachin, do STF, pediu informações à 13ª Vara de Curitiba sobre os diálogos travados pelo ex-presidente Lula que não constam dos autos de reclamação da defesa do petista contra o ex-juiz Sergio Moro. A Folha revelou as conversas no domingo (8)

Gilmar pede o fim do “ciclo dos falsos heróis” de Curitiba. Veja



POR FERNANDO BRITO · no Tijolaço

A entrevista de Gilmar Mendes a Tales Faria (UOL) e Taís Arbex (Folha) é, fora de dúvida, o maior sinal de que se formou um cenário fortemente adverso à Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Embora em tom incomumente sereno, as palavras de Mendes são duras e diretas.

Resumo:

Moro e Deltan Dallagnol – As pessoas percebem que esse promotor não está atuando de maneira devida. Esse juiz não está atuando de maneira devida.(…)isso é errado, que essas pessoas estavam usando as funções para outra coisa. Isso ficou cada vez mais evidente.

A República de Curitiba – Quando se diz que não se pode contrariar a Lava Jato, que não se pode contrariar o espírito da Lava Jato —e muitos de vocês na mídia dão um eco a isso—, nós estamos dizendo que há um poder soberano. Onde? Em Curitiba.(…) Aprendemos, vendo esse submundo, o que eles faziam: delações submetidas a contingência, ironizavam as pessoas, perseguiram os familiares para obter o resultado em relação ao investigado. Vamos imaginar que essa gente estivesse no Executivo. O que eles fariam? Certamente fechariam o Congresso, fechariam o Supremo.

Popularidade de Moro – Se um tribunal passar a considerar esse fator, ele que tem que fechar, porque ele perde o seu grau de legitimidade. (…) Do contrário, a nossa missão falece. Se é para sermos assim legitimados, entregamos, na verdade, a função ao Ibope.

Cumplicidade do STF e da mídia – Beberam tanto que se embriagaram, com poder e com bebida, talvez. Nós fomos co-responsáveis por isso. Eu, numa sessão, já disse que nós fomos cúmplices, mas de alguma forma a mídia coonestou tudo isso. (…) Vamos encerrar o ciclo de falsos heróis. (…) O Dr. Janot tinha 11 repórteres e seu gabinete para vazar (…) O Janot vazava sistematicamente e com isso construiu uma auréola indevida. Ele foi santificado.

Crimes de Moro – Isso tem de ser verificado. Agora, de fato, o conúbio entre juiz, promotor, delegado, gente de Receita Federal é um conúbio espúrio (…)

Delações e prisões – Eu sempre disse que nós tínhamos um encontro com as “prisões alongadas de Curitiba. Agora se provou que eles estavam usando as prisões alongadas de maneira indevida, como elemento de tortura: “vamos deixá-lo preso para que ele de fato fale e fale o que queremos que ele fale e delate quem nós queremos que ele delate”.

Selecionei a parte que julguei mais significativa da entrevista, que reproduzo abaixo, enquanto a íntegra pode ser acessada aqui.

Ruralistas integram subcomissão de liberação de agrotóxicos

Subcomissão que debate liberação de agrotóxicos é formada por ruralistas. Dos onze parlamentares que integram o grupo, nove são da frente agropecuária.
Foto/fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária
Folha de S. Paulo - Por Mônica Bergamo

A subcomissão criada na Câmara para debater os registros e liberação de produtos agrotóxicos é quase inteira formada por deputados da bancada ruralista. Dos onze parlamentares que integram o grupo, nove são da frente agropecuária.
Um deles é presidente do grupo, deputado José Mário Schreiner (DEM-GO). Ele afirma que a subcomissão promoverá “uma discussão equilibrada” sobre o tema. Deputados da oposição avaliam que a predominância de ruralistas vai gerar pressão por maior liberação de agrotóxicos.
“O debate ideológico prejudica a chegada de produtos mais modernos e menos agressivos”, afirma Schreiner, que não gosta da palavra “agrotóxicos”. Ele se refere a esses produtos como “remédio para plantas”

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

O dilema do decano: vai soltar Lula?

