quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Temer "já é candidato", diz marqueteiro

Bernardo Mello Franco - O Globo
O Planalto quer usar a intervenção federal no Rio para ressuscitar a imagem de Michel Temer e alavancar uma candidatura à reeleição. É o que diz o marqueteiro Elsinho Mouco, responsável pela propaganda presidencial.

O homem está animado. Considera que o chefe ganhou uma “grande chance” para sonhar com um novo mandato. “Ele já é candidato”, anima-se Elsinho. “A vela está sendo esticada. Agora começou a bater um ventinho”, comemora.
Em outubro, Temer se tornou o presidente mais detestado desde o fim da ditadura militar, em 1985. O índice de reprovação a seu governo chegou a 73%, de acordo com o Datafolha.
Para o marqueteiro, a operação militar ajudará o peemedebista a “se recolocar no tabuleiro”. “Viramos a agenda. Agora o momento é outro”, diz Elsinho. “Neste momento, o presidente precisa resgatar sua biografia. A eleição é só em outubro. Ainda está muito longe”, acrescenta.
Antes de assinar o decreto, Temer recebeu pesquisas que encorajaram um gesto de impacto contra a violência. “Hoje a maior preocupação do brasileiro é com a segurança pública”, diz o publicitário.
Ele define a medida como um “all-in”, lance do pôquer em que o jogador aposta tudo de uma vez. “O Temer jogou todas as fichas na intervenção”, resume.
Na avaliação do Planalto, o primeiro objetivo já foi alcançado. O presidente arrancou a principal bandeira de Jair Bolsonaro, que tem prometido usar as Forças Armadas para combater o crime.
O deputado atacou a intervenção, mas recuou ao ser cobrado por eleitores. Na segunda-feira, ele votou a favor do decreto. “O Bolsonaro se enrolou. Errou feio, como o Ciro Gomes em 2002”, festeja Elsinho.
A pedido do governo, o Ibope fará uma pesquisa telefônica na sexta para medir a aceitação do decreto. Temer também planeja um novo pronunciamento em cadeia de rádio e TV, a pretexto de explicar a criação do Ministério da Segurança Pública.
A ideia é deixar os escândalos de corrupção para trás e vender o presidente como um político “corajoso”. Para o marqueteiro, o sucesso da ação militar pode operar milagres. “Se der certo, até o vampirão da Tuiuti pode virar um atributo positivo”, sonha Elsinho. “Vampirar pode passar a ser transformar, revolucionar...”, empolga-se.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

DEM dá como certa a candidatura de Temer à reeleição


Depois da intervenção no Rio, a cúpula do DEM dá como certa a candidatura de Michel Temer à reeleição. Ao se apropriar da pauta da segurança, dizem integrantes da sigla, o presidente abraçou parte importante do discurso de Rodrigo Maia (DEM-RJ). A informação é de Daniela Lima, no Painel da Folha desta terça-feira.

Um ministro do governo define o que a intervenção no Rio significa para o presidente: “Só se perde o que se tem, não é? Se der certo, ele sai do corner. Se der errado, fica na mesma”.
Diante da possibilidade de o MDB ter candidato próprio, o Planalto vai patrocinar a permanência do senador Romero Jucá (RR) no comando do partido.
A sigla desistiu de sua convenção nacional.
Fará, na quarta (21), apenas uma reunião da Executiva para referendar a manutenção dele no posto.(Blog de Magno Martins)

Ministério: Corte Real no páreo para lugar de Cristiane


O PTB vai indicar um novo nome para o ministério do Trabalho, substituindo Cristiane Brasil (RJ).

Estão no páreo os deputados Sérgio Moraes (RS), Jorge Corte Real (PE) e o ex-senador Wilson Santiago (PB).
Já o outsider que desponta nas conversas sobre 2018 é Pedro Parente, presidente da Petrobras.
Ele é visto como nome capaz de agradar parte do PSDB, do governo, do mercado e da mídia.
Falta o principal: voto. (Painel - Folha)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Paulo debate gestão pública na Fundação Lemann

O governador Paulo Câmara participou, hoje, de mais uma etapa do Encontro de Altas Autoridades "Brazil Rising", promovido pela Fundação Lemann em parceria com as Universidade de Yale (Connecticut, Estados Unidos) e Oxford (Reino Unido). O objetivo das discussões, iniciadas em novembro do ano passado, em Yale, é avaliar uma nova gestão pública para um novo Brasil.
De acordo com Paulo, o principal objetivo da Fundação Lemann é criar incentivos e apoio para Estados e União montarem suas equipes de alta administração com processo profissional. "Pernambuco iniciou com Eduardo Campos essa profissionalização da gestão pública estadual, e a Fundação Lemann abre essa possibilidade de trocar experiências e, principalmente, criar um novo sistema institucionalizado de âmbito nacional", avaliou o governador de Pernambuco.
O seminário realizado nos Estados Unidos contou com a presença de lideranças da sociedade civil, da política e do empresariado. Paulo Câmara foi um dos três governadores convidados, ao lado de Camilo Santana (Ceará) e Paulo Hartung (Espírito Santo).
O governador Paulo Câmara foi novamente convidado pela Fundação Lemann para participar de um novo Seminário que ocorrerá em São Paulo no próximo mês de maio.

