terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Humberto: Bolsonaro tenta esconder crise do laranjal com Reforma da Previdência


Prestes a ser entregue, pessoalmente, ao Congresso Nacional pelo presidente Jair Bolsonaro, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de Reforma da Previdência é alvo de severas críticas da oposição e mesmo de aliados do governo. Segundo o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT), Bolsonaro tentará vender a medida para esconder os seus problemas internos, como a demissão do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, a disputa política entre aliados e várias denúncias de candidaturas laranjas na campanha eleitoral do ano passado envolvendo o seu partido, o PSL. 

A PEC prevê, entre outras ações, idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para as mulheres se aposentarem. Segundo o senador, há toda uma estratégia de marketing falaciosa para tentar confundir os brasileiros. Para ele, a mudança no cálculo da previdência vai prejudicar, sobretudo, os mais pobres, que começam a trabalhar mais cedo. 
"Querem convencer os brasileiros, por meio de publicidade enganosa patrocinada com dinheiro oficial, de que trabalhar mais, contribuir por mais tempo e, no final, ganhar menos – ou seja, perder direitos – é algo positivo. A proposta não mexe com os verdadeiros privilégios. Ela vem sob medida para os pobres pagarem a conta. Mais uma vez, o povo é que irá pagar o pato", afirmou. 
Humberto ainda lembrou que foi o próprio Bolsonaro que disse que era "falta de humanidade" determinar a idade mínima de 65 anos para aposentadoria, ainda durante o governo de Michel Temer. Na época, Bolsonaro chegou a falar que o projeto prejudicava especialmente o Nordeste, onde a expectativa de vida é mais baixa. 
"Bolsonaro ganhou a eleição na base da mentira e da fake news. Ele disse que ia acabar com a corrupção no seu governo, mas os escândalos só se acumulam. Falou que não ia trocar cargos por apoio, mas agora negocia mil vagas do segundo escalão para conseguir comprar a aprovação dessa reforma que ele mesmo afirmou ser desumana. Agora, apresenta um projeto mais cruel do que o que criticava", disse. 
Humberto afirmou ainda que mesmo com a tentativa de mudar o foco, a crise política persiste. "São menos de 50 dias de governo em queda livre. As crises não terminam, elas se acumulam. O governo Bolsonaro já está caindo como laranja podre", afirmou.

O vício de atirar pelas costas


POR FERNANDO BRITO · no Tijolaço


Há um problema de caráter nas atitudes de Jair Bolsonaro que é, no final das contas, a única coisa que, nele, não se sujeita ao marketing.

Bolsonaro não admite nada que não seja a sua própria vontade e, quando é forçado a contrariá-la, como neste episódio da demissão de Gustavo Bebianno, faz questão de mostrar que está fazendo o minimo minimorum que o cargo – e a manutenção dele – o exigem.

O vídeo onde faz, ainda que forçados e num tom escancaradamente burocráticos, elogios ao Gustavo Bebianno foi distribuído aos jornalistas, mas não publicado nas redes sociais do Presidente.

Não saíram, portanto, nos novos “diários oficiais” de seu fanáticos seguidores.

Aliás, nem se referiu expressamente à demissão, limitando-se a reproduzir seu porta-voz num vídeo onde só aos 3 minutos referiu-se a ela, respondendo perguntas dos jornalistas. E sob o anódino título de “Porta-voz da Presidência da República expõe como foi a agenda do Governo no dia de hoje (18/02/2019)”.

Pensa ter cumprido, assim, “na conta do chá”, a exigência de seu ex-auxiliar.

Quem conhece o comportamento humano sabe o quanto são inúteis as ofensas em público e elogios “em particular”, neste caso por serem feitos fora do “mundo virtual ” de seus áulicos.

O editorial de hoje do Estadão, até agora o veículo que lhe era mais generoso, diz tudo, a partir do título “Muito ajuda quem não atrapalha”.

Desnorteado, governando ao sabor da gritaria nas redes sociais, o presidente deixou de construir uma articulação organizada no Congresso.(…)Bolsonaro parece convencido da necessidade de uma profunda reforma na Previdência, dado que passou a vida inteira como parlamentar a boicotar mudanças nas aposentadorias.
Seria ingênuo acreditar que Bolsonaro, de uma hora para outra, passará a se comportar como presidente e assumirá as responsabilidades de governo. Mais realista é torcer para que ele, pelo menos, pare de atrapalhar.

O tom é esteentre todos ou quase todos os comentaristas conservadores. Até Merval Pereira se mostra desconsolado.