Do Blog Os Divergentes: Helena Chagas
Ministro Celso de Mello

O decano Celso de Mello é hoje, sem dúvidas, a voz mais respeitável – e respeitada – do Supremo Tribunal Federal. No momento em que o presidente da República parece querer interferir em órgãos de controle e instituições como o Ministério Público, tentando nomear um PGR à sua imagem e semelhança, as palavras de Mello ontem, na sessão de despedida de Raquel Dodge no STF, botaram os pingos nos “ïs”: “O Ministério Públicos não serve a governos, a pessoas, a grupos ideológicos”.
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Celso de Mello tem tido papel importante nesses tempos de retrocesso. Semana passada, diante da ridícula censura a livros na Bienal do Rio – atos arbitrários na área dos costumes parecem ter virado moda entre governantes conservadores -, o decano do STF também não se calou e defendeu a liberdade de expressão.

Apesar de tudo, ou talvez com tudo isso, o decano Celso de Mello parece não ter se animado ainda a tomar a decisão mais importante que hoje tem nas mãos: o voto no habeas corpus pedido pela defesa do ex-presidente Lula sob o argumento de parcialidade do ex-juiz Sergio Moro em seu julgamento.

O caso teve seu julgamento interrompido pelo recesso na Segunda Turma do STF, dividida entre dois para lá (Edson Fachin e Cármen Lúcia) e dois para cá (Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski). No retorno das férias, o voto decisivo do decano foi adiado por sua ausência em razão de uma pneumonia.

Mello, porém, já retornou há dias, parece saudável e forte na defesa da democracia e de suas instituições. A pergunta que não quer calar agora é quando enfrentará o habeas corpus de Lula

Raquel Dodge merece o Troféu Barrichello

Bernardo Mello Franco, em O Globo

Raquel Dodge não conquistou a sonhada recondução, mas merece o Troféu Rubinho Barrichello. A cinco dias de deixar o cargo, a procuradora-geral da República descobriu que a democracia brasileira corre riscos. Chegou atrasada, como costumava acontecer com o antigo piloto da Fórmula 1.

Em sua última sessão no Supremo, Dodge denunciou o avanço do autoritarismo no país. Ela pediu que os ministros “permaneçam atentos a todos os sinais de pressão sobre a democracia liberal”.

A procuradora traçou um cenário sombrio para o futuro das liberdades civis. “Se o esforço do século XX foi o de erguer a democracia liberal brasileira, o esforço do século XXI é o de impedir que ela morra”, afirmou.

Ela também alertou contra o surgimento de “vozes contrárias ao cumprimento das leis”. Em outra passagem, disse ter mandado plantar um jardim de camélias “como símbolo contra a opressão”.

“Quero lhes fazer um pedido muito especial. Protejam a democracia brasileira, tão arduamente erguida”, encerrou, depois de um punhado de autoelogios.

A procuradora tem razão ao apontar riscos à Constituição e à independência do Ministério Público. A questão é saber por que ela demorou tanto a notá-los.

Enquanto acreditou que poderia ser reconduzida, Dodge flertou abertamente com o grupo que está no poder. Quando Jair Bolsonaro ameaçou “fuzilar a petralhada”, ainda na campanha eleitoral, ela se recusou a denunciá-lo por injúria. Alegou que a incitação à violência não continha “referência a pessoas”.

Em janeiro, a procuradora festejou o início de “um mandato de mudanças”, que renovaria “a esperança dos brasileiros”. Nos meses seguintes, segurou investigações que envolviam o presidente e virou figurinha fácil em solenidades no Planalto.

