domingo, 20 de maio de 2018

MP pedirá ao Senado dados sobre emendas de Jarbas


O deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) (Foto: Antonio Augusto / Câmara dos Deputados) 
Época - Coluna Expresso - Por Murilo Ramos


O Ministério Público Federal pedirá ao Senado informações sobre emendas parlamentares do deputado federal e ex-senador Jarbas Vasconcelos (MDB-PE) relativas aos anos 2009, 2010 e 2011. A solicitação faz parte de procedimentos de inquérito aberto para apurar se houve irregularidades em repasses da Odebrecht para o parlamentar. 
A investigação decorre de delações premiadas de ex-executivos da empreiteira. Entre os delatores está João Antônio Pacífico Ferreira, que terá de depor no inquérito.  Vasconcelos já negou ter recebido qualquer doação ilegal ou propina. 

Dirceu: firme na intenção de jamais fazer delação

Foto/ Brasil247
Folha de S. Paulo - Mônica Bergamo


O ex-ministro José Dirceu segue firme na intenção de jamais aderir a um acordo de delação, apesar da perspectiva de talvez nunca mais sair da prisão.
VITROLA
Figura central do PT, ele diz que “nem em música” considerou algum dia a hipótese de fazer colaboração premiada. “Nem em samba-canção”, afirma. “No Exército Vermelho [da antiga União Soviética] tinha um ditado: para ser covarde, é preciso ter coragem. Porque os traidores eram sumariamente eliminados pelo comissário político na frente de batalha.”
TORMENTOS
“Eu fui formado numa geração em que a delação é a perda da condição humana. A maioria [das pessoas presas na ditadura] não delatou nem mesmo sob torturas que as destruíam psicologicamente, fisicamente. Muitas ficaram com sequelas e carregam até hoje aqueles tormentos, como é o caso da própria [ex] presidente Dilma, segue ele.
Antes de ser preso, o ex-ministro terminou de escrever uma biografia, que será lançada pela Geração Editorial.
LÁGRIMAS

Apesar das mensagens enviadas na quinta (17) a grupos de WhatsApp em que aparentava firmeza e força, Dirceu chegou a chorar em conversas com alguns amigos antes de ser preso.

ENDEREÇO
O petista pensava, num primeiro momento, em tentar cumprir a pena no Complexo Médico Penalno Paraná, para onde esperava que Lula fosse transferido. A decisão do ex-presidente de permanecer onde está fez com que Dirceu preferisse ficar em Brasília.

O IBGE desmentiu o presidente Temer

Ficções presidenciais
Nunca houve tantos brasileiros em desalento
Bernardo Mello Franco – O Globo

Há duas semanas, Michel Temer sustentou que a alta no desemprego seria uma notícia... positiva. “É um dado positivo que revela esse suposto desemprego”, disse o presidente à CBN. “Quando a economia melhora, as pessoas que estavam desalentadas e não procuravam emprego começam a procurar emprego”, prosseguiu.
“Como não há emprego para todos, isso eu reconheço, ele não consegue o emprego”, continuou Temer. “Ele entra, ou reentra, na área dos desempregados. Mas é interessante, eu volto a dizer. É um fato positivo”, assegurou.
“Mas é um positivo entre aspas, não é, presidente?”, questionou o âncora Roberto Nonato, numa tentativa de trazer o entrevistado ao mundo real. “Não, é fora das aspas”, ele respondeu.
Na quinta-feira, o IBGE mostrou que a conversa do presidente era fiada. O instituto informou que o número de desalentados está longe de diminuir. Ao contrário: aumentou para 4,6 milhões, o maior de toda a série histórica. A categoria reúne os brasileiros que, abatidos pela crise, desistiram de procurar trabalho.
No primeiro trimestre de 2016, às vésperas do impeachment, o país contava 2,8 milhões de desalentados. Isso significa que o exército de pessoas sem esperança de se realocar cresceu 64% desde que Temer vestiu a faixa. O número de desempregados também subiu neste período: de 11,1 milhões para 13,7 milhões. Um salto de 23% em dois anos de governo.
A subutilização da força de trabalho também atingiu nível recorde. O índice acaba de bater em 24,7%, o maior desde o início da PNAD Contínua, em 2012. Hoje falta trabalho para 27,7 milhões de brasileiros, somando desempregados, subocupados e desalentados.
Entre os fatos e a propaganda, Temer continua a escolher a propaganda. No dia 4, em palestra numa faculdade de São Paulo, ele disse que o número de desempregados estaria “começando a cair”. Era mentira, porque o índice só cresceu nos últimos três trimestres.
“Quando nós assumimos, estava em torno de 14 milhões e meio de desempregados”, acrescentou o presidente, em outra aventura pelo terreno da ficção. Superfaturou a conta em 3,4 milhões de pessoas, o equivalente a duas vezes a população do Recife.

sábado, 19 de maio de 2018

Destroços do Brasil

Ricardo Miranda – Blog Os Divergentes
“Há, no Brasil, uma epidemia de desalento. Ela contaminou até a força de trabalho e minou a disposição para procurar um emprego entre aqueles que estão desempregados e mesmo entre os que jamais trabalharam. O país vem sendo destruído e retalhado nesses 2 últimos anos em que regressamos 20 casas para trás. E o mais grave: não parou de piorar. Ainda há degraus a descer”.
Luís Costa Pinto, jornalista e sócio gerente na empresa Ideias, Fatos e Texto