PE bate recorde de turistas no carnaval 2018


O carnaval de Pernambuco foi gigante. A magia dos dias de momo alcançou números impressionantes de público visitante e receita turística, impactando diretamente nos 52 segmentos da economia do Estado ligados ao turismo.

A pesquisa do Governo de Pernambuco, realizada pela Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer entre os dias 5 e 18 de fevereiro (semana pré e pós carnaval), revela que o Estado recebeu 1,7 milhões de turistas no carnaval, cerca de 8% a mais que em 2017, com os 1,5 milhões de turistas recebidos há época. O gasto médio dos visitantes foi de R$ 155 a R$ 378. No geral, turistas e excursionistas injetaram R$ 1,6 bilhões nos cofres de Pernambuco. A receita superou as projeções, principalmente no comparativo com 2017, quando os turistas movimentaram R$ 1,2 bilhões. Comparado ao último ano, o incremento foi quase 30% superior. 
A taxa de ocupação hoteleira também confirma o bom desempenho do Estado no período carnavalesco. A média registrada nos meios de hospedagem foi de 96% de ocupação. No comparativo da taxa de ocupação hoteleira dos principais destinos indutores do Estado, em relação ao carnaval 2017, a variação foi 1,8% superior – em 2017 a ocupação foi de 93%.
No Aeroporto Internacional do Recife, a movimentação de passageiros registrada nesse ano foi de 312.770, entre pousos e decolagens, representando também um incremento quase 30% superior ao ano de 2017, com os 243.378 passageiros registrados.
“Pernambuco realizou o seu maior carnaval, em 2018. Batemos recorde de público nos polos de folia do Estado com baixos índices de violência. Foi um carnaval de paz. A movimentação econômica, por outro lado, cresceu de forma extraordinária. Alcançamos um patamar de crescimento fantástico, fruto principalmente do trabalho realizado pelo Governo de Pernambuco nos últimos anos, com a captação de novos voos que refletiram diretamente nos principais mercados emissores para o carnaval. Pernambuco tem driblado a instabilidade econômica do país com ações efetivas e muito trabalho. Os resultados da maior festa popular do Brasil comprovam tudo isso”, avalia o secretário executivo de planejamento turístico e gestão de Pernambuco, João Vinícius Figueiredo

Facção criminosa quer dominar presídios do país inteiro

Rogério Pagnan - Folha de S.Paulo
A guerra entre facções criminosas que explodiu no início deste ano no Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte e deixou um saldo de ao menos 135 mortes em diferentes cadeias do país teve a sua primeira faísca três meses antes. Em 16 de outubro, no presídio de Monte Cristo, em Boa Vista (RR), 12 presos de um bando rival foram mortos por criminosos do PCC (Primeiro Comando da Capital) com brutalidade atroz: decapitações, esquartejamento e queima de detento vivo.

Esse é considerado o primeiro movimento prático da facção paulista para a execução de seu plano: enfrentar diretamente bandos rivais para conquistar o domínio de todos os presídios do país e, assim, formar o que chamam internamente de a "República do PCC".
Esse objetivo nacional, ainda distante, é semelhante ao que acontece em terras paulistas, com a hegemonia do crime organizado, o monopólio do tráfico de drogas e a obrigação dos criminosos de dar satisfação direta aos chefes do bando, como Marcos Camacho, o Marcola, preso no interior de São Paulo desde 1999.
Durante dois meses, a reportagem da Folha percorreu três Estados, vasculhou documentos inéditos e sigilosos, conversou com policiais civis e militares, promotores, advogados, especialistas em segurança e secretários de Estado.
Segundo essa apuração, a eclosão dessa disputa sangrenta pelo controle de prisões, representada pela matança no início deste ano, já era esperada por autoridades brasileiras há três anos.
Foi nessa data que membros da facção nascida nos anos 1990 em São Paulo passaram a sofrer represálias nos Estados do Mato Grosso, Amazonas, Santa Catarina e Paraíba, entre outros.
Nesses locais, sob ameaça de morte, criminosos ligados ao PCC foram proibidos por presos de grupos rivais de realizarem, dentro e fora das cadeias, o "batismo" de novos integrantes –ritual para a entrada na facção em que um membro apresenta ao resto do grupo um aspirante, que se compromete a seguir o estatuto e as ordens da facção e a realizar contribuições financeiras.
Tanto o padrinho, do PCC, quanto o afilhado seriam mortos se essa iniciação fosse descoberta.
"Esse conflito está para explodir desde 2014. Eles [PCC] foram se movendo, se armando, se preparando para a tomada do país e é isso que eles estão fazendo", diz o promotor Lincoln Gakiya, um dos principais especialistas em PCC do país. Ele atua na região de Presidente Prudente, extremo oeste paulista, onde estão confinados alguns dos chefes da facção, entre eles o próprio Marcola.
"O confronto não tem volta. Não tem como tentar mais um acordo [entre eles], e o plano [do PCC] agora é dominar tudo. Isso vai se estender para as ruas. No Amazonas, por exemplo, o PCC é minoria, mas já enviou muito armamento para lá e para o Acre. Temos comunicado para as autoridades federais que eles vão começar a guerra a partir das ruas", disse.