Ontem, Dodge afirmou que a democracia depende do sistema de freios e contrapesos. Faltou dizer que ajudou a miná-lo em benefício próprio. Na luta pela recondução, ela legitimou a escolha de um procurador-geral fora da lista tríplice e barganhou apoio com políticos que deveria investigar

ACM Neto: cobrado a punir deputado acusado de golpes

Presidente do DEM, ACM Neto (Foto: Fatima 247)
Folha de S. Paulo - Painel
Por Daniela Lima

Supostas vítimas do deputado Luis Miranda (DEM-DF) descobriram e compartilharam o telefone do presidente do DEM, ACM Neto. Deste então, ele tem recebido cobranças para punir o parlamentar na sigla. Miranda é acusado de praticar golpes no Brasil e nos EUA.
Enquanto isso, ACM Neto, que é prefeito de Salvador, diz que vai analisar a decisão da Câmara Municipal de proibir blocos de Carnaval na quarta-feira de Cinzas, mas adianta que, apesar de ser católico praticante, vai desconsiderar o argumento de que a festança contraria a religiosidade

Alas da Receita Federal seguem em guerra


Alas da Receita entram em choque, e servidores fazem acusações de desvios a órgãos de controle.
O agora ex-secretário especial da Receita, Marcos Cintra. (Wilson Dias/Agência Brasil)
Folha de S. Paulo - Painel
Por Daniela Lima


Apenas o começo do fim A queda de Marcos Cintra está longe de estancar a crise na Receita. Nos últimos dias, quando a permanência do agora ex-secretário da área já estava ameaçada, uma série de denúncias com relatos detalhados de desvios de integrantes do fisco foi encaminhada a órgãos de controle. Há queixas anônimas e outras nas quais o autor se identifica e oferece colaboração. Ministros e investigadores que acessaram os documentos viram neles um sinal de que diversas alas da entidade seguem em guerra.
Membros do Supremo foram informados oficiosamente dos relatos de desvios na Receita. Motivo: um dos fatores que agravou a crise no órgão foi a descoberta de que integrantes do STF e seus parentes tiveram as contas devassadas por auditores.
Antes de perder o cargo, Cintra enviou ofício ao Tribunal de Contas da União no qual se comprometia a entregar à corte os nomes dos auditores que acessaram, com ou sem justificativa formal, dados de autoridades públicas nos últimos cinco anos

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Mais um gasto: STJ autoriza ampliar números de desembargadores


Superior Tribunal de Justiça (STJ) autoriza projeto de ampliação do número de desembargadores no Brasil.
Foto: Agência Brasil
O Globo - Por Ancelmo Gois

O STJ deu parecer favorável, hoje, a proposta de projeto de lei para ampliar em 50% o número de desembargadores federais no país. 
O TRF-Rio, apesar de ter declinado da proposta para ampliação, receberá oito vagas. 
Veja só. O TRF-6, em Minas Gerais, por exemplo, pediu e levou 18 novos desembargadores.
A conta vai para a... viúva. Dinheiro meu, seu e nosso. Com todo o respeito. 

“Com uma margem de voto pequena” Doriel Barros vence Marília Arraes nas eleições internas do PT.

Do Blog Agreste Mix

“Com 100% das urnas apuradas” Doriel Barros vence Marília Arraes nas eleições internas do PT em Pernambuco

No último domingo, 08, em mais uma edição do Processo de Eleição Direta (PED) do Partido dos Trabalhadores, filiados e filiadas elegeram os presidentes dos diretórios municipais e zonais, a composição dos diretórios municipais e zonais, além de delegações aos Congressos Estaduais e ao Congresso Nacional do PT – Lula Livre.

O PED foi realizado em 109 municípios e reuniu 21 183 eleitores/as. 

Em Pernambuco disputou 06 chapas das 06 tendências, o deputado estadual Doriel Barros, venceu em todas, porem todas as tendências tem cadeiras no diretório estadual. Nesta disputa quem surpreendeu foi à Deputada Federal Marília Arraes que ficou quase empate com Doriel Barros, com isso terá um numero de cadeira grande no diretório estadual.