Bom dia, Brasil da Ponte para o Futuro. Lamento dizer que a ponte ruiu, as eleições estão chegando e muita gente acha que a solução é o Bolsonaro. Que tenhamos melhor sorte depois dos últimos dois anos de morceguismo. Michel Temer, que acredita ser a ressurreição de JK, continua vivendo no mundinho de cristal de Elsinho Mouco. Ele usou os dados do Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados de abril para, em um discurso na CNI, reforçar que o país deixou a recessão. “Hoje, me informam que em abril tivemos a criação de 115 mil postos de trabalho”, disse Temer, citando números do chamado Caged. O Valor Econômico mostrou nesta sexta que um certo IBGE, que tem outra metodologia e leva em conta também postos informais e por conta própria, mostra que o desemprego subiu 1,3 ponto percentual desde o último trimestre do ano passado, até atingir 13,1% no primeiro trimestre de 2018.
Pior. O país tem 27,7 milhões de trabalhadores subutilizados no primeiro trimestre deste ano, 1,2 milhão a mais do que nos três meses imediatamente anteriores. Trata-se do maior contingente da série da pesquisa, iniciada em 2012. A taxa de subutilização subiu assim de 23,6% para 24,7% no período. O conceito de subutilização – também conhecido como desemprego ampliado – abrange trabalhadores desempregados, subocupados por insuficiente de horas (trabalham menos de 40 horas semanais, mas gostariam de trabalhar mais) e pela força de trabalho potencial (pessoas que não buscam emprego, mas estão disponíveis para trabalhar).
Segundo os dados mais recentes do IBGE, o Brasil tem 48,5 milhões de pessoas com idade entre 15 e 29 anos, mas 11,1 milhões delas não trabalham e também não estão matriculadas em uma escola, faculdade, curso técnico de nível médio ou de qualificação profissional. Entendeu o cenário?

Governadores do Nordeste: pau em Temer, aceno a Ciro

Divulgam carta com críticas a Temer
Grupo se reuniu e discutiu frente de esquerda em torno da candidatura de Ciro Gomes
Sergio Roxo – O Globo

Reunidos no Recife, os governadores de seis estados do Nordeste (Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia) e de Minas divulgaram nesta sexta-feira uma carta com duras críticas ao governo do presidente Michel Temer (MDB) em alinhamento com o discurso adotado por candidatos de oposição na disputa pelo Palácio do Planalto, como Ciro Gomes (PDT).
A pauta oficial do encontro era a privatização da Eletrobras e as questões federativas que atingem a região, mas as discussões políticas sobre o posicionamento de legendadas como PT e PSB, tanto na disputa presidencial como nas corridas estaduais, fizeram parte das conversas entre os governadores. Pelo menos três dos presentes já defenderam publicamente a necessidade de uma frente de esquerda na eleição para a Presidência da República.
O anfitrião Paulo Câmara (PSB) é favorável a que Ciro encabece a chapa. Nesta semana, o governo petista do Ceará, Camilo Santana, disse, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, não acreditar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde 7 de abril em Curitiba, poderá ser candidato em outubro. Segundo ele, com esse cenário, o melhor caminho para o PT seria apoiar Ciro e indicar o vice.
Após a divulgação da declaração de Camilo, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), convocou uma reunião com os cinco governadores da legenda para a próxima semana em Brasília. Manifestações em defesa de um plano alternativo a Lula na disputa presidencial têm sido duramente atacadas por dirigentes petistas nas últimas semanas.
O partido vem reiterando que registrará a candidatura do ex-presidente no dia 15 de agosto, mesmo com a sua condenação em segunda instância no caso do tríplex do Guarujá, o que o enquadra na Lei da Ficha Limpa. No plano dos petistas, enquanto a Justiça Eleitoral julga a impugnação, o que duraria pelo menos um mês, Lula apareceria no horário eleitoral e seria apresentado ao país como candidato, mesmo que continue preso até lá.
Na véspera da reunião desta sexta-feira, Paulo Câmara convidou quatro governadores petistas para jantar. Além das discussões sobre a eleição presidencial, o pernambucano também tratou da disputa local. Ele tenta fazer com que o PT retire a pré-candidatura de Marília Arraes.
Um acordo em Pernambuco pode servir como contrapartida para que o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda (PSB) também saia da disputa pelo governo de Minas, facilitando o caminho para o atual governador Fernando Pimentel, um dos presentes ao jantar em Recife, na sua tentativa de se reeleger.
A cúpula do PT tenta vincular uma aliança com o PSB em Pernambuco a um apoio do partido à candidatura de Lula. Mas os socialistas descartam essa hipótese. No momento, trabalham para acertar as alianças estaduais e empurram a decisão sobre a disputa presidencial para o mês que vem.
Além de quatro governadores petistas, o encontro teve também dois representantes do PSB (Câmara e Ricardo Coutinho, da Paraíba) e um governador de um partido da base aliada do governo federal, Robinson Faria, do PSD.
O governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), chegou a ir a Recife para uma conversa prévia realizada pelos colegas, mas deixou o estado antes da reunião formal que aprovou a carta. Os representantes do Nordeste disseram que a região é que a mais tem sofrido com a crise.
Na texto divulgado hoje, os governadores chegaram a dizer que uma medida da gestão Temer tem “espírito antirrepublicano”. As mudanças na metodologia do governo para conceder crédito aos estados causou desconforto entre os representantes dos estados. “Esse fato — aliado à declaração do ministro da Secretaria de Governo de que a concessão dos financiamentos ficaria limitada, tão somente aos aliados do governo central — denota o espírito antirrepublicano e afronta o princípio do equilíbrio federativo", diz a carta de Recife.
Em outro ponto, os governadores atacam o desemprego: “O Nordeste concentra o maior contingente dos 13,7 milhões de desempregados brasileiros, aliando-se a isso, o severo corte em programas sociais — notadamente o Bolsa Família — o que fez aumentar a desigualdade”.
A gestão Temer também é acusada de não ter sensibilidade social ao realizar os ajustes. “Não podemos aceitar que a insensibilidade social leve a grande parcela dos mais pobres pagar a conta do necessário ajuste das contas públicas.”
A proposta de privatização da Eletrobras foi outro ponto duramente atacado pelos governadores nordestinos. “Preocupa-nos, sobremodo, o projeto de privatização da Eletrobras e, em particular, o da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), que, em se concretizando, viria a submeter um ativo do povo da região aos interesses dos investidores".