Supersalários e TCU: R$ 481,2 milhões a advogados

Só entre fevereiro e novembro do ano passado advogados públicos receberam R$ 481,2 milhões 
Mônica Bergamo – Folha de S.Paulo

O TCU (Tribunal de Contas da União) pode investigar o pagamento de honorários a advogados e procuradores que defendem órgãos vinculados ao governo federal. Só entre fevereiro e novembro do ano passado eles receberam R$ 481,2 milhões.
Os ganhos extras levam os advogados a receberem acima do teto salarial estabelecido para os servidores, de cerca de R$ 33 mil. O conselho que cuida do fundo em que são depositados os recursos para os defensores argumenta que o dinheiro não é público. Por esse raciocínio, ele é pago pela parte que perdeu a causa contra a União. A lei que criou os honorários é de 2016.
Para Lucas Furtado, “salta aos olhos” que o teto salarial “deve abarcar toda e qualquer parcela ou vantagem remuneratória”. Nada importa, segundo ele, se o pagamento “se faz com recursos públicos propriamente ditos ou com recursos que, embora de outra natureza, só existam e se prestem a remunerar o servidor em razão de este exercer cargo público integrante da administração”

A marquetagem não derrotará o crime

Bernardo Mello Franco – O Globo
Na semana em que decretou a intervenção federal no Rio, o presidente Michel Temer jogou outra carta na mesa: a criação do Ministério da Segurança Pública. Não chega a ser uma ideia original. Há um ano, ele acrescentou as duas palavras ao nome do Ministério da Justiça. Em doze meses, a pasta teve três titulares e não produziu nada de concreto para conter a violência.

A criação do ministério era uma bandeira da bancada da bala. Na quarta-feira, Temer disse a aliados que ofereceria o cargo a Luiz Antonio Fleury Filho. Ele era governador de São Paulo quando a PM invadiu o Carandiru. O massacre deixou 111 motivos para desaconselhar sua nomeação.
O ex-secretário José Mariano Beltrame também foi sondado para a vaga. Policial de carreira, ele ainda não contou como passou oito anos no governo de Sérgio Cabral sem suspeitar dos crimes praticados pelo chefe.
A canetada do novo ministério cheira a factoide. Antes de aumentar a burocracia, o governo deveria resolver a crise na Polícia Federal, conflagrada pelas declarações do diretor Fernando Segovia em defesa do presidente.
Quando articulava o impeachment, Temer prometeu reduzir o número de ministérios a 22. No dia da posse, tinha 25. Desde então, criou mais três. O da Segurança será o 29º. Neste ritmo, ele ainda iguala os 32 que herdou da antecessora.
A tentação de resolver os problemas no improviso também transpareceu na sexta-feira. O general Braga Netto, comandante da intervenção no Rio, admitiu que estava voltando de férias e não tinha um plano de ação. Em outro momento, ao ser perguntado se a situação do estado era muito ruim, acenou que não e respondeu: “Muita mídia”. Se o diagnóstico foi sincero, o chefe da tropa considera que a crise é invenção da imprensa e que sua tarefa é pura marquetagem.
No Planalto, atribui-se a ideia da intervenção ao ministro Moreira Franco. Em 1986, ele se elegeu governador com a promessa de acabar com a violência em seis meses. Quando assumiu, o estado registrava 41 homicídios para cada cem mil habitantes. No fim de seu mandato, o índice havia disparado para 62.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Cadastro para o Chapéu de Palha Fruta começa segunda


Começa, na próxima segunda-feira, o cadastramento de trabalhadoras e trabalhadores rurais no programa Chapéu de Palha da Fruticultura Irrigada. A inscrição poderá ser feita até o dia 23 de fevereiro em um dos 14 polos distribuídos nas cidades de Petrolina, Santa Maria da Boa Vista, Lagoa Grande, Belém do São Francisco, Cabrobó, Orocó e Petrolândia. Em 2017, o Governo de Pernambuco cadastrou mais de 48 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais no Chapéu de Palha, dos quais 9 mil na modalidade fruticultura irrigada, envolvendo um investimento total de cerca de R$ 40 milhões.

O valor das bolsas do Chapéu de Palha foi reajustado em 10% a partir de 1º de janeiro de 2018. No caso da fruta, o valor da bolsa passou de R$ 246,45 para R$ 271,10, pagos em quatro parcelas complementares ao Bolsa Família. Para ser beneficiário do programa é necessário ser trabalhador (a) rural da fruticultura irrigada, auxiliar de câmara fria e de casa de embalagem, embalador (a) ou tratorista, no último contrato, com comprovação em carteira de trabalho e possuir o termo de rescisão contratual.
Também é preciso ser maior de 18 anos e ter trabalhado, com registro em carteira, por no mínimo 30 dias corridos no período correspondente à safra da fruticultura irrigada do ano anterior à data do cadastramento. Os candidatos não podem possuir vínculo empregatício no ato do cadastramento e devem apresentar originais e cópias dos seguintes documentos: comprovante do Número de Inscrição Social – NIS; carteira de trabalho; CPF; RG; termo de rescisão de contrato e comprovante de residência dentro do período de seis meses anteriores à data do cadastramento. É preciso ser residente em um dos sete municípios contemplados pelo programa citados anteriormente.
Além disso, os cadastrados deverão participar de cursos de capacitação ou indicar alguém do seu núcleo familiar para participar. O trabalhador que já tiver sido capacitado poderá apresentar o certificado e ser dispensado de fazer nova capacitação. “Aperfeiçoamos os critérios de cadastramento este ano e abrimos mais essa possibilidade de dispensarmos da capacitação aqueles que já fizeram outros cursos”, explica a gerente geral de Articulação Institucional da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag-PE) e coordenadora do Chapéu de Palha, Edna Claudino.
Serão aceitos certificados emitidos pelo Sistema S (Senar, Sebrae, Senac, Sesc, Senai, Sesi, Senat, Sest e Sescoop); por algumas secretarias estaduais ou declaração da instituição de ensino que comprovem matrícula e frequência em cursos técnicos, tecnológicos ou de nível superior (estadual ou federal), Educação de Jovens e Adultos, ProJovem, Pronatec ou a distância, no período de 12 meses anteriores à data de cadastramento. Para mais informações basta ligar para o número 0800.282.515 ou acessar www.seplag.pe.gov.br.