De Bolsonaro, como de Michel Temer, espera-se apenas que faça, sem muita “marola” o serviço sujo do arrocho. Logo que o fizer ou caso se prove incapaz de fazê-lo, seu fim só não será o mesmo que aquele que teve seu antecessor oorque será pior, muito pior para ele e para o país.

Articulação política do governo está capenga


Aliados de Gustavo Bebianno, agora ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, receberam antecipadamente a informação de que Jair Bolsonaro gravaria um vídeo de desagravo a ele.

Após um longo processo de fritura pública, pessoas próximas diziam que o outrora braço direito do presidente estava sereno nesta segunda
A saída de cena de Bebianno ampliou a sensação de que a articulação política do governo está capenga.
Líderes de partidos da base discutiam nesta segunda (18) um boicote à reunião com o presidente convocada para quinta (21).  (Painel)

Enquanto o governo briga, o DEM se cacifa


Coluna do Estadão

Ao mesmo tempo que o PSL se consome em disputas internas e guerras santas, o DEM, empoderado pelo comando do Congresso, define seu plano de voo para atravessar os anos Bolsonaro: chegar a 2022 como o partido da agenda econômica, incluindo a reforma da Previdência.
Em recente ida a Brasília, o prefeito de Salvador, ACM Neto, presidente da sigla, pediu a suas bancadas proximidade com o Planalto quando o assunto for a aprovação de regras de modernização da economia e distância regulamentar de crises, “negocismos” e extremismos.Novos tempos.
Segundo quem participou do encontro com ACM Neto, ele acha que o Democratas tem de mostrar ao eleitor ser possível apoiar um projeto de governo sem cair na fisiologia, prática que carimbou o antigo PFL.Para governistas, a indicação do general Floriano Peixoto para o lugar de Gustavo Bebianno foi mais uma demonstração de inabilidade do governo, que teria perdido a chance de abrir espaço (e cargos, claro) a aliados. Ciúme: “Logo vai faltar militar nas Forças desse jeito”, brinca um líder.

Paulo ‘preso’ e Aloysio ‘revistado’: sem Moro, Lava Jato vai aos tucanos?


POR FERNANDO BRITO ·no Tijolaço

Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto – apontado como operador de propinas do PSDB, foi preso agora cedo por ordem do novo juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba, onde reinava Sérgio Moro. O ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira (ex-senador tucano) está sendo alvo de alvo de mandados de busca e apreensão.

Ainda não se sabe a extensão dos fatos que motivaram a ação de hoje, mas faz anos que se sabe que Paulo Vieira de Souza, diretor da Dersa duante a construção do Rodoanel, nos governos tucanos de São Paulo, era coletor de recursos do partido.

Tanto que, quando José Serra foi confrontado com estas acusações e “se esqueceu” de quem era Paulo Preto, o agora preso reclamou que não se deixava “um líder assim na beira da estrada”.

Serra, por sinal, deve estar com as barbas de molho, ao ver as de Aloysio, seu parceiro, em chamas.

E o pacote de Moro, agora, ganhou mais alguns percalços no Congresso, embora Bolsonaro possa contar com o desvio das luzes para longe do caso Bebianno-laranjas.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

No caso Bebianno, a mentira é o que menos importa

Bernardo Mello Franco – O Globo
Na versão oficial, o novo governo terá a primeira baixa por causa de uma mentira. O vereador Carlos Bolsonaro acusou o ministro Gustavo Bebianno de relatar conversas inexistentes com o pai. “Mentira absoluta”, tuitou o Zero Dois. O presidente apoiou o filho e reforçou a fritura do auxiliar.