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Moro já começa a nos olhar com o ar distante de quem nada vê além de humanos faltosos

O juiz Sergio Moro nem é um salafrário, como gritaram esquerdistas brasileiros em Nova York, nem é um “Ramphastos dorius” —tucano da espécie Doria— só porque se deixou fotografar ao lado do candidato do PSDB ao governo de São Paulo e participou naquela cidade de um evento, entre outros, do Lide, o grupo de empresários liderado pelo ex-prefeito. Mas a questão está longe de ser “uma bobagem”, como ele classificou as críticas que lhe foram dirigidas.
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O ex-prefeito de São Paulo João Doria, publica foto ao lado do juiz Sergio Moro e de suas respectivas mulheres, Bia Doria e Rosângela Moro, durante um evento em Nova York para a entrega do prêmio Pessoa do Ano 15.mai.2018 - Reprodução/jdoriajr/Instagram/Folhapress


​Não é normal, decoroso ou corriqueiro que o juiz que encarna, em terras nativas, a punição aos corruptos, numa operação que acumula acertos, mas também uma penca de erros, desfile mundo afora o seu charme de caçador de corruptos.

Só neste ano, é sua terceira viagem aos EUA. Oh, não! Não acho que ele seja um agente da CIA. Acho apenas que ele se torna um agente político quando participa de encontros organizados por bancos, associações empresariais e afins. E, como é sabido, políticos disputam votos, não envergam togas. Podem ser presos, mas não mandam prender.

Tal exposição não é ilegal, mas é indecorosa. Moro demonstra ainda, como é próprio de uma personalidade que começa a fazer parte do “jet set”, o particular senso de humor da mundanidade.

Segundo reportagem desta Folha, ao discursar no evento do Lide, fez graça: “Tinha uma gravata vermelha e uma gravata azul. Isso pode ter diferentes sentidos. A vermelha poderia significar Partido Republicano ou Partido dos Trabalhadores. A azul poderia ser o PSDB ou até o Partido Democrata.”

Acabou indo com a vermelha. Não sendo petista, será ele um republicano?
Juiz Sergio Moro, que chegou a falar em tom de brincadeira que estava em dúvida se usava gravata vermelha ou azul em evento nos EUA - Divulgação

O homem se entrega, em terras estrangeiras, a uma ligeireza de espírito incompatível com os efeitos de seu trabalho no Brasil, no que este tem de virtuoso e de vicioso. Ele mesmo, ao arranhar um Terêncio (“Sou homem, e nada do que é humano é estranho a mim”), concluiu: “Somos todos seres humanos, com nossas virtudes e nossas falhas, e a corrupção pode afetar alguém de qualquer espectro político”.

Opa! Corrijo-me: Moro estava falando dos humanos, não de si mesmo.

O juiz começa a olhar para a nossa “melancólica humanidade” com olhos estranhos. Parece flanar acima das disputas terrenas entre o bem e o mal, o certo e o equívoco, o vermelho e o azul. A rigor, só ele poderia envergar qualquer gravata e transitar em qualquer ambiente sem se deixar tocar ou contaminar.

Nas suas sentenças, no entanto, ninguém tem direito à inocência. Se falta a prova, ele a substitui por uma versão, digamos, rupestre da teoria do domínio do fato: “Estava em festa de tucano? Então é tucano; não tinha como não saber...” Na sua vida privada —que, como se vê, é uma derivação de sua atuação pública—, inexistem a culpa e a suspeita, imunidade prévia que se estende a compadres.

Sou um homem inatual. Resgato na palavra “justiça” a raiz “jus, juris”, que quer dizer “neutralidade”, “equilíbrio”. Por isso a balança... Caminhando um tanto para trás, a palavra remete ao sagrado. A Justiça é necessariamente frugal.

Cobro mais compostura de um juiz. De qualquer um. Mais ainda de quem mandou para a cadeia um ex-presidente da República e que comanda uma operação que responde pelo transe político que vive o país, de desdobramento incerto.

Notem: mesmo que houvesse inocentado Lula, essa performance seria incompatível com a função. Diz ele que participa de convescotes empresariais porque, afinal, a corrupção também está no mundo privado. Conversa mole. Ele não estava lá para conferir uma aula magna, dar um puxão de orelha ou fazer advertência. Participava de rega-bofes.

O lugar de um juiz, recorrerei a uma palavra bilaquiana (sou inatual), é no claustro, rezando os textos legais e tomando decisões que honrem o que está escrito, lembrando-se sempre de que é homem, também ele —e não só os seus réus—, e de que nada do que é humano lhe é estranho. Nem mesmo a vaidade irresponsável.