Detran divulga balanço do carnaval 2018


Bezerros, Gravatá e Caruaru receberam, durante os festejos de momo, agentes de trânsito que aturam na Operação Trânsito Seguro – OTS. A ação, que é desenvolvida pelo Governo de Pernambuco, por meio do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco – DETRAN-PE/OTS, contou com 150 agentes, distribuídos em um regime de escala em vinte viaturas, dez motocicletas, onze caminhões guinchos e dois veículos de leitura de placas (PK). No Recife e Região Metropolitana, o principal foco de atuação foram as áreas próximas aos polos de festividades.

Dos dias 09 a 14 de fevereiro de 2018, a ORF e OTS abordaram 1.866 veículos, desses 462 foram autuados. A operação computou, também, 40 recusas para teste de alcoolemia, 7 condutores foram autuados no etilometro e 29 veículos foram removidos para o deposito do Órgão.
O foco da ação, que é desenvolvida pela Diretoria de Engenharia e Fiscalização do Trânsito do Detran, foram as infrações de uso do celular ao volante e falta de uso do cinto de segurança, inclusive no banco de traz. Quem comete essas infrações corre o mesmo risco de acidente que aqueles que misturam álcool e direção. Por isso, o Detran, por meio da ORF e OTS, objetivou inibir estes tipos de infração.
Já os técnicos da Coordenadoria de Educação de Trânsito, sempre acompanhados da Turma do Fom-Fom, estiveram nos bares do Recife Antigo durante o Carnaval com bafômetros descartáveis e óculos que simulam o estado de embriaguez, onde abordaram os foliões e alertaram sobre os riscos de beber e dirigir. As pessoas que participaram da simulação ganharam um jogo de descanso de copo com mensagens de alerta sobre os riscos de beber e dirigir, e os amigos da vez receberam medalha. No Galo da Madrugada e no Papangus de Bezerros foram distribuídas viseiras com os dizeres “Se beber, não dirija”.
De acordo com o diretor presidente do Detran, Charles Ribeiro, a ampliação do trabalho da educação no trânsito e da OTS e ORF partiu de uma determinação do governador Paulo Câmara no que se refere as ações de segurança nas estradas e rodovias pernambucanas. “Nossos agentes e educadores estiveram nas ruas para garantir mais tranquilidade aos cidadãos nesses dias de festividade. É importante que cada um faça seu papel e pedimos aos condutores prudência na hora de dirigir, além de não ingerir bebida alcoólica”, completa.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Eunício fecha caixão da reforma da Previdência

Josias de Souza
“No Congresso, o mais bobo tira a meia sem tirar o sapato.”
Embora a reforma da Previdência esteja jurada de morte, o Planalto continua fazendo de conta que ela está cheia de vida. Nesta quinta-feira, porém, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, fechou o caixão. Fez isso ao declarar a jornalistas que a reforma pode ficar para novembro.

Segundo a superstição de Michel Temer, seus apoiadores se equipam para aprovar na Câmara o que sobrou da reforma. Isso ocorreria no final de fevereiro. Ao insinuar que o Senado pode esticar o velório até novembro, Eunício como que autorizou os parlamentares a enviarem, desde logo, coroas de flores para o Planalto.
Um líder de partido governista na Câmara explicou ao blog por que o lero-lero de Eunício enterra a reforma:
“Ora, os deputados fogem da reforma previdenciária para não perder votos nas eleições de outubro. Se o presidente do Senado diz que os senadores podem deixar o assunto para novembro, por que os deputados deveriam se desgastar antes da eleição?  No Congresso, o mais bobo tira a meia sem tirar o sapato.”

Navio negreiro: 2 mil cartas de presos a Cármen Lúcia

Por indulto, defensoria envia duas mil cartas de presos a Cármen Lúcia
A Defensoria Pública da União enviou nesta quinta (8) à ministra Cármen Lúcia 12 caixas com 2.331 cartas de presos que “clamam por indulto“. A remessa foi encaminhada pelo defensor nacional de direitos humanos, Anginaldo Oliveira Vieira.