O tiroteio verbal agravou a crise, mas desviou o foco de sua origem. Bebianno está na berlinda porque comandava o PSL quando o partido que prometeu limpar a política declarou gastos com candidatos fantasmas. A família do presidente culpa o ministro pelo laranjal. Ele ameaça espremer o chefe depois que virar suco.
Como os repasses saíram do fundo eleitoral, o conflito de versões é o que menos importa. O essencial é saber quem embolsou o dinheiro público. E o que Bebianno está disposto a revelar sobre a “campanha mais pobre da história do Brasil”, nas palavras do presidente.
Se a mentira virasse critério de corte, sobraria pouca gente no governo. Na última semana, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugeriu que Chico Mendes era grileiro de terras. O ambientalista lutou pela floresta amazônica e foi assassinado a mando de um fazendeiro. Salles foi condenado por improbidade administrativa, acusado de fraudar mapas para favorecer uma mineradora.
A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, já virou folclore pelas cascatas em série. Antes de assumir o cargo, ela inventou que hotéis-fazendas incentivam a zoofilia e que os holandeses ensinam bebês a se masturbar. Em sua última contribuição ao anedotário, incentivou todos os pais de meninas a fugirem do país.
Os delírios da pastora sugerem que ela habita um mundo à parte, onde o fundamentalismo borra as linhas que separam realidade e ficção. O chanceler Ernesto Araújo parece orbitar o mesmo planeta quando nega as mudanças climáticas e promete libertar o Itamaraty do “marxismo cultural”.
Bolsonaro também tem uma relação conflituosa com os fatos. Na campanha, ele espalhou informações falsas sobre o voto eletrônico, a distribuição de livros escolares e a sua própria produção legislativa, entre outros temas. Em janeiro, foi a Davos e disse que o Brasil é “o país que mais preserva o meio ambiente”. Três dias depois, o mundo se chocou com as imagens de Brumadinho.
A exemplo de Donald Trump, de quem é fã, o presidente reage a cada desmentido acusando a imprensa de difundir “fake news”. No fim de 2018, o jornal “The Washington Post” atualizou a contagem das declarações falsas do republicano, um farsante contumaz. Concluiu que ele contou mais de 5.600 mentiras no ano. Uma média superior a 15 embustes por dia.

Mourão está no comando


Hayle Gadelha
Vamos falar claramente: o "governo" Bolsonaro já teria acabado, se não fosse o vice Mourão.
Nessa última trapalhada de pai e filhos envolvendo Bebbiano, Mourão teve que intervir drasticamente.
Com certeza deu um berro na família, declarou que "roupa suja se lava em casa", tirou os filhos do primeiro plano, mandou o pai fazer de conta que apoiaria Bebbiano para depois demiti-lo.
Se não demitisse Bebbiano, o "governo" Bolsonaro estaria extinto e os governantes militares estariam assumindo a total incapacidade de fazer política.
Mourão fez mais ainda: mandou acelerar a proposta de reforma da Previdência para mudar o foco.
E o filho Carlos, vereador no Rio de Janeiro, ainda arranjou uma medalha Pedro Ernesto para Mourão.

Moro e a visita à Taurus: nada a declarar

Elio Gaspari - Folha de S.Paulo
Em Brasília, o ministro Sergio Moro foi do noviciado ao folclore em menos de dois meses.

Quando lhe perguntaram se, dias antes da edição do decreto que facilitou a posse de armas, encontrou-se com hierarcas da indústria Taurus, deu a seguinte resposta:
"O direito à privacidade, no sentido estrito, conduz à pretensão do indivíduo de não ser foco de observação de terceiros, de não ter os seus assuntos, informações pessoais e características expostas a terceiros ou ao público em geral".
Madame Natasha intrigou-se com a vontade de Moro de ficar fora das vistas do "público em geral". Mandava melhor Armando Falcão, seu antecessor de 1974 a 1979, com o famoso bordão "nada a declarar".

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Prestes a deixar governo, Bebianno fala de lealdade em rede social


'Quando perdemos por ser leal, mantemos viva a honra' diz texto de autoria de escritor brasileiro
Após desavenças com o presidente Jair Bolsonaro e a eminente saída do governo, o ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, publicou um texto sobre "lealdade" nas redes sociais na madrugada deste sábado, 16. "Quando perdemos por ser leal, mantemos viva a honra. Saímos de qualquer lugar com a cabeça erguida ao carregar no coração a lealdade", diz um trecho.

O texto, atribuído ao escritor brasileiro Edgard Abbehusen, também diz que "a lealdade é um gesto bonito das boas amizades" e "só consegue ser amigo, quem aprende a ser leal".
Bebianno compartilhou o texto no Instagram. Na rede social, ele possui uma foto ao lado de Bolsonaro como imagem de perfil. O ministro é conhecido por ter sido um dos primeiros a atuar pela pré-candidatura de Bolsonaro à Presidência e foi seu braço-direito na campanha.
No ano passado, assumiu interinamente a presidência do PSL para ajudar Bolsonaro. Agora, é acusado de ter participação no uso de candidaturas laranjas no PSL em Pernambuco. Ele nega.  (Estadão)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

BBB17: as contas do aluguel de uma sigla



POR FERNANDO BRITO ·no Tijolaço



Bivar, Bolsonaro, Bebbiano. Ninguém é inocente da história do aluguel da sigla do PSL para abrigar a bem sucedida aventura presidencial do ex-capitão.