Já Doriel fica com com 67% das cadeira somadas das chapas de Oscar 4560 e da chapa de Osmar 490.


Segundo informações, esse resultado divulgado pela Sorg no grupo do COE, esta definido.




FINALIZAÇÃO PED 2019- Estadual PE
(oficial) 100% das urnas apuradas

Total de votos 19.625

•Chapa 480
7.217 VOTOS (36,77%)
Doriel Humberto , Veras

•Chapa 430
5.716 VOTOS (29,12%
*Glaucus Teresa Marília*

•Chapa 490
3.827 VOTOS (19,50%)
Oscar

•Chapa 450
1.865 VOTOS (9,50%)
Osmar

•Chapa 410
692 VOTOS (3,53%)
Fernando Ferro e professor Edmilson ( trabalho )

•Chapa 400
308 VOTOS (1,57%)
Zé de oliveira

As vísceras do crime de Moro e Dallagnol



Por Renato Rovai, em seu blog:

Jornalistas sérios que cobrem Brasília e mantém ao menos meia dúzia de fontes para checar suas análises ou reportagens sabiam que Lula nunca quis ser ministro de Dilma. Sabiam também que só aceitou quando viu a lama do impeachment já no terceiro andar do Palácio do Planalto e que percebeu que ou entrava no jogo ou ele se decidiria contra o governo.

Lula vivenciou uma romaria de pedidos para que aceitasse o cargo de ministro da Casa Civil. A quase todos que iam procurá-lo dizia que Dilma é quem tinha que fazer os movimentos que ele poderia fazer se fosse ao ministério. Que não adiantava nada ele assumir o cargo se a presidenta não aceitasse recompor a relação, entre outros, com Temer e Eduardo Cunha. Que se aceitasse o cargo e a missão, iriam achar que ele estava fugindo da Lava Jato. E ainda brincava, dizendo que aqueles que o indicavam para ser chefiado por Dilma já não queriam mais ser chefiados por ela. Porque entre muitos que lhe pediam isso estavam ex-ministros da petista.


Hoje, a farsa que foi montada para provar exatamente o contrário ficou comprada nos vazamentos do The Intercept. Moro, Dallagnol e outros da quadrilha que montaram o golpe usando aparelhos do Estado estão desmascarados. Ele esconderam 22 conversas de Lula com diferentes atores políticos, Temer incluído, e divulgaram apenas um áudio. Um dos grampos ilegais.

Foi este grampo ilegal de uma conversa com Dilma e Lula, que não comprovava nada do que os agentes públicos da quadrilha faziam crer, que foi parar no Jornal Nacional da Globo. Foi com base neste grampo ilegal que o arrependido Gilmar Mendes impediu que Lula fosse nomeado ministro de Dilma. Foi este áudio que foi usado pelos quadrilheiros da Lava Jato para colocar gente na rua pedindo o impeachment.

A história como sempre faz o trabalho de ir deixando algumas coisas mais claras. Hoje, os familiares daqueles que defendiam a escravidão nas páginas de jornais não querem ter seus nomes associados a eles. Amanhã, o mesmo acontecerá com esta escumalha capitaneada por Moro e Dallagnol.

Mas a pergunta que fica é bem objetiva. Esses agentes que ainda continuam a operar por dentro do Estado para prender uns e soltar outros, para favorecer candidatos que depois os levam para cargos públicos, como o de ministro da Justiça, não vão ser punidos? Continuarão a desfilar suas arrogâncias, prepotências e crimes como troféus? Continuarão a fazer tudo que fizeram contra outras pessoas que os desafiam e os enfrentam? Vão continuar impunes e cometendo crimes?