Sei o que me custa um texto assim. Fazer o quê? O caminho do smoking e do champanhe, enquanto o país fica entre o tédio e o abismo, seria certamente mais fácil também para mim. Mas não o mais moral.

Por Reinaldo Azevedo em seu Blog

Paulo Câmara reforça turismo em Bonito


Em visita ao Agreste Central de Pernambuco, hoje, o governador Paulo Câmara, ao lado da primeira-dama Ana Luiza Câmara, entregou um conjunto de equipamentos de lazer e de convivência que vão fortalecer o Turismo deste município e de toda a região. Com um investimento de R$ 5,3 milhões – fruto de uma parceria entre o Governo de Pernambuco, o Ministério do Turismo e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) –, Paulo entregou à população o Teleférico Governador Eduardo Campos, que irá movimentar a economia regional. O chefe do Executivo estadual inaugurou, ainda, a Academia Pernambuco, que vai oferecer aos cerca de 40 mil bonitenses beneficiados a oportunidade de praticar atividades de lazer e desportes recreativos, ao ar livre, melhorando a saúde e a qualidade de vida.

“Venho aqui hoje para fazer entregas, como a do Teleférico e da Academia Pernambuco que vão ajudar as pessoas com mais qualidade de vida. O teleférico vai ser um ponto a mais para servir a Bonito, para que os turistas venham conhecer a cidade, movimentando, cada vez mais, o turismo de toda a região do Agreste. Esse equipamento, que é o sonho de tantas cidades, vai ajudar uma cidade que já tem vocação turística grande e gerar emprego e renda para os bonitenses. E nada mais justo do que homenagear um pernambucano que sonhou com ele pronto, que foi Eduardo Campos”, afirmou o governador Paulo Câmara.
O Teleférico ligará o Pátio de Eventos do município ao alto da Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, em um trajeto de, aproximadamente, 1,2 mil metros (m). O equipamento comporta duas cabines subindo e duas descendo e tem capacidade para transportar até quatro pessoas sentadas por cabine e 92 pessoas por hora. Os ingressos para utilizar o equipamento custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada).
Para oferecer ainda mais melhorias à população local, toda a área do entorno do Teleférico foi requalificada, tornando-se um espaço de convivência, com a reforma da capela, muro e pátio da capela, instalação de banheiros, quiosques e guarita. O investimento foi de R$ 750 mil.
A secretária de Turismo, Esportes e Lazer, Manuela Marinho, explicou que as obras inauguradas pelo governador Paulo Câmara seguem uma política de interiorização do turismo. “Essa cidade, que nasceu vocacionada para o turismo por meio de suas cachoeiras e vistas belíssimas recebe um equipamento que vai fomentar ainda mais essa atividade. Por tudo isso, agradecemos ao governador Paulo Câmara, que está gerando mais empregos e renda para Pernambuco”, afirmou.
Para o prefeito de Bonito, Gustavo Adolfo, as obras entregues, especialmente a do Teleférico, junto com o convênio assinado em benefício do meio ambiente, são um divisor de águas para a cidade. “É, além de tudo, a maior “fábrica” já implantada no município de Bonito. Se é emprego que o povo quer, nós estamos diante da maior fábrica sem chaminé que Bonito e talvez o Estado de Pernambuco esteja vendo”, comemorou o gestor municipal.
Em nome da família do ex-governador Eduardo Campos, João Campos, ao lado da mãe, a ex-primeira-dama Renata Campos, destacou o sentimento de gratidão que a família tem pela homenagem ao pai. “A emoção que sinto aqui é enorme. Eu já escutei tantas histórias dessa obra, que era um sonho que o ex-prefeito Rui Barbosa sonhou junto com meu pai. E, junto com o povo de Bonito e com a continuidade do Governo Paulo Câmara conseguiram realizar. Só temos que agradecer”, disse.

PSDB acha que Moro será implacável com Richa


Josias de Souza

O PSDB precisa se benzer. Na definição de um integrante da cúpula da legenda, “os tucanos já não chupam picolé com receio de engasgar com o palito.” Na penúltima urucubaca que se abateu sobre o ninho, um processo que corria contra o ex-governador paranaense Beto Richa no STJ foi transferido para Sergio Moro. Avalia-se que o juiz da Lava Jato será implacável com Richa. É o primeiro tucano que lhe cai sobre a mesa. E a impressão dos colegas do encrencado é a de que Moro aproveitará a oportunidade para demonstrar que não é seletivo.
As investigações contra Richa desceram para a 13ª Vara Federal de Curitiba porque ele perdeu o foro especial do STJ ao abdicar do governo paranaense para disputar uma cadeira no Senado. Apura-se a suspeita de que a Odebrecht transferiu R$ 2,5 milhões do seu departamento de propina para uma caixa eleitoral clandestina de Richa na campanha de 2014. Fez isso em troca de favorecimento na concorrência para a duplicação de uma rodovia estadual. A empreiteira levou o contrato. Mas a obra não saiu do projeto.
Richa nega o malfeito. E se esforça para fugir de Moro. Em recurso ao STJ, ele sustenta que seu processo deve ser apreciado pela Justiça Eleitoral. O último tucano premiado com esse truque foi Geraldo Alckmin, cujo processo desceu do STJ para a Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. Mas o refresco durou pouco, pois o Ministério Público estadual transformou o repasse de R$ 10,3 milhões da Odebrecht para Alckmin num inquérito sobre improbidade administrativa.
A virada da maré também começou a levar processos contra Aécio Neves do aconchego do Supremo para a incógnita da primeira instância em Minas Gerais. O movimento empurra Aécio para fora da urna de 2018. Noutra evidência de que já não é automática a blindagem que vinha como milagre, a água de Eduardo Azeredo, que virou vinho durante 15 anos, está na bica de virar vinagre. Ex-presidente da legenda, o protagonista do chamado mensalão mineiro do PSDB está a um passo da cadeia.