Bolsonaro deixou o PP, foi para o PSC (onde ainda está seu pitfilho Carlos), flertou com a sigla de José Maria Eymael, assinou uma “promessa de filiação” ao Partido Ecológico, que ]viraria “Patriotas” e acabou alugando, mobiliado, o quarto-e-sala do PSL a Luciano Bivar.

Nestes negócios, seu procurador foi Gustavo Bebbiano, tanto que foi a ele que se passou o poder de fato em arranjos assim: o de assinar cheques com recursos dos fundos (públicos) de campanha.

O preço fica claro na matéria de hoje do Estadão: de R$ 1,8 milhão repassados a Bivar por Bebbiano, R$ 1,1 milhão foram para a Nox Entretenimento, estúdio de gravação musical de seu filho Cristiano Bivar (R$ 250 mil) e para a grafiqueta de uma portinha só de seu subordinado Luiz Alfredo Vidal Nunes, dirigente local do PSLv (R$ 848 mil.

“Tudo perfeitamente legalizado”, diz Luciano Bivar.

O BBB17 é um espetáculo, mas até agora só Bebbiano foi para o “paredão”.

Mourão: Bolsonaro deve enquadrar filhos; prevê queda de Bebianno


Da agência Reuters

O vice-presidente Antônio Hamilton Mourão disse nesta quinta-feira que o presidente Jair Bolsonaro terá de controlar seus filhos, depois que um deles chamou o ministro de mentiroso nas mídias sociais, exacerbando as tensões em um novo governo que enfrenta seu 1º grande escândalo ministerial.
Em entrevista à Agência Reuters, Mourão também declarou que Bolsonaro ainda não decidiu se seu secretário-geral, Gustavo Bebianno, deveria deixar o governo diante das acusações de uso indevido de fundos de campanha nas eleições de outubro.
O escândalo envolvendo um dos assessores mais próximos, que nega as acusações, roubou o trovão das primeiras notícias da proposta de reforma do governo — uma pedra angular de uma ambiciosa agenda de reformas econômicas.
Mourão afirmou à Reuters que era hora de Bolsonaro "dar uma ordem unificada às crianças".
"Cabe ao presidente chamar seus filhos e dizer: 'Olha, você trabalha no Senado, você na Câmara e você na prefeitura. Vá trabalhar lá para apoiar as ideias do governo'", avaliou.

Procurador defende “01” e acusa imprensa. Haverá o “MP sem partido”?



POR FERNANDO BRITO ·no Tijolaço


Da coluna de Lauro Jardim, agora há pouco, sobre os cuidados “republicanos” do Ministério Público com Flávio Bolsonaro. A propósito, Fabrício Queiroz continua desaparecido, imune a depoimentos.

O procurador Sidney Madruga tentou arquivar uma investigação contra Flavio Bolsonaro sem fazer uma diligência sequer.

Como revelou Ítalo Nogueira, na “Folha de S.Paulo”, a 2ª Câmara Criminal de Revisão do Ministério Publico Federal determinou o prosseguimento do caso, aberto para apurar a invejável evolução patrimonial da excelência.

Madruga não só achou por bem engavetar a denúncia, como passou a defender por aí que Flavio Bolsonaro estava sendo vítima de perseguição da imprensa.

Numa mensagem enviada a colegas, na semana passada, Madruga foi explícito sobre o que pensa a respeito:

— Flavio Bolsonaro na minha mão. Lavagem (de dinheiro) eu vou descartar, nessa linha… Pior que foi como ele disse. Um advogado tirou cópia da FSP (Folha de S.Paulo), chamou de criminoso toda a família (sic)[…]. E a Globo querendo a cabeça do sujeito a todo custo. Perseguição implacável[…] Imprensa desse naipe não dá.

Sidney Madruga chegou a trabalhar com Raquel Dodge, mas não durou uma semana.

Ameaça a Bolsonaro: "Se eu cair, Bolsonaro cai junto"

247- Humilhado publicamente pelo vereador Carlos Bolsonaro e pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, o ministro Gustavo Bebianno, secretário-geral da Presidência, mandou um recado direto aos que defendem sua demissão por conta do escândalo de candidaturas laranjas do PSL. 