O vazamento de hoje fecha uma história. Ele mostra que Dilma foi vítima de um golpe arquitetado por uma quadrilha que operava em aparelhos do Estado. Mostra que a trama para prender Lula foi articulada por esses mesmos agentes. Que eles não investigavam para chegar a um cenário real, mas para conseguir qualquer coisa que pudessem amarrar numa história fictícia.

Este crime não prescreveu. Ele mantém Lula na prisão e tornou Bolsonaro presidente e Moro ministro da Justiça. Este crime transformou Dallagnol num riquinho palestrante. E fez com que muita gente se tornasse deputado e senador. Além de governador, como Doria e Witzel.

Este crime mudou o Brasil de forma acachapante. E para pior. Este crime está demolindo a democracia. Ou os criminosos que o cometeram são punidos e se faz justiça por dentro da democracia ou o Brasil se tornará um imenso Bacurau. Entendedores, entenderão.

Mais vereadores em Garanhuns

Do Blog de Magno Martins
Foi aprovado, por unanimidade, em primeira discussão, hoje, o aumento no número de vereadores de Garanhuns, dos atuais 13 para 17 parlamentares. Uma nova votação deve ocorrer em até 10 dias, de acordo com o regimento da Câmara Municipal, mas o resultado decidido hoje não deve ser alterado, já que 12 dos 13 vereadores votaram a favor. (Ary não compareceu à sessão desta quarta). Não foi marcada ainda a data da segunda votação. 
A ideia inicial era votar a Proposta de Emenda à Lei Orgânica Municipal 001/2019, de autoria do vereador Alcindo Correia, que alterava a quantidade de vereadores do município de Garanhuns de 13 para 15. Entretanto, o vereador Marinho da Estiva havia apresentado uma emenda a proposta de Alcindo, alterando de 15 para 17 parlamentares a partir da próxima legislatura, que tem início em 2021. 
Como essa modificação foi aprovada por unanimidade, a proposta dos 15 vereadores nem chegou a ser votada.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Lava Jato mandou agentes truculentos e com metralhadoras em casa com criança de 7 ano



247 - Em ato de desprezo pelo Estado Democrático de Direito, a Lava Jato colocou uma criança de 7 anos sob a mira de metralhadoras ao invadir a casa de sua mãe em maio de 2018. O objetivo era obrigar o avô da criança o empresário luso-brasileiro Raul Schmidt, a entregar-se. Segundo revelação do Intercept, os policiais federais que invadiram a casa exigiram "aos berros", com metralhadoras, que ela revelasse o paradeiro de seu pai, para "evitar dor de cabeça para seu filho'

A operação aconteceu no Rio de Janeiro, em 24 de maio do ano passado, Quatro dias depois em pedido de habeas corpus ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, os advogados de Nathalie Angerami Priante Schmidt Felippe informaram que "três agentes da Polícia Federal portando metralhadora ingressaram na residência da paciente de forma truculenta, exigindo, aos berros, que ela revelasse o atual paradeiro do seu genitor, sob ameaça de 'evitar dor de cabeça para seu filho'", referindo-se à criança dela, um menino então com sete anos.


"O MPF apelou a Moro mirando na filha do investigado: queria que o passaporte de Nathalie fosse cassado e que ela fosse proibida de sair do Brasil. O plano era forçá-lo a se entregar para evitar mais pressão sobre a filha", diz a matéria. 

Posteriormente, Moro reconheceu: "não havia comprovação suficiente de culpa e que o nome dela era inédito nas investigações até ali", disse ele (veja mais aqui).

Aliados de Moro garantem: ele será chutado para fora por Bolsonaro

(Foto: Reuters | ABr)

247 - O porta-voz de Sérgio Moro no universo das mídias digitais, pertecente a um grupo financeiro, o site Antagonista, usou uma expressão forte para falar sobre o destino do ministro da Justiça: "A campanha bolsonarista para trocar o diretor-geral da PF vai acabar chutando Sergio Moro para fora do governo". 