Em uma delas, um detento alega que há 17 presos dividindo oito camas, e que a comida é fornecida em quantidade insuficiente. Em outro relato, um interno diz sofrer agressões e afirma que a unidade prisional se nega a prestar atendimento médico por falta de escolta e de remédios.
No ofício que acompanhou o malote, Oliveira diz que “restringir o direito ao indulto, ou suspendê-lo, é infligir maior castigo a quem já é jogado num ambiente de doenças e morte e tenta sobreviver um dia após o outro”.
E questiona a ministra: “Se um preso com direito a indulto é morto na cadeia, quando já deveria estar fora dela, de quem é a culpa?”. Na terça-feira (6), Luís Roberto Barroso liberou a ação que suspendeu parcialmente o indulto para ser julgada no plenário do Supremo.  (Daniela Lima - FSP)

Donos do dinheiro: benevolentes com Bolsonaro?


Por que donos do dinheiro são benevolentes com Bolsonaro?
A questão é que está sobrando dinheiro barato no mundo

Não há muito espaço para mentiras nessa campanha eleitoral. 
Raquel Landim – Folha de S.Paulo
Nesta semana, investidores reunidos pelo banco BTG Pactual receberam com entusiasmo o presidenciável Jair Bolsonaro. Durante uma hora, o coronel, conhecido por suas posturas estatizantes, tentou convencer seus interlocutores de que se tornou um liberal. A julgar pelos aplausos que recebeu, parece ter conseguido.
A benevolência dos donos do dinheiro com o ex-capitão, que já declarou publicamente sua defesa à ditadura militar e à tortura, dá uma amostra da disposição do mercado financeiro em fechar os olhos para os problemas brasileiros.
Nem mesmo o fracasso da reforma da Previdência é capaz de reverter a tendência positiva. Passada a folia do Carnaval, o governo pretende fazer um último esforço para conseguir os 308 votos que precisa na Câmara. As chances, no entanto, são mínimas.
Políticos, analistas, banqueiros — ninguém espera que seja aprovado algo razoável. Meses atrás, isso seria considerado o apocalipse. Agora parece não fazer diferença.
Está difícil entender tamanho otimismo. É verdade que a economia deve crescer entre 2% e 3% neste ano, depois de uma das piores recessões da história, mas poucas vezes o futuro do país esteve tão indefinido.
Com a provável saída de Lula da disputa, não há líderes claros na corrida presidencial. A situação fiscal continua caótica. Sem a reforma da Previdência, o Brasil vai quebrar —pode não ser este ano, mas talvez já no próximo.
A questão é que está sobrando dinheiro barato no mundo. Por conta disso, os investidores estão dispostos a dar o benefício da dúvida a qualquer candidato que se disponha a terceirizar a economia para algum economista renomado —até mesmo Bolsonaro.
Mas quem conhece a cabeça do mercado lembra que ele é extremamente volúvel. Se houver alguma nuvem na economia global, o vento pode mudar e facilmente derrubar o Brasil, que já anda na corda bamba.
A atual calmaria não representa uma licença para que os candidatos prometam gastar um dinheiro que o país não tem. Ao contrário de 2014, não há muito espaço para mentiras nessa campanha eleitoral.
O futuro mandatário será duramente cobrado —pela população e pelos investidores— desde o momento em que vestir a faixa presidencial.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O avesso das alianças


De Marisa Gibson, na sua coluna DIARIO POLÍTICO desta quinta-feira
Instrumento perfeito para juntar partidos em torno de um “programa”, cujo objetivo é a permanência de grupos políticos no poder, as alianças eleitorais têm um avesso perigoso: induz o eleitor a votar em candidatos que não lhes dizem nada, só porque o líder maior pediu.
Em Pernambuco, esse líder já foi Arraes, Jarbas, Eduardo e, agora, é Lula que volta com o canto da sereia.
Entre essas lideranças houve discordâncias ideológicas e programáticas que chegaram a  níveis inimagináveis, com ataques ásperos que chegavam ao eleitor como se verdades fossem. E assim permaneceram até o oportunismo eleitoral chegar buzinando para apagar o passado A isso, os políticos chamam de pragmatismo “sem traumas, sem raiva e sem rancor”, como ensina Lula.
Jarbas Vasconcelos (MDB), por exemplo, repetiu durante anos que o Bolsa Família era “o maior programa de compra de votos da história”. Agora, ele está prestes a se beneficiar desses votos.
Já o prefeito Geraldo Julio (PSB), entusiasta da nova aliança PT/ PSB, conclamava em 2014 o eleitor a “tirar aquela mulher” de Brasília, numa referência à presidente da República Dilma Rousseff (PT).
Até hoje tem petistas que não se conformam com o que consideraram uma ofensa, além do fato de o PSB ter votado pelo impeachment.
Mas o que fazer? Chegou a hora de se juntar de novo.

Lei Seca inicia Operação Carnaval


Com ações de fiscalização em todo o Estado durante a folia de Momo, a Operação Lei Seca em Pernambuco (OLS) dá início às 0h desta sexta-feira (09/02) ao esquema especial de Carnaval. O trabalho, que  vai até a quarta-feira de cinzas (14/02), contará com todo o efetivo nas ruas, totalizando 210 profissionais, entre policiais militares, agentes do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE) e técnicos da Secretaria Estadual de Saúde – que coordena as ações da Operação. Ao todo, serão realizados 85 bloqueios de fiscalização itinerantes, em todos os turnos, com foco nos principais corredores de festas e acesso às praias. Os bloqueios acontecerão na capital, na Região Metropolitana do Recife e no interior pernambucano.

