Da agência Globo
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br),
considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,91% em
agosto sobre julho, segundo dados dessazonalizados divulgados pela
autarquia nesta quinta-feira. Esta foi a maior redução mensal desde maio
de 2015 (-1,02%). O resultado também aprofunda a queda, já que em julho
o índice recuou 0,02% frente ao mês anterior — o dado inicial, de
-0,09%, foi revisado pelo BC.
O resultado veio pior que a previsão
de recuo de 0,69%, apontada por analistas em pesquisa Reuters. Mas
melhor do que algumas projeções, como a do banco Bradesco, que esperava
uma queda de 1,1%, devido ao fraco desempenho da produção industrial no
período.
Na comparação com agosto de 2015, a economia encolheu
2,72% sem ajuste sazonal. O dado ajustado mostra uma queda ainda mais
acentuada, de 4,43%. No ano, o tombo é de 4,98% (sem ajuste) e de 5,42%
(com ajuste). O resultado acumulado ao longo dos últimos 12 meses,
mostra que, sem ajuste sazonal, a economia se retraiu em 5,48%. Já o
dado com ajuste aponta uma queda de 5,6%.
Durante quase todos os
meses de 2016, o índice do BC ficou no campo negativo. As exceções foram
registradas em junho e abril. A expectativa dos economistas do mercado
financeiro era que — após o afastamento da presidente Dilma Rousseff —
os indicadores passassem a ficar no azul.
"Algum sinal mais
evidente de reversão da atual recessão (...) só deve vir no último
trimestre deste ano. Crescimento, talvez só em 2017", avaliou em nota o
economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves.
Também
em nota, o economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs, afirma esperar
que a economia continue enfrentando dificuldades devido a condições de
financiamento exigentes, mercado de trabalho fraco, altos índices de
inadimplência das famílias, fraqueza da demanda externa e uma ainda
contida confiança do consumidor e dos empresários.
A leitura de
agosto é um reflexo da fraqueza econômica mostrada recentemente em
outros indicadores, destacando a dificuldade de o país dar sinais
consistentes de recuperação depois de o PIB recuar 0,6% no segundo
trimestre sobre o período anterior, segundo dados do IBGE.
A
produção industrial sofreu em agosto um tombo de 3,8% sobre julho,
interrompendo cinco meses seguidos de ganhos, enquanto as vendas no
varejo apresentaram queda de 0,6% na mesma base de comparação. Por sua
vez, o setor de serviços registrou queda de 1,6% no volume de vendas em
agosto sobre o mês anterior, com destaque para a retração nos serviços
prestados às famílias.
Na quarta-feira, o BC reduziu a taxa
básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, no primeiro
corte desde 2012 e no que deve ser o início de um ciclo de baixa que
pode ajudar na recuperação da economia.
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