Quem não quer? Foro privilegiado divide tribunais

Defesa de foro privilegiado por PGR surpreende o STJ
A votação da corte especial do tribunal que decidiria a questão foi suspensa na quinta (17)
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) está dividido em relação à aplicação da restrição do foro especial a desembargadores, governadores, conselheiros de tribunais de contas e integrantes do Ministério Público Federal que estão sob sua jurisdição.

A votação da corte especial do tribunal que decidiria a questão foi suspensa na quinta (17) também por temor de um racha. Se tivesse ocorrido, calculam magistrados favoráveis a restringir o foro, tudo ficaria como está.
Causou espécie entre alguns magistrados a defesa que a PGR (Procuradoria-Geral da República) fez da manutenção do foro, inclusive para seus integrantes que atuam em tribunais superiores.
Um dos ministros definiu a posição como “paradoxal” e “um escárnio”: o órgão foi entusiasta da limitação do foro para parlamentares, aprovada no STF (Supremo Tribunal Federal). Já quando o foro dos próprios procuradores é discutido, eles não querem abrir mão.  (Mônica Bergamo - Folha de S.Paulo)

Hoje no Palácio das Princesas: a estrela da festa

De Marisa Gibson, na sua coluna DIARIO POLÍTICO desta sexta-feira








Reunir dez governadores, nove do Nordeste e mais o de Minas, passa para o grande público uma sensação de liderança e prestígio político, seja qual for o motivo do encontro. A reunião de hoje, no Palácio das Princesas, convocada por Paulo Câmara (PSB)  é para discutir o Rio São Francisco e a proposta de privatização da Eletrobras/Chesf, mas a estrela da festa deve ser o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT).
O petista mineiro, esperado de véspera, tem, em tese, condições de avançar na construção da aliança local  entre o PT e PSB, desde que os projetos socialistas em seu estado sejam arquivados. Além disso, Pimentel é um petista que, diante das dificuldades do PT em construir um palanque presidencial, defende também a união dos partidos de centro esquerda em torno de um candidato a presidente da República, que pode ser Ciro Gomes (PDT), tese defendida por Paulo.
Bem, esse encontro repete outros momentos em que o Palácio sentiu a necessidade de um ato politico de grande magnitude para acentuar a figura do governador.
O pretexto da Eletrobras é porque o projeto de lei que trata da venda da empresa deve ir à votação na Comissão Especial no início de junho.
Agora, o que interessa mesmo a todos os governadores é amarrar acordos para garantir a vitória nas eleições em seus estados assim como um palanque presidencial com chances de chegar lá.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Papa condena golpes forjados pela mídia

247 com Vatican News - Na manhã desta quinta (17), na missa em Santa Marta, que o papa preside sempre que está no Vaticano, Francisco condenou o golpe de maneira dura. Sem citar o Brasil ou o nome de Lula diretamente, fez uma descrição perfeita do que acontece no país. O Papa descreveu à perfeição a situação brasileira: "a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas". Depois chega a justiça, "as condena e, no final, se faz um golpe de Estado".

A seguir a íntegra da reportagem do Vatican News, serviço de informação da Igreja Católica:

Na missa celebrada esta quinta-feira (17/05) na Casa Santa Marta, o Papa Francisco dedicou a sua homilia ao tema da unidade, inspirando-se na Liturgia da Palavra.

Existem dois tipos de unidade, comentou o Pontífice. A primeira é a verdadeira unidade de que fala Jesus no Evangelho, a unidade que Ele tem com o Pai e que quer trazer também a nós. Trata-se de uma "unidade de salvação", "que faz a Igreja", uma unidade que vai rumo à eternidade. "Quando nós na vida, na Igreja ou na sociedade civil trabalhamos pela unidade, estamos no caminho que Jesus traçou", disse Francisco.

A falsa unidade divide
Porém, há uma "falsa unidade", como aquela dos acusadores de São Paulo na Primeira Leitura. Inicialmente, eles se apresentam como um bloco único para acusá-lo. Mas Paulo, que era "sagaz", isto é, tinha uma sabedoria humana e também a sabedoria do Espírito Santo, lança a "pedra da divisão", dizendo estar sendo julgado pela esperança na ressurreição dos mortos".

Uma parte desta falsa unidade, de fato, era composta por saduceus, que diziam não existir "ressurreição nem anjo nem espírito", enquanto os fariseus professavam esses conceitos. Paulo então consegue destruir esta falsa unidade porque eclode um conflito e a assembleia que o acusava se divide.

De povo a massa anônima
Em outras perseguições sofridas por São Paulo, se vê que o povo grita sem nem mesmo saber o que está dizendo, e são "os dirigentes" que sugerem o que gritar:

Esta instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje. Pensemos nisso. O Domingo de Ramos é: todos ali aclamam "Bendito o que vem em nome do Senhor". Na sexta-feira sucessiva, as mesmas pessoas gritam: "Crucifiquem-no". O que aconteceu? Fizeram uma lavagem cerebral e mudaram as coisas. E transformaram o povo em massa, que destrói.