No total, a Operação Lei Seca irá às ruas com 12 blitzes educativas, com a presença de cadeirantes e muletantes vítimas de acidentes de trânsito, e 73 de fiscalização - o que representa um incremento de 15% em relação ao Carnaval do ano passado. Os profissionais envolvidos nos bloqueios irão distribuir peças informativas sobre o risco da mistura entre álcool e direção, camisinhas, cartilhas bilíngües (português – inglês) com orientações sobre a rede de atendimento disponível no SUS no Estado e dicas de saúde, além de folders sobre a febre amarela. 
"Nosso objetivo com as ações deste Carnaval é reforçar para toda a sociedade que bebida e álcool não combinam. Com o esquema montado, a Operação Lei Seca terá acesso aos principais corredores de festividades no Grande Recife e interior, além das praias, com ações durante todo o dia. Iremos às ruas para  reduzir o número de acidentados no trânsito pelo consumo de bebida alcoólica, ajudando a salvar vidas- esse é o nosso compromisso com os pernambucanos", ressalta o coordenador executivo da OLS, Fábio Bagetti.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Os votos mandrakes da Previdência

Por Helena Chagas no Blog Os Divergentes
“O Planalto nunca esteve perto de aprovar essa reforma, apesar do discurso para os ouvidos do mercado”
Nunca faltaram “apenas” trinta, ou quarenta, votos para aprovar a reforma da Previdência. Esse número sempre foi muito maior, e a narrativa do “estamos quase lá” era uma estratégia para ganhar tempo, uma conversa para boi dormir. Qualquer um com um mínimo de experiência parlamentar sabe que o Planalto nunca esteve perto de aprovar essa reforma, apesar do discurso para os ouvidos do mercado.

O governo foi empurrando o assunto ao longo do ano passado até sua hora da verdade, que deve ser na semana que vem, escondendo o que todo mundo sabia: depois de livrar a cara de Michel Temer em duas denúncias no plenário da Câmara  os deputados acham que estão quites e não devem mais nada a esse governo.
Agora, o maior problema das hostes governistas em relação a esse assunto é encontrar um culpado, de preferência o vizinho do lado. Em torno dessa versão a ser montada giram as divergências de hoje entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e os articuladores planaltinos. Maia não quer levar essa responsabilidade para casa, e por isso não quer submeter o projeto à votação, expondo a falta de votos na Câmara. Melhor não votar, diante da constatação de que não há votos – o que leva à conclusão de que o governo não conseguiu reuni-los.
No Planalto, porém  alguns acham que seria melhor deixar a bomba estourar no plenário, expondo os partidos e deputados da base inclusive Maia e seus aliados. O problema dessa estratégia – que até dia 20 deve ser descartada – é óbvio: ao submeter a PEC à votação, o governo corre o risco de expor seu verdadeiro tamanho no plenário da Casa, mostrando que é muito menor do que jamais se poderia supor com base nos números mandrakes que seus articuladores exibiram até agora.

Reforma: na contagem dos votos, quem mente melhor?

Talvez haja quem queira algo mais para votar
A bancada de apoio a Temer, aquela que ganhou cargos e ministérios, tem 346 deputados. A reforma da Previdência precisa de 308, mas ninguém tem certeza da aprovação. Talvez haja quem queira algo mais para votar.

Os comandantes da luta pela reforma calculam ter entre 250 e 270 votos.
Esperam conseguir os restantes com apoio de governadores aliados, hoje alheios ao problema, mas que talvez se mexam em troca de bons acordos.
Enquanto isso, depois de 45 dias de férias (calma, caro leitor: não imagine que Nossas Excelências vão morrer de tanto trabalhar.)
Em julho há folga de mais 30 dias, e depois disso vêm as férias informais, o “recesso branco”, para que possam se dedicar à campanha eleitoral), o Congresso retomou as atividades.
Mas sem exageros: dos 513 deputados, compareceram 65. O trabalho normal só recomeça depois do Carnaval, no dia 20, ou talvez 21.(Do Blog de magno Martins)

Lula, maior perseguição desde Getúlio, diz Pertence

'Sou apenas mais um defensor de Lula', diz ex-ministro do STF
Na opinião de Sepúlveda Pertence, Lula tem sido submetido a uma "perseguição",  "a maior desde Getúlio"
Letícia Casado e Marina Dias – Folha de S.Paulo