Segundo o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), Bebianno ameaçou expor os podres da campanha que levou Bolsonaro à Presidência. "'Eu posso cair. Caso isso aconteça, Bolsonaro cai junto!',
Mais cedo, Gustavo Bebianno também mandou outro recado ao governo. "Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado. É preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo", disse ele em uma conversa com interlocutores.
"Não vou sair escorraçado pela porta dos fundos", disse Bebianno, segundo o jornalista Gerson Camarotti
Aliados do ministro como o advogado Sérgio Bermudes indicam que ele tem munição para permanecer no governo. Segundo Bermudes, Bolsonaro deve sua eleição a Bebianno, o que pode ser interpretado como uma indicação de que o ministro pode revelar os podres de uma campanha ancorada em fake news .

Se mexer com a aposentadoria rural: deputados votam contra o governo

Líderes de partidos alinhados ao Planalto fizeram chegar à equipe de Guedes que, caso a proposta de reforma da Previdência mexa na aposentadoria rural, os deputados vão votar contra o governo.

Com o aval de Rodrigo Maia (DEM-RJ), caciques das principais bancadas na Câmara fizeram um acordo tácito no início da semana
Barrar qualquer modificação no regime dos trabalhadores do campo.  (Daniela Lima – FSP)

Gilmar Mendes e a Receita: tensão e vazamento

A tensão inaugurada pelo vazamento do relatório da Receita Federal sobre o ministro Gilmar Mendes, do STF, pode se estender para além do desconforto entre o Supremo e o governo.

Líderes de partidos do centrão ventilam a hipótese de chamar Paulo Guedes ao Congresso para explicar o episódio.
Esses parlamentares lembram que a Receita inaugurou um grupo de trabalho para monitorar cerca de 800 autoridades. Eles atribuem a esse núcleo a produção do documento sobre Mendes e acreditam que relatórios semelhantes ao do ministro foram elaborados sobre mais de 100 pessoas públicas. Querem saber o motivo.  (Painel)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Juntas vencem disputa conturbada contra bancada evangélica


Arthur Cunha – do Blog de magno Martins

Depois de muita reviravolta, confusão, troca de alfinetadas entre parlamentares e bate-boca de militâncias, as Juntas terminam com a Presidência da Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Políticas Públicas. Elas ficarão no comando do colegiado por dois anos, tendo Cleiton Collins como vice, representando a bancada evangélica. A eleição foi por aclamação. A oposição, que tinha como candidata Clarissa Tércio, se retirou e não votou. Collins também ficou ausente da votação.
A eleição das codeputadas só foi possível porque o líder do governo, Isaltino Nascimento, usando uma prerrogativa regimental, trocou na última hora um integrante do colegiado que votaria em Clarissa. Saiu o Presbítero Adalto e entrou o próprio Isaltino, o que decidiria a eleição, caso houvesse um bate-chapa.

Fúria de Bolsonaro assusta aliados e incomoda ala militar

Do g1

Ministros e aliados ouvidos pelo blog não escondem a perplexidade com a condução pelo presidente Jair Bolsonaro do caso do ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência).

Nos últimos dias, reportagens do jornal “Folha de S.Paulo” mostraram casos de suspeita de repasses do fundo partidário para candidatos “laranjas” do PSL, partido do presidente, comandado por Bebianno durante as eleições.

Nesta terça-feira (12), o jornal “O Globo” publicou uma declaração em que Bebianno diz que não é pivô de uma crise e que teria falado naquele dia três vezes com o presidente. Um dos filhos de Bolsonaro, vereador Carlos Bolsonaro, foi às redes sociais desmentir Bebianno.

Integrantes da ala militar do governo avaliam que é um erro fazer uma fritura em praça pública. Eles se referem à ação conduzida por Carlos e que, segundo eles, foi endossada pelo próprio Jair Bolsonaro.

“Se quiser tirar Bebianno ou qualquer ministro, há formas menos traumáticas”, disse ao blog um integrante do governo Bolsonaro.

A avaliação entre os próprios aliados é que o caso tem potencial explosivo, pela sinalização que o presidente dá em relação ao tratamento aos seus aliados mais próximos.

“Se Bolsonaro faz isso com um apoiador desde a primeira hora de sua campanha, imagine o que ele não pode fazer com qualquer um de nós”, comentou um influente dirigente partidário.

Independentemente das investigações que serão feitas em relação à acusação de uso de laranjas para distribuir fundo partidário nas eleições, integrantes do próprio PSL se mostram rachados sobre o caso.