A frase marca também o distanciamento cada vez maior do "morismo" em relação ao chefe do ministro. Os editores do site O Antagonista colocam-se como fora do universo do bolsonarismo, que sempre integraram. O tema é a quase certa substituição do atual diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, homem de Moro, por um áulico de Bolsonaro, o delegado Anderson Gustavo Torres,

A eventual nomeação de Torres seria a transformação definitiva da PF num braço político-policial do governo Bolsonaro. O currículo do candidato do clã é pífio, sem quase nenhuma experiência como quadro da instituição. Ele passou metade de sua carreira, 8 anos, entre 2010 e 2018, como chefe de gabinete do deputado federal e também delegado da PF Fernando Francischini (PSL), um dos bolsonaristas mais extremados do país. 

Atualmente, Anderson Torres é secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. Foi nomeado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) não por sua competência como policial, mas exatamente graças à sua proximidade com os Bolsonaro, pois o Tesouro Nacional é co-responsável pelo sistema de segurança da Capital. "O relacionamento entre o Distrito Federal e o governo federal precisa ser muito próximo", disse o delegado numa entrevista ao Correio Braziliense, em julho. "Somos quase que misturados aqui no nosso quadradinho."

Eriberto assume governo e Simone Santana a Alepe

Do Blog de Magno Martins
Com viagem marcada para Portugal, hoje, a governadora em exercício, Luciana Santos (PCdoB), transmite o Governo de Pernambuco, às 17h, para o presidente da Assembleia Legislativa, Eriberto Medeiros (PP). Em consequência, a deputada Simone Santana (PSB), que ocupa a primeira vice-presidência da Alepe, assumirá o comando da Casa de Joaquim Nabuco. Será a primeira mulher a presidir o legislativo estadual.

Em 184 anos de história, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) terá sua primeira presidente mulher. Simone Santana fica no cargo até domingo. Neste mesmo período, o governador Paulo Câmara e a vice-governadora Luciana Santos estarão em viagem ao exterior.
O marco histórico acontece em momento importante para a representatividade feminina na Alepe, que conta com a maior bancada de deputadas de sua história. Nesta legislatura, dez dos 49 mandatos são protagonizados por mulheres, entre eles, a chamada “mandata” coletiva composta por cinco co-deputadas.

Carlos Bolsonaro disse o que o pai pensa

POR BERNARDO MELLO FRANCO


Jair Bolsonaro e o filho Carlos no desfile de 7 de setembro | Jorge William/07.09.2019
O novo surto de Carlos Bolsonaro espelha as ideias autoritárias do pai. Jair foi eleito nas urnas, mas nunca escondeu o desprezo pela democracia. Em oito mandatos na Câmara, notabilizou-se por exaltar a ditadura, enaltecer torturadores e desdenhar a participação popular na política.

“Através do voto, você não vai mudar nada neste país. Nada, absolutamente nada”, declarou, em 1999. Na mesma entrevista, ele defendeu o fuzilamento do presidente Fernando Henrique Cardoso, pregou o fechamento do Congresso e explicou o que faria se chegasse ao poder: “Daria golpe no mesmo dia. Não funciona”.


Na campanha presidencial, Bolsonaro deixou claro que suas convicções não mudaram. Ele ensaiou contestar a apuração dos votos em caso de derrota, insuflou seguidores contra a imprensa e afirmou que os rivais teriam que escolher entre a cadeia e o exílio. Em outro momento, ameaçou submeter o Supremo Tribunal Federal com a nomeação de dez ministros biônicos. O filho Eduardo foi mais direto: disse que só precisaria de “um soldado e um cabo” para fechar a Corte.

Ao vestir a faixa, Bolsonaro prometeu cumprir a Constituição, mas continuou a fazer a apologia do autoritarismo. Na semana passada, ele aproveitou uma solenidade para dizer que a ditadura foi “nota dez”. Um dia depois, expôs o país a novo vexame com elogios ao general Augusto Pinochet.