O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Sepúlveda Pertence afirmou nesta terça-feira (6) que é "apenas mais um defensor" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que não tem o estilo "agressivo" do advogado Cristiano Zanin Martins, que hoje comanda a equipe de defesa do petista.
Após a posse do ministro Luiz Fux na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Sepúlveda confirmou que foi contratado pela defesa de Lula, como mostrou a Folha, e disse que ainda precisa combinar a estratégia que adotará diante dos recursos que tramitam nos tribunais superiores de Brasília.
O jurista antecipou apenas que não deve adotar a postura de enfrentamento ao Judiciário, até agora exercida por Zanin. "Não é meu estilo", afirmou Sepúlveda.
Ele declarou ainda que não sabe se será possível reverter a condenação do petista em segunda instância com os recursos no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no STF (Supremo Tribunal Federal), mas ressaltou que está acostumado a esses tribunais "há mais de 50 anos".
"Sou apenas mais um dos defensores do ex-presidente", disse Sepúlveda. "Ele é um velho amigo", completou sobre sua relação com Lula.
Na opinião do jurista o petista tem sido submetido a uma "perseguição". "A maior desde Getúlio Vargas", declarou.
Nesta terça (6), a Folha revelou que o criminalista aceitou fazer parte da defesa de Lula como um reforço para a atuação da equipe diante dos recursos que tramitam em Brasília.
Desde que o ex-presidente foi condenado por unanimidade pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em 24 de janeiro, aliados e integrantes da cúpula do PT pressionavam por um reforço na equipe de defesa do petista.
O principal argumento era o de que, na fase de recursos na terceira instância, seria necessário um nome mais técnico e com trânsito nos tribunais superiores. Além disso, auxiliares de Lula cobravam por um perfil de menos embate e mais conciliação.
O ex-presidente não quis abrir mão de seu atual advogado e ele e Sepúlveda, que resistia em aceitar o convite, devem trabalhar juntos daqui para a frente.
De acordo com aliados de Lula, havia resistência do lado de Sepúlveda, que já defendia o banqueiro André Esteves o que poderia implicar algum conflito de interesse, mas também entre integrantes do próprio PT, que avaliavam a postura do advogado como difícil de ser decifrada.
Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva em segunda instância --ele já havia sido condenado pelo juiz Sérgio Moro, do Paraná-- e poderia recorrer da decisão no STJ e no STF.
Já houve recurso ao STJ, onde o habeas corpus foi negado em caráter liminar (provisório), mas ainda é possível discutir o caso.
A defesa de Lula também já entrou com pedido de habeas corpus preventivo no STF, encaminhado ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, que tem negado liberdade provisória a condenados na operação.
A expectativa é de que o caso seja discutido na segunda turma do STF, cujos ministros têm perfil garantista (a favor do réu cumprir a pena depois de esgotados os recursos) ou levar o assunto para o plenário do Supremo a fim de mudar o entendimento do tribunal sobre prisão após condenação em segunda instância.

Nestor Cerveró progride para regime semi-aberto

Ele decidiu que não vai procurar emprego e segue em prisão domiciliar
Um dos primeiros condenados na Operação Lava Jato, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró progrediu para o regime semi-aberto e já pode sair para trabalhar, das 10h às 20h.

Cerveró, no entanto, não está usufruindo do benefício. Ele decidiu que não vai procurar emprego e segue em prisão domiciliar.
Ex-diretor da área internacional da Petrobras,  Cerveró foi preso preventivamente por atrapalhar as investigações em janeiro de 2015. A decisão foi revogada em junho de 2016 .  (Mônica Bergamo – Folha de S.Paulo

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Doutor Calças fica nu ao falar de auxílio-moradia


Josias de Souza

O nome dele é Manoel de Queiroz Pereira Calças. Desembargador, acaba de assumir a presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo. Embolsa auxílio-moradia de R$ 4.377,73. “Eu acho pouco”, declarou, antes de admitir que não é, digamos, um sem-teto: “Tenho vários imóveis, não um só.” Em entrevista, reagiu como se considerasse uma falta de educação o questionamento dos repórteres sobre o tema. ''Auxílio-moradia é previsto na lei da magistratura nacional. Ponto!''.
Na administração pública, toda encrenca, no início, é um ponto. Ponto de partida, não ponto final, como deseja o desembargador Calças. Há um ponto fraco na sua argumentação. A lei da magistratura anota que, além dos vencimentos, os doutores “poderão” receber vantagens como o auxílio-moradia (quando forem transferidos para outras cidades, por exemplo).
Pingando-se os pontos nos is, verifica-se que a coisa virou tunga quando uma liminar do ministro Luiz Fux, do STF, estendeu o mimo a todos os juízes e procuradores. Ponto de exclamação.
As corporações não dormiram no ponto. Rapidamente, o contribuinte começou a sentir as pontadas no bolso. Levantamento da consultoria do Senado revela a que ponto chegamos: a conta do auxílio-moradia de juízes e procuradores somou R$ 96,5 milhões entre janeiro de 2010 e setembro de 2014, quando Fux expediu sua liminar. De outubro de 2014 até novembro de 2017, o espeto saltou para R$ 1,3 bilhão.
Com pose de pontífice, o desembargador Calças pontificou: ''Na verdade, o auxílio-moradia é um salário indireto. Ele tem o nome de auxílio porque na lei orgânica da magistratura é previsto como tal. E tem uma decisão da Suprema Corte que está prevendo para todos os juízes''. Ai, ai, ai. Meu Deus… Três pontinhos.
Quando escuta um presidente de tribunal tratando uma grossa anormalidade como algo normal, o brasileiro que frequenta ponto de ônibus e ainda não fez fortuna no ponto lotérico ou no ponto do bicho fica desapontado. Mas não é hora de entregar os pontos. Ao contrário.
Se há um ponto pacífico em toda essa história é o seguinte: os privilégios pendurados nos contracheques de magistrados e procuradores empurram o Judiciário para dentro da mesma frigideira em que ardem o Executivo e o Legislativo. Com seu lero-lero, o doutor calças ficou, por assim dizer, nu. Foi às manchetes de ponta-cabeça.
Passou da hora de exigir que o Supremo Tribunal Federal retire do ponto morto a decisão liminar (provisória) do ministro Fux. De preferência ontem, não num ponto futuro.