Isso porque Bebianno tem uma boa imagem junto a setores da bancada. O que mais impressiona é o fato de o presidente Bolsonaro estar avalizando todas as ações do filho Carlos, para desestabilizar e inviabilizar de forma permanente a continuação de Bebbiano no governo.

No caso do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, contra quem também pesam suspeita de uso de “laranjas” para receber recursos do fundo partidário, o tratamento foi completamente diferente por parte da família Bolsonaro.

Há o reconhecimento no núcleo mais próximo do presidente que a situação de Bebianno ficou insustentável. Mas que, diante da resistência do ministro em deixar o cargo, Bolsonaro terá que assumir o desgaste de demiti-lo, depois de um longo processo de fritura.

Confusões no governo: deputados aumentam poder de barganha


A sucessão de conflitos e de crises em menos de dois meses de governo preocupa quem no Congresso farejava um clima favorável para a aprovação da reforma da Previdência. A partir de agora, valerá a regra de que timing é tudo: quanto mais o governo se desgasta, mais os parlamentares veem crescer o “valor” de seus votos e seu poder de barganha na hora de negociar apoio.

Por isso, Jair Bolsonaro voltou a Brasília com uma ideia fixa: aproveitar o que lhe resta de popularidade e ser, ele próprio, o porta-voz da reforma com os deputados.
A equipe do ministro Onyx Lorenzoni pensa em organizar um jantar para os 513 deputados federais no qual o presidente apresentaria, ao lado de Rodrigo Maia, os dois parlamentares que conduzirão o projeto na Câmara. Se ficar para o segundo semestre, a reforma já era, aposta um experiente observador.  (Coluna do Estadão)

Saída do ministro Gustavo Bebianno: ele pode cair atirando

Bolsonaro aterrissa no laranjal do PSL e leva crise para o Planalto
Chamado de mentiroso pelo presidente, Bebianno pode cair atirando
De reportagem de Bruno Boghossian – Folha de S.Paulo

Bebianno seria insuficiente para estancar a crise. Sua dimensão pode até crescer. O ministro sabe que tem responsabilidade pelos cheques que assinou pelo partido, mas também conhece o caminho do dinheiro. Exposto em praça pública, ele pode cair atirando.
Os primeiros alvos seriam o ministro Marcelo Álvaro Antônio(Turismo) e o atual presidente do PSL, Luciano Bivar, que direcionaram os recursos para as candidaturas laranjas. Se a lei da gravidade funcionar, a queda da dupla será inevitável.
As sequelas do conflito podem ainda causar novas dores de cabeça em Bolsonaro. Homem de confiança do presidente na disputa eleitoral, Bebianno conhece como poucos aliados os segredos de sua campanha.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Fundamentalistas religiosos associam morte de Boechat à crítica a Malafaia



Postagens de evangélicos no Facebook associavam a morte de Ricardo Eugênio Boechat com a resposta dada pelo jornalista ao pastor Silas Malafaia durante uma transmissão ao vivo no programa de rádio BandNewsFM.

O jornalista de 66 anos foi uma das vítimas da queda do helicóptero que ocorreu na manhã de segunda-feira (11), no Rodoanel em São Paulo, batendo na parte dianteira de um caminhão logo em seguida.

“Ô Malafaia, vai procurar uma rola”, começou Boechat em um discurso contra a liderança evangélica a respeito de intolerância religiosa, em junho de 2015. Os posts trazem links de notícias da queda de helicóptero com frases como “ninguém se levanta contra os ungidos do Senhor dos Exércitos” ou “maldito aquele que fala do ungido de deus”.

A briga entre os dois começou porque Boechat comentava a agressão sofrida por uma menina de 11 anos devido a intolerância religiosa. A criança foi apedrejada na cabeça porque é praticante do candomblé.

Malafaia, incomodado, publicou em seu Twitter um desafio para o jornalista: “Avisa ao jornalista Boechat, que está falando asneira, dizendo que pastores incitam os fiéis a praticarem a intolerância. Verdadeiro idiota. Desafio Boechat para um debate ao vivo. Falar asneira no programa de rádio sozinho, é mole, deixa de ser falastrão. Não incite o ódio”, escreveu o religioso.

Ao vivo, Boechat leu o tuíte e já respondeu botando a boca no trombone. “Ô Malafaia, vai procurar uma rola, vai. Não me enche o saco. Você é um idiota, um paspalhão. Um pilantra. Tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia. E agora vai querer me processar. Você gosta muito de palanque, não vou te dar palanque porque você é um otário. Não vou fazer debate nenhum com você porque não quero te dar essa confiança. O que eu falei e repito é que num âmbito de igrejas neopentecostais estão acontecendo atos de incitação à tolerância religiosa, mais do que em outros ambientes. Em nenhum momento, pode pegar minhas falas que estão gravadas, eu disse algo que generalizasse as coisas. Até porque, diferente de você, não sou um idiota”, começou Boechat.