O exercício do poder ensinou ao capitão que a pregação golpista tem outra utilidade. Além de mobilizar eleitores radicais, ela serve para mascarar fracassos administrativos. Quando não consegue aprovar projetos, Bolsonaro ataca o Congresso e culpa a “velha política”. Quando vê sua popularidade cair, ofende os críticos e inventa inimigos externos.

O vereador Carlos recorreu à mesma fórmula em seu tuíte contra as “vias democráticas”. Ao escrever que “a transformação que o Brasil quer” não acontecerá pelo caminho institucional, o Zero Dois justificou a paralisia do governo e municiou os extremistas que o apoiam cegamente.
Carluxo tem a quem puxar.

“Miserê” de R$ 24 mil, líquidos. Maria Antonieta é do Brasil



Do Tijolaço

Volta e meia aparece um cara de pau como o promotor mineiro Leonardo Azeredo dos Santos, que ganhou as redes ontem com o áudio em que se diz “no miserê” por estar ganhando “apenas” R$ 24 mil líquidos mensais – bem mais, segundo o Estado de Minas, que levantou que, em indenizações, ganhou R$ uma média de R$ 68 mil por mês.

Não é novidade que a casta dos altos funcionários se sinta assim.

Todos se recordam de que , há pouco tempo, o general Augusto Heleno disse que tinha “vergonha” dos R$ 19 mil líquidos que recebia como general. Devia sentir vergonha de ter ganho os tubos (R$ 59 mil/mês) no Comitê Olímpico Brasileiro, durante seis anos, saindo apenas quando seu patrono Carlos Alberto Nuzman se envolveu na Lava Jato.

Heleno e Azeredo, ambos remunerados com dinheiro público, estão no topo da pirâmide de renda no Brasil, fazendo parte do 1% mais rico da população, com renda familiar perto de R$ 20 mil mensais, enquanto dois terços vivem com menos de R$ 3 mil de rendimento na família.

E são dois exemplos do quanto se tornou insensível a elite brasileira, que para os pobres só “receita” balas e filas.

A noção de nação da classe média-alta no Brasil não vai além das camisetas da CBF.

Mundo político critica nova CPMF

Congresso, governadores e prefeitos criticam a nova CPMF.
O secretário especial da Receita, Marcos Cintra. (Wilson Dias/Agência Brasil)
Folha de S. Paulo - Perfil
Por Daniela Lima

Os sinais de que uma proposta de recriação de imposto nos moldes da extinta CPMF vai enfrentar forte resistência em diversos setores se avolumaram nesta semana. Líderes do centrão avaliam que não há clima para, depois de o próprio Bolsonaro ter criticado a medida, eles apoiarem publicamente a nova taxa.
O governador do DF, Ibaneis Rocha, que coordena o fórum de governadores, também é contra a proposta. A Frente Nacional dos Prefeitos, por sua vez, afirma que uma nova CPMF prejudicaria os mais pobres.
O prefeito de Campinas, Jonas Donizette, que preside a FNP, avalia que, ao recriar o tributo, o governo deixaria de promover a simplificação tributária. Ele também indaga se os recursos arrecadados serão divididos com estados e municípios.

Brasil: um dos recordistas mundiais de assassinato

Boa notícia
Por Carlos Brickmann

O Brasil continua sendo um dos recordistas mundiais de assassínio, mas melhorou um pouco: pela primeira vez em três anos, caiu o número de pessoas assassinadas. Em 2018, houve menos assassínios que em 2014.
Não é uma grande redução, mas é uma redução: houve 57.341 pessoas assassinadas. Mas o número de mortos pela Polícia alcançou o recorde de 6.220. Não se sabe se um número deriva do outro. Está aí um bom tema para debates: quando a Polícia mata mais, o número total de assassínios se reduz? Ou, o que também é possível, um número não tem nada a ver com o outro?