Se aprovar reforma, Temer pode mudar nome para MacGyver


Apesar de desânimo geral, governo quer fazer crer que ainda acredita que terá êxito
Ranier Bragon – Folha de S.Paulo

Os mais antigos não vão precisar de descrição. Ele dava nó em pingo d'água com o que tivesse à mão. Bastavam quatro palitos de fósforo, um graveto e duas marias-moles e ele era capaz de montar um fuzil para dizimar os inimigos.
MacGyver foi um sucesso nos anos 1980 e 1990 em seu "Profissão Perigo", nome que o enlatado norte-americano ganhou por aqui.
Mesmo que não tenha nenhum palito, graveto ou maria-mole à mão, se Michel Temer conseguir aprovar a reforma da Previdência pode mudar o nome para MacGyver.
Praticamente nenhum político em Brasília leva a sério, hoje, a hipótese de a Câmara dos Deputados dar aval ao pacote na volta do Carnaval.
É preciso ter pelo menos 60% dos votos, um caminhão de 308 cabeças dispostas a se colocarem na guilhotina a oito meses das eleições. O próprio governo diz ter um deficit de apoio na casa dos 60 votos.
Isso sem falar que, depois dos deputados, seria preciso enfrentar o imponderável no Senado.
Falando sério: a reforma da Previdência teve sua última chance de ser aprovada no ano passado, após Temer barrar as denúncias contra ele e ganhar uma injeção de ânimo.
Não foi possível. Em vez de promoverem as exéquias naquela época mesmo, resolveram manter os tubos no paciente até agora, sabe-se lá por que exatamente. Medo da reação do mercado, crença em Papai Noel, não é possível precisar.
Temer quer, em suas palavras, entrar para a história como o presidente reformista. Quer também promover ampla campanha de marketing para reduzir sua rejeição a apenas 60% —hoje está em 70%. Como bem lembra o chavão, política é como nuvem, muda a todo momento.
Mas se conseguir dar o pretendido "tapa" na imagem e aprovar as antipáticas alterações na Previdência a poucos meses da eleição, às vésperas de deixar o poder e com aprovação de 6%, pode mandar fazer a placa: Temer, o presidente MacGyver.



06/02

2018

Doutor Calças fica nu ao falar de auxílio-moradia

Josias de Souza

O nome dele é Manoel de Queiroz Pereira Calças. Desembargador, acaba de assumir a presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo. Embolsa auxílio-moradia de R$ 4.377,73. “Eu acho pouco”, declarou, antes de admitir que não é, digamos, um sem-teto: “Tenho vários imóveis, não um só.” Em entrevista, reagiu como se considerasse uma falta de educação o questionamento dos repórteres sobre o tema. ''Auxílio-moradia é previsto na lei da magistratura nacional. Ponto!''.
Na administração pública, toda encrenca, no início, é um ponto. Ponto de partida, não ponto final, como deseja o desembargador Calças. Há um ponto fraco na sua argumentação. A lei da magistratura anota que, além dos vencimentos, os doutores “poderão” receber vantagens como o auxílio-moradia (quando forem transferidos para outras cidades, por exemplo).
Pingando-se os pontos nos is, verifica-se que a coisa virou tunga quando uma liminar do ministro Luiz Fux, do STF, estendeu o mimo a todos os juízes e procuradores. Ponto de exclamação.
As corporações não dormiram no ponto. Rapidamente, o contribuinte começou a sentir as pontadas no bolso. Levantamento da consultoria do Senado revela a que ponto chegamos: a conta do auxílio-moradia de juízes e procuradores somou R$ 96,5 milhões entre janeiro de 2010 e setembro de 2014, quando Fux expediu sua liminar. De outubro de 2014 até novembro de 2017, o espeto saltou para R$ 1,3 bilhão.
Com pose de pontífice, o desembargador Calças pontificou: ''Na verdade, o auxílio-moradia é um salário indireto. Ele tem o nome de auxílio porque na lei orgânica da magistratura é previsto como tal. E tem uma decisão da Suprema Corte que está prevendo para todos os juízes''. Ai, ai, ai. Meu Deus… Três pontinhos.
Quando escuta um presidente de tribunal tratando uma grossa anormalidade como algo normal, o brasileiro que frequenta ponto de ônibus e ainda não fez fortuna no ponto lotérico ou no ponto do bicho fica desapontado. Mas não é hora de entregar os pontos. Ao contrário.
Se há um ponto pacífico em toda essa história é o seguinte: os privilégios pendurados nos contracheques de magistrados e procuradores empurram o Judiciário para dentro da mesma frigideira em que ardem o Executivo e o Legislativo. Com seu lero-lero, o doutor calças ficou, por assim dizer, nu. Foi às manchetes de ponta-cabeça.
Passou da hora de exigir que o Supremo Tribunal Federal retire do ponto morto a decisão liminar (provisória) do ministro Fux. De preferência ontem, não num ponto futuro.