“Você é um homofóbico, uma figura execrável, horrorosa, que toma dinheiro das pessoas. Você é rico porque toma dinheiro das pessoas pregando salvação depois da morte. Meu salário, meus patrimônios, vêm do meu suor, não do suor alheio. Você é um charlatão, cara. Que usa o nome de Deus e de Cristo para tomar dinheiro dos fiéis. Você é um tomador de grana. Você e muitos outros. Não medo de você não, seu otário! Vai procurar uma rola”, completou o jornalista.

Tarifa do leite em pó: o protecionismo não era um “lixo ideológico”

POR FERNANDO BRITO · no Tijolaço
Os jornais noticiam que Jair Bolsonaro desautorizou Paulo Guedes e mandou repor a tarifa antidumping às importações de leite em pó da União Europeia (de 14%) e da Nova Zelândia, (de 3,9%).

É só uma pequena mostra do quanto a “abertura selvagem” do Brasil pode nos trazer de prejuízo.

Em meados da década de 90, com a liberalização das importações, o Brasil, mesmo sendo um dos maiores produtores de leite, era o terceiro maior importador de produtos lácteos, com um déficit, na virada do século de quase meio bilhão de dólares.

A proteção tarifária enfrentou isso e em 2004 o Brasil passou a ter superávits crescente em produtos lácteos.

A produção não é concentrada, abarca boa parta da agricultura familiar e envolve 1,17 milhão de produtores de leite, quase todos eles micro, pequenos e médios.

A pressão assustou Bolsonaro, porque atingiu um setor simpático ao ex-capitão.

Vai demorar até isso ser reposto, porque as regras para o estabelecimento de alíquotas de importação exigem um trâmite burocrático.

E é uma derrota prática dos que defendem o escancaramento do país às importações, que planejavam cortar tarifas indiscriminadamente. Os que, na linguagem do ministro olavista das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, fazem no comércio exterior “sem ideologia” .

Senador diz que “espionar” a Igreja Católica é um atentado contra a liberdade religiosa

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), criticou hoje (11) a notícia divulgada pela Agência Estado de que o governo de Jair Bolsonaro estaria espionando a Igreja Católica por considerar a instituição uma “potencial opositora” aos seus projetos.

Segundo ele, utilizar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para investigar as ações do clérigo “é um atentado à liberdade religiosa e de expressão no Brasil”.

“Na sua sanha persecutória, o governo tem usado a Abin para fazer investidas contra a Igreja e seus fiéis. Vale lembrar que o Brasil é o país com a maior população católica do mundo, representando sozinho 27,5% dos católicos de todo o globo. É inaceitável esse tipo de ação em um país que se diz democrático. Não vamos aceitar esse absurdo. No Senado, vamos discutir ações e pedir explicações ao governo”, disse o senador pernambucano.

Ele disse também que a perseguição à Igreja Católica não tem nenhum sentido, muito menos a acusação de que a Santa Sé estaria fazendo uma ação sistemática contra o governo tem “base na realidade”.

As preocupações do governo Bolsonaro teriam como pano de fundo a preparação do Sínodo sobre Amazônia, que deve acontecer em outubro, em Roma, quando bispos de todos os continentes irão debater temas como a preservação do meio ambiente e a defesa de povos indígenas e dos quilombolas.

“A Amazônia não diz respeito somente ao Brasil. Há outros países latino-americanos que também têm em seu território uma parte da floresta. E nós sabemos o quanto o Brasil vai mal nesta questão do meio ambiente. Nós ainda estamos chorando os mortos do último desastre ambiental, em Brumadinho”, disse o senador.

Para ele, a ação do governo Bolsonaro lembra um “período sombrio” da história do Brasil, a ditadura militar, quando a Igreja sofreu com ações de difamação, invasões, prisões, tortura e até assassinatos.

Um dos casos emblemáticos, afirmou, foi o assassinato do padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto, auxiliar direto do arcebispo Dom Hélder Câmara. Ele foi sequestrado, torturado e morto no Recife, em maio de 1969.

Humberto ainda ironizou o fato de o governo dizer que vai pedir ingerência da Itália na Santa Sé.