Intrigar: um método usado também hoje
"Criam-se condições obscuras" para condenar a pessoa, explicou o Papa, e depois a unidade se desfaz. Um método com o qual perseguiram Jesus, Paulo, Estevão e todos os mártires e muito usado ainda hoje. E Francisco citou como exemplo "a vida civil, a vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado": "a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas". Depois chega a justiça, "as condena e, no final, se faz um golpe de Estado". Uma perseguição que se vê também quando as pessoas no circo gritavam para ver a luta entre os mártires ou os gladiadores.

A fofoca é uma atitude assassina
O elo da corrente para se chegar a esta condenação é um "ambiente de falsa unidade", destacou Francisco.

Numa medida mais restrita, acontece o mesmo também nas nossas comunidades paroquiais, por exemplo, quando dois ou três começam a criticar o outro. E começam a falar mal daquele outro... E fazem uma falsa unidade para condená-lo; sentem-se seguros e o condenam. O condenam mentalmente, como atitude; depois se separam e falam mal um contra o outro, porque estão divididos. Por isso a fofoca é uma atitude assassina, porque mata, exclui as pessoas, destrói a "reputação" das pessoas.

Caminhar na estrada da verdadeira unidade
"A intriga" foi usada contra Jesus para desacreditá-lo e, uma vez desacreditado, eliminá-lo:

Pensemos na grande vocação à qual fomos chamados: a unidade com Jesus, o Pai. E este caminho devemos seguir, homens e mulheres que se unem e buscam sempre prosseguir no caminho da unidade. E não as falsas unidades, que não têm substância, e servem somente para dar um passo a mais e condenar as pessoas, e levar avante interesses que não são os nossos: interesses do príncipe deste mundo, que é a destruição. Que o Senhor nos dê a graça de caminhar sempre na estrada da verdadeira unidade.

Caso do INSS expõe linha de montagem do mal

Josias de Souza

A demissão do presidente do INSS,Francisco Lopes, expõe a linha de montagem que transforma órgãos vitais da administração pública em antros de safadeza. Lopes foi ao olho da rua porque comprou programas de computador numa empresa que funcionava numa loja de bebidas. Esse negócio de bêbado foi orçado em R$ 8,8 milhões. Quem é Lopes? É um apadrinhado do líder do governo no Congresso, André Moura, um deputado do Partido Social Cristão que responde a oito processos —de improbidade até tentativa de homicídio.
O cristão André Moura é um fiel seguidor do irmão-presidiário Eduardo Cunha, que o impôs a Michel Temer. Moura e Cunha rezam pelo catecismo do centrão. Adotam o lema do “é dando que se recebe”, retirado da oração de São Francisco, para simbolizar a prática profana de exigir vantagens do governo em troca de apoio político no Congresso.
Flagrada pelo jornal O Globo, a compra de softwares na casa de vinhos forçou o Planalto a agir. O chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, denunciado por corrupção, consultou o multiprocessado André Moura, que tentou segurar seu afilhado na presidência do INSS. Moura só concordou com a demissão depois que Padilha lhe informou que Michel Temer, também denunciado por corrupção, o autorizou a indicar o substituto do demitido. Numa engrenagem assim, tão apodrecida, nada se cria, nada se transforma, tudo se corrompe.

Afinidades eletivas

"Person of the Year", Moro tira foto com Doria em NY
Blog do Kennedy

A foto de Doria com Moro é uma excelente peça de campanha para um candidato a governador do PSDB que disse que visitaria Lula em Curitiba. Para o juiz que colocou o petista na cadeia, é mais um exemplo de suas afinidades eletivas. Nem foi a primeira pose ao lado de um tucano. Sem surpresa. Doria estava na dele e no ambiente dele. O magistrado só foi imprudente, dirão, porque, afinal, ele pode tudo.
Pior mesmo foi o discurso de Moro, uma análise política rasa sobre corrupção e democracia, uma mistura de lição de moral com falsa modéstia, um chamado aos empresários para que não caiam nas garras desses políticos malvados e corruptos.
O juiz disse que hesitou a respeito da possibilidade de receber o prêmio “Person of the Year”, da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, porque não sabia se um magistrado, nas palavras dele, “deve chamar esse tipo de atenção”. Segundo Moro, “Judiciário e juízes devem atuar com modéstia, de maneira cuidadosa e humilde”.
Sem dúvida, é uma ponderação correta e totalmente em sintonia com o traje a rigor da noite de gala, anual e nova-iorquina, que já virou símbolo da cafonice e do complexo de vira-latas da elite brasileira.
Para um juiz que interveio ilegalmente no processo político em 2016, divulgando uma gravação de Dilma e Lula ao arrepio da lei, traz enorme conforto o ensinamento de que, “apesar de dois impeachments presidenciais e um ex-presidente preso, não houve e não há sinais de ruptura democrática”.
Realmente, não merece crédito nenhuma teoria conspiratória sobre o interesse dos Estados Unidos nas consequências da Lava Jato em relação às grandes empresas brasileiras que eram competidoras das americanas na América Latina e na África. É detalhe o Departamento de Justiça dos EUA considerar normais e produtivos os contatos informais com procuradores e magistrados brasileiros. Softpower pouco é bobagem. Que se dane a mulher de César.
A servidão voluntária de uma elite deslumbrada, apegada ao auxílio-moradia e outros privilégios de casta, faz o serviço completo e ainda agradece a homenagem _porque abaixo do Equador o Supremo segura a barra, legaliza e avaliza a coisa toda.