“O absurdo dessa ação é tamanho que, mais uma vez, o Brasil vai virar motivo de chacota mundial. O que o governo Bolsonaro parece não saber é que a Itália não interfere nas ações do Vaticano, que é um país soberano, com estrutura própria de Executivo, Legislativo e Judiciário, e que a Igreja tem toda a liberdade de se posicionar da forma que achar que deve”, afirmou o senador.

Receita Federal recua e diz não haver provas contra Gilmar

Fisco diz saber quem pode ter vazado
“Não há procedimento de fiscalização em desfavor dos contribuintes citados”, diz a nota.
Do site 360 graus

A Receita Federal emitiu nota nesta 2ª feira (11.fev.2019) em que nega haver provas contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e a mulher do magistrado, Guiomar Mendes.
A investigação dos auditores da Receita Federal foi revelada pela revista Veja na 6ª feira (8.fev). Após a publicação da reportagem, Gilmar Mendes enviou ofício ao presidente do STF, Dias Toffoli, alegando “abuso de poder” e pedindo providências sobre eventual ato ilícito.
O documento da Receita Federal que é alvo da corregedoria do Fisco diz que Guiomar Feitosa Mendes recebeu valores de distribuição de lucros e dividendos de 1 escritório de advocacia –não identificado– nos anos de 2014 e 2015, segundo a Declaração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Não teria tido a devida correspondência na Escrituração Contábil Fiscal do estabelecimento, e seria necessário, portanto, apurar se houve de fato a prestação de serviços por Guiomar, já que ela teria recebido parte dos lucros.

Juíza que condenou Lula: sentença foi copiada de Moro de 2017

No recurso contra a condenação do ex-presidente Lula no caso do sítio de Atibaia (SP), a defesa do petista vai apontar similaridades na redação da sentença proferida por Gabriela Hardt com a redigida pelo então juiz Sergio Moro no do tríplex.

Os advogados de Lula identificaram que Hardt alterou a ordem de trechos, mas utilizou frases e expressões idênticas àquelas utilizadas pelo hoje ministro.
Na parte em que trata da dosimetria da pena, um parágrafo inteiro é idêntico ao escrito por Moro em 2017. (Painel)

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Aceno à CUT é sintoma de distanciamento entre Mourão e Bolsonaro

Em semana de ruptura, filhos do presidente se alinham a crítico do vice
Bruno Boghossian – Folha de S.Paulo
Na sexta-feira, o porta-voz do Planalto fez questão de relatar à imprensa que Jair Bolsonaro havia conversado por telefone com Hamilton Mourão. O governo preferiu ser vago. Informou apenas que os dois discutiram “alguns assuntos” e trocaram impressões sobre uma nebulosa “integração de ações governamentais e de planejamentos futuros”.

Não se sabe se a ligação durou mais do que os 40 segundos gastos pelo assessor para dar a notícia. Ninguém contou, também, se a dupla teve tempo de trocar algumas palavras sobre o inesperado encontro de Mourão com dirigentes da CUT.
Ao abrir o Planalto para um grupo historicamente alinhado ao PT, o vice reforçou a sensatez com que exerce o cargo, mas também cometeu um ato quase transgressor para demarcar mais uma diferença em relação a Bolsonaro. A distância política entre os dois é cada vez maior.
O presidente nunca escondeu seu desapreço pelas centrais trabalhistas. Em novembro, após vencer a eleição, ele ironizou essas corporações: “A vida de sindicalista é muito boa. É ficar lá, só engordando”. Meses antes, o filho Eduardo fizera um discurso na Câmara em que chamava integrantes da CUT de “vagabundos”.
Mourão, ao contrário, disse aos sindicalistas que gostaria de liderar a interlocução do governo com movimentos sociais, segundo o relato de um dos participantes do encontro.
A última semana delineou uma ruptura entre o núcleo bolsonarista e o vice. Depois que a revista Época noticiou que Mourão havia debochado dos livros de Olavo de Carvalho, o ideólogo chamou o general de “charlatão desprezível”. No dia seguinte, os filhos Carlos e Eduardo mostraram de que lado estão: apoiaram Olavo e disseram que ele foi responsável pela vitória de Bolsonaro.
Quando João Figueiredo se internou nos EUA para uma cirurgia em 1981, ele recebeu 72 ligações durante 16 dias. Nenhuma delas partiu do vice Aureliano Chaves, com quem o presidente mantinha uma relação de desconfiança. Bolsonaro e Mourão ao menos ainda se falam ao telefone.