Um cargo para abrigar e proteger Temer após o mandato

A nomeação para uma embaixada, por exemplo, garantiria foro especial para Temer
Por aliança, estrategistas de Alckmin defendem cargo para Temer
negociação entre Geraldo Alckmin e Michel Temer para a campanha de 2018 deveria passar pela garantia de um cargo para o atual presidente num eventual futuro governo. A ideia é defendida por alguns dos principais estrategistas do tucano.

A nomeação para uma embaixada, por exemplo, garantiria foro especial para Temer depois que ele deixar o cargo. Isso preservaria o futuro ex-presidente de medidas cautelares determinadas por juízes de primeira instância.
Caso Alckmin não ganhe a eleição, mas um de seus dois aliados —João Doria ou Márcio França— seja eleito para o governo de SP, Temer poderia ser acomodado em um cargo da estrutura estadual. A ideia já foi estudada, a sério, por pelo menos um deles —os dois querem o apoio do MDB no estado.
Advogados amigos de Temer também temem que o presidente sofra busca e apreensão e até que seja preso —o que um cargo com foro, dizem, poderia evitar. Temer já declarou que não acredita que pode ser detido e que isso seria uma “indignidade”. (Mônica Bergamo – Folha de S.Paulo)

quarta-feira, 16 de maio de 2018

DER reinicia obras da PE-160


Máquinas e homens voltaram a trabalhar nas obras de restauração e duplicação da rodovia PE-160. Nesta iniciativa, o Governo de Pernambuco está investindo R$ 80 milhões, com recursos próprios.

O trecho beneficiado possui 12,15 quilômetros de extensão e vai do entroncamento com a BR-104, no distrito de Pão de Açúcar, em Taquaritinga do Norte, até o perímetro urbano de Santa Cruz do Capibaribe. Diariamente, uma média de 15 mil veículos circulam por esta importante rodovia do Agreste Setentrional.

Os trabalhos estão sendo realizados em duas frentes na área urbana de Santa Cruz do Capibaribe, na execução da operação tapa-buracos, cuja finalidade é melhorar as condições de trafegabilidade nesse segmento da via, enquanto as obras definitivas não são concluídas, o que deve acontecer até o final do segundo semestre deste ano. Enquanto isso, a segunda equipe do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão vinculado à Secretaria Estadual de Transportes, continua avançando nos trabalhos de restauração e duplicação dos quatro quilômetros finais.

Pequenas intervenções serão finalizadas na parte restaurada e duplicada, além da implantação das sinalizações horizontal e vertical ao longo de todo segmento contemplado, a última etapa dos serviços. “Uma de nossas metas é continuar trabalhando sem provocar a retenção do fluxo de veículos, causando o mínimo possível de transtornos aos motoristas e usuários que circulam pela PE-160”, ressaltou Silvano Carvalho, diretor de Operações e Construção do DER.

Essa é mais uma iniciativa do Governo de Pernambuco que vai melhorar a mobilidade e a qualidade de vida das pessoas, beneficiando diretamente os mais de 133 mil habitantes dos dois municípios, além de contribuir para o desenvolvimento dessa região, com expectativa de geração de mais empregos, aumento das vendas do comércio local, com destaque para o polo da Sulanca, que recebe milhares de pessoas vindas de várias partes do país para fazer compras, resultando também no incremento do turismo.

Número de homicídios em abril cai 30,74%

Os números mensais de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) em Pernambuco caíram pela terceira vez consecutiva, em abril deste ano, e atingiram o menor patamar dos últimos 21 meses – atrás apenas de julho de 2016, segundo a Secretaria de Defesa Social.
Ao todo, ocorreram 356 homicídios no mês passado, mantendo a curva descendente iniciada em janeiro de 2018. A diminuição foi de 30,74%, em comparação a abril de 2017 (514 CVLIs). 
Considerando o 1º quadrimestre deste ano, em análise com o mesmo período do ano anterior, a retração foi de 21,98%: 1.590 em 2018, contra 2.038 no período similar do ano passado. A diferença foi de 448 para menos.

Alckmin a 3%? O golpe de Pirro e a direita no mato só de poodle

POR FERNANDO BRITO ·no Blog TIJOLAÇO

Há dois anos, um bando de desclassificados produziam a cena dantesca do “circo do impeachment”, com direito a enrolarem-se em bandeiras do Brasil, mandarem alô para mamães e netinhos e soltarem confete no plenário da Câmara.
A imprensa e seus comentaristas previam uma primavera, com um “presidente” que reverteria a crise econômica, atrairia o dinheiro estrangeiro e, sobretudo, estender-lhes-ia (que seja a homenagem fúnebre) o tapete para a chegada “democrática” ao poder.
Hoje, na coluna de Monica Bergamo na Folha, os tucanos, cheios da empáfia inicial de “donos” do governo Michel Temer – a ponto de esnobarem, via Fernando Henrique, o próprio titular “é o que temos” do Planalto – fala que o tucanato já espera, até, um enxovalhante índice de 3% nas próximas pesquisas de intenção de voto presidencial.
E não porque tenha surgido um “inesperado”, um outsider, como virou moda dizer. Os que apareceram foram inutilizados pelo medo ao clima de linchamento que passou a dominar a política.
Perderam por si mesmos, seja com o aferramento a um governo que, de pouco, foi a literalmente nada em matéria de apoio popular, seja com o agrupamento de seus mais ferozes apoiadores a Jair Bolsonaro, seja com a execreação em praça pública de seu principal símbolo recente, Aécio Neves.
Como Pirro, a vitória lhes custou tanto que sua força eleitoral já se reduz a perto de um décimo da dos que derrotou: Lula e o termo que inventaram, o tal lulopetismo.
A agonia de Alckmin se prolonga sob os olhos impiedosos de João Doria, desde sempre interessado no minguante espólio do PSDB e, hoje, única porta aberta a Temer para a “defesa do seu legado”.
Com a direita, eleitoralmente, perdida num mato sem cachorro, até um poodle político – que como rosna! – passa a ser viável.
Ainda mais quando o decoroso e tímido juiz Sérgio se dispõe a leva-lo a passeio, como fez ontem, em Nova York, e mais uma foto para ilustrar o bico grande da Lava Jato.

Moro e o poder sem limite dos juízes brasileiros.





Sergio Moro já deu provas de seu apreço pela cultura norte-americana e deveria prestar atenção também no Código de Conduta dos Juízes dos Estados Unidos, que recomenda:

“Juiz deve evitar a impropriedade e a aparência de impropriedade em todas as suas atividades.”

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A presença de Moro como homenageado num evento privado em Nova York é um tipo de atividade que deveria evitar, em obediência ao princípio que pode ser traduzido por um antigo ditado: à mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta.

Ao receber o prêmio de Personalidade do Ano da Câmara de Comércio Brasil-EUA, Moro se confraternizou com o tucano João Doria, candidato ao governo do Estado de São Paulo, ao mesmo tempo em que a velha imprensa especula se ele poderia substituir o pré-candidato do partido à presidência, Geraldo Alckmin.

E, mais grave ainda, se encontrou com o presidente da Petrobras, a empresa que é a parte, como assistente de acusação, nos processos que ele conduz em Curitiba, inclusive aquele que gerou a condenação do ex-presidente Lula e o levou para a prisão.

A foto publicada hoje pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra o juiz, ao lado da esposa, com os olhos brilhando na direção de Pedro Parente, presidente da empresa.

Um olhar de admiração.


É apenas um foto, é verdade, não serve para nenhuma acusação de ilicitude, mas é dessas imagens que mostram que a mulher de César está falhando com seu dever de discrição.

Dão em seus jurisdicionados — aqueles que estão sujeitos à sua ação como juiz — um razoável motivo para desconfiança.

O próprio juiz, ao fazer o discurso de agradecimento, disse que chegou a pensar se deveria aceitar o prêmio.

“Quando recebi o convite, pensei se deveria aceitar. Não sei se um juiz deve chamar este tipo de atenção. Judiciário e juízes devem atuar com modéstia, de maneira cuidadosa e humilde”, ponderou Moro diante de uma plateia de mais de mil pessoas, entre empresários e banqueiros.

Pura retórica, porque, ao que parece, Moro nunca recusou homenagem, seja a medalha MMDC de um movimento de direita de São Paulo, seja prêmio da Globo ou da IstoÉ, onde apareceu na conversa ao pé de ouvido com Aécio Neves. Em Nova York, ele disse mais:

“Entendi que tinha um sentido importante. Presumo que este prêmio significa que o setor privado, em geral, apoia o movimento anticorrupção brasileiro e isso, com certeza, faz uma grande diferença.”

Moro tem motivos de sobra para saber que o setor privado se move por práticas à margem da legislação.

Antes da Lava Jato, ele jugou o caso Banestado, como ficou conhecido o escândalo que revelou a maior lavanderia de dinheiro de brasileiros, sobretudo os barões sonegadores do setor privado.

Na festa em Nova York, Moro foi ainda mais longe, ao se dar a importância de um estadista, e falou sobre a democracia brasileira:

“Apesar de dois impeachments presidenciais e um ex-presidente preso, não houve e não há sinais de ruptura democrática”, afirmou, em referência a Fernando Collor, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.

Como se poderia classificar o movimento político-judicial que levou o PSDB, o partido do seu conviva Doria, derrotado nas urnas, ao poder através de Michel Temer?

Normalidade democrática?

Seria normalidade democrática a divulgação de escutas telefônicas da então presidente da república?

Seria normalidade democrática um processo de impeachment sem crime de responsabilidade?

Seria normalidade democrática a condenação de Lula sem provas?

Seria normalidade democrática a prisão de Lula mesmo não tendo ainda se esgotado todos os recursos?

Seria normalidade democrática a não julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de uma ação que reafirmaria a garantia legal de que os brasileiros só podem ser presos após sentença transitada em julgado?

Moro, como cidadão, vive a vida como quer, e diz o que pensa. Mas, como juiz, deveria obedecer a certos limites.

Se a democracia fosse plena no Brasil, os mecanismos de controle da magistratura já teriam entrado em operação.

Mas os tribunais superiores, temerosos sabe-se lá de que, rejeitaram todas as ações que denunciam arbitrariedades da parte do juiz.

O Conselho Nacional de Justiça não julga a reclamação contra ele por ter divulgado as escutas da presidente da república.

Seu comportamento, suas manifestações e tibieza dos órgãos de controle explicam por que a imagem da justiça está na lama.

A justiça brasileira é “pouco confiável ou nada confiável” para nove em cada dez brasileiros, segundo a pesquisa CNT/MDA.

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PS: Não é apenas coincidência que, ao mesmo tempo em que despenca a imagem da justiça no Brasil, aumentam as homenagens, palestras e conferências em entidades que supostamente conferem prestígio, principalmente nos EUA, como esta em que Moro foi agraciado com o título de Personalidade do Ano. Mais que prestígio, conferem poder.